Notas iniciais
Demorei? É claro que demorei! Me desculpem e não me abandonem, okay? Música da Demi Lovato

POV — Rose Weasley

Acordei mais cedo que meu pai como sempre e fui até a cozinha, coloquei a garrafa de água na geladeira e peguei qualquer coisa para comer, voltei para o meu quarto e me tranquei ali.

A minha relação com meu pai estava longe de ser civilizada, ele não fazia nada além de me xingar todos os dias e quando eu tinha 14 para 15 anos comecei a cantar no Pearls of Night e também a beber e fumar. A verdade é que eu nunca entendi nada ao meu redor.

Primeiramente por minha ter nos deixado quando eu tinha cinco anos, ela simplesmente saiu de casa com meu irmão, Hugo, no colo e desde então nunca mais voltou. Eu não sei se o motivo foi por meu pai ser um bêbado, o que era bem provável, ou se era realmente culpa minha, como meu sempre dissera. Mas, eu tinha só cinco anos na época, o que uma criança de cinco anos pode fazer de tão grave para obrigar sua mãe a sair de casa? Mas o que sempre me matou foi ela ter me deixado com ele, por que não me levou junto? Acho que nunca saberia.

Depois, meu pai era outro que nunca me tratava com carinho, eu fui criada a base de gritos e xingamentos que na época eu nem sabia o significado de muitos. Eu me lembro um pouco da época que ele não bebia tanto, acho que um ano antes de minha mãe nos deixar, e podia-se dizer que até parecíamos uma família feliz, mas eles nunca paravam de brigar e ele começou a beber e a falar xingamentos para Deus e o mundo, então ela nos deixou.

Acho que nunca irei me dar muito bem no amor, essas foram duas das pessoas que eu mais amei no mundo, duas pessoas que deveriam ser como heróis para mim, mas não eram. Eu amei Riley Steinfeld e ele me quebrou por dentro, ele só queria tirar minha virgindade e eu era muito jovem e imatura na época para perceber isso, depois que ele conseguiu isso me deixou e nunca mais voltou, ele é a pessoa que eu mais odeio no mundo inteiro, sem sombras de dúvida. Também foi por esse fato que eu comecei a cantar e a beber e fumar, acho que nada valia muito a pena.

Fiquei no meu quarto a tarde inteira e quando eu achei que iria morrer de fome, deu quatro e dez e Dominique me ligou manando eu descer. Pois é, a família do meu pai também não ligava muito para ele mais e poucos ainda ligavam para mim, eram mais meus primos. Peguei minha mochila com algumas coisas que seriam necessárias, como a roupa que eu usaria no show.

Desci as escadas e fui em direção a porta o mais rápido que minhas pernas permitiram.

– Aonde você vai? — perguntou meu pai da poltrona de sempre com outra garrafa de bebida na mão.

– Vou sair com Dominique — disse e ele riu secamente.

– Como sempre.

– Fazer o que — disse dando de ombros — Já sou maior de idade, você não manda mais em mim.

Bati a porta da frente com força, antes que ele pudesse falar mais alguma coisa e fui até o carro de Dominique.

– E aí? — perguntou ela quando entrei no carro.

– Estou com fome — disse abraçando minha mochila.

– E qual a novidade? — perguntou ela dando partida — Você não tem comida em casa, não?

– Não tenho é disposição para sair do quarto — disse e ela riu, me entregando um pacote de biscoito.

– Vamos até a casa de Felipe antes de irmos para boate — disse ela e eu concordei com a cabeça.

– É, eu sei, ele falou comigo sobre isso — disse a ela — Vamos treinar?

– Provavelmente.

Depois de uns 15 minutos chegamos a casa dele e Dominique buzinou, descemos do carro e esperamos até que ele viesse abrir a porta.

– Oi meninas — disse ele abrindo a porta e abrindo passagem — Entrem.

– Como vai?

– Bem — ele disse dando de ombros — Vamos ensaiar lá em baixo.

Descemos até o porão, que era um lugar improvisado para ensaiarmos. Felipe morava sozinho, ele já tinha 20 anos e gostava de sua liberdade, sempre íamos para casa dele ensaiar ou ficar de bobeira.

