Ichin havia acabado de chegar no templo secreto. Suchiro estava sentado em seu trono na sala principal, seu rosto dizia o quão grande era sua raiva por ver que Ichin tinha falhado em sua missão.

—É a primeira vez que o vejo fracassar Ichin. Quero que me responda duas perguntas, quem sabe dessa forma eu deixe sua punição de lado.

—Mestre...

—Primeiro me responda, o que seus outros dois irmãos ficaram fazendo aqui?

—Eu pedi a eles que preparassem o canhão de três selos para atingir a prisão. Se eu conseguisse tempo, com certeza acabaria com todos aqueles condenados e com o Zen.

—Jogou no lixo a vida de prisioneiros?

—Prisioneiros que sofriam a dias sem comida. Você mandou o diretor e todos os guardas para o templo do reino, uma reunião certo?, Qual a sua verdadeira influência com eles?, Pensei que eram nossos inimigos.

—Parece que o rei Tamashi deixou todas as nossas diferenças de lado e se uniu a nossa causa. Por um período de tempo. Aquele medalhão que a pequena vadia carrega, estava bem no seu quarto, ele o deixou alí sem saber do seu real potencial, Deus do nimbus?, Isso é apenas idiotice, fiz com que meus infiltrados no reino mostrassem a ele qual o melhor e verdadeiro Deus.

—A pequena vadia que você fala me surpreendeu. Se tivesse ficado um pouco mais de tempo certamente teria morrido. Ela se transformou numa mulher linda, como se tivesse envelhecido alguns anos em poucos segundos. Sua força me deu esse pequeno presente no meu rosto, acho melhor seus soldados terem bastante cuidado com ela.

—Você foi um idiota por não ter matado ela quando teve a chance. Mas me diga, por que tanto tempo perdido?

—Pensei que fosse apenas duas perguntas. Ichin se dirige a porta que leva a sala de banho.

—Eu sou seu mestre e farei quantas perguntas eu quiser, me responda.

Ichin vira sua cabeça e olha para seu mestre. Ele sorri para ele com um rosto de quem gostava da situação. De todos os seus irmãos, ele era o mais psicopata.

—Eu apenas gosto de brincar com as pessoas. Disse ele antes de sair da sala.

Ichin conseguia ser frio e calmo em situações sérias. Ele é o único que Suchiro não conseguiu dominar completamente, temia ele que Ichin poderia matar qualquer pessoa por prazer, até seus irmãos e aliados. Quando passou pela porta, Ichin viu que seus irmãos já estavam na sala de banho. De braços cruzados, eles se recusavam a olhar pra Ichin, como se algo ruim houvesse acontecido e a culpa fosse dele.

—Nem pense em olhar no rosto desse mentiroso, San.

—Não vou fazer isso Girley.

—O que foi com vocês?, Seu irmão chega em casa, ferido e o tratam dessa forma?.

—San, diga ao Ichin que nosso trato era o chocolate, como ele não trouxe então ele é um mentiroso.

—Girley mandou eu te dizer que...

—Parem com isso, vocês sabem que eu amo muito vocês meus irmãos, peguem. Ichin joga algumas barras de chocolate no chão.

—Pensei que não tivesse conseguido. Disse Girley feliz.

—Foi como tirar doce de criança, literalmente. Se me derem licença, eu vou tomar meu banho e cuidar desse ferimento.

Em algum lugar da floresta perdida, Aiko teria acendido uma fogueira para que passasse noite com seu pai. Ela ainda não sabia da verdade e Zen evitava ao máximo se aproximar muito da garota, ela até pediu que ele se aproximasse para que dormissem um perto do outro, mas ele recusou.

—Olha Zen, tem horas que chego a pensar que você não é meu amigo. Você não se aproxima de mim, não procura conversar nem nada.

—Desculpe Aiko, eu ainda estou um pouco fraco depois que recebi aquele golpe, nunca tinha visto alguém forte como aquele garoto de cabelos vermelhos.

—Deixa de moleza, eu usei um pouco da minha magia medicinal que o Mizei me ensinou quando fui no templo, nem deve está doendo mais.

—Você conhecia o Mizei, que interessante, como ele está?

—Ele morreu tentando me salvar, ele e o Tanaka. Comendo esse coelho que caçamos me senti com falta da sopa de legumes dele, era um ótimo cozinheiro.

—Era um bom homem, cheguei a conhecer mas foi por um curto período de tempo, ele já foi concelheiro do rei Comoto, mas com a posse de Tamashi ao trono tiraram ele de lá.

—Ele me explicou várias coisas sobre esse medalhão. Sua origem, pra que servia... Poderia ter ouvido muito mas se esses idiotas não tivessem nos atacado.

—Sei como se sente.

—Zen, tenho algo a te perguntar. Aiko se levanta do chão e vai até o lado em que Zen estava, se agacha perto dele e pega em sua mão. -Você já foi casado?.

