Covenant of Risk
17 Quando as Máscaras Caem (Parte 2)
Notas iniciais
Ponto de Vista — Josh
Já era um pouco tarde da noite quando acordei. Acordei com uma sensação ruim, como se algo estivesse prestes a acontecer. Andei preocupado pelo apartamento, fui até a cozinha para tomar um copo de agua, e logo depois fui olhar o quarto das meninas, checar se estava tudo bem. Quando abri a porta, percebi que apenas a Carrie estava no quarto. A Amélia não estava ali. Onde ela estava? Ela estava de castigo, não podia sair. Entrei no quarto e resolvi chamar a Carrie.
— Cadê a Amélia? — Perguntei.
— Ela está com a Ally e a Kat — ela respondeu e pude notar logo a mentira, a Pâmela sabia que a Amélia estava de castigo, ela não sabia o motivo, mas havia comentado com ela sobre a Amélia e a Carrie estarem de castigo, se a Amélia tivesse ido lá, a Pâmela teria me contado.
— Então eu posso ir lá que acharei ela? — Questionei.
— Acho que agora elas devem estar dormindo — a Carrie mentiu novamente.
— A Amelia sempre dormiu tarde, e pelo que sei, a Alyssa e a Katherine também — eu disse, aquilo estava mal contado.
— Sim, mas amanhã parece que elas vão acordar cedo, algo sobre arrumar as coisas para a faculdade ou algo assim — ela não parava de mentir.
— Então, se eu for lá e perguntar para a tia da Alyssa sobre a Amelia, ela provavelmente dirá que a Amélia está dormindo com as meninas, certo? — Perguntei.
— Sim — ela respondeu e eu fiquei a encarando na esperança de que me dissesse a verdade. — Não.
— Para onde ela foi? — Questionei.
— É que ela conheceu um garoto, e os dois fizeram uma aposta sobre hackear o colégio, e ela aceitou porque ele estava pressionando ela — aquela história era muito absurda, conheço a Amélia o suficiente para saber que ela teria dado um soco no garoto assim que ele tivesse tentado a ameaçar.
— A Amélia nunca foi de aceitar ameaças calada — respondi.
— É que ele invadiu o notebook dela e ameaçou contar sobre o Stark — fazia certo sentido, mas ainda estava estranho.
— E por que ela não me contou? — Questionei.
— Ela não queria te envolver — ela respondeu, aquilo parecia com algo que a Amélia faria. Pelo menos foi o que eu pensei, até ver que o notebook da Amélia estava ali, se ela iria hackear alguém, por que não levou o notebook?
— Se ela foi hackear o colégio, então o que o notebook dela está fazendo aqui? — Perguntei.
— Ela está usando outro notebook — aquilo com certeza era mentira.
— Carrie, eu não sou como a Emily, não vou acreditar na primeira mentira que você disser. — Disse para ela e citei a mãe, na esperança de que ela contasse a verdade. — O que está realmente acontecendo?
Foi quando a Carrie resolveu me contar a verdade, uma história absurda sobre Vigilantes, elas serem as heroínas de Seattle, prodígios e uma garota sombra ter ameaçado elas se não fizessem algo, aquilo era absurdo, mas juntando as peças com tudo o que havia acontecido nos últimos meses, e com o lance do traje invisível, porque a Kat havia realmente o construído (não era para a FGI, era para a equipe delas), e como a Amélia havia o conseguido, agora tudo fazia sentido.
— Sabe os riscos que correram? — Questionei, tudo o que elas fizeram não foi apenas inconsequente, mas poderia tê-las matado.
— Não tivemos muita escolha — a Carrie respondeu. — Só escapei de participar do plano porque achamos de eu ser reconhecida seriam maiores.
— Eu não acredito — elas haviam mentido para mim aquele tempo todo. A Amélia, a Carrie, até mesmo aquelas outras duas garotas, a Alyssa e a Katherine. Não sei se deixa-las serem amigas havia sido uma boa ideia. — Eu confiei em você, Carrie, eu confiei em vocês, e na primeira oportunidade colocaram suas vidas em riscos, como se não se importassem!
