Notas iniciais
Espero que gostem! @_Astronautaa —------------------------

"SUA"

Wynonna foi para a casa dela com o Dolls e o Doc, eu passei a noite na delegacia esperando notícias.

No dia seguinte, Wynonna mandou uma mensagem dizendo que uma das recepcionistas, de um dos hotéis que ela invadiu, ligou para o Dolls e disse que "A moça da foto passou por aqui, ela parecia bem, embora tenha ficado de costas para a parede o tempo inteiro, mas já foram embora. Parece que tinha algo no quarto 14 que eles queriam. Como a camareira não veio, eu estava terminando de arrumar o quarto quando eles entraram." Wynonna também avisou que estava indo para o hotel, pegar as imagens das câmeras e que o Doc iria para a Mattie, então eu decidi que iria com o Doc.

— Oficial Haught, você não parece muito descansada. — Tirou o chapéu e bateu na porta da ferreira.

— Não é como se eu tivesse dormido. — Já tinha tomado uma garrafa de café para tentar ficar em alerta. A moça abriu a porta e fez sinal para a gente entrar. A gente entrou. Era difícil não reparar no quanto ela era bonita, mas eu não estava ali para isso.

— Parece que a Constance fez algum feitiço de bloqueio de localização, então eu só consigo ver o último lugar que a Earp esteve. — Eu respirei fundo, enquanto olhava para ela que colocava alguns objetos em cima da mesa. Doc parecia entender o que ela estava fazendo, mas eu não.

— O que você está fazendo? — Perguntei.

— Tentando desfazer o bloqueio, vocês vão ter que me ajudar. — Falou, não parecendo empolgada com a ideia. — Pega aqueles dois frascos em cima da pia.

— Qual o seu interesse nisso? — Perguntei e fui pegar o que ela pediu. Doc parecia intrigado com uma pintura num quadro no chão do local.

— Doc salvou minha vida uma vez, então se ele me pede um favor, eu faço. — Respondeu abrindo o pote de tampa azul.

— E por que ele precisou salvar sua vida? — Perguntei, Doc saiu do fundo do galpão e voltou para onde eu estava.

— Questões médicas, oficial Haught. — A ferreira abriu o outro pote e juntou tudo o que tinha em cima da mesa em um recipiente de madeira.

— Mas você não era dentista? Você me disse isso ontem. — Franzi a testa e esperei ele falar.

— Não é como se fizesse tanta diferença em 1880.

— O que você quer dizer com 1880? — Perguntei, mas a Mattie virou o recipiente na mesa novamente e pediu para que a gente jogasse sal, ao redor da mesa, enquanto ela fazia o segundo feitiço. Se não fosse tão séria a situação, claramente eu estaria rindo de tudo aquilo.

— Consegui. Aqui o endereço. — Anotou depois de alguns minutos repetindo algo que eu não entendia. Paramos de jogar sal na mesa e fomos para o endereço, no caminho avisei Wynonna.

Chegamos em uma casa coberta de neve e muito mal tratada, parecia abandonada. Wynonna ainda não tinha chegado. Fiz reconhecimento do local com a arma na mão e Doc vigiou a entrada. Abri a porta, era uma casa de apenas um andar e poucos cômodos. Henry entrou logo atrás de mim. Fiz sinal para ele verificar o lado esquerdo. Estava um silêncio enorme. Enquanto eu verificava a segunda porta, Wynonna entrou chutando a porta e gritando pela irmã. Henry e eu estávamos em silêncio para não chamar atenção, caso houvesse alguém ali. Às vezes era irritante trabalhar com a Earp mais velha. Logo a gente ouviu passos e batidas fortes em uma das portas do corredor onde Doc e eu estávamos. Wynonna correu pelo corredor.

— Waverly? — Colocou a mão na porta e esperou a resposta.

— Wynonna! A porta está trancada. — Gritou.

— Vai para trás, maninha, vou empurrar a porta. — Wynonna chutou a porta duas vezes e ela se abriu.

Waverly saiu de lá e abraçou a irmã por alguns segundos.

— Não tem ninguém aqui, vamos embora antes que isso vire uma emboscada. — Disse Doc, pegando um cigarro.

— Nicole! — Waverly veio em minha direção e me deu um abraço curto. — Achei que eu pudesse não te ver de novo.