– E então, por que temos que ensaiar? — perguntei me jogando numa das poltronas e acendendo um cigarro. Dominique não gostava que eu fumasse e nem Felipe, por mais que ele fumasse.

– Bom, eu descobri algo que acontecerá lá na boate — disse ele e eu o encarei com uma expressão que dizia claramente "Okay, quer que eu adivinhe?" — É uma batalha de bandas.

– Batalha de bandas? — perguntou Dominique sorrindo e ele confirmou com a cabeça.

– Claro que eu não deveria ter contado isso para vocês, não era nem para eu saber disso — disse ele dizendo tudo lentamente como se fossemos crianças que iriam sair dali contando para todos — Então, fiquem de boca calada.

– Tudo bem, a gente sabe — disse revirando os olhos — E, você sabe quem vai competir com a gente?

– Pelo o que eu escutei, será a banda de Riley Steinfeld — ele disse me encarando atentamente e eu engoli um seco. Okay, era algo que eu realmente não estava esperando — Você tem alguma música, Rose?

– Sim — disse engolindo um seco uma vez mais e peguei o violão que estava num canto. Respirei fundo umas três vezes tentando controlar a respiração. Essa música sempre me lembrou muito o Riley, por isso eu estava com dificuldade, mas eu cantaria.

– Pode começar — mandou ele e eu acenei com a cabeça.

Reuni todas as minhas forças e deixei meus dedos brincarem pelas cordas do violão.

Os céus estão chorando, eu estou assistindo

Recolhendo lágrimas em minhas mãos

Somente o silêncio em seu fim

Como se nunca tivéssemos tido uma chance

Você tem que me fazer sentir como se

Não tivesse restado mais nada de mim? – fechei meus olhos com força, fazendo o possível para não visualizar os olhos castanhos de Riley.

Você pode tomar tudo o que tenho

Você pode quebrar tudo o que sou

Como se eu fosse feita de vidro

Como se eu fosse feita de papel

Os olhos dele apareceram na minha cabeça, lembrei de suas juras de amor e tentei ocupar minha mente com qualquer outra coisa, mas o que surgiu nela não foi muito bem o que eu esperava.

Vá em frente e tente me puxar para baixo

Eu vou me levantar do chão

Como um arranha-céus

Como um arranha-céus

Abri os olhos meio atordoada, os olhos do menino loiro da noite anterior estava em minha mente agora e eu não sabia o que seria pior. Os olhos de Riley ou os dele?

Enquanto a fumaça se dissipa, eu desperto

E desembaraço você de mim

Te faria se sentir melhor

Assistir enquanto eu sangro?

Todas as minhas janelas ainda estão quebradas

Mas eu estou de pé

Você pode tomar tudo o que tenho

Você pode quebrar tudo o que sou

Como se eu fosse feita de vidro

Como se eu fosse feita de papel

Vá em frente e tente me puxar para baixo

Eu vou me levantar do chão

Como um arranha-céus

Como um arranha-céus

Vá, corra, corra, corra

Eu vou ficar bem aqui

Assistindo você desaparecer, yeah

Vá, corra, corra, corra

Sim, é um longo caminho pra baixo

Mas eu estou mais perto das nuvens aqui em cima

Tentei demonstrar todo o rancor que sentia de Riley nesse momento e deu certo.

Você pode tomar tudo o que tenho

Você pode quebrar tudo o que sou

Como se eu fosse feita de vidro

Como se eu fosse feita de papel, Oh

Vá em frente e tente me puxar para baixo

Eu vou me levantar do chão

Como um arranha-céus

Como um arranha-céus

Como um arranha-céus!

Como um arranha-céus!

Terminei de cantar e abri os olhos que tinham se fechado novamente.

– Foi ótimo — garantiu Felipe aplaudindo junto com Dominique.

– Obrigada — disse deixando o violão de lado.

– Vai cantar essa música na competição?

– Não — disse me sentando novamente e pegando o cigarro, mas ele tomou de minhas mãos, revirei os olhos mas ignorei — Eu colocaria muito sentimento e com ele lá, não daria em boa coisa.

– Tudo bem, veremos a outra música depois — disse ele e eu concordei com a cabeça — Vamos para Pearls of Night?

– Vamos lá.

Notas finais
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