Covenant of Risk
3 Doces ou travessuras?
Notas iniciais
Um homem por volta dos cinquenta anos acordou amarrado de cabeça para baixo em um galpão. Ele havia sido sequestrado um dia antes e o seu sequestrador não parava de perguntar sobre o dia que os líderes do Projeto Prodígios iam chegar à Seattle e onde ficariam. Ele ouviu passos e percebeu que o sequestrador estava ali. Não dava para ver o rosto dele e uma capa impedia identificar se o sequestrador era homem ou mulher.
— Ah você… Seu monte de merda! — o velho disse e logo em seguida o sequestrador bateu nele usando um pedaço de madeira o que o fez gritar de dor. — Não adianta… Eu não vou te falar nada, pode me torturar o quanto quiser.
Irritado, o sequestrador jogou um ácido na cara do velho fazendo-o gritar ainda mais.
— Seu filho da puta!
O sequestrador pegou uma arma e atirou no ombro do velho que gritou ainda mais.
— Está bem! Está bem! O endereço do hotel onde eles vão ficar está no meu bolso, haverá no mínimo 42 seguranças para garantir que ninguém ouse tentar mata-los. — o velho confessou. O sequestrador tirou o papel do bolso do velho e em seguida pegou a arma novamente e apontou para a cabeça do velho. — Eu estou falando a verdade, eu juro! — o sequestrador continuou apontando a arma para a cabeça do velho. — Eu estou falando a verdade, seu filho da puta! — o sequestrador atirou na cabeça do velho que morreu na hora. Ele havia conseguido a informação que queria.
***
Duas semanas depois, no Halloween…
Kat, que estava fantasiada de Beatrix Kiddo, estava terminando de arrumar a peruca loira clara em Ally que seria a Daenerys Tagaryen.
— Você não podia ter escolhido uma fantasia na qual eu não precisasse usar uma peruca? Isso incomoda bastante. — Ally reclamou.
— Fica quieta porque a sua fantasia é foda. — Kat respondeu terminando de ajeitar a peruca. — Você está tão linda assim!
— Por quê que eu tenho que ir na festa de Halloween de alguém que eu não conheço? — Ally perguntou.
— Porque parece ser uma festa muito legal e você precisa parar de ser tão antissocial. — Kat argumentou.
— Mas você nem gosta da Riley. — Ally argumentou.
— Sim, mas é uma festa americana de Halloween e eu nunca fui à uma dessas. — Kat respondeu.
— Então por que você não vai sozinha? — Ally questionou.
— Porque eu não quero ir sozinha! — Kat respondeu. — Agora vamos, se não vamos chegar atrasadas.
Quando as duas saíram do apartamento elas deram de cara com Bell no elevador que estava vestida de Tinker Bell.
— Tinker Bell? Senti a ironia. — Kat comentou.
— Obrigada, eu acho. — Bell respondeu e então Ally reparou que bolsa que a vizinha estava levando consigo era um pouquinho mais grande que o normal.
— Para que uma bolsa tão grande? — Ally questionou.
— É que a minha amiga pediu para que eu levasse algumas coisas, e com algumas coisas eu estou querendo dizer bastante coisa. Acho que eu estou sendo uma amiga boazinha até demais. — Bell explicou.
— Eu te entendo perfeitamente. — Ally disse olhando para Kat que entendeu a indireta, em seguida o elevador chegou ao térreo.
— Até mais! — Bell disse indo em uma direção contrária a de Kat e Ally.
— Seria estranho se eu tocasse no cabelo da sua vizinha? — Kat perguntou.
— Sim, seria. — Ally respondeu.
***
Enquanto isso no mesmo prédio, mais especificamente no apartamento onde Carrie mora com a mãe, Emily estava terminado de colocar os lacinhos no cabelo da filha que estava vestida como a Dorothy do filme “O Mágico de Oz” de 1939. Logo em seguida alguém tocou a campainha e Carrie atendeu e quem estava na porta era Amy que estava vestida como a personagem Arya de Game of Thrones.
— Pronta para pedir doces? — Amy perguntou.
— Merda, você tinha que ficar com a fantasia mais legal? — Carrie reclamou.
— Carrie, lembra das regras? — Emily questionou.
— Não falar nenhum palavrão, não sair do prédio, não me meter em confusão e não pedir doces ao cara esquisito do 318. — Carrie respondeu.
— Ótimo, não voltem tarde. — Emily pediu.
— Pode deixar mãe! — disse Carrie que saiu junto com Amy.
***
Ally e Kat chegaram a festa de Halloween na casa da Riley. Ally tocou a campainha e quem atendeu foi Riley.
— Oi Ally. — Riley olhou com desprezo para Kat. — Olá Kat.
