Crônicas Do Olimpo - A Batalha Do Labirinto

20 Finalmente Revelado! Sentimentos Ocultos...


Notas iniciais
Pessoitas, não sei se vai ter cap esse fim de semana, talvez só na segunda feira.... Mesmo assim deixo com vocês esse capítulo muito 'Jegan'...

Quando acordei já era noite, mas eu não tinha certeza se era a mesma noite, ou muitas outras noites depois. Como Calipso disse, era difícil acompanhar o tempo na ilha. Eu sabia que deveria estar indo. No mínimo meus amigos estariam preocupados. Na pior das hipóteses, eles poderiam estar em sérios perigos. Tentei usar minha conexão empática com Hansel muitas vezes quando eu acordava hora sim e hora não, mas não conseguia fazer contato. Eu odiava não saber se eles estavam bem.

Eu não me sentia como um prisioneira ou algo assim. Lembrei-me do Lótus Hotel e Cassino em Vegas, onde eu fora seduzida pelo incrível mundo de jogos até quase me esquecer de tudo que mais me importava. Mas a ilha de Ogígia não era nada parecida com aquilo. Eu me lembrava exatamente por que eu precisava partir... E ansiava por aquilo, porque? Eu tenho amigos lá fora e uma decisão sobre destruir o Olimpo e ainda tem Silena! Eu tinha que resgatá-la... Mas havia Jake, e eu não poderia ir sem ele.

Eu estava na cama na caverna, mas me levantei, Jake não estava lá em sua cama, a lua iluminava o loca. As estrelas estavam brilhantes – milhares delas, do jeito que você só vê no interior.

Andei para fora, com meu corpo pesando sobre minhas pernas. Eu estava um pouco próxima do jardim de Calipso. Eu podia distinguir todas as constelações que Jake me ensinara: Capricórnio, Pégaso, Sagitário. E lá, perto do horizonte norte, havia uma nova constelação: a Caçadora, um tributo a uma amiga nossa que tinha morrido no último inverno. Sorri para o céu.

Mas me assustei ao ouvir risadas de um canteiro de um jardim, lá estavam eles. Jake e Calipso. A presença dos dois trouxe meus olhos para a terra. Eu podia dizer que Calipso era muito mais bonita que Afrodite (claro que não diria isso em voz alta.) mas era porque ela simplesmente parecia tão natural, como se ela não tentasse ser bonita e sequer se preocupasse com isso. Com seu cabelo trançado e seu vestido branco, ela parecia brilhar na luz da lua.

Ela segurava uma pequena planta nas mãos. Suas flores eram prateadas e delicadas, as quais Jake ajudava a planta-las, não sou do tipo bisbilhoteira, mas uma voz na minha cabeça dizia cheia de curiosidade: "O que eles estão fazendo?" "O que estão dizendo?"

Eu me aproximei mais, de modo que eles não pudessem me ver.

As flores brilharam assim que Jake as segurou. Calipso pegou sua espátula de jardinagem e guiou Jake para o limite do jardim, onde ela começou a cavar.

– Esta é um enlace lunar – Calipso explicou. – Ela só pode ser plantada a noite.

Eu observei a luz prateada brilhar em volta das pétalas.

– O que ela faz? — perguntou Jake.

– Faz? – ela pensou. – Ela não faz absolutamente nada, acho. Ela vive, ela dá luz, fornece beleza. Ela tem que fazer algo mais?

– Acho que não. — respondeu Jake.

Ela pegou a planta, e as mãos deles se tocaram, eles riram. Eu me senti meio estranha olhando aquela cena, talvez porque eu não estava acostumada a bisbilhotar a vida alheia... Ou... Ou talvez.... Eu não sei, inexplicavelmente eu me senti triste de repente... Ah, não importa. Calipso plantou o enlace lunar e deu um passo atrás, examinando seu trabalho satisfeita.

– É muito bonito. — disse Jake.

– Sim. — sorriu Calipso. — E como esta a sua amiga?

– Megan? O que tem ela? — perguntou Jake parecendo acordar de um transe. — Ah... Não sei, ainda deve estar dormindo...

Calipso olhou perdida em pensamentos para a flor cintilante.

– Ela parece se importar muito com você, e você com ela.

Jake riu nervoso.

– Ela é só minha amiga, não é nada demais.

Calipso lançou um olhar significativo para ele, cujo o qual eu não consegui entender. Então era isso que ele pensava de mim? Não que eu me importasse, mas... Sei lá... Eu não me entendo! Não posso explicar.

