Crônicas De um novo Tempo
3 O báculo e a nova deusa
Notas iniciais
Saga sentou-se com Kanon para descansar, recostou as costas na pilastra da casa de gêmeos e sentiu a briza bater de leve no seu rosto. Era uma gostosa tarde de primavera na Grécia. O clima era tão gostoso, que o cavaleiro fechou seus olhos e sentiu o sono chegar. Quando já estava a ponto de adormecer, lhe veio claramente o chamado:
– Saga...Saga!
O cavaleiro de gemeos abriu os olhos e concentrou seu cosmo.
– Saga...Saga!
Novamente a voz feminina o chamava, e não era de Atena, pois a voz de sua deusa ele conhecia bem. Mais uma vez ouviu a voz chamar.
Levantou-se devagar e foi andando sem fazer alarde até a sala do Mestre, de onde vinha a voz. Empurrou a pesada porta de cedro e entrou no imponente salão vazio. Lá avistou o longo tapete que levava ao trono e as cortinas, estava tudo intacto.
Rompendo o silêncio, sai pela direita do trono, por trás das cortinas uma garota magra, pequena e muito branca, aparentando seus 17 anos. Seus olhos são bem azuis e seus cabelos cacheados são tão longos que varrem o chão. Ela usa um vestido simples e não possui beleza, apenas uma aparencia frágil.
– Quem é voce? — pergunta Saga, confuso — voce é....
– Sou Frida, a encarnação da deusa Artemis e vim assumir o Santuário que me foi dado por Atena.
Saga olha a frágil menina incrédulo, mas sabe, sentindo seu cosmo, que ela realmente é quem diz e que sua fragilidade é apenas aparente. Saga permanece em silencio, apenas olhando fixamente para os olhos azuis dela:
– Então Atena entregou o báculo á voce? Como pode... — pergunta Saga
– Ela não tinha escolha. — interrompe Artemis, que continua:
– Agora tudo aqui me pertence, todos os cavaleiros deverão servir a mim como serviram a Atena.
O cavaleiro mal pode acreditar no que ve, seu cosmo arde em fúria que ele precisa a todo custo conter, seu semblante se endurece, mas a deusa não o teme e dá sua primeira ordem:
– Vá! Convoque todos os cavaleiros de ouro, quero todos aqui, devidamente vestidos em suas armaduras, para que conheçam sua nova deusa.
Visivelmente contrariado, o cavaleiro de gemeos faz reverencia a deusa, colocando seu joelho direito ao chão, e sai indo cumprir o que ela pedia.
Saga desceu a cada casa, passando o recado a cada cavaleiro:
– Vista sua armadura completa, incluindo o elmo, e apresente-se ao salão do Grande Mestre, imediatamente.
Saga apenas passava a ordem, e saía, deixando sem resposta todas as indagações quem vinham por parte dos companheiros.
Após avisar a todos os golds, correu á sua casa, vestiu sua armadura, pôs na cabeça o elmo de gemeos e subiu, sendo o último a chegar. Encontrou todos os outros na escada que dava para o salão, eles não quiseram entrar sem que Saga chegasse, talvez ele adiantasse algo. Estavam todos nervosos mas Saga disse que nada poderia ser dito, apenas ordenou que os cavaleiros entrassem e se colocassem em duas filas verticais, uma diante da outra, deixando livre o caminho entre eles.
Todos entraram e se colocaram como Saga havia orientado.

Logo a figura frágil surgiu, já trazendo nas mãos o báculo que até então pertencia a Atena.
Não foi preciso mais nada para que todos os golds percebessem o que acontecia. O susto foi tão grande que seus elmos quese lhes cairam das cabeças.
– Senhores! — ordenou Saga — façam reverência a deusa Arthemis!
Todos colocaram o joelho direito ao chão, se dobrando diante dela.
Artemis ficou satisfeita com o que via, parecia ter o controle. "Mas tão fácil?" pensou consigo mesma...
– Cavaleiros! Sou Frida Artemis, a mim foi passado por Atena o báculo e o controle do Santuário. A partir de hoje voces me devem obediencia e deverão me servir! Os meus inimigos serão seus inimigos, as minhas lutas serão as suas lutas e as minhas guerras, suas guerras!
Naquele momento Artemis sentiu o cosmo dos cavaleiros queimar de ódio, como fogo, emanando o desejo de ve-la longe dalí. Eles a viam como uma intrusa e ela sentiu isso claramente. Mas ela ignorou totalmente o fato e continuou:
– Não se preocupem, não ficarei entre voces. Sou diferente de Atena e estar entre os humanos é algo que dispenso. Não pretendo ficar presa a este corpo quando possuo minha linda aparencia de deusa. Controlarei o Santuário de longe e deixarei que me represente aqui um de voces como Mestre do Santuário: este será....Saga de Gêmeos!
