Covenant of Risk
4 Winter Murder
Notas iniciais
Dez anos antes…
Um casal e sua filha estavam em um carro e o casal parecia estar com muita pressa. A pequena Alyssa que estava no banco de trás não conseguia entender. Ela sabia que os pais estavam desesperados, mas não conseguia entender o porquê. Ela era muito nova para entender.
— Papai, pra onde a gente tá indo? — Alyssa perguntou assustada com tudo o que estava acontecendo.
— Para um lugar seguro, você ficará com a sua tia em Seattle por um tempo. — o pai da Alyssa respondeu.
— Não! Eu quero ficar com você. — Alyssa respondeu.
— Você não pode! — o pai da Alyssa tentou explicar.
— Por quê? — Alyssa perguntou confusa.
— Você ficará lá só por um tempo, só até resolvermos algumas coisas. — o pai da Alyssa respondeu.
— Por que eu não posso ir com vocês? — Alyssa perguntou.
— Porque você não pode Alyssa e pronto! — o pai dela respondeu.
— Mamãe. — Alyssa tentou apelar para a mãe.
— Serão só por alguns dias Alyssa. — a mãe dela disse.
— Não! Eu quero ir com vocês! — a menina chorou.
— Cuidado! — a mãe de Alyssa gritou ao ver algo na estrada. O pai dela tentou frear mas com o impacto da freada, Alyssa bateu a cabeça e ficou inconsciente. Alguns flashes vieram a cabeça da menina, um homem com um braço de metal atirou nos pais dela, mas tudo estava tão turvo que ela não conseguia ver o rosto do assassino. Algum tempo depois ela acordou em uma cama de hospital com a tia ao lado dela.
— Graças à Deus, você acordou! — a tia de Ally disse aliviada ao ver a sobrinha acordada.
— Tia…
— Como você está se sentindo? — a tia da menina perguntou.
— Cadê a mamãe e o papai? — a menina perguntou.
— É melhor falarmos sobre isso uma outra hora. — a tia de Ally não sabia como dizer a sobrinha que os pais dela estavam mortos.
— Onde eles estão?
Seattle – Washington – EUA – Dias atuais
Ally terminou de tirar fotos do clube de química que tinha a Kat como integrante. Após terminar de tirar as fotos, Kat foi até a Ally e viu as fotos que ela tinha tirado.
— Uau, elas ficaram boas. — Kat comentou. — Não sabia que você tirava fotos para o jornal da escola.
— Fui promovida faz pouco tempo, o garoto que tirava as fotos mudou de estado. — Ally explicou guardando a câmera. — Eu evolui da garota que escrevia o que teria de lanche na cantina para a garota que faz matérias sobre os clubes da escola. E você? O que achou de entrar para o clube de química?
— É como nos velhos tempos, só que agora eu não sou uma otária. — Kat respondeu e as duas foram para o corredor em direção à saída. No meio do caminho elas viram um garoto se lamentando na frente do armário.
— Roubaram outro armário? — Kat perguntou.
— Aparentemente sim. — Ally respondeu. — O cara rouba os armários de todo mundo de uma maneira que ninguém consiga vê-lo, é como se ele fosse invisível.
— Como uma sombra. — Kat comentou e as duas deram pequenos risinhos e saíram da escola. — O que você vai fazer hoje?
— Eu vou para casa, como sempre. — Ally respondeu.
— Legal, eu vou com você. — Kat respondeu.
— Já notou que você nunca vai para a sua casa depois da aula? — Ally perguntou.
— Sim, eu já notei. É proposital. — Kat respondeu.
— Bom saber. — as duas andaram dois quarteirões até encontrarem Roger esperando alguém na frente de uma cafeteria. — Roger?
— Oi Ally. Oi Kat. — Roger cumprimentou.
— Você sabe o meu nome? — Kat perguntou surpresa.
— Sim, a Ally me falou de você. — Roger respondeu.
— Vocês são amigos? — Kat perguntou ainda mais surpresa.
— Sim, nós somos. — Ally respondeu.
— Isso é uma surpresa e tanto. — Kat comentou.
— Quem você está esperando? — Ally perguntou curiosa.
— Uma pessoa. — Roger respondeu.
— Tem a ver com aquela matéria sigilosa e superimportante? — Ally perguntou.
— Matéria sigilosa e superimportante? — Kat perguntou confusa.
— Mais ou menos. — Roger respondeu e Ally viu um ponto vermelho na cabeça de Roger. Alguém estava mirando nele e estava prestes a mata-lo.
— Cuidado! — Ela gritou se jogando no chão junto com Roger e o tiro pegou na vitrine da cafeteria fazendo com que um monte de gente corresse desesperada e em pânico. O atirador tentou atirar de novo, mas dessa vez o tiro pegou na mochila de Kat. Ally olhou para cima e viu o homem do braço de metal correndo pelo telhado. Ele estava de volta.
