Crazy
14 Em pedaços
Notas iniciais

POV – Scorpius Malfoy
– Rose, ele morreu – disse sem a encarar e fiquei em silêncio. Ela não disse nada, a olhei preocupado, mas ela continuava sem reação – Eu sinto muito, Rose.
– Eu acho que... – ela tentou dizer alguma coisa, mas desmaiou logo em seguida.
– Socorro! – gritei a segurando – Alguém me ajude!
Logo dois homens apareceram correndo na minha direção com uma maca, eu a coloquei deitada ali e fui atrás deles enquanto a levavam para uma sala.
– Quem é você? – perguntou ele entrando na sala.
– Eu tenho que ficar aqui com ela, ela precisa de mim! – disse desesperado e ele me encarou penalizando e permitiu que eu entrasse.
Eles começaram a examiná-la e tiraram sua pressão.
– A pressão dela está muito baixa – eles disseram entre si e eu baguncei meu cabelo desesperado, quase chorando já.
– O que isso significa? – perguntei me aproximando.
– Ela vai ficar bem – ele me garantiu – O que aconteceu?
– O pai dela morreu – disse respirando fundo – Overdose, bebeu de mais eu acho, aí ela desmaiou aqui no hospital.
– Entendo – ele disse a olhando tristemente – Eu sinto muito, por vocês dois. Ela ficará bem, quando acordar poderá ir embora.
– Tudo bem, obrigada – disse e eles saíram da sala.
Puxei uma cadeira até o lado da sua cama e me sentei ali segurando sua mão, em pouco tempo eu já dormia.
*****
POV – Alvo Potter
Scorpius saiu correndo atrás de Rose eu disse a James e Dominique que os deixassem, que ele iria cuidar bem dela.
Dominique chorava descontroladamente no camarim, estava deitada na poltrona com a cabeça no colo de Jay.
– Eu sinto muito – disse Felipe com a cabeça baixa.
– Obrigada, cara – disse tentando sorrir, mas não consegui, não dava. Tio Rony tinha se afastado de todos a muito tempo, depois que tia Mione fora embora eu acho, mas eu não sei, não tem como saber. Era muito pequeno na época, nem mesmo James se lembra de muita coisa e Teddy fora proibido de contar qualquer coisa, mas já estava na hora de descobrir o que havia por trás disso.
Iria atrás de tia Mione, tenho certeza que Scorpius, James e Fred me ajudariam e também teria que procurar Annie o mais rápido possível, para ela esclarecer essa história a Rose.
POV – Rose Weasley
Acordei e olhei em volta, estava no hospital, franzi o cenho e tentei me lembrar como havia ido parar ali.
Foi então que me veio, meu pai. Ele havia morrido, havia tido uma overdose, estava sumido e eu nem fui atrás dele. Nem tentei evitar isso. Comecei a chorar, primeiro baixo e depois solucei descontroladamente como se nunca fosse parar.
– Hey, ta tudo bem – disse Scorpius e só então percebi que ele estava sentado ao lado da minha cama, sua cabeça antes apoiada no colchão.
– Não está não – disse entre as lágrimas e ele segurou meu rosto entre as mãos.
– Vai ficar tudo bem – ele prometeu afastando minhas lágrimas – Eu estou aqui, pequena. Vou cuidar de você.
Eu não disse nada, apenas deitei novamente a cabeça no travesseiro e fiquei o encarando.
– Eu vou chamar o médico – ele disse tocando uma campainha ao lado da minha cama – Ele vai te examinar e então, irá te liberar.