O coração dele começa a bater rápido. Ele não sabia o que dizer naquela hora e também não queria mentir pra ela. De alguma forma ele achou melhor contar tudo.

—Aiko, tenho algo que preciso de dizer, eu sou...

—Hahaha, seu bobo. Não fique tão envergonhado, eu não quero saber de sua vida pessoal. Só me diga, você já foi casado?.

—Fui sim, a uns sete anos atrás.

—Olha que triste, quando nasci, sua mulher te deu um pé na bunda, acho que foi o destino que fez isso. Se você ainda fosse casado certamente estaria com seus filhos em casa, junto de sua esposa e não com uma garota sozinha que estava sendo perseguida. Os pais são assim certo?.

—É... São sim.

—Acho melhor a gente ir dormir um pouco. temos que sair cedo e talvez já estejam nos procurando nesse momento.

—Ótima ideia, mas você que vai dormir garota, eu ficarei de vigia essa noite.

Aiko então se afasta dele e se deita próximo a fogueira.

—Tudo bem, boa noite.

Quando viu sua filha fechar os olhos, Zen pensou no quão significante era aquele momento. Suas últimas lembranças de Hasu, ficaram estampadas no rosto dela. Ele não queria morrer a qualquer custo e sempre estaria junto de sua filha. Se ela não o tivesse interrompido, teria dito toda a verdade, mas não sabia qual seria a consequência dessa revelação, então prometeu a si mesmo que não iria contar a ela que era o seu pai, nunca ligou para o ódio das pessoas que o rodeava, mas para ele, a pior coisa séria ser odiado pela filha que tanto amava. Uma das razões de Zen não ter fugido da prisão, foi apenas para querer pagar por todos os seus pecados. Viu que uma mulher humilde e bondosa como Hasu, não merecia um homem assassino e ganancioso.

O barulho de galhos quebrando no chão assusta Zen que logo empunha sua espada, olhou para os dois lado e não viu ninguém. Novamente o mesmo barulho volta a acontecer, acompanhado do balançar das folhas e um vento forte. Como uma chama que se acendia, ele viu uma luz se formando bem em sua frente, ficou parado e com medo pois viu que a luz se transformou em uma entidade parecida com uma mulher. O contorno de seu corpo mostrava que era uma bela moça de luz, se agachou perto de Aiko que dormia e logo após olha pra Zen.

—Ela sofreu muito durante essa caminhada. Disse a entidade.

Zen tenta dar um passo, mas o medo de que ela fizesse algo com a garota no momento em que ele entrasse em ação era muito maior. Apenas olhou de onde estava e guardou sua espada.

—Não a machuque por favor, ela é a única filha que tenho, a única pessoa que me faz lembrar minha esposa, se quiser uma vida, leve a minha.

—Sua vida não me interessa Zen. Não vou machucar você e nem ela, eu apenas saio do medalhão enquanto ela dorme para ver como ela está.

—Do medalhão?, Como assim?.

—Vejo que o segredo do medalhão continua intacto. Bem, não posso falar com você aqui, quero que entre no medalhão junto comigo.

—Dentro do medalhão?, Mas isso é loucura.

A entidade, para demonstrar a Zen o quanto era possível essa façanha, toca no medalhão que estava no pescoço de Aiko e acaba entrando como se tivesse sido sugada para dentro. Zen queria tentar entrar no medalhão também mas temia que Aiko ficasse a noite sozinha e em perigo. A entidade então põe parte do seu corpo pra fora do medalhão.

—Se está preocupado com ela, não tenha medo, vi que não tem kanjis ou tropas obsidianas na área, ela ficará bem, você voltará antes de amanhecer.

—Tudo bem então.

—Toque no medalhão e você será transportado para minha dimensão.
Lá eu irei contar a você toda a história do medalhão e os segredos que ele escondem, os únicos que conheciam esse segredo morreram e levaram ele consigo, ninguém das gerações futuras sabe dessa história, a não ser você. Vamos, me siga.

Ela então entra no medalhão mais uma vez deixando apenas sua mão do lado de fora.

—Vamos, toque-a.

Zen um pouco nervoso com a situação decide aceitar os fatos mesmo assim. Ele pega na mão da entidade e então é sugado para dimensão do medalhão. Ao chegar, viu que a dimensão era apenas um imenso branco como as folhas de um papel. Você não conseguia saber se conseguia sair do lugar enquanto andava, era como se todo lugar que fosse, seria o mesmo do ponto de partida.

—Me siga por aqui Zen, se chegamos a parede do fim, entraremos no Nimbus em questão de minutos.

—Nimbus?.

—Isso mesmo, onde nosso criador vive. Disse a entidade com um tom de voz alegre.

Era muita informação para absorver naquele instante, ele entraria no reino de Deus, o lugar onde o criador permaneceu todo esse tempo, -como seria esse lugar?, Um pecador como eu sou bem vindo?. Pensou ele enquanto seguia a entidade.