— Kat. — Ally foi até Kat e cochichou algo no ouvido dela.
— Você tem certeza? — Kat perguntou receosa.
— Vai logo!
***
Kat subiu até o telhado do prédio onde o atirador estava, mas não encontrou nada por lá, a não ser algumas pegadas.
— Interessante… — Kat comentou ao pegar o celular e fotografar as pegadas.
***
A tia de Ally chegou ao departamento de polícia e foi até a sobrinha.
— Graças à Deus você está bem. — a tia de Ally disse aliviada ao abraçar a sobrinha.
— Com licença senhora, agora que está aqui, nós precisamos fazer algumas perguntas à sua sobrinha, mas só podemos fazer isso na sua presença. — um policial explicou.
— Tudo bem para você Alyssa? — a mulher perguntou para a sobrinha.
— Tudo bem. — Ally respondeu.
— Como conseguiu desviar o seu amigo da bala? — o policial perguntou.
— Eu vi um ponto vermelho na cabeça dele e o empurrei. — Ally respondeu.
— Você conseguiu ver o atirador? — o policial perguntou.
— Não. — Ally mentiu, ela sabia com o que estava lidando.
— Tem certeza? — o policial perguntou.
— Absoluta. —Ally mentiu novamente.
— Você tem alguma ideia de quem poderia ter feito isso? — o policial perguntou.
— Sei que o Roger tem muitos inimigos, por causa de todas as tramoias que ele revelou. Pode ter sido qualquer um. — Ally respondeu.
— Então você não faz ideia de quem pode ter tentado mata-lo? — o policial questionou.
— Não. — Ally mentiu.
***
Nove anos antes…
Ally, como sempre, estava no psicólogo, e como sempre, enquanto ela falava sobre o homem no qual ela tinha certeza que tinha matado os pais dela, o psicólogo anotava que ela estava passando por um stress pós-traumático.
— Diga-me Alyssa, como era esse homem com o braço de metal? — o psicólogo perguntou.
— Por quê? Você não vai acreditar em mim e vai achar que eu sou doida. — Ally respondeu.
— Alyssa, eu só estou tentando te ajudar. — o psicólogo argumentou.
— Me ajudar? Todos vocês acham que eu sou doida e me mandam tomar remédios, isso não é ajudar. — Ally respondeu brava.
— Alyssa…
— Quer saber… Eu odeio todo mundo! — Ally saiu da sala e encontrou a tia no corredor. — Você também acha que eu sou doida?
— Não Alyssa. Claro que não. Você só passou por um grande trauma…
— Essa é outra maneira de dizer que eu estou doida. Por que as pessoas são tão estúpidas? — Ally se questionou enquanto andava pelo corredor à caminho da saída junto com a tia.
***
Dias atuais…
Ally chegou em casa junto com a tia e foi recebida pelos abraços de Amy e Carrie.
— Você está viva! — Carrie comemorou.
— Ok, é bom ver vocês. — Ally disse desfazendo o abraço.
— Alyssa, eu vou ter que resolver uns problemas no trabalho, você vai ficar bem aqui? — a tia de Ally perguntou.
— Eu estou com a Amy e a Carrie, vai ficar tudo bem. — Ally respondeu e a tia saiu ao mesmo tempo que Kat entrou no apartamento.
— Achou alguma coisa? — Ally perguntou à Kat.
— Algumas pegadas no telhado, mas nada que indique para onde ele possa ter ido. — Kat respondeu.
— Do que vocês estão falando? — Carrie perguntou curiosa.
— Sobre o atirador que tentou matar o Roger. — Kat respondeu.
— Vocês têm alguma pista de quem pode ter sido? — Amy perguntou.
— Mais ou menos, mas eu tenho a impressão de que a Ally sabe quem ele é. — Kat respondeu.
— Eu não sei quem ele é, mas sei que ele matou os meus pais. — Ally explicou.
— Mas a sua tia me disse que eles morreram em um acidente de carro. — Amy disse.
— Na verdade, a Ally acha que alguém armou o acidente, você não lembra quando ela disse isso? — Kat perguntou.
— Não. — Amy respondeu.
— Lembra? Foi naquele dia que a mãe da Carrie deixou ela dormir aqui e aí nós ficamos acordadas até tarde. — Kat explicou.
— A Amy não estava aqui naquele dia, ela havia saído com o pai dela. — Carrie corrigiu.
— É mesmo… — Kat lembrou. — Mas basicamente, o acidente de carro dos pais da Ally foi armado por um cara com um braço de metal e quando a Ally disse isso, todos acharam que ela estava doida.
