Crônicas de Natasha, a herdeira dos Kirke
10 Capítulo 8: Dia 1 da Expedição
Notas iniciais
Mark ficou desesperado ao ver “aquilo” e começou a golpeá-lo, mas pelo jeito não surtia muito efeito. Ele precisava de ajuda. Foi então que o jovem escutou um rugido, ao se virar viu um leão correndo em sua direção. Pensou “pronto, era só o que me faltava, agora eu tenho que lidar com um leão também.” Mas não foi o que aconteceu. A tal criatura se lançou em ataque à “aquilo”, e se iniciou uma luta. Os dois rolavam no chão de um lado para o outro, era uma luta tensa, mas no fim o ajudador inesperado venceu. O animal dourado se virou para o moreno graciosamente, mas o mesmo ficou apreensivo, pois não sabia como lidar com a situação.
– Não tenha medo, eu venho em paz. Você me conhece, mas não sabe disso. Eu sou o rei de Nárnia, sou Aslam. — Terminou com um leve rugido.
– O-Oh, Rei Aslam, que honra vê-lo – Falou Mark se ajoelhando em sinal de respeito. Em seguida ele olhou para a amada preocupado.
– Não se preocupe ela esta viva. – Assentiu.
– Majestade eu a amo muito, não suportaria vê-la morrer por minha causa. – Se lamentou o guerreiro.
– Fico feliz pela sua bravura em atacar um lobisomem da feiticeira. – Elogiou o rei.
– Obrigado majestade, mas eu não consegui fazer nada para salvar a Nat... – Disse cabisbaixo.
– Mas isso não tira mérito de sua bravura meu jovem. – Explicou e sorriu para o menino, que retribuiu.
– Senhor, o que o trás aqui depois de tanto tempo?! Fiz alguma coisa que o desagradou? Algo aconteceu? – Pergunta o fauno sério e ao mesmo tempo surpreso em ver o rei que havia sumido faz décadas.
– Não fez nada que me aborreceu. Trago-lhe uma notícia, mais como um aviso sobre o que vai acontecer num futuro próximo. – Ele começou – Quando tudo estiver dando errado, se lembre de que eu vou estar sempre ao seu lado. Basta me buscar com todo o seu coração.
– Senhor, o que quer dizer tudo isso? Como assim tudo der errado? – Indagou o confuso o homem-bode.
– É exatamente esse o propósito da expedição. Você partiu buscando auxílio, mas na realidade, está aqui para encontrar uma coisa mais valiosa. – Afetuosamente disse o leão.
– Se assim o diz, não irei contrariar. – Abaixou a cabeça respeitosamente – Senhor, se me permiti mais uma pergunta, gostaria saber se Natasha irá ficar bem.
– Tenho certeza que a jovem se recuperará. – Falou e sorriu.
Mark olhou um pouco para jovem, que estava desacordada ao seu lado. E ao se virar novamente para o rei, não o encontrou. Ele havia partido. O moreno então se levantou e segurou a garota em seus braços e a levou para um lugar seguro. Ele a colocou dentro de um buraco que havia numa árvore. E facilmente a moça coube dentro, até sobrou um espaço para colocar as bolsas de ambos. Preocupado com o estado da mesma, ele começou a analisar os ferimentos dela. Eram dois arranhões no rosto, uma mordida na perna e manchas rochas no braço. Atenciosamente ele voltou ao lago, que não estava muito longe, pegou água e molhou um pano para colocar sob a parte danificada. Ele limpou, enfaixou e a deixou descansando, e resolveu se sentar do lado de fora da árvore e dormir um pouco também.
Depois de aproximadamente 15 minutos, a menina despertou um pouco assustada, o que acidentalmente acordou seu companheiro.
– O que houve? – Perguntou a loira num tom baixinho.
– Nós fomos atacados por um lobisomem. E Aslam nos salvou. – Contou Mark um pouco sonolento.
– Você viu Aslam?! – Exclamou surpresa.
– Sim, e ele me falou algumas coisas meio estranhas... – Cometou tentando se lembrar do que o leão havia contado.