– Você gosta dela? — perguntou Calipso.

Jake não respondeu, apenas deu de ombros e disse:

– Não importa mesmo. — disse ele.

– Jake, sabe sobre esta ilha, não sabe? — perguntou Calipso.

Jake assentiu.

– É uma decisão muito difícil, a maioria dos que vem aqui. — disse Calipso. — Eles sempre tem algo maior lá fora, um desafio esperando por eles. Megan não poderia ficar, ela não duraria muito tempo aqui... Mas Jake, você poderia ficar aqui comigo.

– Eu... — Jake hesitou.... Por que ele hesitou? — Eu...

Eu não fiquei muito tempo para ouvir a decisão dele, apenas para ver Calipso tocando delicadamente o rosto de Jake e ele olhando diretamente nos olhos dela. Seus rostos próximos demais.

Meu cérebro dizia: Não é real... Não pode ser real.

Meus olhos diziam : Não quero ver isso... Vire-se... Corra.

E foi isso que eu fiz, mas eu acabei fazendo barulho demais esbarrando em um vaso de planta de porcelana, o mesmo caiu e se estilhaçou no chão, eu me escondi rapidamente antes que qualquer um deles me notasse ali. Eu não conseguia me manter em pé mais do que algumas horas. Seja o que for que eu tenha feito no Monte Sta. Helena havia me drenado mais do que eu imaginava. Eu fiz o possível para correr dali. Até eu me ver diante de um lago que ali havia, próximo deste havia um carvalho como na Dixon, mas nesse havia um balanço pendurado em um galho alto.

Eu me ajoelhei diante do lago vendo meu próprio reflexo. Por que eu me sentia tão... Tão... Triste? Não, essa palavra era fraca demais... Ah, que tal magoada? Não, nem perto. Talvez 'quebrada' seja a palavra. Mas era inexplicável o porque eu me sentia daquele jeito. Qual é! Não sou boa com essas coisas de sentimentos e tal... Mas você acredite ou não, era pior do que ter sido queimada lá na forja de Hefesto, era pior que as ilusões do Labirinto, era pior do que o que eu senti quando Silena traiu minha confiança.

Foi então que a primeira lágrima caiu, então uma voz disse atrás de mim.

– Sim, eu sei como se sente. — disse a voz.

Me virei limpando a lágrima e tentando me recompor.

– Hefesto. — falei.

O deus do fogo deu um triste sorriso para mim.

– Ser desprezado. — disse ele. — Eu admito, eu desprezei minha mulher... Mas eu realmente estava acostumado a viver apenas comigo e o meu trabalho... Eu fui desprezado por minha mãe. Tive medo de isso acontecer de novo.

Ele se colocou do meu lado olhando para a água do lago.

– É triste viver sozinho, não é? Megan? — perguntou ele.

Eu assenti.

– Seus amigos estão muito preocupados com vocês no acampamento. — disse o deus. — Todos pensam que você está morta. Eu tinha que ter certeza de que você vai voltar antes de começar a dizer a todos onde você estava.

– É claro que vou voltar. — falei. — Mas ainda tem Jake...

– Mas você sabe o que Jake quer? — perguntou Hefesto.

Eu hesitei.

– Eu acho que ele quer ficar. — falei sem emoção. — Mas isso não tem nada haver comigo, eu tenho uma missão lá fora, não tenho escolha.

Hefesto suspirou, Ele tirou algo de seu bolso – um disco de metal do tamanho de um iPod. Ele clicou em um botão e o aparelho se transformou em uma pequena TV de bronze. A tela mostrava uma sequência de notícias do Monte Sta. Helena, um imenso penacho de fogo e cinzas vagueando para o céu.

“Ainda incertas sobre novas erupções ” o jornalista dizia, “autoridades ordenaram a evacuação de quase meio milhão de pessoas por precaução. Nesse meio tempo, cinzas têm caído além do Rio Tahoe e Vancouver, e toda a área do Monte Sta Helena está fechada para tráfego em um raio de mais de cem quilômetros. Apesar de nenhuma morte ter sido reportada, danos menores e doenças incluem...”

Hefesto desligou o aparelho.

– Você causou uma bela explosão.

Eu fitei a tela dourada vazia. Meio milhão de pessoas evacuadas? Danos? Doenças?

– O que eu fiz? — perguntei.

