Crônicas de luz e sombras
20 Parte final: Dez luzes no horizonte.
Quando Aiko acordou, percebeu que não estava mais na posse dos obsidianos. Sentiu-se aliviada mas mesmo assim o medalhão já não estava mais com ela. Alguém tinha cuidado dos seus ferimento enquanto ela ficou inconsciente, conseguiu ouvir uma voz durante a noite mas não conhecia de quem era. De repente, vinha alguém pulando pelas árvores, ela se escondeu e começou a observar quem era que se aproximava.
—Garota, onde está você? Eu trouxe comida. -Era valkia que dizia isso.
Aiko então usa a magia em direção a ele e com um ataque consegue derruba-lo no chão, ela então corre para o seu lado e o rende.
—Quem é você?
—Calma, calma, eu sou o garoto que te salvou e cuidou dos seus ferimentos. Meu nome é valkia do clã Nanji das águas.
—É um dos clãs de Linistia, o que você faz aqui?
—Fiquei sabendo que a província de Charbano tinha sido tomada e vim voando pra cá, literalmente.
—Por que me salvou?
—Eu vi uns caras mexendo com uma garotinha e o pai dela, achei aquilo muito cruel e quis ajudar.
—Pai... Pai...
Aiko cai sentada no chão e começa a chorar.
—Desculpe pelo que aconteceu com seu pai, ele parecia ser alguém legal.
—O reino agora está em perigo, não protegi meu pai e nem o medalhão.
Valkia então revira nos seus bolsos e tira o medalhão sagrado de um deles.
—Esse medalhão?
—Mas como você...
—Digamos que eu tenha mãos rápidas. -Falou valkia enquanto balança o medalhão.
—Obrigado!!!
—Não foi nada, apenas me diga seu nome.
—Aiko.
—Você não tem sobrenome?
—Sobrenome? O que é isso?
—É um nome que vem depois do primeiro, tipo um nome de família essas coisas.
—Que me lembre, apenas pessoas templo real poderiam ter um segundo nome, O primeiro nome do antigo era Valkiro, mas preferia ser chamado só de Comoto, e seu irmão que sucedeu o trono é Tamashi Comoto.
—Eu tenho um sobrenome.
—Qual seu nome?
—Meu nome é Valkia, Valkia Comoto, filho de Valkiro e sobrinho de Tamashi.
—O que?
Foi um tremendo choque para ela ver que o filho de um rei andava sujo de lama, descalço e com as roupas furadas.
—Eu sei que parece meio estranho o filho de um rei vivendo como mendigo, eu nem conheci meu pai, minha mãe trabalhava em um bordel na época. -Valkia olha pro chão um pouco sem jeito.
—Então você é um bastardo do rei.
—Como você sabe dessas coisas garota? Você deve ter no mínimo uma oito anos.
—Sete, nunca julgue os pensamentos dos outros pela idade.
—Me desculpe.
—E agora o que vamos fazer, Valkia?
—Eu tinha um extremo contato com uma organização chamada de Os dez anos luz, eles também são da província de Linistia e a maioria deles sãos sobreviventes do clã Bara.
—O clã da mamãe! Mas como eles vão nos ajudar?
—Se eles vierem da mesma forma que vim, não vai demorar muito para começarmos a agir, vamos derrotar os obsidianos.
—Obrigado por ter cuidado dos meus ferimentos, não vejo a hora de tirar essas faixas do olho para enxergar melhor e...
—Aiko, você sabe melhor que eu. Você não vai mais enxergar por esse olho, a bala que te atingiu danificou todo seu globo ocular.
—Só queria ter um pingo de esperança.
Valkia para animar Aiko se levanta e fica de frente para ela. Aponta o dedo para sua cabeça e depois sorri.
—Olhe Aiko, podem arrancar meus braços ou até minhas pernas, mas nunca vão conseguir retirar o que tem em minha mente, enquanto puder de todas as formas, tente.
Ela sorriu com o que valkia disse.
—Você é uma boa pessoa.
Em outro local, no templo dos obsidianos, suchiro derrubava algumas estátuas para demonstrar o tamanho do seu ódio, Ichin e seus dois irmãos permaneceram ajoelhados de frente ao trono enquanto viam seu mestre quebrando tudo. Mais uma vez falharam em pegar o medalhão e aquilo não lhe agravada nem um pouco.
—Estavam em suas mãos. A garota e o medalhão, e o que vocês fazem? Vocês perdem os dois para um estranho. -Disse Suchiro com muita raiva.