— Braço de metal? — Amy perguntou ao se lembrar de uma lenda da deep web.
— Você também acha que eu sou doida, não é? — Ally questionou.
— Não, é que eu já vi uma história sobre um assassino com um braço de metal na deep web. — Amy explicou. — Ele tinha uma estrela desenhada nesse braço?
— É… Ele tinha. — Ally respondeu. — Qual era a história.
— É sobre um assassino que vêm matando pessoas importantes há décadas e fazendo parecer um acidente. A maioria das agências de espionagem não acreditam que ele existe, e as que acreditam o chama de Soldado Invernal. Mas ele é considerado uma história de fantasma já que ele está vivo há prováveis sessenta ou setenta anos. — Amy explicou.
— Onde você ouviu falar sobre esse cara? — Carrie questionou.
— Foi no ano passado, um cara tinha postado isso em um fórum da deep web e também haviam vários documentos lá, mas o post só ficou no ar por dez minutos e só deu para ler a primeira parte. — Amy respondeu.
— O que aconteceu com o post depois dos dez minutos? — Kat perguntou.
— Bem, depois de dez minutos, o fórum inteiro foi apagado. — Amy respondeu. — Sabe o tanto que é difícil apagar um fórum na deep web quando você não é o dono desse fórum.
— Seja lá quem for o Soldado Invernal, quem está por trás dele é uma pessoa bastante poderosa. — Carrie deduziu.
— Ou organização. — Kat completou e o celular de Ally tocou e ela atendeu.
— Alô?
— Oi Ally, tá tudo bem com você?
— Tentaram matar você, então sou eu quem deveria perguntar isso.
— Você viu o atirador?
— Não, eu não vi. Só vi o ponto vermelho na sua cabeça.
— E foi isso que você disse para a polícia?
— Sim, foi.
— Me desculpe por te envolvido nisso.
— Não precisa se desculpar, está tudo bem.
— Eu vou sair da cidade por algum tempo, você poderia avisar ao Ethan por mim?
— Ele ainda não sabe?
— Não, ele foi visitar a família. Eu achei melhor ir antes que ele voltasse.
— E para onde você vai?
— É melhor que você não saiba. Eu te vejo por aí.
— Ok. — Ally desligou o telefone.
— O que ele disse? — Kat e Carrie perguntaram curiosas.
— Ele vai sair da cidade por um tempo. — Ally respondeu.
— Provavelmente o atirador irá atrás dele. — Carrie deduziu.
— O que significa que não podemos fazer nada. — Amy também deduziu.
— Droga, ele venceu de novo. — Ally lamentou.
— Não se preocupe, você ainda tem dezessete anos. Você tem muitos anos pela frente para encontra-lo e vingar a sua família. — Kat tentou consolar a amiga.
— Gosto do seu ponto de vista. — Ally comentou e alguém tocou a campainha fazendo a garota ir atender a porta e quem estava lá era a sua vizinha, a Bell.
— Eu soube o que aconteceu com você e vim saber se está tudo bem. — Bell disse.
— Eu estou bem. — Ally respondeu.
— Ok, se precisar de alguma coisa, eu estou no apartamento ao lado. — Bell disse.
— É, eu sei. — Ally respondeu. Bell foi embora ao mesmo tempo em que a mãe de Carrie chegou. — Não vai me dizer que você também veio para ver se eu estou bem?
— Na verdade, eu só vim buscar a Carrie, mas é bom saber que você está bem. — Emily respondeu. — Como é que o outro cara está?
— Eu não sei, não tive notícias dele até agora. Ele simplesmente sumiu. — Ally mentiu.
— Que ele esteja bem. — Emily disse. — Nós nos vemos amanhã.
— Tchau Ally. — Emily e Carrie foram embora.
— Sabe Ally, eu posso tentar invadir os e-mails do “Liberdade sem fronteiras” e ver o que eu consigo. — Amy disse.
— Você conseguiria fazer isso? — Ally perguntou esperançosa.
— Com certeza. — Amy respondeu. — Eu vou para casa e ver o que eu consigo, se eu conseguir alguma coisa eu te aviso.
— Ok. — Ally respondeu e Amy foi embora e então Ally e Kat entraram. — Você vai dormir aqui de novo, não vai?
— Pode apostar que sim. — Kat respondeu.
***
Mais tarde, Amy conseguiu invadir os e-mails do “Liberdade sem Fronteiras”, a maioria das mensagens estavam bem protegidas então não dava para lê-las, mas tinha algumas que poderiam ser lidas.
“Caro Roger,
A denúncia que está fazendo é extremamente grave e envolve muitos órgãos de governos de vários países. Precisamos marcar um encontro para que você me mostre as provas encontradas.