O cavaleiro de gêmeos recebeu com tristeza sua dura missão, mas não havia nada que ele pudesse fazer.
Artemis pegou o elmo e a túnica do grande mestre e os entregou a Saga.
– Agora vão, deem a boa notícia! — bradou a deusa, sarcástica.
A vontade de Saga era invocar sua Explosão Galáctica e mandar aquela insuportável para o inferno, mas ele sabia que não podia fazer isso.
Não agora.
Os cavaleiros fizeram nova reverencia e sairam, um a um, permanecendo apenas Saga no salão com Artemis.
Já do lado de fora do salão, após descerem as escadas, Shura foi o primeiro a desabafar seu desapontamento:
– Mas que %$#@* é essa!!!! Agora teremos que defender esse frango de padaria que chamam de deusa? Isso é ridículo!
– Concordo! — acrescentou Aphrodite — Isso é absurdo, não podemos trair Atena assim!
– Seria melhor desertarmos!! — bradou Aldebaran
Todos os cavaleiros começaram a discutir desordenadamente mas Shaka com sua sabedoria controlou o borburinho:
– Senhores, esse não é o momento de nos revoltarmos — disse o virginiano — precisamos ficar e guardar o Santuário para Atena, pois ela certamente irá voltar e nós precisaremos estar aqui para lutar por ela. Melhor fingirmos estar ao lado de Artemis agora, para lutarmos do lado certo depois.
– Shaka tem razão — disse Aiolia — precisamos também confiar em Saga, depois de tudo o que passou tenho certeza que ele tem algo em mente e não irá se conformar com isso.
– Seria bom se Seyia e os demais cavaleiros de bronze estivessem aqui, certemente precisaremos deles — ponderou Milo.
– Isso mesmo — concordou Camus — escreverei aos meninos contando o que está havendo. Precisamos estar prontos para uma possível nova guerra. — concluiu o aquariano.
Tendo chegado a um acordo, todos os cavaleiros seguiram para a arena de treino, para avisar aos outros cavaleiros do Santuário sobre Artemis.
** na sala do Mestre**
Saga vestiu a túnica e colocou o elmo, agora sem máscara, já que ele não tinha mais nada a esconder. Pensou consigo mesmo o quanto odiava a nova deusa a quem deveria servir.
Artemis o olhava fixamente, ela podia ler seus pensamentos e aquilo o perturbava profundamente.
O Mestre apenas silenciou. Estava triste e pensou em tudo o que havia feito até hoje, seu corpo estava cansado pois já não se sentia tão joven, lembrou da pequena Saori que tentou matar com um punhal. Como pode ter sido tão estúpido? Pensou com ele mesmo, sentindo uma saudade arrebatadora dela...
*** Incio do flashback***
Era uma noite quente e agradável, Saga era o Mestre, ainda que de forma ilícita, dormia tranquilo mesmo sabendo de suas maldades.
Súbtamente acordou, com aquele cosmo...Saga sentiu o cosmo cheio de amor de Atena muito próximo, ela lhe acariciou a face, o olhou profundamente nos olhos e disse:
– Voce nunca me odiou de verdade Saga, eu sei.
Saga se sentiu nu diante dela, ela sabia do mais profundo de seus sentimentos, o bravo cavaleiro estava desarmado, rendido e entregue á ela. Saori delicadamente colocou seus lábios nos do homem que um dia tentou matá-la e transmitiu, através de um beijo cheio de ternura e carinho, o maior amor que ele já havia sentido. Foi o sabor mais maravilhoso que a boca do cavaleiro de gêmeos havia provado.
***fim do flashback***
Na dureza de sua face, permitiu que uma singela lágrima rolasse pelo seu rosto.
Neste momento a figura triste da deusa apareceu, anunciando que iria ficar longe dalí em corpo, mas que estaria vendo tudo. Ao flagrar o cavaleiro angustiado, apenas disse:
– Oh Mestre, ela está bem, não se preocupe.
E saiu, deixando-lhe só.
Saga retirou o elmo, deixando seus fartos fios azuis lhe cairem nos olhos, aproximou-se na enorme janela lateral e olhou o fim de tarde, como um pássaro triste, viu o alaranjado tomar conta do céu, numa paisagem linda e cheia de poesia. É como se Atena quisesse dizer algo, quisesse reconfortar seus cavaleiros. O Mestre olhou o céu e prometeu no íntimo se seu coração:
– Amada Atena, eu e meus cavaleiros serviremos sempre e somente a voce. Até o último dia de nossas vidas.
Recolocou seu elmo, e sentou-se no trono.
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