—Eu lhe explicarei tudo mestre. San, Girley, vão descansar, deixe que eu me resolvo aqui.
—Tudo bem. -Disseram os dois.
—A responsabilidade é toda minha, mestre Suchiro, deixe que meus irmãos se dirijam a seus aposentos.
—Não consigo entender Ichin, vocês capturam a garota e estavam com o medalhão, mas mesmo assim deixou que um estranho fizesse isso com nossos planos?
—Era um garoto e tenho certeza que ele veio diretamente de Linistia pra cá, não existem pessoas do clã Nanji morando nessa região, acho que ele soube o que aconteceu com Charbano.
—Então foi aí que ele usou sua magia da água.
—Isso mesmo mestre Suchiro, não teríamos chance contra ele, já que controla a água e nós o fogo.
—Acho que ele tem alguma ligação com os dez anos luz, se eles vierem pra cá teremos problemas.
—Mas enquanto ao rei Tamashi, o que ele fez em relação ao nosso ataque?
—Ele disse que iria acalmar a população e que também iria dizer que estava fazendo algo a respeito.
—Entendo, mas enquanto a captura dá garota, foi um das nossas tropas que abateu ela e o pai dela.
—Impossível, Zen e a garota eram fortes.
—Eles estavam usando uma das criações do cientista kain, as tais tão faladas armas de fogo.
—Consegui vários carregamentos dela para usar com nossas tropas, de que serve ensinar magia as tropas futuras se podemos apenas dar armas a eles.
—Isso mesmo mestre Suchiro, Algo útil, mas a magia ainda é muito mais poderosa que qualquer arma.
—A precisão substitui a força eu digo. Ichin, está dispensado, fique no aguardo de minhas ordens, espero que dessa vez você não volte a falhar.
—Entendido.
Na província de Linistia, um grupo que estava na aldeia de Alkiris, discutiam os acontecimentos dá província de Charbano. Eram eles Rosinante, valerian, Mantis, partricus, Estela, Devuros, Derickson, poliglotis, Anne e o líder deles valderion. Juntos eles formavam a organização Dez mil anos luz, um dos melhores magos que já existiram.
—Escutem todos, se o que valkia nos disse nessa carta é verdadeiro, então temos que agir. Mandarei grupos com cada um de vocês para lugares específicos mas todos nós encontramos em Charbano.
Poliglotis, o mais brincalhão da organização, se levantou para falar.
—Chefinho, se vamos lutar, temos que fazer um grande banquete antes de partir e também não podemos sair cedo, tenho que me despedir das garotas no bordel.
Valerian, uma das mais valentes se levanta também.
—Por que ainda prende esse idiota em nossa organização chefe, poderíamos muito bem achar alguém melhor que ele.
—Sei como se sente valerian mas da mesma forma que você é útil ele também é.
—Não perca seu tempo com a valerian chefe, eu sei que ela me ama.
—Os demais aqui tem algum pronunciamento?
—Não!!! -Disseram todos.
—Cada um de vocês se juntem em grupos de dois e se espalhem pelo reino, nos encontraremos em Charbano, poliglotis irá comigo.
—Certo, chefe.
Enquanto isso, valkia corria atrás de Aiko. Ele tinha chegado a conclusão de que ela precisava de um banho mas de repente Aiko começou a fugir dele.
—Aiko! Você não pode correr. Vamos, me deixe te dar um banho.
Ela de longe grita.
—Você tentou tirar minhas roupas, como posso confiar que você só quer me dar um banho?
—Ora, não seja idiota, você é só uma criança pra mim, eu prefiro as que tem minha idade.
Ela volta até onde ele estava, já sem roupas, Valkia fica meio envergonhado com a atitude dela.
—Pronto, se você quer me dar banho, esse é o momento.
—Eu só queria te ajudar a tirar as roupas sua bobona, não vou tocar em você.
Aiko então da um tapa no rosto de valkia que fica sem entender o que estava acontecendo.
—Por que me bateu?
—Por ser um idiota.
—Francamente. Vamos, o rio fica bem alí.
Os dois então caminham até a água mas somente Aiko entra no rio, valkia permanece observando sentado na margem.
—O que aconteceu valkia? Você não vai tomar banho?
—É que eu já tomei banho.
—Sujo dessa forma? Vamos entre no rio e tome banho comigo.
—Pare sua idiota, eu já disse que tomei banho, não é por que você está nua no rio ou coisa parecida, olhe eu estou limpo.
—Não precisa ter vergonha, eu já tomei banho com minha mãe no rio.