Atenciosamente
Harriet Hornett, especialista em direitos humanos”
“Caro Roger,
Eu estou juntando provas para iniciar uma investigação sobre o que me informou, pensei em informar ao Senador Stern, mas acabo de perceber que ele não é confiável.
Atenciosamente,
Senador Oshland.”
“Roger,
Não consegui encontrar nada nas minhas pesquisas sobre os PRODÍGIOS, mas um nome ficou se repetindo muito: Anastasia. A garota não tem um sobrenome, mas se a acharmos, ela poderá ser a resposta de muitas perguntas.
Da sua colega de blog,
Denise.”
Espantada com o que viu, Amy pegou o notebook e foi até o pai que estava assistindo o canal de esportes.
— Pai, posso dormir no apartamento da Ally? — Amy perguntou.
— Amélia…
— Por favor, amanhã é sábado. — Amy implorou.
— Ok, mas volte amanhã cedo. — Josh disse.
— Obrigada papai! — Amy saiu e foi até o apartamento de Ally. Ela tocou a campainha e foi atendida pela tia de Ally. — Meu pai deixou eu dormir aqui.
— Tudo bem, entra. — a tia de Ally deixou Amy entrar e fechou a porta. — Meninas, eu estou indo dormir, por favor, não fiquem acordadas até tarde.
— Pode deixar. — Ally respondeu e então a tia foi para o quarto dela e trancou a porta.
— E então Amy, o que conseguiu? — Kat perguntou curiosa.
— Não muita coisa, os e-mails deles são bastante protegidos, mas consegui algumas coisas interessantes. — Amy entregou o notebook para Ally e Kat que leram os e-mails.
— O que são esses “PRODÍGIOS”? — Kat perguntou.
— Provavelmente era o que o Roger estava investigando. — Ally deduziu.
— E provavelmente é o motivo de estarem tentando mata-lo. — Amy completou.
— Noticias de última hora. O senador Oshland acaba de falecer em decorrência de um infarto. Mais informações a qualquer instante. — um repórter falou na tv.
— Era um dos caras do e-mail. — Amy disse. Ela começou a pesquisar na internet e achou uma notícia sobre a blogueira Denise.
“Blogueira do ‘Liberdade sem Fronteiras’ é encontrada morta”
— Estão fazendo uma queima de arquivo. — Ally deduziu.
— Amanhã a Harriet Hornett estará na cidade para uma palestra. — Amy avisou.
— Ela será o próximo alvo dele. — Kat deduziu.
— Não se fizermos alguma coisa. — Ally respondeu.
***
Pela manhã, Amy foi até o apartamento de Carrie para lhe contar o que aconteceu, elas tinham um plano e estavam dispostas a colocá-lo em prática. As quatro se reuniram no quarto de Ally, onde começaram a discutir sobre o plano.
— Mas como vamos lidar com ele. Quer dizer, estamos lidando com um assassino treinado, não somos páreas para ele. — Carrie disse.
— Mas se ficássemos invisível, teríamos uma vantagem e tanto. — Kat sugeriu.
— Ok, mas não ficamos invisível. — Ally respondeu.
— Quem disse? — Amy perguntou ironicamente.
— A física? — Carrie respondeu em tom irônico.
— Vocês querem saber o que significa CQFI? — Kat perguntou.
— Sim. — Carrie respondeu.
— Mas estou com medo do que seja. — Ally completou receosa.
— Significa, Coisa Que Fica Invisível. — Kat respondeu. — Eu venho desenvolvendo há alguns meses uma roupa baseada em uma tecnologia da SHIELD de invisibilidade. Eles a usam para deixar veículos invisíveis, eu descobri uma maneira de usar essa tecnologia em coisas menores, incluindo seres vivos. Ela manipula a luz de um modo que deixa algo ou alguém invisível a olhos humanos. É claro que ela está em fase de desenvolvimento, então a pessoa ainda fica visível à câmeras e a vários tipos de equipamentos, mas ela não pode ser vista por outra pessoa, o que já dá uma grande vantagem.
— Nós temos uma roupa que deixa as pessoas invisíveis? — Ally perguntou espantada.
— Você sabe que está desenvolvendo a que é a arma mais perigosa já desenvolvida, não sabe? — Carrie questionou.
— Sim, é por isso que eu só contei para a Amy. — Kat respondeu. — E também porque eu precisava testar isso em alguém e a Carrie é muito nova e a Ally não estava na equipe ainda, então Amy era a cobaia perfeita.
— Amy, você acha que consegue fazer isso? — Ally perguntou.
— Sim, nós nunca usamos isso em campo, mas pode funcionar. — Amy respondeu. — E se não funcionar a única coisa que pode acontecer é eu ser morta por um assassino misterioso e treinado ou ser capturada por causa do traje.
— Isso significa que você aceita ou não? — Carrie perguntou em dúvida.