— Não era para ter virado algo tão grande — Carrie disse. — As coisas começar a ficar fora de controle.
— Talvez porque a ideia de ser Vigilantes é uma coisa que sai do controle com o tempo — respondi. — Quantos problemas não teve em Nova Iorque por causa de Vigilantes? Aquela Sammy... Até mesmo os Vingadores, eles só se uniram porque o planeta estava sendo invadido por alienigenas.
— Nós não pensamos muito nisso...
— É claro que não pensaram — o que só piorava as coisas. — Porque se tivessem pensado, não estariam nessa situação.
— Mas nós paramos, quando percebemos que era arriscado demais — a Carrie disse. — Mas aí essa garota, Sombra, Shadow, sei lá, apareceu e nos ameaçou.
— Eu não acredito...
De repente, ouvimos a porta da sala abrindo e logo deduzimos que a Amy havia chegado e fomos até a sala, a primeira coisa que eu fiz foi abraçar a Amélia, ela estava viva!
— Graças a deus, você está bem! — Eu disse enquanto abraçava a Amélia, que desfez o abraço e olhou para a Carrie. — Você tem noção do risco que correu?
— Pai, eu posso explicar... — Foi quando a interrompi.
— Explicar? Explicar o quê? O que você e suas amigas estão fazendo não tem explicação, poderia ter acontecido algo com você, ou pior, poderia ter morrido. — Eu não aguentaria perder a Amélia, primeiro foi a Josie, e agora a Amélia, seria como estar morto em vida.
— Está tudo bem pai, acabou, eu nunca mais vou fazer isso de novo — a Amélia afirmou, mas eu não conseguia acreditar.
— E como posso saber que está falando a verdade? — Questionei. — Você me prometeu que me faria confiar em você novamente.
— Tentamos parar, mas aí apareceu essa tal de Shadow e ela nos ameaçou — A Amélia tentou explicar. Foi quando eu percebi que eu tinha uma parcela de culpa naquilo, eu escondi as origens da Amy dela, e quando ela descobriu, deixou de confiar em mim, como o pai dela. Como eu podia exigir que a Amélia me dissesse a verdade, se eu menti para ela e escondi a verdade durante todos aqueles anos?
— Isso é culpa minha — eu disse. — Eu menti para você, sobre suas origens, e isso fez com que não confiasse mais em mim, se tivesse sido sincero com você, desde o começo, nada disso, teria acontecido.
— Não pai! Não é sua culpa! — A Amélia interviu — Eu fiz isso! A culpa é minha! Por favor! — Ela começou a chorar, eu não sabia o que fazer. — Me perdoe pai! — Ela implorava enquanto chorava. — Eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Eu não pensei nas consequências! Me desculpe! Por favor pai, me perdoe! — Eu não sabia o que fazer, o que a Amélia havia feito era errado, mesmo que eu tivesse uma parcela de culpa, mas eu sabia que a Amélia ainda era uma boa menina, ela sempre foi uma boa menina, as pessoas podem dizer o contrário, pelo temperamento forte, por ela estar sempre se metendo em brigas, mas para mim, minha filha era perfeita, e ela estava ali, viva. Foi quando a abracei.
— Tive tanto medo de que você nunca mais aparecesse! — A abracei e comecei a chorar.
— Tive medo de nunca mais te ver! — A Amélia chorava e continuávamos nos abraçando. — Mas não importa mais, porque acabou, eu nunca mais vestirei um uniforme novamente, nunca mais!
— Vamos começar de novo — Resolvi propôr. — Eu, você e a Carrie, nos mudamos de cidade, não dizemos nem ao Stark para onde vamos. Apenas nós, uma vida normal, como uma família feliz. — Um novo começo era tudo o que precisávamos, sem colégio interno, Stark, Heroínas de Seattle, poderíamos recomeçar, deixar o passado para trás.
— Como uma família feliz. — A Amélia disse e olhou para a Carrie.
— Como uma família feliz — A Carrie concordou e quando ela fez isso, todas as luzes se apagaram do nada e o alarme de incêndio havia sido ativado.
