Crônicas De um novo Tempo
4 Reaja Seiya!
Notas iniciais
*** Santuário ***
Artemis havia se retirado fazia dias, nem parecia que havia uma deusa regendo aquele lugar. Na verdade, todos davam graças por isso, não a queriam alí.
Era primavera em terras gregas e o Santuário fora construido em um lugar mágico!
Eram terras distantes das cidades, o que havia de mais próximo era a pequena Vila Rodório onde já se conhecia a fama dos Cavaleiros de Atena e onde as amazonas compravam os mantimentos.
Por além do vilarejo, ficava a longa estrada calçada de pedra e ao fim dela, muitos quilômetros adentro, o gigantesco portão de ferro dourado se mostrava imponente, seguro apenas por dois blocos de pedra de cada lado, não havia muro. Além do portão, seguia uma outra estrada de pedra, dessa vez mais estreita, o caminho era totalmente cercado por um gigantesco jardim de flores do campo, perto dalí corria um rio largo, ótimo para tomar banho e pescar. Ao fundo, de um dos lados se viam montanhas altas e do outro lado, um horizonte infinito. Olhando para frente, após muito caminhar, já era possível ver o Santuário e todas as suas casas, subindo colina acima, até a estátua de Atena, no ponto mais alto. E para além do Santuário, apenas mais terras e terras verdes e inabitadas até o mar. A noite, o lugar era iluminado pelo fogo das muitas tochas espalhadas por todo o caminho. Era um verdadeiro paraíso perdido aquele lugar.
Na arena de treinos, os Cavaleiros de Ouro já treinavam os novos aspirantes que vinham de todas as partes ao saberem do retorno dos Saints. Todos treinavam árduamente sabendo que em breve teriam uma nova guerra.
*** Tóquio ***
As cartas de Camus logo chegam ás casas de Ikki e Shun, e também de Hyoga.
Shun ao ver o envelope vindo da Grécia se anima sabendo que são noticias dos cavaleiros, abre rápidamente, encontrando a grafia perfeita de Camus em letras minuciosamente bem desenhadas como só ele sabia fazer.
– Isso é terrível! — diz Shun, ao ler sobre a chegada de Artemis.
Ele olha para Seiya, que permanece inerte na cadeira, e desabafa com o amigo, mesmo sabendo que ele não pode lhe ouvir:

– Seiya, algo de terrível aconteceu. Atena passou seu comando para deusa Artemis, e ela agora governa toda a Terra. — disse cabisbaixo e inconformado.
Ao dizer estas palavras Shun percebe que o cosmo de Seiya se inflama.
– Seiya, voce me ouviu!! Seu cosmo reagiu ao que eu disse!
Com enorme esforço, o cavaleiro de pégaso milagrosamente abre seus olhos. Shun finalmente podia ver as íris amendoadas de Seiya, que pareciam perdidas, olhando para um único ponto, aleatório.
– Seiya, voce abriu os olhos!! Voce pode me ver? — Quer saber Shun, agitado.
Ao perceber que Seiya não move o olhar em sua direção, Shun então se coloca sob a mira dos olhos do amigo, abaixando-se bem perto dele.
– Se puder me ver agora, tente mover seu indicador. — disse Shun olhando fixamente para os olhos de Seiya, que agora estava olhando também para ele.
Levantou o indicador devagar e com muita dificuldade, fazendo Shun dar um salto no meio da sala tamanha sua alegria:
– Seiya, VOCE ESTÁ VENDO!!!
Uma lágrima correu nos olhos do Pégaso, e muitas outras correram no rosto do cavaleiro de Andrômeda, que abraçou seu amigo emocionado, ainda que ele não pudesse lhe retribuir o abraço. Não físicamente, mas mentalmente Seiya o abraçava também.
Ikki chegou e presenciou a cena e também se emocionou quando Shun lhe contou tudo o que havia acontecido.
– Certamente foi a afronta a Saori que fez com que Seiya reagisse, afinal, é sempre ela que o levanta! — constatou Ikki.
– Isso mesmo! Será que Hyoga e Shiryu foram avisados sobre Arthemis? — quis saber Shun
– Provávelmente, se Camus nos mandou estas cartas, mandou iguais também para eles.
– O que devemos fazer agora Ikki? Irmos para o Santuário? Mas e Seiya?