— Significa que eu estou com medo, mas estou dentro. — Amy respondeu.
***
Oito anos antes…
Aquela seria mais uma consulta da pequena Alyssa com o psicólogo e ela não estava nem um pouco animada.
— Voltemos a falar do homem do braço de metal.
— Quem? — Alyssa se fingiu de desentendida.
— O homem do qual sempre fala.
— Ah sim. O pesadelo que eu tive onde um homem com um braço de metal matava os meus pais. — Alyssa mentiu.
— Pesadelo?
— Sim, ele é só coisa da minha cabeça, porque eu não queria aceitar a morte dos meus pais, mas agora eu aceito, porque essa é a única coisa que eu posso fazer. — Alyssa respondeu.
— Me fale sobre o acidente.
— O que eu posso falar? Eu só lembro do carro batendo, é a minha última lembrança deles vivos. — Alyssa mentia cada vez mais.
— Então admite que o homem do braço de metal nunca existiu?
— Sim. — Alyssa mentiu, ela sabia que nunca acreditariam nela. Se era para a menina conviver pelo resto da vida com o assassinato dos pais, que fosse fora de uma clínica psiquiátrica.
***
Dias atuais…
Kat encontrou as meninas atrás de um prédio.
— Conseguiu as armas? — Carrie perguntou.
— Sim, eu consegui. — Kat jogou uma mala cheia de armas no chão. — Sabe, fico preocupada com a facilidade na qual se consegue armas nos Estados Unidos.
— Está pronta Amy? — Ally perguntou para Amy que já estava com o traje que ficava invisível.
— É, acho que sim. — Amy respondeu e começou a mexer no notebook desativando as câmeras do prédio por uma hora. — Temos uma hora até religarem as câmeras.
— Vai dar certo. — Kat disse entregando um fone de ouvido para que Amy pudesse se comunicar.
— Tem que dar certo. — Ally disse.
— Ok, para o caso de sermos interceptadas nós nos chamaremos pelos codinomes, Amy, você é a Ghost girl, eu sou a Redhead, Carrie e a Pink, e a Ally é a Invisible. — Kat avisou.
— Posso trocar de nome com a Ally? — Amy perguntou.
— Não. — Kat respondeu.
— Amy, você já sabe o que fazer. — Carrie disse e então Amy apertou um botão no pulso que a fez ficar invisível. Kat pegou o celular e colocou na câmera para fazer um teste, a Amy não podia mais ser vista por olhos humanos, mas ainda podia ser vista por câmeras.
— Ok Amy, pode ir! — Kat disse e Amy fez o que ela disse.
— Kat, precisamos discutir seriamente sobre os uniformes, qual é o sentido dessas luvas? — Ally questionou.
— Elas são feitas de um material especial, capaz de aumentar o impacto de um soco. — Kat explicou.
— Precisava fazê-las tão apertadas? — Ally questionou.
— Eu não sabia o seu tamanho. — Kat respondeu.
***
Invisível, Amy entrou no prédio e começou a procurar pelo Soldado Invernal.
— Nenhum sinal dele ainda. — Amy disse para as meninas pelo fone.
— Tente procura-lo em algum lugar com vista completamente privilegiada para a palestra, provavelmente ele estará lá. — Kat aconselhou.
— Não, ele provavelmente tentará ser discreto, procure pela Harriet e fique de olho nela. — Ally recomendou.
— Ok. — Amy respondeu e começou a procurar pela Harriet, mas uma correria a atrapalhou. — Gente, tem alguma coisa errada.
— O que foi Ghost? — Carrie perguntou.
— Tem uma correria muito estranha aqui. — Amy explicou e em seguida ela viu uma das salas pegando fogo. — Tá pegando fogo! — Amy correu em direção à sala.
— O quê? Ghost, sai daí agora! — Carrie mandou.
— Acho que eu vi alguém!
***
— Ghost! — Carrie gritou, mas o sinal caiu. — Amy!
— O que está acontecendo? — Ally perguntou confusa.
— Algo está bloqueando o sinal. — Kat respondeu.
— Droga! — Ally saiu correndo para salvar a amiga, ela não poderia deixar o Soldado Invernal matar a Amy. Kat guardou o notebook na mochila e foi junto com Carrie atrás da amiga.
***
Amy, que estava invisível, viu Harriet tentando escapar das chamas e perto dali ela viu o Soldado Invernal prestes a atirar na Harriet. Aproveitando o fato de estar invisível, Amy correu até o atirador e o empurrou impedindo que ele atirasse. Ele procurou por quem tinha feito aquilo, mas não parecia ter ninguém ali. As saídas estavam bloqueadas para Amy e a única disponível estava bloqueada pelo Soldado Invernal e se ela se movesse mais um pouco ele poderia acabar percebendo ela ali. O chão embaixo de Amy cedeu e a garota caiu no andar de baixo e isso fez com que o traje ficasse com defeito e ficasse visível novamente.
