Crônicas de luz e sombras
19 Parte 15: Pegos pelas sombras. A Magia da água aparece.
Ardia em chamas o que já foi uma província. Charbano, uma das províncias mais ricas do reino tinha sido tomada pelos obsidianos, que mataram e destruíram tudo que vinham pela frente. Homens, mulheres, crianças e idosos. Nem mesmo um grande território foi páreo para conter o ataque. Suchiro comemorava em seus novos aposentos. Paredes banhadas de sangue, corpos a queimar no chão, cabeças em estacas... Onde estaria o rei Tamashi entre isso tudo, Dizia os que ainda tinham força pra respirar.
—Foi uma grande conquista para nós hoje, quem não conheceu o nome dos obsidianos, descobriu da pior forma. Futuramente veremos histórias e canções da coragem e bravura de todos!
—Homens mortos não contam histórias e nem fazem canções, mestre suchiro.
—Como ousa falar assim com nosso mestre, Ichin? Peça desculpas.
—Escute o que Girley diz, peça desculpas ao mestre.
—Falei apenas a verdade San. Foi um grande marco para nossa organização mas mesmo assim não seremos os heróis dessa história, quem sabe no final eles escrevam e façam canções de como nós derrotaram.
—Seus pensamento me decepcionam Ichin, você é o mais sábio de seus irmãos, um homem jurado ao Deus das sombras, mas mesmo assim, nos dirige a palavra como se fôssemos inimigos.
—Mestre suchiro, mesmo que o rei esteja envolvido, como ele irá explicar toda essa matança ao resto do reino? Ele nem ao menos se pronunciou sobre algo ou mandou tropas para disfarçar nossos feitos.
—O rei Tamashi irá agir na hora certa, Agora não é o momento. Depois que tomamos charbano, nenhuma das províncias vizinhas irá querer briga com nossas tropas, estariam dando espaço a outra guerra.
—Se nosso objetivo era apenas o medalhão, me diga mestre Suchiro, pra que tomar toda essa província e matar todas essas pessoas se poderíamos apenas retirar a vida de dois insetos?
—Insetos esses que você não teve chance, logo irá chegar o momento deles. Não podemos passar o resto de nossas vidas escondidos em templos ou em bordéis. A revolução tinha que ser feita e estou fazendo.
—Não irei mais contrariar suas decisões mestre Suchiro, quero que apenas me dê a chance de matar o Zen e sua pequena vadia.
—Faça como preferir mas leve seus dois irmãos, eles serão de grande ajuda.
—Se iremos nós três, eu quero cuidar do Zen, vou queimar todos os seus órgãos internos e farei churrasquinho dele depois.
—Eu que ficarei com o Zen, Girley, Vou arrancar todos membros dele e farei uma fogueira com seus ossos.
—Deixem de falar essas coisas nojentas com o que pretendem fazer com aquele pulguento, Podem ir os dois pra cima dele. Eu, Ichin, ficarei com a pequena vadia.
—Parem de falar e comessem a agir. Quero aquele medalhão comigo antes do amanhecer.
—Claro mestre!!! Disseram os três.
Ainda na floresta perdida:
—Papai, tenho certeza de que algo ruim está acontecendo, sinto gritos de agonia em minha mente.
—Isso é apenas coisa de sua cabeça, Este é um momento para descansarmos. Fiquei sabendo que uma organização muito poderosa de magos de luz está na província de Linistia, é um pouco longe mas acho que chegaremos dentro de alguns dias.
—Algo realmente ruim estava acontecendo em charbano enquanto estávamos dentro do medalhão, Acordei ouvindo gritos de crianças como eu, mulheres, e até bebês. Se os obsidianos estiverem envolvidos nisso podemos ser os próximos.
—Tenha calma Aiko. Sei que você não é alguém de blefar mas por enquanto só podemos esperar amanhecer.
—É a primeira vez que sinto medo de verdade, eu acho, todos esses gritos e vozes.
—Venha pra perto de mim, eu te protegerei.
Zen tentava criar os primeiros laços familiares com Aiko, colocou ela entre seus braços e a viu fechar os olhos. Aquele seria o momento mais prazeroso que ele teria vivido durante todos esse anos. Trancado naquela prisão sendo torturado... Todas as noites pensava como seria a aparência dela, tentou várias vezes fazer círculos mágicos e entrar em contato, quando conseguiu, teve que segurar a emoção de esta falando com sua filha, e ali estava ela, em seus braços. Ele então olha pra estrelas no céu e pensa nos bons momentos que teve com Hasu.