— Olá Riley. — Kat respondeu em um falso tom simpático.
— Entrem. — Riley convidou e então as duas entraram. Haviam algumas pessoas conversando na sala enquanto outras dançavam. Alguns casais estavam se beijando e alguns pareciam estar fazendo algo a mais.
— Isso é…
— Demais! — Kat completou o que Ally ia falar.
— Oi Kat. Oi Ally. — Oliver disse.
— Oi. — Ally respondeu.
— E ai cara? — Kat disse e começou a conversar com Oliver, deixando Ally completamente isolada na festa.
***
Carrie e Amy tocaram a campainha de um apartamento.
— Doces ou travessuras? — as duas perguntaram juntas assim que uma velhinha atendeu à porta. Ela deu alguns chocolates para as meninas e logo em seguida elas tocaram a campainha do apartamento vizinho e fizeram a mesma. Elas percorreram todo o prédio e agora faltava apenas um apartamento.
— Eu estou cansada de dizer doces ou travessuras. — Carrie comentou.
— Eu também. — Amy respondeu. — Mas esse é o último apartamento. Daqui a pouco a gente volta para casa e passa mal de tanto comer doce.
— Queria que a Ally não tivesse ido para aquela maldita festa hoje. — Carrie disse.
— Eu também. — Amy tocou a campainha do último apartamento.
— Doces ou travessuras? — Carrie e Amy perguntaram assim que uma garota atendeu à porta. Ela deu várias balas para as meninas e fechou a porta.
— Então agora voltamos para casa? — Carrie perguntou.
— Ou podemos jogar ovos e papéis higiênicos na casa do Danny. — Amy sugeriu.
— Isso não parece ser algo muito legal de se fazer. — Carrie comentou.
— O cara é um babaca. Lembra quando ele tentou arrancar dinheiro de você? — Amy perguntou.
— Ah sim, aquele babaca que você quebrou o braço dele uma vez. — Carrie se lembrou. — Mas a minha mãe não me deixa sair do prédio.
— E quem disse que ela precisa saber?
— E se ela descobrir? — Carrie perguntou preocupada.
— Não era ela mesma que queria que você fosse normal? Então, você vai estar fazendo algo que muitas crianças fazem, ela não vai poder reclamar disso.
— É… Esse é um bom argumento.
***
— Você devia tentar entrar no grupo de ciências. — Oliver disse para Kat.
— Você acha mesmo? — Kat perguntou.
— É claro! Você tem uma das melhores notas da escola, com certeza não vai ser difícil para você entrar. — Oliver respondeu.
— Bom, eu não quero mais ir embora mesmo.
Enquanto isso, Ally que estava completamente isolada na festa, resolveu se esconder em um canto embaixo da escada, mas para a surpresa dela, Roger já estava escondido lá.
— Oi. — Ally disse.
— Oi. — Roger respondeu.
— Eu não sabia que você viria. — Ally disse.
— O Ethan me obrigou à vir. — Roger respondeu. — E você?
— A Kat me obrigou à vir. — Ally respondeu. — Acho que ela não entendeu muito bem quando eu disse que não gosto de aglomerações, especialmente quando eu sou abandonada em uma.
— Não é muito diferente do Ethan. — Roger comentou. — Você é a Daenerys Tagaryen, certo.
— Exatamente. — Ally respondeu. — E você é o…
— Martin Luther King Jr. — Roger respondeu. — Ele é o meu herói.
***
Carrie e Amy pegaram uma sacola cheia de ovos.
— Pronta? — Amy perguntou.
— Eu acho que sim. — Carrie respondeu. As duas pegaram os ovos e começaram a jogar na casa, elas só pararam quando um homem furioso saiu para fora.
— Suas pestes malditas! — o homem gritou fazendo com que Carrie e Amy corressem. — Eu vou pegar vocês suas pestes! Eu vou pegar vocês! — o homem começou a correr atrás das duas.
— Acho que isso não foi uma boa ideia. — Amy comentou enquanto corria.
— É mesmo? — Carrie respondeu de forma cínica enquanto corria.
***
— Olá Kat! — Riley disse da forma mais cínica possível para Kat. — Está pensando em virar nerd?
— Não se pode virar algo que você já é, minha cara Riley. — Kat respondeu. — Mas e você? Está pensando em alguma forma de ser mais ridícula ou já desistiu disso?
— Ah, que gracinha! Você é tão engraçada. — Riley ironizou.
— E o seu cabelo é tão legal! — Kat ironizou de volta.
— Mas falando sério agora. Você quer participar de uma competição? — Riley propôs.
— Competição de quê? — Kat perguntou curiosa.
— De quem bebe mais cerveja. — Riley respondeu.