— Você está bem? — Perguntei olhando uma marca vermelha em seus pulsos.

— Tudo bem, é que eu estava amarrada e tentei me soltar.

— Que bom que você está bem. — Respondi, sem conseguir esconder que eu estava aliviada em vê-la.

— Nicole, obrigada. — Wynonna olhou para mim e logo depois colocou a mão nas costas da Waverly e disse, — Eu vou levá-la para casa, ok? — Olhei para Waverly, esperando que ela pedisse para eu ir ou ainda me dissesse algo, mas ela parecia tão cansada...

— Ei, — segurou meu braço de leve — eu estou sem celular, eles levaram, ok? Quando eu tiver um número novo eu te aviso. — Soltou meu braço e foi atrás da Wynonna que conversava com o Doc do lado de fora.

— Se vocês precisarem de alguma coisa, qualquer coisa, me avisem. — Falei enquanto andava até o carro e eles também.

Eu queria saber o que fizeram com ela, por que deixaram ela sozinha ali, por que a levaram. Eu sabia que a Wynonna ia cuidar dela e ia fazer o que precisasse para pegá-los. Era difícil ficar de fora, às vezes parecia que era melhor voltar para casa da minha vó, parecia tudo mais fácil lá. Como eu não tinha escolhido o fácil, eu ia continuar lá. O mais estranho de tudo era saber que tudo poderia ter acabado de uma hora para outra, eu finalmente tinha me conectado com a Waverly, ela estava finalmente aceitando quem ela poderia ser por ela e não pelos outros. Esperava que no fundo ela soubesse que se precisasse ou quisesse poderia contar comigo.

Voltei para a delegacia exausta, Nedley ligou para Wynonna e pediu que levasse Waverly no dia seguinte para depoimento. Antes de chegar em casa eu comprei um engradado de cerveja, para tentar esquecer o quão preocupada eu ainda estava, porém ao mesmo tempo aliviada de ter conseguido achá-la. Antes de terminar a primeira garrafa eu já estava dormindo no sofá por exaustão.

No dia seguinte acordei com a Clarissa batendo à porta do meu quarto e entrando.

— Clari? — Perguntei, tentando abrir os olhos e ver quem era.

— Nossa, passei dois dias te mandando mensagens e você não me respondeu, achei que tinha acontecido alguma coisa. — Ela jogou a bolsa no chão e se deitou comigo.

— Que horas são?- Perguntei sem conseguir achar meu celular.

— Quase três da manhã. Sai do trabalho, passei em casa e vim. Você me assustou. — Virou de lado para mim e percebeu, mesmo no escuro que eu não parecia muito bem. — Realmente aconteceu alguma coisa.

— Não consegui dormir noite passada, sequestraram a Waverly, mas ela já está na casa dela com a irmã.

— Sequestraram sua namorada? Ela está bem? — Perguntou com o tom de voz um pouco mais alto, me dando um leve susto devido ao sono.

— Ela disse que sim, mas tem alguma coisa que ela não contou. A gente pode conversar amanhã?

— Posso dormir aqui? — Começou a arrumar o travesseiro.

— Claro, desde que não me chute. Se chutar eu chuto de volta e você vai ter que comprar o café.

— Ainda bem que eu já trouxe o café.

Quando a gente estava tomando café da manhã, ouvi o barulho do Jipe da Waverly. Levantei correndo, derrubei a xícara no chão e nem olhei para trás, Clarissa me olhou sem entender. Abri a porta, ela estava descendo do carro. Era melhor não parecer tão ansiosa, fiquei na porta esperando e foi então que ela abriu um sorriso, enquanto andava até mim. Comecei andar até ela sem perceber. A gente se olhou, encaixei a mão na cintura dela e ela a dela em meu pescoço e nos beijamos. Tinha gosto de saudade e desespero. Ela estava bem, estava ali comigo, era tudo o que eu precisava.

Ouvimos um barulho e nos separamos. Clarissa parada na porta com o celular na mão.

— Desculpa, esqueci de tirar o flash. — Sorriu e tirou outra foto.

Waverly me olhou um pouco confusa e se afastou um pouco. Não ia deixar ela continuar tirando conclusões precipitadas. Segurei ela pela mão e entrelacei nossos dedos.