— Isso é um alarme de incêndio? — A Carrie perguntou confusa.
— Parece que sim —Confirmei.
— Parece ser coisa séria. — A Amélia disse. Tínhamos que sair dali.
— Arrumem suas coisas, peguem apenas o que for necessário e vamos sair do prédio — Eu mandei e elas obedeceram. Assim que arrumamos nossas coisas, nós saímos do apartamento e descemos as escadas, já que os elevadores não estavam funcionando, até que não muito tempo depois, a Carrie nos fez parar.
— Está tudo bem, Carrie? — Perguntei.
— Vocês também não ouviram? — A Carrie perguntou e eu não conseguia entender. — Passos.
— Não — a Amélia respondeu. Os passos se tornaram mais próximos e finalmente conseguimos ouvi-los. — Agora eu escutei. — A Amélia avisou. Foi quando vimos o responsável pelos passos, era um homem careca, assim que o viram, as meninas ficaram bastantes assustadas. — Corre! — A Amélia gritou e nós três saímos correndo, enquanto o careca continuava atrás de nós. Corremos até voltarmos para o apartamento, lá, tranquei a porta e coloquei um móvel na frente.
— Quem é ele? — Perguntei.
— Um cara que as Heroínas de Seattle irritaram — a Carrie respondeu, o homem estava tentando arrombar a porta, mas estava sendo impedido pelo móvel.
— Se escondam debaixo da cama. — Mandei, mas a Amélia não queria ir. — Agora!
— E você? — A Amélia questionou.
— Eu me escondo na cozinha, agora vão! — Peguei uma arma que mantinha escondida na casa, ela havia sido da Josie e desde que ela morreu, eu a guardava, mas nunca imaginei que precisaria dela, as meninas se esconderam no quarto e eu me escondi na cozinha. Não demorou muito para oa porta da sala ser derrubada, provavelmente o careca havia conseguido entrar. Ele andou pelo apartamento e entrou no quarto das meninas. Não demoraria muito para ele acha-las, eu precisava fazer alguma coisa. Foi quando eu me levantei, fui até o quarto das meninas e apontei a arma para a cabeça dele.
— Solte a arma — eu o ameacei.
— Senhor Clark, é um prazer finalmente conhecê-lo — o careca disse, ele sabia o meu nome.
— Como sabe o meu nome? — Perguntei.
— Andei estudando você e sua família — o careca respondeu. — Aliás, sua família é adorável. — Era um jogo, eu não podia cair naquilo.
— Mandei largar a arma — ameacei novamente.
— Você tinha um futuro promissor, até largar tudo, por causa de uma filha — ele estava falando da minha filha, eu não podia permitir isso. Engatilhei a arma. — Aposto que foi a Josie quem te ensinou a manejar uma arma.
— Nunca mais fale dela! — Gritei, ele não podia falar da Josie.
— Não deve ter sido fácil estar com uma agente da SHIELD, mesmo quando ela largou tudo, afinal, o passado sempre volta para nos assombrar — eu não podia cair naquele jogo, precisava proteger a Amélia, precisava proteger a Carrie. — Aliás, não foi isso o que aconteceu na FGI? E também foi o que aconteceu com a Josie. — Fiquei confuso. A Josie havia tido uma vida pacífica antes de morrer de aneurisma. — Você não sabe? — Minhas mãos tremiam, ele estava falando da Josie. — Não foi um aneurisma que matou sua esposa, foi a HYDRA. — Estava confuso. HYDRA? Por que eles fariam isso? Aquilo não fazia sentido. — Oh, você não sabia. E como poderia, não era para ninguém saber.
— Por quê? — Perguntei. — Por que a mataram?
— Por que ela resolveu investigar o passado de um bebê — o careca respondeu. — Um bebê tirado de seus pais, que estavam mortos. Com uma origem guardada a sete chaves. Um bebê que estava com a HYDRA, bom, não exatamente com a HYDRA, mas com um amigo da HYDRA. — Um bebê. Eu não conseguia entender? — Claro, que Katherine Hargen não é mais um bebê, e não era mais um bebê quando sua esposa resolveu procura-la, apesar de não saber que era a Katherine.
