Crônicas de luz e sombras

15 Parte 11: Uma luta sem regras. O verdadeiro poder de Ichin


Era possível ouvir de todos os lugares, gritos de agonia dos que estavam sendo torturados na prisão. Barulho de chicotes, armas afiadas e pontiagudas. Aiko continuava segurado a roupa do seu pai enquanto ele pensava em alguma forma de dizer a ela a verdade, ela ainda não sabia que Zen era seu pai, ele teve medo de que ela o culpasse pelo resto da vida pela morte de sua mãe, ao mesmo tempo, sentia raiva. Uma pessoa teria mudado um pouco seus planos e tirou todas as esperanças que Hasu tinha. A carta que ela recebeu não era do Zen, foi o diretor da prisão que a escreveu como "últimas palavras". Ele queria vingança e só sairia daquele lugar quando matasse.

—Zen a gente deve se apressar, os prisioneiros que estão nas outras celas parecem agitados e podem chamar atenção de algum guarda. Disse Aiko.

—Tenha calma Aiko, ainda tenho que resolver algumas coisas, qualquer homem que cruzar meu caminho eu matarei sem exitar.

—Isso faz de você um homem mal então.

—Todos os que matei, foram pra proteger as pessoas do reino e ela.

—Ela?, Quem?.

—Deixe pra lá garota, o que importa é proteger você agora.

—Não se preocupe Zen, posso ser pequena mas sou bastante forte.

—Sei que é. Disse Zen rindo.

Ao chegarem no final do corredor, estava a passagem que levava até onde os prisioneiros eram torturados, de lá, deu pra se ouvir os gritos cada vez mais altos. Zen dobrou a direita para chegar a sala do diretor da prisão, ele estava realmente levando a sério a sua vingança e não iria parar. em um momento, tentaria afastar Aiko do local para que não ficasse sabendo de algo amais, poderia por tudo a perder, pensou ele.

—Aiko, está vendo aquela porta?, Quero que vá até lá e procure alguns arquivos sobre os obsidianos, soube que há um cofre lá. tenho certeza que o império real tem alguma ligação com eles, você saber ler, certo?.

—Claro que sei. Minha mãe Hasu era a melhor em tudo e me ensinou a ler, ela disse que meu papai era incrível e sabia lutar tão bem e...

—Não perca tempo. Zen encosta na parede com uma das mão. Seus dentes rangiam e ele carregava uma expressão de culpa em seu rosto.

—Zen... Está tudo bem?.

—Está sim Aiko, vá até lá, só estou um pouco tonto por que não como a dias.

—Quando sairmos daqui vou te fazer um pão delicioso, minha mãe me...

—Vá logo!!!

—Tudo bem, seu chato.

Aiko então se dirigiu a porta onde estariam escondidos alguns arquivos sobre os obsidianos e a possível ligação do reino com eles, Zen, foi até a sala do diretor para cumprir sua vingança mas tinha algo errado. A sala onde deveria está o diretor da prisão estava vazia, algo raro de se acontecer, ele
nunca saia do seu posto.

—Onde foi aquele maldito?. Zen parte a mesa em dois com sua espada.

Aiko chegou até a sala onde estaria os arquivos, uma sala muito grande por sinal. Várias prateleiras alianhadas do começo ao fim. Bem no canto, do lado direito, estava um cofre grande e bem resistente, Aiko bateu nele com suas mãos e viu que as camadas de ferro eram muito grossas. Para ela, teria que derreter os suportes sem que fosse esmagada pela porta ou queimasse os arquivos por dentro. Então sua magia de luz é ativada e ela começa a derreter os suportes dá mesma forma que fez com as grades na cela de Zen, ficou ao lado do cofre para que o impacto da porta não a atingisse. Faltando apenas um suporte, ela viu que logo iria cair, deixou do jeito que estava por enquanto e foi em busca de algumas caixas ou coisas para amenizar o barulho da porta de ferro caindo no chão. Conseguiu arrumar algumas caixas e uniformes de prisioneiros, alinhou todos no chão só que num momento de distração o último suporte se rompe e a porta começa a cair. Ela sem pensar em mais nada usa sua magia e a porta do cofre voa, quebrando todo telhado da prisão, indo para o lado de fora, quase atingindo Ichin que tinha acabado de chegar, ele pulou do seu cavalo levando a melhor e se esquivou, Não tendo a mesmo sorte, seu cavalo foi esmagado pelo impacto.

—Nunca gostei de receber boas vindas. Disse ichin indo para o portão principal.

Com o barulho provocado pelo ataque de Aiko, Zen vai até a outra sala e vê que parte do teto da prisão estava destruído. Aiko passava a mão em sua cabeça com um pequeno sorriso falso em seu rosto.

—Parece que acabei fazendo um pouco de barulho, não é?.

—Essa é toda sua força mágica?, Como você conseguiu fazer um estrago desses?. Zen olhava pra ela surpreso.

—Digamos que essa não é toda minha força mágica, tenho ajuda do medalhão que aumenta minha força várias vezes, o máximo que consigo com minha própria magia são alguns feixes de luz ou coisas pequenas.

—Pegue todos os arquivos que estão nesse cofre e vamos embora daqui, todos os guardas e o diretor sumiram, acho que devem estar tramando algo.


—Tudo bem.

Zen olha da porta sua filha recolher todos aqueles papéis com suas pequenas mãos daquele cofre, ela olhava para o sorriso dele e ficava meio sem jeito com a situação. Depois de reunir todos em seus braços ela se dirige a porta para que os dois fugissem.