– Se salvou. — disse ele. — Mas precisa aprender urgente a controlar seus poderes. Os telquines se dispersaram – o deus me disse. – Alguns foram vaporizados. Alguns fugiram, sem dúvida. Eu não acho que eles vão usar minha forja tão cedo. Por outro lado, nem eu usarei. A explosão fez Tifão agitar-se em seu sono. Teremos que esperar e ver...

– Você não acha que eu possa tê-lo libertado, não é? — perguntei. — Quer dizer... Eu não tenho todo esse poder!

Hefesto grunhiu.

– Não tem todo esse poder? — repetiu ele. — Criança, sabe o que você fez lá? Você não apenas liberou um poder enorme do mar que há dentro de si, mas também causou um grande tremor na terra. E você já sabe o poder dessas coisas separadas, e ainda por cima sabe que a decisão final é sua, esteja ciente de que você é uma filha de um dos três grandes. Você pode muito mais do que só controlar uma gota de água. Você não conhece sua própria força.

Esta era a última coisa que eu queria que ele dissesse. Eu não pude me controlar naquela montanha. Eu liberei tanta energia que quase vaporizei a mim mesmo, drenando toda a vida de mim. Agora eu descubro que quase destruí o noroeste dos EUA, e quase acordei o monstro mais terrível já aprisionado pelos deuses. Talvez eu fosse perigosa demais. Talvez fosse mais seguro para os meus amigos pensar que eu estava morta.

– E Tyler e Hansel? — perguntei.

– Temo não poder dizer. — disse ele. — Acho que o labirinto os deteve.

Olhei para o lago a nossa frente.

– O que acha que devo fazer agora? — perguntei.

– Não peça conselhos a um velho solitário, garota. — disse ele. — Mas você conheceu minha esposa?

– Afrodite. — falei.

– Exato. — disse ele. — Uma pessoa cheia de artimanhas, garota. Seja cuidadosa com o amor. Ele vai entortar o seu cérebro e deixar você pensando que o em cima é embaixo e que o certo é errado. Entende o que quero dizer?

– Não. — falei.

Ele deu um meio sorriso.

– Vai descobrir, e não vai demorar tanto assim. — disse ele.

– O que quer dizer? — perguntei.

– Não importa agora. — disse. — Eu prometi a você o caminho para Dédalo. Bem, agora o negócio é o seguinte. Não tem nada a ver com o fio de Ariadne. Não realmente. Claro, o fio funciona. É disso que o exército dos Titãs irá atrás. Mas a melhor forma através do labirinto... Teseu teve a ajuda da princesa. E a princesa era uma mortal normal. Nem uma gota de sangue divino nela. Mas ela era esperta, e ela podia ver. Podia ver muito claramente. Então o que estou dizendo... Acho que você sabe como navegar pelo labirinto.

Ah, sim... Eu sabia.

Assenti.

– Sim, eu sei. — falei.

– Então você precisa decidir se você vai ou não embora. — disse o deus. — Espere até o amanhecer. O amanhecer é um bom momento para decisões.

– Será que Dédalo vai nos ajudar? – perguntei. – Digo, se ele der a Luke um modo de navegar pelo Labirinto, estamos mortos. Eu tive sonhos sobre... Dédalo matando seu sobrinho. Ele se tornou amargo e furioso e...

– Não é fácil ser um inventor brilhante – trovejou Hefesto. – Sempre sozinho. Sempre mal compreendido. Fácil ficar amargo, cometer erros horríveis. É mais difícil trabalhar com pessoas do que com máquinas. E quando você quebra uma pessoa, ela não pode ser consertada.

Hefesto suspirou.

– Bem, eu tenho que ir agora. — disse o deus. — Mas antes lhe darei mais um presente por ter feito mais do que eu pedi na minha forja. Você fez bem, destruindo os telquines. Eu sempre me lembrarei de você por isso. E por isso lhe darei minha bênção.

– Sua bênção? — repeti.

– Pode lhe ser de tamanha utilidade no futuro. Quem sabe...

Ele tocou os próprios lábios e murmurou algumas palavras — em grego antigo, claro. — Eu fechei os olhos assim que um brilho fortíssimo preencheu o lugar, então eu estava sozinha. Hefesto havia ido embora, eu não me sentia "abençoada", mas me sentia diferente.

– Megan! — ouvi uma voz distante me chamar, era Jake. rapidamente lembrei do que me preocupava antes da conversa com Hefesto. — Consegui te achar, você sumiu.

Eu assenti.

– É. — falei. — E você, não... Eu não te vi na... Ah... Esquece.

Eu me sentei na beira do lago mergulhando apenas os pés e sem deixar meu rosto visível para ele.