Katherine, era o nome da amiga da Amélia, mas não poderia ser a mesma Katherine, poderia? Foi nesse momento que a Amélia saiu de onde estava e ficou atrás do careca.
— O que a Kat tem a ver com isso? — A Amélia perguntou, e foi muito rápido, ele a pegou e apontou uma arma para a cabeça dela. Eu não pude fazer nada. — Solte a arma, ou a tiro da sua vida, assim como tiramos sua preciosa Josie. — Tive que soltar a arma, não poderia perder a Amélia, não a Amélia. — E você Carrie, se não quer ver o sangue da sua amiguinha no chão, apareça. — Não houve nenhuma reação e então o careca atirou no guarda-roupas. — O próximo será na cabeça da sua amiguinha, vamos ver quanto tempo demora para espalhar miolos de Amélia por este quarto. — Após ele dizer isso, a Carrie saiu debaixo da cama.
— Solta ela — a Carrie pediu.
— Vá para o lado dele — o careca pediu apontando para mim e a Carrie o obedeceu.
— Então, quem eu mato primeiro, o honrável pai, a bastarda, ou a prodígio? — Ele debochou e ouvimos barulhos na sala. — Os dois, para a sala, agora! — O careca mandou e eu e a Carrie fomos para a sala com o careca segurando a Amélia atrás de nós. Quando chegamos na sala, encontramos a Katherine, a Alyssa, mais quatro garotas e um rapaz. — Finalmente, estão todos aqui. — A garota loira mais alta ameaçou atirar nele, mas ele colocou a arma na cabeça da Amélia. — Não vai querer que eu a mate, não é mesmo Anastasia?
O nome da loira mais alta era Anastasia, tinha certeza que já a tinha visto no prédio. Ela estava no natal no apartamento da Alyssa e da Pâmela, mas elas a chamavam de Bell, eu não entendia.
— Finalmente estamos todos aqui! — O careca disse. — A bebê, que causou parte disso e que não é mais uma bebê. — Ele apontou apontou para Katherine. — Katherine, não é mesmo? A garota sombra te contou a verdade? Sobre sua família, seu irmãozinho perdido? Provavelmente não. — Ele olhou para a garota loira mais baixa, a que chamavam de Shadow, provavelmente era a garota sombra que as meninas haviam falado. — Afinal, concordamos que informação é poder. — Ele continuou olhando para a garota. — Você sabe que uma pessoa metade alien e metade humana é um híbrido, não sabe? Agora a pergunta, você é filha de aliens e humanos, ou foi pega por um alien? — A garota ameaçou pegar uma das espadas dela, mas o careca apertou a arma na minha cabeça. Após isso ele olhou para a Alyssa. — Alyssa, uma velha conhecida da HYDRA, a que escapou do Soldado Invernal, escapou tantas vezes da morte. Só não escapou mais vezes que a filha ingrata, porque é um recorde meio dificil de ser quebrado. — Foi quando ele olhou para a que chamavam de Anastasia, ou Bell. — Não é mesmo, Anastasia?
— Me desculpe, se não agradeci pelas torturas, ou por terem me tirado a liberdade, é que as coisas não funcionam assim — ela respondeu.
— Nós te demos um dom, e é assim que agradece — o homem debochou.
— Agradecer? Realmente, eu deveria agradecê-los, por me matarem, me esfaquearem, me queimarem, me prenderem, me baterem, realmente, muito obrigada, obrigada por ferrar com a minha vida, serei eternamente grata por isso — a tal Anastasia debochou.
— Por falar em filha ingrata — ele olhou para a garota de cabelo anelado. — Estou decepcionado, você foge para ser livre e resolve virar capacho de uma híbrida, estou desapontado.
— Sabe como é, é que a híbrida não tortura os capachos dela, e nem faz chantagem emocional — a garota disse.
— Não, apenas manipula e mente — o homem respondeu.
— Acho que está me confundindo com um espelho — a tal Shadow retrucou.