— Merda! — Amy resmungou ao perceber que o Soldado Invernal estava mirando nela. Ela tentou ativar a roupa novamente, mas isso fez com que ela ficasse aparecendo e desaparecendo. Alguém encapuzado apareceu por trás do Soldado Invernal e tentou acerta-lo, mas ele acabou vendo e se desviando. Os dois começaram a lutar e Amy aproveitou a deixa para fugir do local. Do lado de fora Amy encontrou as amigas que estavam quase entrando no prédio.
— Amy! — Ally abraçou Amy ao perceber que ela estava bem.
***
Enquanto Kat consertava o traje invisível, Amy, Carrie e Ally conversavam.
— Como conseguiu sair de lá? — Carrie perguntou.
— Uma pessoa me salvou. — Amy respondeu.
— Quem? — Ally perguntou.
— Eu não sei, ele começou a lutar com o Soldado Invernal e eu aproveitei a deixa para fugir. — Amy respondeu.
— É tudo minha culpa. — Ally lamentou. — É melhor nós pararmos com isso.
— Você tá de brincadeira, né? Não dá mais para voltar atrás! — Amy respondeu.
— Amy, você quase morreu. — Ally argumentou.
— Sim, e a próxima a morrer pode ser a Harriet. — Amy respondeu. — Você passou anos sendo considerada doida e agora que tem a chance de provar que estava certa, você desiste?
— Amy, nós estamos lidando com um assassino treinado. — Ally argumentou.
— Mas se não fizermos nada, uma pessoa inocente morrerá por culpa nossa. — Amy contra-argumentou. — Se você desistir, ok! Mas nós continuaremos nisso com ou sem você.
— Não posso deixar que façam isso sozinhas. — Ally concluiu.
— Boas notícias. — Kat anunciou. — Era só um pequeno bug, nada muito grave. O traje está pronto para ser usado novamente.
— O que faremos? — Ally perguntou.
— Posso tentar descobrir alguma coisa nova nos e-mails. — Amy disse tirando o notebook da mochila de Kat.
Horas depois…
— Tem um e-mail novo. — Amy avisou fazendo as outras três se aproximarem do notebook.
— O que diz aí? — Carrie perguntou
— O Roger e a Harriet vão se encontrar em um prédio abandonado em Seattle. — Amy respondeu.
— Então temos que ir até lá e garantir que nenhum dos dois morra. — Kat concluiu.
— E se ele aparecer? — Ally perguntou. — O Soldado Invernal?
— Então nós o enfrentaremos. — Carrie respondeu.
***
Carrie, Amy, Ally e Kat vestidas com seus respectivos uniformes entraram no prédio abandonado. Kat entregou fones de ouvido bluetooth para cada uma.
— É para não perdermos contato. — Kat explicou.
— Cada uma sabe o que fazer, certo? — Carrie checou.
— Cada uma vigia o Roger e a Harriet em cantos diferentes do prédio e fica atenta a qualquer tipo de ameaça. — Kat lembrou.
— Ok garotas, seja o que deus quiser. — Carrie disse.
***
Harriet e Roger se encontraram no pátio do prédio, sem eles saberem, Carrie, Kat, Amy e Ally os vigiavam de longe.
— Ok Roger, você já pode me entregar as provas, eu arrumei um jeito de encaminhar a sua denúncia. — Harriet disse tentando convencer Roger a lhe entregar as provas.
— E como você fará isso? — Roger questionou desconfiado, havia algo estranho ali.
— Gente, alguém notou alguma coisa estranha no rosto da Harriet? Ele está meio… Bugado. — Kat comentou e Ally notou a mesma coisa. Havia algo muito errado.
— Você não confia em mim? — Harriet questionou.
— Não se mexa! — Ally apontou uma arma para a cabeça de Harriet.
— O que está acontecendo? — Roger perguntou confuso. Harriet tentou sacar uma arma, mas Amy, que estava invisível, a impediu e apontou uma arma para ela.
— Isso não faz sentido, por que a Harriet trairia o Roger? — Carrie questionou.
— É simples, ela não é a Harriet. — Kat tirou uma máscara digital do rosto da falsa Harriet e ao tirá-la eles se surpreenderam ao encontrar uma adolescente de dezesseis anos ali.
— Como… — Roger estava chocado.
— Eu já tinha ouvido falar dessas máscaras, mas sempre pensei que fossem apenas lendas. — Kat comentou.
— Mas então, o que aconteceu com a verdadeira Harriet? — Roger perguntou cada vez mais confuso.