– O que você quer? — perguntei soando meio rude, sem querer.

– Calipso esta nós chamando para jantar. — disse ele.

– Estou sem fome. — falei.

Ele ficou por um longo momento em silêncio, apenas o bater das folhas umas contra as outras do carvalho preenchia o local. Alguns vaga lumes flutuavam por ali.

– Você esta estranha desde que chegamos, sabia? — disse ele se sentando ao meu lado. — Foi um pesadelo de novo?

Eu assenti.

– Sim, foi um pesadelo... Bem real. — falei. — Eu estou bem, tá?

– Por que não acredito em você? — ele se perguntou. — Deve ser porque você mente muito mal.

Eu suspirei, virando meu rosto para ele.

– Muito mal mesmo. — acrescentou.

Eu virei o rosto.

– Você esta perto demais. — falei chegando um pouco para o lado. — Eu já disse que estou sem fome, você pode ir e ficar sozinho com Calipso, eu prometo não atrapalhar.

Ele hesitou um instante, eu balancei as pernas enquanto observava a água.

– Eu não entendo. — disse ele, mas eu sabia que ele tinha entendido, pois estava segurando um sorriso.

– Se você rir de novo, Jake. Eu vou te afogar nesse lago. — falei.

– Acho que você ganhou uma bênção de Ares... — ele riu.

– Vá para o Tártaro... — bufei.

Então ele parou de rir e se sentou do meu lado se apoiando com as mãos no gramado.

– Você ficou bem irritadinha, viu? — disse ele. — Nunca te vi assim.

Não respondi.

– Lembra de quando éramos menores e a gente lutava, adaga contra adaga? — perguntou ele. — Eu sempre vencia.

– Lembro... — revirei os olhos.

– E de quando eu tentei de afogar no lago de canoagem? — perguntou ele. — Mas ai você jogou na cara que era filha do mar e não podia se afogar...

– É, você era muito implicante comigo. — falei sem emoção, olhei para ele. — Mas aonde quer chegar?

– Éramos amigos mesmo assim. — disse ele. — E desde que você esfaqueou aquele ciclope no pé, eu tive uma... Hum... quedinha por você, sabia?

Olhei para ele franzindo a testa e disse algo bem inteligente tipo:

– Éh... — eu sabia dizer que eu estava corada, mas ele por incrível que pareça, não estava.

Ele suspirou olhando para a água.

– Megan, me responde uma coisa?

– Acho que sim. — falei.

– Você estava com ciúmes de mim com a Calipso? — wow... Essa me atingiu.

– Eu... — gaguejei. — E-Eu... Eu não... Não importa...

– Para mim importa sim. Responde, você estava com ciúmes?

– Ah! Não diga essa palavra de novo... É irritante.

– C-i-u-m-e-s. — ele soletrou. — Vocês estava com ciúmes e dessa vez não é uma pergunta.

Ele se levantou.

Suspirei, infelizmente ele estava certo e até eu sabia disso. Me levantei.

– Quer saber? Sim, eu estava com ciúmes! — falei. — Mas isso não importa, porque quer saber? Porque tem coisas mais importantes do que isso, tipo... Eu agitei Tifão! Eu posso destruir o Olimpo e você não pode ter certeza se eu sou boa ou má! Nem eu sei! Só sei que eu... Eu...

Ele estava perto demais agora, me segurando pelos ombros.

– Eu não aguento mais isso. — falei. — Eu me demito, ser semideusa é muito problemático.

Eu disse as mesmas palavras que ele me disse uma vez, depois de lutar contra Luke no Edifício Empire State. A luta antes de eu devolver o raio-mestre para Zeus e impedir a terceira guerra mundial.

Eu esperava que ele risse de toda aquela bobagem na minha cara e que começasse a zombar de mim, mas ele fez uma coisa que me surpreendeu mais ainda. Ele me beijou.

Agora deixe-me descrever isso, eu mudei para todas as cores do arco-íris, foi como se borboletas se agitassem no meu estômago, como se fogos de artifício explodissem em mil cores dentro de mim. Não sei dizer quanto tempo durou, porque eu estava em um mundo aonde isso não existia. Meu coração começou a bater em velocidade máxima, não foi um beijo tipo... Selinho... Acho que vocês entendem... Só sei dizer que... Nunca me senti tão bem em toda a minha vida de semideusa, e acredite que para um meio-sangue isso é muito.



Notas finais
*VOMITA ARCO-ÍRIS* *CHORA ARCO-ÍRIS* eu esperei tanto para escrever esse momento.