— Ah — ele olhou para o rapaz. — E aqui temos o intrometido, aquele que não sabe ficar no canto dele. Eu realmente devia ter te matado quando tive a chance! — E então ele olhou para a garota negra e pareceu um pouco confuso. Eu já tinha visto ela antes, ela foi visitar a Amélia uma vez com a Alyssa e a Katherine, aparentemente, eram amigas. — A colega da Riley, incrível como sempre tem uma pessoa avulsa no meio de tudo.
— O que você quer? — Perguntei.
— Uma revanche — o Homem respondeu. — Vocês tiveram a vez de vocês, e agora é minha vez.
— Solta a Amy! — A tal Anastasia pediu.
— Não, é que eu tenho que ameaçar alguém que possa morrer, a essa altura você já deveria ter aprendido isso — o careca respondeu.
— O lance é que você está sem saída — a Katherine disse. — Se matar a Amy, te matamos, se a soltar, não o deixaremos sair daqui a diferença, é que se matar a Amy, você terá uma morte lenta e dolorosa e se solta-la, seremos misericordiosas.
— Ah Katherine, pensei que fosse mais esperta — ele disse tirando a arma da cabeça da Amélia. — Não é óbvio que criarei uma terceira saída? — Foi quando ele apontou a arma para a Carrie e engatilhou para atirar nela, precisava fazer alguma coisa, não podia deixar a Carrie morrer, ela era muito nova, não deveria morrer. Quando o careca disparou, eu entrei na frente da Carrie e recebi os tiros por ela.
— Pai! — A Amélia gritou. Eu havia salvo a Carrie, mas agora perderia minha Amélia. Ele estava a levando. Eu queria levantar. Queria salva-la. Mas não conseguia, eu estava muito fraco. A última coisa que eu vi foi minha filha sendo levada.
Ponto de Vista — Amy
Logo depois de finalmente cumprirmos aquele plano maluco da Shadow, o que eu espero, que signifique que estamos finalmente livres. Voltamos para o prédio, e enquanto a Kat, a Ally e a Bianca foram para o canto delas, eu fui para o meu apartamento. Mas quando eu cheguei lá, tive uma surpresa. O meu pai me abraçou do nada, ele deveria estar dormindo.
— Graças a deus, você está bem! — Ele disse enquanto me abraçava. Seria possível? Ele tinha descoberto tudo? Desfiz o abraço e olhei para Carrie que estava quieta no canto. O olhar dela dizia tudo, meu pai sabia, ele havia descoberto, eu estava não apenas ferrada, mas consegui ver nos olhos dele o quanto estava decepcionado. — Você tem noção do risco que correu.
— Pai, eu posso explicar... — Ele me interrompeu.
— Explicar? — Ele continuava me olhando com decepção. — Explicar o quê? O que você e suas amigas estão fazendo não tem explicação, poderia ter acontecido algo com você, ou pior, poderia ter morrido.
— Está tudo bem pai, acabou, eu nunca mais vou fazer isso de novo — eu afirmei.
— E como posso saber que está falando a verdade? — Ele me questionou e não consegui responder, aquilo era demais para mim. — Você me prometeu que me faria confiar em você novamente.
— Tentamos parar, mas aí apareceu essa tal de Shadow e ela nos ameaçou — eu tentei explicar, mas ele parecia não querer ouvir.
— Isso é culpa minha — ele disse e eu fiquei pasma. Por que seria culpa dele? — Eu menti para você, sobre suas origens, e isso fez com que não confiasse mais em mim, se tivesse sido sincero com você, desde o começo, nada disso, teria acontecido.
Não!
Não era culpa dele!
Ele não tinha feito nada!
Ele não tinha nada a ver com isso!
— Não pai! Não é sua culpa! — Intervi. Não podia deixa-lo se culpar por algo que eu fiz. — Eu fiz isso! A culpa é minha! Por favor! — Eu não conseguia conter as lágrimas, pareciam mais fortes que eu. — Me perdoe pai! — Eu implorei enquanto chorava. — Eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Eu não pensei nas consequências! Me desculpe! Por favor pai, me perdoe! — Para a minha surpresa, enquanto eu chorava e implorava, ele me abraçou, o que me fez ficar em silêncio por um tempo. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo.