— Ela morreu no incêndio. — a falsa Harriet respondeu.
Horas antes…
Ao ver que Amy não estava mais ali, o encapuzado misterioso conseguiu afastar o Soldado Invernal e fugir dali. Antes de sair do prédio, o Soldado Invernal viu Harriet caída morta no chão, ela provavelmente tinha morrido de asfixia por causa da fumaça.
Voltando…
— Espera um pouco, se a Harriet está morta, como é que ninguém achou o corpo dela. — Carrie questionou.
— É simples, nós nos livramos dele. — a falsa Harriet respondeu.
— “Nós”? — Ally interrogou.
— Sim, eu e minha família. — em seguida, a garota tomou a arma da mão de Amy e atirou na própria cabeça deixando todos ali em choque.
— Que merda foi essa? — Amy perguntou chocada com o que tinha visto e ouvido e Ally conseguiu ver o Soldado Invernal de longe, prestes a atirar.
— Cuidado! — Ally conseguiu tirar Roger da linha de tiro e então cada um começou a correr em direções opostas.
***
Invisível, Amy correu pelos corredores até chegar à um onde o Soldado Invernal estava. Ela tentou não fazer barulho para que ele não percebesse que ela estava lá, mas a garota sabia que se ficasse lá por muito tempo, ela acabaria sendo pega. Amy começou a dar passos lentos e silenciosos, na esperança de sair de lá, mas sem querer, ela pisou em um caco de vidro, fazendo com que o Soldado Invernal descobrisse que ela estava lá e usasse um dispositivo elétrico para anular os efeitos da roupa invisível. Quando Amy achou que seria seu fim, Ally surgiu por trás do Soldado Invernal e apontou uma arma para ele, que assim que percebeu que Ally estava ali, também apontou uma arma para ela. Amy aproveitou a deixa para fugir.
Ally e o Soldado Invernal ficaram em um impasse de quem atiraria primeiro. Ally queria atirar, mas não conseguia se ver como uma assassina, ela não era assim. Ao perceber que a garota não conseguiria atirar, o Soldado Invernal tomou a arma dela e se preparou para atirar, mas foi impedido pelo encapuzado misterioso que o pegou de surpresa e conseguiu tomar uma das armas dele, enquanto Ally aproveitou para fugir. O encapuzado tentou acertar um soco no oponente, mas este conseguiu se desviar e torceu o braço do encapuzado que surpreendentemente não sentiu nenhuma dor. O encapuzado viu um pedaço de madeira por perto e o usou para bater na cabeça do Soldado Invernal, então ele aproveitou a deixa para fugir. Quando Bucky ia atrás do encapuzado, ele recebeu novas ordens.
— Não vá atrás dele, essa não é mais a sua missão. — Alguém disse pelo rádio.
***
Ally e Amy encontraram Kat, Ally e Roger em um dos corredores.
— O que está acontecendo? Quem são vocês? — Roger perguntou confuso.
— Ora, ora, se não é a equipe mais ultra legal de Seattle. — Jason ironizou, atrás dele estavam um número bastante considerável de soldados,
— Cara, isso consegue ser pior que “Heroínas de Seattle. ” — Kat comentou.
— Vejo que subestimei vocês, já que deram bastante trabalho para um dos melhores assassinos que já existiu. — Jason comentou.
— O que você quer? — Ally foi direta.
— É simples, me entreguem o notebook com todas as provas e ninguém morre. — Jason propôs.
— E se dissermos não? — Roger desafiou e então os soldados apontaram as armas para todos eles.
— Eu não acho que estejam em condições de negociar. — Jason respondeu. — Agora, sejam bonzinhos e me entreguem o notebook.
— Ou o quê? Vai nos matar? — Roger desafiou novamente.
— Não gostamos de desperdiçar talentos. — Jason disse olhando para Carrie. — Mas se for necessário…
O encapuzado misterioso surgiu das sombras, pegou o notebook e saiu correndo, pegando todos ali de surpresa. Roger, Kat, Ally, Amy e Carrie começaram a correr atrás do encapuzado.
— Atrás deles! — Jason ordenou e os soldados foram atrás do encapuzado que ao perceber que não teria para onde ir, resolveu jogar o notebook dentro de uma lixeira pegando fogo.
— Não! — Roger tentou recuperar o notebook, mas foi impedido pelo encapuzado que o segurou.
— Em outras circunstâncias, eu até deixaria vocês irem, afinal, sem provas, o projetinho de repórter é só mais um doido na internet com mais uma teoria da conspiração maluca. — Jason disse se referindo à Roger. — Infelizmente, eu tenho contas para acertar com este filho da puta. — Jason apontou para o encapuzado. — Você já me deu prejuízos.