— Claro! Por que não?
— Você quer mesmo que eu diga? — Oliver perguntou, mas foi ignorado.
Enquanto isso…
— Mas o que te trouxe à Seattle? — Ally perguntou para Roger.
— Uma matéria sigilosa e muito importante. — Roger respondeu.
— O quão importante ela é? — Ally perguntou curiosa.
— O importante para mudar muita coisa. — Roger respondeu. — E agora tem essas Heroínas de Seattle que eu ainda não consegui arrumar um nome melhor para elas.
— Os quadrinhos e desenhos animados já pegaram todos os nomes legais. — Ally comentou.
— Mas sempre há um nome sobrando. — Roger respondeu.
***
Depois de correrem por quarteirões, Amy e Carrie finalmente conseguiram despistar o homem bravo.
— Eu nunca mais vou jogar ovos na casa de ninguém. — Carrie prometeu.
— Eu também. — Amy completou. — Acho melhor voltarmos, antes que eles percebam que saímos.
***
Enquanto Ally e Roger conversavam, eles ouviram uma gritaria e coisas quebrando.
— O que está acontecendo? — Ally perguntou ao sair de baixo da escada e ver Kat tentando bater em Riley, mas sendo contida por Oliver. Ally foi até a amiga tentar entender o que estava acontecendo. — Kat, o que você está fazendo?
— Tentando matar essa desgraçada. — Kat respondeu.
— Cala a boca sua puta! — Riley gritou sendo contida pelo namorado e Ally percebeu que as duas estavam bêbadas.
— Kat, você está bêbada? — Ally questionou.
— Talvez. — Kat respondeu.
— Elas estavam competindo para ver quem bebia mais cerveja. — Oliver explicou.
— E você deixou? — Ally perguntou impressionada.
— O que você queria que eu fizesse, quando ela quer fazer alguma coisa, ela não escuta o conselho de ninguém, mesmo que essa coisa seja completamente estúpida. — Oliver respondeu.
— Kat, vamos embora! — Ally disse.
— Mas…
— Agora! — Ally gritou convencendo a amiga a ir embora.
— Isso, vai embora puta vermelha. — Riley provocou.
— Ah, sua Zé Roela! — Kat pulou para cima de Riley e começou a esgana-la e só parou quando Ally, Ethan, Roger e Oliver a tiraram de cima de Riley. — E da próxima vez eu quebro o seu pescoço!
— Já chega! Vamos embora! — Ally gritou indo embora junto com Kat.
***
Amy e Carrie voltam ao prédio.
— O que fazermos agora? — Carrie perguntou.
— Eu sei lá, pegamos muitos doces. Vamos aproveitar isso. — Amy respondeu e as duas entraram no elevador e antes que a porta do elevador se fechasse, Ally e Kat também entraram.
— Menos Carrie ao quadrado, mais Kat, vezes Amy, vezes Ally é igual a delta. — Kat dizia.
— O que aconteceu com você? — Amy perguntou.
— Eu bebi… Tipo… Muito! E provavelmente, amanhã estarei bem arrependida, mas foda-se porque eu fui à uma festa americana e esganei a Riley. — Kat disse bem animada antes de desmaiar.
— Kat? — Ally chamou, mas Kat não respondeu.
— Acho que ela desmaiou. — Carrie disse.
— É mesmo? — Amy perguntou ironicamente e o elevador abriu no andar onde Ally mora.
— Ok, eu vou precisar de uma ajudinha. — Ally disse ao perceber que precisaria de ajuda para levar Kat para o apartamento. Ela e Amy seguraram Kat e a levaram para o apartamento.
— Nunca pensei que ela fosse tão pesada. — Amy disse ao largar Kat no sofá.
— Obrigada pela ajuda. — Ally agradeceu.
— Não tem de quê. — Amy respondeu.
— Agora se nos der licença, é melhor voltarmos, antes que descubram que saímos do prédio. — Carrie disse.
***
Carrie e Amy tocaram a campainha do apartamento onde Carrie morava e Emily atendeu a porta.
— Finalmente vocês chegaram. Já estava pensando em procurar vocês. — Emily disse aliviada. — É bom saber que vocês cumpriram todas as regras.
— Sim, nós cumprimos todas as regras. — Amy e Carrie mentiram.
— Até amanhã Carrie. — Amy se despediu.
— Até amanhã! — Carrie entrou no apartamento e Emily fechou a porta.
***
— Eu odeio a minha vida! — Kat resmungou no sofá.
— Kat? — Ally perguntou confusa.
— Eu odeio a minha vida! — Kat chorava.
— Kat, o que foi? — Ally perguntou.
— Você não entendeu? Eu odeio a merda da minha vida! — Kat gritou chorando.