— Tive tanto medo de que você nunca mais aparecesse! — Ele parecia estar chorando enquanto me abraçava, estava emocionado em me ver.
— Tive medo de nunca mais te ver! — Eu chorava enquanto ele continuava me abraçando. — Mas não importa mais, porque acabou, eu nunca mais vestirei um uniforme novamente, nunca mais!
— Vamos começar de novo — Ele propôs e desfez o abraço. — Eu, você e a Carrie, nos mudamos de cidade, não dizemos nem ao Stark para onde vamos. Apenas nós, uma vida normal, como uma família feliz. — Ele olhou nos meus olhos e eu sorri, aquilo era tudo o que eu queria.
— Como uma família feliz. — Eu olhei para Carrie para saber qual seria sua resposta, eu sabia que ela tinha passado por muita coisa dificil, desde a morte da mãe ela não era a mesma.
— Como uma família feliz — Ela concordou e se aproximou de nós dois. Quando ela fez isso, todas as luzes se apagaram do nada e o alarme de incêndio havia sido ativado. Ficamos todos assustados, aquilo não parecia normal.
— Isso é um alarme de incêndio? — A Carrie parecia estar confusa.
— Parece que sim — meu pai confirmou.
— Parece ser coisa séria. — Eu já havia passado por simulações de incêndio e aquilo não se parecia com nenhuma delas.
— Arrumem suas coisas, peguem apenas o que for necessário e vamos sair do prédio — ele mandou e nós obedecemos. Eu peguei algumas roupas, cadernos, meu notebook, meu celular e alguns documentos, enquanto ajudava Carrie a fazer o mesmo. Não parecia ser um incêndio muito sério, já que não havia fumaça, mas era melhor pegar apenas o necessário, bem rápido e sair. Não demorou muito para pegarmos tudo o que precisávamos e saímos do apartamento. Pensei em procurar pela Kat e pela Ally, mas elas já deviam estar na rua. Como os elevadores não estavam funcionando, resolvemos ir pelas escadas. Provavelmente éramos os últimos a sair do prédio, já que não havia ninguém nas escadas e nem nos corredores.
Enquanto descíamos as escadas, a Carrie nos fez parar. Ela parecia ter escutado algo, ou era alguma coisa ninja dela. De qualquer forma, aquilo nos deixou bastante preocupados.
— Está tudo bem, Carrie? — Meu pai perguntou preocupado.
— Vocês também não ouviram? — Ela perguntou e não conseguimos entender muito bem o que ela havia ouvido. — Passos.
— Não — eu respondi. Mas pela cara da Carrie, não estavamos sozinhos. Alguns instantes depois eu e o meu pai também ouvimos alguns passos, provavelmente os mesmos que Carrie. — Agora eu escutei. — Avisei. Foi quando vimos o responsável pelos passos, era o tal de Jason, o cara do prédio, ele estava ali, bem na nossa frente. — Corre! — Eu gritei e sai correndo juntamente de Carrie e do meu pai, enquanto Jason continuava atrás de nós. Corremos até voltarmos para o apartamento, lá, meu pai trancou a porta e colocou um móvel na frente.
— Quem é ele? — Meu pai perguntou.
— Um cara que as Heroínas de Seattle irritou — a Carrie respondeu e vimos que Jason estava tentando arrombar a porta, mas estava sendo impedido pelo móvel.
— Se escondam debaixo da cama. — Meu pai mandou, mas eu não queria obedecer, não queria deixar ele enfrentar o Jason sozinho. — Agora!
— E você? — Eu questionei.
— Eu me escondo na cozinha, agora vão! — Ele pegou uma arma que mantinha escondida na casa, nem eu sabia dela, mas não pensei muito nisso, já que estava mais preocupada em me esconder com a Carrie. Nós fomos para o quarto e nos escondemos embaixo da cama. Não demorou muito para ouvirmos a porta da sala sendo derrubada, provavelmente o Jason havia conseguido entrar, eu e Carrie ficamos o mais quietas que conseguimos, eu só torcia para que o meu pai estivesse bem escondido e que aquilo tudo acabasse logo.