— Vem cá, vou te apresentar minha melhor amiga. — Ela apertou mais os dedos nos meus e entramos em casa. Clarissa tinha limpado o café e o cacos de vidro do chão e já tinha servido café para as três.

— Já estava na hora. — Falou Clarissa ao me ver entrar na cozinha. Eu ri. — Quis dizer, vocês duas, passou da hora.

— Waverly, essa é a Clarissa Cohen, minha melhor amiga.- Apontei para Clarissa.

— Você não vai me apresentar? — Perguntou.

— Clari, essa é a Waverly.

— Você a apresentou como sua melhor amiga e o que eu sou? — Fiquei uns segundos em silêncio olhando para ela, sem saber o que responder.

— Não sei, o que você quer ser?

— Não sei, "sua"? — A gente continuou se olhando, sem se mexer.

— Okay! Foi um prazer te conhecer Waverly, mas eu não vou ficar de vela aqui não. — Se levantou, pegou a Sybil no colo e saiu.

— Ela parece legal. — Comentou, puxando uma cadeira para sentar. — A gente precisa conversar, sobre o que aconteceu comigo.

— Claro. — Peguei uma cadeira e me sentei de frente para ela.

— Constance me levou porque queria fazer um teste comigo, com meu sangue. — Mostrou a cicatriz no dedo.- Eu não sei se o que ela me disse é verdade, então eu preciso confirmar as informações antes de falar qualquer coisa, mas se for verdade as coisas aqui na cidade vão ficar muito ruins.

— O que ela disse que você pode me dizer? — Eu queria que ela soubesse que tinha interesse em qualquer detalhe sobre dela.

— Que o Ward não é meu pai, nem a Wendy minha mãe. Eu não me importaria de ser adotada, desde que eu soubesse desde sempre, descobrir isso aos 21 anos é bem estranho. — Fez uma pausa e bebeu o café. — Faria sentido eu não poder quebrar a maldição por isso. — Falou em um tom mais baixo, como se estivesse pensando.

— O que você quer dizer com maldição? E você acha que deve acreditar nela? Faz dois dias que eu descobri que existem duas bruxas em Purgatory, agora tem maldição? — Waverly ficou em silêncio e não me respondeu. — Deixa eu te contar uma coisa, que eu nunca contei para ninguém, nem para a Clarissa.

— Claro. — Ela parecia concentrada e atenta.

— Eu nasci numa cidade chamada "Maldito". Essa cidade não existe mais nos mapas. Meu pai morreu lá e eu nunca consegui acessar o laudo real da morte dele. Eu vi pessoas sangrando sendo arrastadas pela estrada e também ouvi dizer que o avô de uma das minhas ex colegas de classe tinha voltado dos mortos. Eu não sei o que aconteceu lá, mas não foi normal. — Waverly me olhou de uma forma diferente, como se estivesse vendo algo em mim que não tinha visto antes.

— Eu sinto muito pelo seu pai e eu sei o que aconteceu com a sua cidade. — Bebeu mais um pouco do café. — Só que para eu te falar sobre ela, eu preciso te falar sobre a maldição Earp, o que envolve outra pessoa...

— Você sabe o que aconteceu com a minha cidade? — Me inclinei um pouco para frente, esperando ela falar mais alguma coisa, qualquer coisa sobre o assunto.

— Eu sei o que causou o que aconteceu, mas não o motivo. — Foi um pouco mais para frente da cadeira. — Olha, eu prometo que vou te contar tudo, mas não pode ser agora. Se eu não confiasse em você eu não teria vindo, mas nem tudo depende só de mim. — Levantou da cadeira, acreditando que era melhor ir embora.

— Waves. — Estendi a mão para ela voltar. — Fica, ainda falta uma hora para eu sair. A gente pode não falar mais disso ou a gente pode só falar sobre isso. — Ela soltou o ar mais aliviado, segurou minha mão e eu a puxei para sentar no meu colo. Estava de lado para mim.

— Já disse que eu adoro nossas conversas? — Apoiou os braços em meus ombros e ficou com o nariz encostado no meu.

— Que tal você me falar mais sobre o que você quer ser minha?! — Ela pegou minhas mãos e colocou na cintura dela.

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Notas finais
Quem se sentiu representado pela Clarissa levanta a mão! o/ haha