– Não, mas tem um lugar para onde todos podemos ir, levar Seiya e nos prepararmos para uma nova batalha. Vamos nos encontrar com Shiryu nos Cinco Picos de Rozan. Mandarei um telegrama a Hyoga avisando para fazer o mesmo. Lá pediremos ajuda do Mestre Anciâo para curarmos Seiya.
Shun se animou com a decisão.
*** Santuário ***
Naquela tarde Aiolia foi ao alojamento e chamou Marin:
– Toc toc...posso entrar? — perguntou tímido o leonino
– Claro, estou sozinha. — disse Marin
Aiolia entrou e quase caiu para trás ao ve-la apenas com roupa íntima
– Ma..Marin!! — disse, tapando os olhos. (N.R. só o Aiolia mesmo, kk!)
– Ai ai...não vou ficar me escondendo, não estou nua, se fossemos ao rio voce não me veria assim? — disse a Águia, impaciente com o pudor do leonino.
– Ah..sim. Mas é que não estou acostumado com isso, me desculpe.
Marin terminou de se vestir, uma roupa confortável que deixava seu abdomen á mostra e saiu com Aiolia que também usava suas roupas comuns. Os dois foram caminhando em direção ao pomar, muitas árvores estavam dando frutos, era só pegar e comer!
Entre uma fruta e outra, os dois conversavam animadamente, até que Marin parou de falar e apenas olhava Aiolia fixamente. O leonino novamente ficou intimidado por ela:
– O que houve Marin? Disse algo errado?
– Não. É que nós já vivemos tanta coisa juntos não é? Me peguei pensando nisso.- disse ela.
– Verdade, já passamos muita coisa....- Aiolia ficou ainda mais tímido.
Aiolia tinha muitas coisas para falar para Marin, e ela tinha muitas coisas para falar pra ele. Ambos procuravam uma forma de começar. Marin então quebrou o silencio e foi direta:
– Aiolia, voce é especial pra mim e a muito tempo. Não sei como te dizer isso....
– Diz Marin — ele sabia e queria ouvir aquilo
– Eu te amo Aiolia.
– Eu também te amo, e a muito tempo Marin — sorriu o cavaleiro, emocionado.
O casal se jogou nos braços um do outro, num beijo cheio de paixão, matando a vontade que a muito tempo ambos sentiam.
Não havia mais o que esperar, não havia porque ter medos e pudores...alí mesmo, debaixo das muitas árvores frutíferas, Aiolia despiu sua amada com cuidado, e ela fez o mesmo com ele. Marin podia admirar o corpo forte e definido do cavaleiro de leão. Os dois alí mesmo se entregaram um ao outro, era a primeira vez da amazona e ela sentia uma mistura de ansiedade e felicidade que logo deu lugar a momentos de prazer intenso. Com seus braços fortes ergueu Marin várias vezes no ar, fazendo-a sentir-se uma menininha nos braços dele. Aquela fragilidade aparente e temporária contrastava com a mestra forte e amazona determinada que ela era. Mas naquele momento ambos esqueceram de suas ocupações e posições como cavaleiro e amazona, e passaram a ser apenas um casal de namorados fazendo amor pela primeira vez.
Exaustos, caíram na relva abraçados. Tiveram medo que algum aspirante desavisado viesse passear por alí e vestiram-se logo. Não podiam esconder o sorriso e a satisfação, permanecendo mais algum tempo alí, abraçadinhos. Ela afundou o rosto no peito forte do cavaleiro, ele acariciou os fios vermelhos e revoltos dela, deixando um suspiro forte. Queria que aquele momento fosse eterno, pensava em seu íntimo de cavaleiro que nunca se desliga totalmente de sua missão, como seria bom se Arthemis desistisse, morresse, se escafedesse no nada, sumisse...e tempos de paz pudessem finalmente ser vividos plenamente.
– "Seria realmente bom..." — pensou alto
– O que meu anjo?
– Ah...a paz Marin..queria poder finalmente viver em paz — disse olhando pra ela e acariciando seu rosto alvo
– Acha que teremos uma nova guerra? — indagou preocupada
– É bem possível, talvez tenhamos que agir.
Aiolia ficou sério e reticente, mas Marin tratou de tirar a ruga de preocupação do senho do leonino
– Agora não..agora quero você só pra mim!
Ele sorriu com malícia quebrando a tensão e se deixando ser beijado mais uma vez.
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