— Precisamos fazer alguma coisa — a Carrie cochichou.
— Creio que sair daqui não é uma boa ideia — eu respondi cochichando, estávamos tentando fazer o mínimo de barulho possível.
— Ele vai acabar nos achando — a Carrie cochichou.
— Se continuar falando, com certeza ele vai nos achar. — As chances dele nos encontrar só aumentavam a cada palavra que a Carrie cochichava. Ficamos escondidas à espera de um milagre. Ficamos ainda mais assustadas quando ele entrou no quarto, ele estava muito perto, estávamos ferradas. De repente o meu pai entrou no quarto e apontou a arma para o Jason.
— Solte a arma — meu pai o ameaçou.
— Senhor Clark, é um prazer finalmente conhecê-lo — Jason disse, parecia algum tipo de jogo.
— Como sabe o meu nome? — O meu pai perguntou.
— Andei estudando você e sua família — Jason respondeu, fiquei com uma vontade enorme de dar um soco na cara daquele idiota! — Aliás, sua família é adorável.
— Mandei largar a arma — o meu pai continuava ameaçando atirar.
— Você tinha um futuro promissor, até largar tudo, por causa de uma filha — quando o Jason disse isso, meu pai engatilhou a arma. — Aposto que foi a Josie quem te ensinou a manejar uma arma.
— Nunca mais fale dela! — O meu pai gritou, eu precisava fazer algo.
— Não deve ter sido fácil estar com uma agente da SHIELD, mesmo quando ela largou tudo, afinal, o passado sempre volta para nos assombrar — se a Carrie não tivesse me segurado eu teria saído e dado um soco nele. — Aliás, não foi isso o que aconteceu na FGI? E também foi o que aconteceu com a Josie. — Sério, aquele cara estava pedindo para apanhar. — Você não sabe? — Eu vi as mãos do meu pai tremerem com a arma. — Não foi um aneurisma que matou sua esposa, foi a HYDRA. — A HYDRA matou a minha mãe! A HYDRA matou minha mãe! — Oh, você não sabia. E como poderia, não era para ninguém saber.
— Por quê? — Meu pai perguntou. — Por que a mataram?
— Por que ela resolveu investigar o passado de um bebê — Jason respondeu. — Um bebê tirado de seus pais, que estavam mortos. Com uma origem guardada a sete chaves. Um bebê que estava com a HYDRA, bom, não exatamente com a HYDRA, mas com um amigo da HYDRA. — Do que diabos ele estava falando? — Claro, que Katherine Hargen não é mais um bebê, e não era mais um bebê quando sua esposa resolveu procura-la, apesar de não saber que era a Katherine.
Katherine, a Kat, o que ela tinha a ver com isso. Eu não aguentei, sai de onde estava e fiquei atrás dele.
— O que a Kat tem a ver com isso? — Eu questionei e foi tudo muito rápido, ele me pegou e apontou uma arma para a minha cabeça. — Solte a arma, ou a tiro da sua vida, assim como tiramos sua preciosa Josie. — O Jason ameaçou e o meu pai soltou a arma. — E você Carrie, se não quer ver o sangue da sua amiguinha no chão. — Não houve nenhuma reação e então o Jason atirou no guarda-roupas. — O próximo será na cabeça da sua amiguinha, vamos ver quanto tempo demora para espalhar miolos de Amélia por este quarto. — Após ele dizer isso, a Carrie saiu debaixo da cama.
— Solta ela — a Carrie pediu.
— Vá para o lado dele — Jason pediu apontando para o meu pai e a Carrie foi para o lado dele.
— Então, quem eu mato primeiro, o honrável pai, a bastarda, ou a prodígio? — Jason debochou e ouvimos barulhos na sala. — Os dois, para a sala, agora! — Jason mandou e o Josh e a Carrie foram para a sala com o Jason me segurando atrás deles. Quando chegamos na sala, encontramos a Kat, a Ally, a Bianca, a Bell, a Shadow, a Amanda e o Roger. — Finalmente, estão todos aqui. — A Bell ameaçou atirar nele, mas ele colocou a arma na minha cabeça. — Não vai querer que eu a mate, não é mesmo Anastasia?