—Querida... Talvez se eu tivesse largado essa vida, estaríamos nós três em casa.
—Não se culpe tanto papai.
—A-Aiko, ainda está acordada?
—Você tá tremendo bastante, não consigo dormir se ficar assim.
—Me desculpe.
Os dois sorriram um para o outro.
—Você precisa se acostumar mais com essa de ser pai.
—E você deveria deixar de ser uma criança levada.
Aiko ria enquanto Zen fazia cócegas nela.
—P-pare, papai...
—Você pediu por isso.
Em uma montanha não muito longe.
—Encontrei eles, vou derrubar o assassino primeiro.
Uma clarão se fez no céu. Zen, na mesma hora parou de fazer cócegas em Aiko, o que teria acontecido, ela não sabia explicar, sangue começou a sair de sua boca e suas roupas logo também já estavam manchadas, ele não conseguia se mexer.
—Papai!!! Papai!!! Me escuta o que aconteceu?
—A-Aiko... F-fuja Da-daqui.
—Mas papai o que...
Zen tinha sido atingido no coração, seu corpo caiu bem ao lado de Aiko e ela nada poderia fazer. A única pessoa da família que lhe restou, morreu em sua frente. Desceram de todos os lados uma tropa de obsidianos, cercada e sendo forçada a lutar Aiko ativa sua magia para se defender só que é atingida no olho.
—A pequena vadia queria lutar, não é engraçado pessoal?
Todos riam.
—Meu olho!!! Está doendo!!!
—O que? Não consigo te ouvir. Você deu sorte menina, a bala não perfurou seu pequeno cérebro. Chame isso de revolução.
—O que está acontecendo aqui?
—Senhor Ichin, perdão, é que matamos o pulguento e pegamos a filha dele.
—Vocês mataram o Zen? Como?
—Usamos a arma que o cientista kain estava desenvolvendo pra gente, de longe eu conseguir acertar um tiro no coração dele.
—Meus dois irmãos queriam lutar com ele, melhor você voltar imediatamente para base, eu cuido deles.
—Sim, como o senhor desejar.
—E olha o que temos aqui!!! Uma vadia sangrando pelo olho, que magnífico!!!
—Eu vou matar todos vocês, vou vingar meu pai e minha mãe. Dizia Aiko chorando.
—Olha que lindo!!! Não vai poder vingar seu pai e nem sua mãe se estiver morta, tente fazer isso quando eu trancar você em uma jaula.
Os dois irmãos de Ichin já vinham em sua direção.
—Mano, pensei que nosso trato fosse eu e o San ficarmos com o Zen, por que o matou?
—Não foi eu que o matei Girley, quando cheguei aqui ele já estava morto.
—Que droga, vamos ver quem chuta a cabeça dele mais longe, o que acha Girley?
—Que comece a brincadeira.
Aiko começa a rastejar pelo chão.
—Parem por favor, não façam isso com meu pai!!! Por favor me matem também, não quero ver isso.
—Você vai ver sim. Disse Ichin enquanto sorria
—Por favor não... Aiko desmaia.
—Girley, San, já deu por hoje, vamos levar o medalhão e a garota para o mestre Suchiro, acho que ele vai encontrar um bom uso para ela.
—Tudo bem.
Ichin carrega a garota enquanto Girley e San brincavam com o medalhão, uma triste realidade essa em que Aiko estava. Charbano tomada, seu pai estava morto, suas esperanças também. Parecia ser esse o final.
—Ei cabeças de fogo.
—Quem disse isso? Exclamou Ichin.
—Olha a água!!!
Uma onda gigante veio em direção aos gêmeos que foram levados pela correnteza, uma pessoa estranha então pega Aiko no braço e foge do local.
—Girley, San, vocês estão bem?
—Estamos. Disseram os dois.
—Parece que teremos um grande problema, os idiotas de Linistia começaram a se mover.
Em outro local, a pessoa estranha escorou Aiko em uma árvore. Ele parecia não ter intenções ruins com ela e apena a salvou.
—Como esses malditos puderam fazer isso, Se eu não chegasse a tempo... Tenho que falar com os Dez mil anos luz, vai ser uma história e tanto para eles.
—P-papai, papai... Aiko murmurou.
—Quando ela acordar vai ser difícil explicar isso tudo, melhor procurar algo para comer enquanto ela descansa, também tenho que tentar cuidar esse ferimento, farei sem que ela sinta muita dor. Meu nome é valkia, O garoto mais esperto do clã das águas, vai ser moleza pra mim.
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