—Mas é diferente, vocês duas são mulheres.
—Pode até ser mais era estranho, os seios da minha mãe meio que boiavam quando ela entrava no rio e...
—Pare!!! Tá bom, eu entro, mas vou entrar de roupa.
—Você que sabe, valkia do clã dos garotos tarados.
—hei.
No templo real, o rei Tamashi se preparava para discursar diante do povo. Ninguém no reino sabia que ele estava ligado aos obsidianos, a não ser seus quatro conselheiros. Um deles seria o homem que enviou a carta para Hasu, se passando por Zen, o próprio diretor da prisão de sangue, Cervantes.
—Se não fosse por você Tamashi, a essa hora não estaria mais vivo. Um dia depois de minha saída aquele maldito traidor conseguiu escapar e foi até a minha sala para me matar.
—Zen está morto, de acordo com o relatório que chegou hoje de manhã, ele foi morto com mais uma das invenções do kain.
—Eu me lembro bem de quando o Zen chegou em virulia com sua esposa, eu tinha certeza de que ele era o traidor do reino então relatei ao mestre Suchiro, o maldito teve a audácia de apagar a memória do mestre mas eu sabia muito bem como reverter o processo de amnésia. -Disse um dos quatro.
—Você me ajudou bastante e ao mestre Suchiro, tivemos sorte de que um dos nossos morasse em virulia.
—Só não entendo o por que me forçaram a fazer toda aquela encenação com aquele velho fedorento.
—Você é o nosso espião favorito Tanaka, não queríamos que ficasse envolvido no ataque a aldeia para não levantarem suspeitas de você. E o Mizei já teve contato com Zen algumas vezes, você conseguiu extrair várias informações para nós.
—Eu poderia muito bem ter matado aquela garota quando tive a chance, mas não consigo dominar bem a mágica e ela estava sempre ao lado daquele velho. Logo quando vocês atacaram o templo eu matei aquele velho estrangulado com meu colar dá família. De qualquer forma não consegui achar a garota.
—Sua família estava em virulia, você não sentiu nenhum remorso com a morte deles?
—Fiquei triste mas foi por uma boa causa, O Deus das sombras é o único que pode reinar o Nimbus, minha família é algo bastante pequeno comparado a ele.
Alguém entra na sala para avisar que os preparativos para a cerimônia já estavam prontos.
—Vocês fiquem aqui, eu, o rei Tamashi irei falar com meu povo.
—Sim, meu rei. -Disseram eles.
Tamashi então foi até a sacada do templo para falar com o povo. Em baixo estavam várias pessoas gritando de tristeza pelo acontecimento na província de Charbano, todos viram o rei como esperança naquele momento sem pensar que ele estava envolvido com obsidianos.
—Escute, meu povo, eu sei que o acontecimento em Charbano foi algo que nos chocou. Mas como o rei, eu não posso permitir que mais vidas sejam retiradas, já foram enviadas tropas para tentar retomar a província mas ainda não obtiveram sucesso, vamos evitar que mais guerras aconteçam e que o sangue do nosso povo seja derramado, eu prometo a vocês, que enquanto eu reinar por toda a Durkantes, Tentarei tomar o que é nosso por direito.
—Vida longa ao rei!!! -Todos gritavam no local.
O rei então volta para a sala enquanto o povo voltava a seus afazeres, ele conseguiu os enganar mas não sabia por quando tempo iria durar todas essas mentiras.
—Fiquei impressionado com seu discurso, Tamashi.
—Muito obrigado Tanaka, basta algumas palavras bonitas e eu consigo manipular esses pedaços de esterco.
—Cervantes, o que aconteceu com nossos outros dois amigos, eles estão muito calados, você não acha?
—já tinha percebido Tanaka, eles irão falar quando chegar a hora.
—Esse é um grande passo para nosso objetivo, iremos continuar com a procura da garota pelas províncias e do meu sobrinho bastardo. Ele é o único que teria envolvimento com os dez mil anos luz, será um perigo enorme se o povo se rebelar contra nós e ele tomar meu lugar no trono.
—Enquanto Rainha, ela não teve filhos com ele?
—A esposa de Valkiro era muito fraca e morreu para uma doença que a atacou, eu poderia muito bem ter filhos mas casamentos não fazem meu forte, o único a reinar aqui deverei ser eu.
—Uma dádiva a escuridão?
—Uma dádiva a escuridão!!!
"A DESTRUIÇÃO IRÁ PERSISTIR, ENQUANTO AS LUZ E A ESCURIDÃO LUTAREM"
FIM.
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