Katherine está correndo mais rápido do que poderia imaginar, ela vê por sua visão periférica a floresta ficando para trás enquanto Antony corria um pouco a sua frente segurando sua mão, ela está desesperada, suada, machucada, não entende o motivo de estar fugindo, e nem do que estava fugindo. Ofegante ela e Antony chegam à beira de um rio, e avista um corpo enrolado em sua capa, naquele momento ela lembrou que havia entregado uma capa daquela mesma cor para Jenevive, seu coração se aperta, ela tem que saber quem está enrolado na capa que outrora era azul e agora estava banhada em sangue, com lagrimas nos olhos ela pede em pensamento para os deuses “Por favor, por favor!” Ela se aproxima do corpo envolto na capa, já sabe que sua amiga está lá, mas não quer acreditar. Estica a mão e puxa a capa azul, e com um grito de dor ela reconhece o rosto sem vida de Jenevive.

Katherine acorda ofegante e suada, olha para o lado e vê Jenevive dormindo tranquilamente, ela se levanta e abre o baú da sua amiga, procura desesperadamente pela capa azul, e quando a encontra, esconde dentro do seu próprio baú, assim não correria perigo de Jenevive usar aquela capa, ela queria acreditar que foi apenas um sonho, mas sentiu dor de verdade ao ver a amiga morta, não queria arriscar, e com esse pensamento fechou o baú e voltou para a cama.

Agora sem conseguir dormir ela encara o teto abobadado de seus aposentos pensando na jornada que teria com Antony. Isso tudo era demais pra ela, como encontraria os nove deuses? Como conseguiria a benção de todos eles? E por que precisavam delas? Katherine nunca antes tinha ouvido falar que algum casal sucessor da fraternidade precisou cumprir essa jornada inteira, havia muito que ela não entendia, e ninguém se dispôs a explica – la, nem mesmo Jenevive, e isso já a estava perturbando. Enquanto pensava nisso, sem perceber caiu no sono outra vez...

Parecia que tinham passado apenas vinte minutos desde que Katherine pegou no sono, mas Jenevive a acordou como se já estivessem atrasada.

“Pelos Deuses!!! Estamos atrasadas!” – exclamou Jenevive enquanto saltava da cama e abria o seu baú.”

“E qual o problema de faze-lo esperar só alguns instantes?” – perguntou Katherine enquanto descia da cama.

“Sei que você está ansiosa para vê-lo Kate, não finja, além do mais, não é só Antony que está esperando por você lá em baixo.”

“O conselho da Fraternidade?” – perguntou em dúvida se queria saber a resposta, Katherine amava sua família, mas odiava a forma como eles controlavam a sua vida.

“Sim, e se chegarmos atrasadas demais é possível que nem me permitam mais ir com você.”

Com isso Katherine se apressou e pediu às criadas que a arrumasse depressa e ouviu Jenevive gritar:

“Você viu a capa azul que me entregou?”

“Guardei no meu baú!” – gritou de volta

“Tudo bem, quer que eu a espere?”

“Não, não precisa, desço num minuto”

Com isso Jenevive deixou os aposentos de sua amiga e desceu para o grande salão.

As criadas já haviam deixado Katherine sozinha em seus aposentos, ela procurava em sua cômoda o cordão que era de sua mãe, um cordão prata com uma safira azul do tamanho de uma unha do polegar perfeitamente lapidada como pingente, queria sentir sua mãe perto de si, e leva-la consigo em sua jornada. Ela procura o saquinho de veludo no qual guardara sua joia preciosa, quando escuta alguém bater nas portas dos seus aposentos, concentrada em achar o cordão ela simplesmente grita:

“Entre!” – Quando ouve passos em sua direção, sem nem ao menos ver quem é, ela completa – “Jene você viu o cordão da minha mãe?”

“Vi ontem a noite em seu pescoço, mas não sou Jenevive! – Respondeu Antony – Katherine eu queria conversar com você...”

“Sinto muito mas acho que já estamos muito atrasados.” – Responde tentando ignorar o nervosismo em saber que ele está em seus aposentos. Katherine achava um absurdo sentir tanta insegurança quando ele estava perto, como poderia se apaixonar tão rápido assim? Não, ela não poderia deixar que as fronteiras do seu coração baixassem nessa velocidade que considerava absurda., e como exatamente ele sabia qual era o cordão da sua mãe? Ela se vira e vê Antony parado em sua frente, a encarando com aqueles olhos perfeitos.

“Não se preocupe, não vão a lugar nenhum sem nós.” – Falou enquanto se dirigia à varanda. Katherine não vê opção a não ser segui-lo.

“Passei quase a noite inteira pensando em como será o dia de hoje, sei que vão ter dificuldades Katherine, e vou precisar que confie em mim.”

“Confiar? Você veio até aqui me pedir para confiar em você? Como posso confiar em quem não conheço? E como exatamente você sabe de que cordão eu estava falando?” – Respondeu indignada, como ele se atrevia? Primeiro invadiu seus sonhos e agora quer confiança? Não! Ele não merecia a sua confiança, ao menos não ainda, e ainda tinha a questão do cordão! Mas como ele poderia saber qual era? Ele e sua mãe eram assim tão próximos?

“Por que tanta raiva?” – perguntou confuso.

“Não estou com raiva, estou nervosa, e não sei se posso confiar em você.” – Respondeu tentando ser branda.

“Sei que é tudo novidade pra você, mas posso garantir, jamais te darei motivos para não confiar em mim.”

“Não é novidade pra você também?” – Perguntou curiosa, afinal, quantos anos ele tinha mesmo? Katherine percebeu que não sabia nada sobre seu futuro marido, e teve dúvidas se queria saber.

“Não exatamente, esperei ansioso por esse momento Katherine.”

“Você sempre soube que éramos prometidos?” – Perguntou chocada.

“Sim, desde o seu nascimento” – respondeu olhando em seus olhos

“Então eu era a única pessoa em Viranno que não sabia com quem me casaria um dia?” – Katherine não acreditava no que ouvia, ela tinha muitas perguntas, e nunca ninguém se dispôs a respondê-las.

“Entendo sua frustração, prometo responder todas as suas perguntas, mas por agora preciso que confie em mim.”

“ Quer minha confiança Antony da casa Thorne?! – perguntou de forma ríspida e continuou – Vai ter que merece-la.”

Com isso ela deu as costas e saiu dos seus aposentos, o deixando lá sozinho enquanto a observava sair do quarto.