— Não se preocupe, a sua hora ainda vai chegar. — o encapuzado disse em uma voz feminina que parecia bastante familiar para todos os presentes ali. O encapuzado atirou na única lâmpada que iluminava o local o que o deixou bastante escuro. Carrie, Kat, Ally, Amy e Roger tentaram sair do prédio por uma das portas, mas esta foi bloqueada por vários soldados. A esta hora, Jason já havia ido embora.
— O que faremos? — Amy perguntou ao perceber que não teria jeito delas saírem dali.
— Deixa comigo. — Carrie saiu do esconderijo e colocou um pisca-pisca como distração em um local longe das garotas fazendo com que os soldados atirassem na direção errada. A menina aproveitou que eles não a viam graças a luminosidade inconstante e começou a atirar e mata-los um a um até que todos eles estivessem mortos. Após o último soldado morrer, Carrie estava chocada com o que tinha acabado de fazer. Ela descobriu que era capaz de matar, o que a deixou em choque.
***
Carrie, Amy, Ally e Kat entraram no apartamento de Ally ainda chocadas com tudo o que tinha acontecido. Carrie havia matado pessoas naquele dia e isso a fez pensar se não seria melhor ela sair da equipe.
— Acho melhor acabarmos com a equipe. — Ally propôs. — Não estamos preparadas para algo desse nível.
— Concordo! — Carrie disse.
— Totalmente. — Amy completou.
— Infelizmente, também concordo. — Kat respondeu, ela sabia que aquilo era perigoso demais para continuarem.
— Sinto muito pelo traje invisível. — Amy disse para Kat.
— Tudo bem, foi melhor assim. — Kat respondeu.
— É uma pena que não tenha conseguido vingar seus pais. — Carrie disse para Ally.
— Tudo bem, eu precisava fazer esse acerto de contas comigo mesma. Serviu para que eu percebesse que tenho que começar a viver. — Ally respondeu.
— Tem uma coisa que não saiu da minha cabeça. — Kat disse. — O que o Roger estava investigando e quem era a garota encapuzada? E por que a voz dela era tão familiar?
***
Roger entrou no apartamento, que dividia com Ethan, frustrado. Toda a investigação dele havia sido perdida. O rapaz não sabia o que fazer. Ele colocou a mão em um dos bolsos da jaqueta e viu que ali havia um pen-drive, mas ele não se lembrava de ter um pen-drive como aquele. Até que ele deduziu que provavelmente o pen-drive havia sido colocado ali pela garota encapuzada quando esta o segurou impedindo de recuperar o notebook, mas o que havia ali? Roger conectou o pen-drive ao notebook e viu toda a sua investigação salva ali, e também havia um bloco de notas como arquivo extra.
“Seja mais cuidadoso dessa vez. ” Estava escrito no bloco de notas, mas quem seria aquele aliado improvável e misterioso?
***
Bell entrou escondida no apartamento onde morava e tirou o capuz, aquela havia sido uma noite complicada e ela sabia que teria que tomar cuidado para que o Jason não descobrisse tão cedo que ela estava viva. Ela se olhou no espelho e se lembrou de todo o passado, o passado que ela tentava esquecer, quando ainda era a Anastasia, quando o cabelo dela ainda era completamente preto, ela havia conseguido escapar do inferno e faria de tudo para não voltar.
Dois anos antes…
Os guardas levaram Anastasia até uma sala de interrogatório e a algemaram à uma mesa. Em seguida Jason entrou e se sentou à mesa com ela.
— Ora, ora, se não é a garota que não morre. — Jason disse.
— Se está tentando ser legal comigo para que eu faça algo que você queira, já vou logo avisando que isso não vai funcionar. — Anastasia o interrompeu.
— Eu só quero conversar com você. — Jason explicou.
— Então diga logo o que você quer. — Anastasia respondeu.
— Você é direta. — Jason comentou.
— Pena que eu pareço ser a única aqui que tem essa qualidade. — Anastasia respondeu. — Se essa for a sua tentativa de me manipular, não está funcionando.
— Na verdade, eu vim fazer uma proposta. Você faz o que mandamos e nunca mais terá que voltar para cá. Liberdade, minha cara amiga. — Jason propôs.
— Nós estamos muito longe de sermos amigos. — Anastasia respondeu. — Eu não preciso da sua proposta, caro “amigo”, eu só precisava da chance de achar uma brecha, e você foi muito útil nisso. — a garota disse e em seguida ela mostrou os dois braços que não estavam mais presos à mesa. — Eu faço as minhas próprias regras. —ela bateu a cabeça de Jason na mesa fazendo-o ficar inconsciente e em seguida ela pegou a arma dele e atirou em mais três guardas que estavam na sala. Ao sair para o corredor, ela atirou em mais sete soldados e foi até a porta da saída. Ela estava livre.
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