— Por quê? — Ally perguntou.
— Porque ela é uma mentira. A merda de uma mentira! — Kat respondeu chorando.
— Como assim? Do que você está falando? — Ally perguntou confusa.
— Eu costumava ser uma boa garota, sabia? Eu era tão boazinha, a filha perfeita! Eu passei a minha vida inteira sendo perfeita para poder receber pelo menos um sorriso de aprovação do homem que me adotou. Ele nunca falava comigo, ele nem se importava comigo, essa era a única forma dele olhar para mim com orgulho. Até que um dia que eu fiquei sozinha em casa e entrei escondida no escritório dele. Eu descobri que eu não era apenas adotada, eu descobri que ele matou os meus pais verdadeiros. — Kat confessou chorando.
— Como é? — Ally perguntou ainda mais confusa, ela nunca tinha visto a Kat tão frágil.
— Meus pais verdadeiros eram assassinos de aluguel, mas quando a minha ficou grávida de mim, ela resolveu parar e o meu pai também. Eles se mudaram para um lugar pacato e planejaram uma vida perfeita juntos, eles e a filhinha que estava por vir. Mas eles sabiam demais, e foram caçados.
— Do que eles sabiam?
— Eu não sei, mas era algo bem sério, porque o homem que me adotou mandou caça-los e mata-los, meus pais fugiram, mas acabaram sendo encontrados e mortos. E aí aquele monstro nojento resolveu me adotar como uma espécie de prêmio. — Kat contou. — Eu sou apenas um prêmio! EU SOU APENAS UM ESTÚPIDO PRÊMIO PELA MORTE DOS MEUS PAIS!
— Kat…
— Eu quero matar aquele desgraçado! EU QUERO MATAR AQUELE DESGRAÇADO!
— Kat, mata-lo não vai adiantar nada. — Ally tentou acalma-la.
— E o que você quer que eu faça? Eu tenho nojo daquele desgraçado, e eu tenho que olhar na cara dele, todos os dias! Todos os dias! Todos os dias eu tenho que olhar na cara do filho da puta que matou os meus pais e me adotou como um maldito prêmio, para que ele se lembrasse todos os dias de como tirou a vida deles!
— Kat, fica calma. — Ally tentou acalma-la.
— Eu sou uma mentira… Eu sou uma mentira… Eu sou uma mentira… Eu sou uma mentira… Eu sou uma mentira… Eu sou uma mentira… — Kat resmungou até pegar no sono.
***
Enquanto isso em um hotel do outro lado da cidade, um homem entra em seu quarto e encontra uma mulher com uma peruca preta Chanel, um vestido preto com um casaco de couro preto e uma máscara no rosto, apontando uma arma para ele.
— O que você pensa que vai fazer, me matar? Pela quantidade de seguranças nesse prédio, isso seria suicídio. — o homem argumentou.
— Exatamente! — a mulher respondeu e deu quatro tiros cabeça dele.
Do lado de fora os tiros foram escutados e fizeram com que várias pessoas saíssem do prédio e alguns homens se escondessem em uma sala. Em minutos o prédio foi esvaziado e vários seguranças cercaram a porta do quarto. Eles estavam apenas esperando a atiradora sair. E ela saiu, e alvejou dois dos seguranças e também foi baleada na barriga, mas ela não pareceu ter sentido dor com aquilo. Ela enforcou um segurança e atirou em outros três. Os seguranças continuaram na tentativa inútil de alveja-la, mas ela acertou mais cinco deles. Ela continuou atirando e acertou mais nove, ao perceberem que seria impossível matá-la, os outros seguranças tentaram fugir, mas foi inútil, ela conseguiu acertar mais seis e quebrou o pescoço de um que tentou fugir pela escada de incêndio. Três seguranças atiraram contra ela em uma tentativa de ao menos para-la, mas ela atirou neles.
Em seguida ela foi até um corredor e conseguiu encurralar mais doze seguranças e atirou neles, conseguindo matar nove. Os três restantes tentaram fugir, mas ela cortou a cabeça de um deles fora usando uma faca que estava escondida no vestido e atirou contra os outros dois. Ela correu atrás dos últimos três que haviam se escondido na cozinha e ateou fogo neles que acabaram sendo queimados vivos. Logo depois ela foi até a sala onde os homens que procurava estavam escondidos, ela tentou abrir a porta, mas viu que estava trancada, então ela arrombou a porta e os encontrou lá. Eles tentaram fugir, mas ela os matou um a um, até restar um que já havia sido baleado e estava rastejando no chão.
— Sua insolente… Você pagará! — o homem disse com dificuldade.
— Sem problemas. — ela disse e em seguida atirou na cabeça desse último.
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