Quem é Anastasia?
— Finalmente estamos todos aqui! — Jason disse. — A bebê, que causou parte disso e que não é mais uma bebê. — Jason apontou para Kat. — Katherine, não é mesmo? A garota sombra te contou a verdade? Sobre sua família, seu irmãozinho perdido? Provavelmente não. — Ele olhou para a Shadow. — Afinal, concordamos que informação é poder. — Ele continuou olhando para a Shadow. — Você sabe que uma pessoa metade alien e metade humana é um híbrido, não sabe? Agora a pergunta, você é filha de aliens e humanos, ou foi pega por um alien? — A Shadow ameaçou pegar uma das espadas dela, mas Jason apertou a arma na minha cabeça. Após isso ele olhou para a Ally. — Alyssa, uma velha conhecida da Ally, a que escapou do Soldado Invernal, escapou tantas vezes da morte. Só não escapou mais vezes que a filha ingrata, porque é um recorde meio difícil de ser quebrado. — Foi quando ele olhou para a Bell. — Não é mesmo, Anastasia?
— Me desculpe, se não agradeci pelas torturas, ou por terem me tirado a liberdade, é que as coisas não funcionam assim — a Bell disse e eu estava confusa, Anastasia, a Bell se chamava Anastasia? Ela era um prodígio?
— Nós te demos um dom, e é assim que agradece — Jason debochou.
— Agradecer? Realmente, eu deveria agradecê-los, por me matarem, me esfaquearem, me queimarem, me prenderem, me baterem, realmente, muito obrigada, obrigada por ferrar com a minha vida, serei eternamente grata por isso — a Bell debochou, eu realmente não entendia. A Bell não era quem eu pensei que fosse.
— Por falar em filha ingrata — ele olhou para a Amanda. — Estou decepcionado, você foge para ser livre e resolve virar capacho de uma híbrida, estou desapontado.
— Sabe como é, é que a híbrida não tortura os capachos dela, e nem faz chantagem emocional — a Amanda disse. Havia controvérsias, já que a Shadow já havia nos ameaçado, mas entre a Shadow e o Jason, acho que a Shadow era muito melhor.
— Não, apenas manipula e mente — Jason respondeu.
— Acho que está me confundindo com um espelho — a Shadow retrucou.
— Ah — ele olhou para o Roger. — E aqui temos o intrometido, aquele que não sabe ficar no canto dele. Eu realmente devia ter te matado quando tive a chance! — E então ele olhou para a Bianca e pareceu um pouco confuso. — A colega da Riley, incrível como sempre tem uma pessoa avulsa no meio de tudo. — Pelo visto ele não fazia ideia de que a Bianca era a Fortis.
— O que você quer? — O meu pai perguntou.
— Uma revanche — o Jason respondeu. — Vocês tiveram a vez de vocês, e agora é minha vez.
— Solta a Amy! — A Bell pediu.
— Não, é que eu tenho que ameaçar alguém que possa morrer, a essa altura você já deveria ter aprendido isso — o Jason respondeu.
— O lance é que você está sem saída — a Kat disse. — Se matar a Amy, te matamos, se a soltar, não o deixaremos sair daqui a diferença, é que se matar a Amy, você terá uma morte lenta e dolorosa e se solta-la, seremos misericordiosas.
— Ah Katherine, pensei que fosse mais esperta — ele disse tirando a arma da minha cabeça. — Não é óbvio que criarei uma terceira saída? — Foi quando ele apontou a arma para a Carrie e engatilhou para atirar nela, mas o meu pai entrou na frente e recebeu os tiros no lugar da Carrie.
— Pai! — Eu gritei e tentei me soltar, mas o Jason continuou me segurando e me puxou para fora do apartamento. — Pai! — Eu gritava, mas ele continuava me segurando e me arrastando com ele. — Pai!
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