– Tá – disse fracamente, ele voltou a se sentar na cadeira e segurou minhas mãos. Eu apenas fiquei encarando o teto. Meu pai, pensei comigo mesma, Eu perdi meu pai, não tinha mais ninguém. Quer dizer tem a Domi, o Al e o Jay, meus outros parentes e até mesmo o Felipe e o Scorpius. Mas o que eu faria agora? Não ganho o suficiente para me garantir na Pearls, como eu iria manter a casa? Como sobreviveria? Lágrimas silenciosas voltaram a escorrer pelo meu rosto, mas Scorpius nada disse, estava respeitando meu momento sabia que eu precisava colocar as ideias em prática e que eu precisava chorar, ele apertou minha mão de leve como se dissesse Eu estou aqui. O médico entrou no quarto, ele não disse nada ao ver que eu chorava, apenas me examinou.
– Ela está liberada – disse a Scorpius que balançou a cabeça positivamente – Eu sinto muito pela perda, Srta Wesley.
E dizendo isso ela saiu do quarto me levantei da cama e Scorpius me puxou para perto, me aconcheguei em seu peito, mas segurei as lágrimas.
– Vou te levar para casa, vamos lá – ele disse beijando meu cabelo e me tirando do hospital e então guiando até o carro.
Não disse nada, abracei meus joelhos assim que sentei no banco e ele deu a volta sentando no banco do motorista, ele respirou fundo e me encarou, mas eu não o encarei de volta.
– Está tudo bem? – eu balancei a cabeça me abraçando com mais força – Precisa de alguma coisa?
– Não – respondi quase num sussurro.
– Tudo bem – ele disse respirando fundo e dando partida no carro. Estava claro que ele estava desesperado por alguma maneira de me ajudar, eu me sentia mal por deixá-lo assim, então só o que eu fazia era segurar minhas lágrimas para não deixá-lo ainda mais preocupado.
Chegamos em frente a minha casa e ele estacionou e parou me encarando.
– Rose... – ele tentou falar qualquer coisa, mas eu balancei a cabeça negativamente.
– Tudo bem, eu vou descer, tá legal? – disse tentando sorrir e abri a porta do carro, mas ele puxou meu pulso fazendo-me entrar – O que foi?
– Você não tem que ser sempre forte, Rose – ele disse e eu abaixei os olhos, os sentindo ardendo pelas lágrimas já prestes a cair – Eu estou aqui, sempre vou estar aqui. Pode chorar a vontade.
Aquelas palavras foram demais para mim, pois eu não aguentei mais segurar as lágrimas que escorreram desesperadamente pelo meu rosto. Ele me abraçou com força contra seu peito e eu me agarrei a sua camisa.
– Eu preciso entrar? – disse ainda soluçando.
– Tudo bem – ele falou limpando involuntariamente minhas lágrimas.
– Eu quero que fique aqui, Scorpius, eu preciso que fique – disse o encarando.
– Eu fico, eu vou ficar Rose – ele disse e eu confirmei com a cabeça abrindo a porta do carro, ele trancou o carro e entramos na minha casa. Olhei ao redor, nunca mais veria meu pai ali, nem ali e nem em lugar nenhum, ele havia ido e eu não podia mudar isso.
Scorpius ficou em silêncio atrás de mim, meus olhos decaíram sobre a poltrona em que ele sempre ficava e minha garganta se fechou, meu estômago embrulhou e eu senti que iria vomitar, então corri escada a cima e praticamente me joguei em frente ao vaso, vomitando todo o conteúdo do meu estômago.
– Calma, Rose – disse Scorpius me levantando pelos ombros e me abraçando novamente – Vai ficar tudo bem. Você precisa de um banho.
– Tá – respondi me virando de costas para ele.
– Vou ficar ali no corredor, tudo bem? – ele disse e eu confirmei com a cabeça.
Quando escutei a porta se fechar fui até ela e a tranquei a porta. Tirei a roupa e entrei de baixo do chuveiro deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo e levar a dor embora, mas ainda doía, meu coração está apertado e minha garganta com um nó.
Nunca fomos próximos, nunca havíamos nos tratado muito bem. Mas eu o amava e agora ele se fora e talvez pensando que eu o odiasse e eu nunca me perdoaria por isso. Nunca.
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