– O que ele te disse EXATAMENTE? – Questionou preocupada.
– Acho que era algo como, “Quando tudo estiver dando errado, se lembre de que eu vou estar sempre ao seu lado. Basta me buscar com todo o seu coração.”.
– Huum, será que tem alguma coisa a ver com o meu sonho? – Pensativa disse Natasha.
– Que sonho? – Desta vez, quem perguntou foi o jovem.
– Eu tive um sonho com Aslam, mas não consigo me lembrar bem o que me dissera.
– Entendo, provavelmente a visita dele, e o seu sonho tem algum tipo de relação. – Concluiu Mark.
– A quanto tempo eu estou desacordada? – Falou um pouco assustada a loira.
– Acho que mais ou menos 20 minutos. – Fez as contas o fauno.
– Então temos que retomar a viagem, se não, não vamos conseguir voltar a tempo! – Se desesperou a moça.
– Você esta ferida, acho melhor diminuirmos o ritmo. – O jovem deu a ideia.
– Tudo bem, tudo bem. Vamos mais devagar. – Cedeu a garota. – Você é muito bom pra ser verdade.
Ao dizer estas últimas palavras, Mark corou, e a abraçou. “Eu apenas não quero te perder” ele sussurrou nos ouvidos dela.
Assim o casal voltou a se aventurar na trilha do bosque. Apesar de ter um caminho já traçado, e uma estrada com terra socada, é muito difícil passar por lá. Existem muitos buracos e desníveis, sem contar as criaturas que podem atacar a qualquer momento. Mesmo assim, eles conseguiram atravessar sem problema. Depois de um tempo eles foram caçar algo para comer, pois logo seria hora do almoço e não teriam muita coisa além de frutas. Muito procuraram e finalmente encontraram dois lobos selvagens (que pela aparência não eram falantes), a menina sacou seu arco, armou duas fechas e conseguiu acertar os dois duma vez. E então decidiram que Mark iria limpar a carne enquanto Natasha iria acender a fogueira.
Após o almoço, permaneceram descasando por alguns longos minutos até partirem novamente. Caminharam durante todo o resto do dia,e o dois conseguiram chegar até a floresta-dos-lobos, da qual percorreram ¼ . Como ela era muito fechada e não tinha uma trilha bem definida foi bem difícil para a loira andar, por isso seu companheiro a carregou nos ombros até anoitecer. Eles montaram acampamento, acenderam uma pequena fogueira para se aquecerem e esquentar o que tinha sobrado da última refeição.
Já satisfeitos e bem aquecidos, eles tiraram de suas bolsas um cobertor cada e se enrolaram cada um no seu, mas claro que lado a lado e cobertos por um maior, fazendo os ficar bem próximos. O casal ficou observando o céu estrelado por alguns minutos enquanto conversavam:
– Olha, acho que aquela estrela azul que está bem no canto é “O reflexo de Cair Paravel”. – Exclamou Mark.
– Como assim? Aquela lá é a estrela que forma o braço da constelação “A coragem do urso”. – Corrigiu dando uma gargalhada a bela.
– Como pode alguém saber tanto de estrelas como você? – Caçoou o moreno.
– E como alguém pode ser tão distraído como você? – Retrucou dando um tapinha na cabeça do fauno, que agora tinha chifres um pouco maiores.
– Okay, okay, espertinha você viu? – Concluiu e deu uma piscadela à sua amada.
Após um pequeno silêncio Natasha o quebra com uma ideia:
– Acho melhor fazermos rodízio de quem irá ficar vigiando, quem começa? Bom, como você me carregou acho justo que eu fique primeiro. – Opinou a loira.
– Huuum, tem certeza que você não esta cansada? – Perguntou um pouco preocupado.
– Tenho, e qualquer coisa eu te acordo. Tudo bem? – Tentou convencê-lo.
– Boa noite então “espertinha”. – E se virou para dormir, deixando uma mão descoberta, para que Natasha a segurasse. O qual ela o retribuiu e o beijou nos lábios, como se estivesse dando boa noite.
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