—Deveriamos olhar as prateleiras também. Disse ela sorrindo.

Como o vento, ichin então aparece na frente de Aiko e acerta um chute em seu rosto, pelo impacto, Aiko é jogada em direção as prateleiras derrubando algumas delas, desmaiou.

—AIKO!!!. Gritou Zen, tentou correr até ela só que foi pego pelo pescoço por Ichin.

—Olha se não é o assassino da máscara negra chamado Zen, estou impressionado com seu poder de assassino.

Zen empunha sua espada e faz um ataque contra Ichin que consegue se movimenta numa rapidez extrema, desviando do ataque.

—Como ousa fazer isso com essa criança?.

—Pode chamar de sua filha Zen, ela desmaiou com meu chute, não vai te ouvir. Ou será que invés de chute eu chame de soneca da tarde?.

Zen fica muito mais furioso e parte para cima de Ichin, mais uma vez prepara sua espada para outro ataque, dessa vez com mais força.

—Pretende fazer cócegas em mim?, Zen. Ichin senti na mesma hora que aquele seria um ataque muito diferente do anterior, se abaixa faltando pouco segundos para o ataque finalizar, levando apenas alguns fiapos do seu cabelo. A força do ataque foi tão devastadora que cortou todas as prateleiras e a parede da prisão ao meio.

—Você nunca foi de fazer os outros rirem, né?. Dizia Ichin.

—Irá pagar pelo que fez com minha filha, não o perdoarei por isso.

—Não precisa do seu perdão mas... Ichin Aparece muito rápido na frente de Zen posicionado para outro chute. -Você precisa do meu.

Então Ichin ativa sua magia do fogo e sua perna começa a ficar em chamas, acerta um chute no peito de Zen que o faz quebrar a parede com o impacto de suas costas.

—Estou impressionado Zen, vocês do clã dos assassinos são muito fortes, não sei se conseguirei segurar as pontas por aqui.

Zen se levanta dos escombros no chão com sangue saindo de sua boca.

—Tem sorte por eu estar fraco garoto. Quero lutar com você em outra ocasião quando estiver mais forte.

—Não terá outra ocasião. Você morrerá aqui mesmo seu pulguento. Ichin olha pra trás e ver uma luz.

No momento em que Ichin se distraiu com a luz, um chute foi acertado em seu rosto com uma força extrema. Ele conseguiu se segurar no chão mas mesmo assim o chute foi bastante forte, ferindo um lado de seu rosto.

—O que foi isso?. Disse Ichin

Uma mulher de cabelos longos aparece. Brilhava como sol e seu poder de luz era incrível, era Aiko novamente em sua nova transformação.

—Isso é o que eu chamo de dia do pagamento. Disse ela.

Ichin se sentiu humilhado naquela hora e partiu para o ataque. Os dois trocavam socos e chutes numa velocidade extrema. Logo depois usaram suas magias e o fogo e a Luz tomou toda a sala. Aiko estava levando a melhor sobre ele, Ichin já estava ficando cansado e decide pular sobre o buraco no teto.

—Como estou sem tempo, terei que deixar pra matar vocês outra hora, espero que aproveitem o canhão de três selos que preparei para todos vocês aqui nessa prisão.

—Canhão de três selos?, O que é isso?.

Aiko lembra do que tinha acontecido no templo de Mizei e explica a Zen.

—Temos que sair daqui rápido, tudo aqui vai explodir. Não sei se essa minha forma consegue suportar tudo mas acho que não conseguirei te proteger, vamos.

Zen um pouco surpreso pergunta a filha.

—Você sabe quem eu sou?.

—Você é meu melhor amigo Zen, vamos sair daqui.

Os dois sorriram. Quando procuraram por Ichin ele já tinha ido em bora.

—Vamos sair daqui Zen. Aiko pega seu pai pelo braço e pulam pelo buraco.

Tinha algo muito estranho do lado de fora, estavam na floresta e Ichin caminhava para sair dali. Aiko aterrissa no chão.

—Não pense que deixaremos você fugir Ichin.

—Não estou fugindo, apenas deixei sua sentença de morte para outra hora.

—Pretende deixar todos esses prisioneiros sendo torturados e com fome em suas celas, morrerem?.

—Olhe garota, pouco me importa todos esses prisioneiros, eles terão o que merece, se ouviu algum grito de tortura, sinto lhe dizer que nenhum guarda estava no local para fazer isso. Tudo que ouviu foi apenas o grito daqueles que não conseguiram descansar em paz.

—Maldito.

O vento começa a soprar mais rápido e as nuvem começam a se alinhar, o canhão já estava quase pronto. Zen cai de joelhos no chão. Ainda estava muito ferido pelo ataque que recebeu, o fogo provocado pela magia de Ichin fez com que alguns dos seus órgãos internos sofressem queimaduras, mas iria sobreviver.

—Terei que te carregar mais uma vez, antes que volta a minha forma original. Vamos para longe da floresta, conseguiremos ficar a salvo se ficarmos numa distância segura.

—Tudo bem Aiko.

Aiko então o coloca nos braços mais uma vez e corre daquele lugar, na distração dos dois, Ichin também já havia sumido do local. No momento Aiko e Zen deveriam se preocupar com o que estaria por vir, não demoraria muito para que outras pessoas viessem atrás deles mas era uma boa hora para fugir e descansar.