Covenant of Risk
7 Alma Condenada
Notas iniciais
Três anos antes da queda da SHIELD…
Dois anos antes da Bell/Anastasia se mudar para o prédio da Ally…
Dois anos antes de Ally, Amy, Carrie e Kat se conhecerem…
Um ano antes da Batalha de Nova Iorque…
— Eu não consigo acreditar que uma garotinha conseguiu vencer aquele que era para ser o nosso melhor exército de aliados! — um velho gritou indignado para Jason que ainda estava bastante ferido.
— Teoricamente, ela tem vinte e um anos. — Jason corrigiu. — Ou vinte e três, não sabemos a idade exata dela.
— Você tem ideia da gravidade da situação? — o velho questionou. — Essa garota não vai expor apenas a vocês, ela irá expor a todos nós! A única razão para financiarmos isto, é porque tínhamos a absoluta certeza de que seriam úteis, e agora, a nossa maior ameaça saiu daqui.
— Já estamos organizando a transferência e nós cuidaremos da garota, senhor. — Jason respondeu.
— É bom mesmo, se não, nós mesmos cuidaremos disso da nossa maneira! — o velho alertou, a fuga de Anastasia não só representava que eles tinham uma fraqueza, como poderia ser o começo do fim para eles.
***
Anastasia corria pelas ruas daquela cidade na qual não sabia o nome, toda vez que ela tinha certeza que alguém estava a seguindo, ela corria até achar que era seguro parar. O problema é que para todo lado que olhava, a garota via alguém que achava a estar seguindo. Após uma semana com essa paranoia na cabeça, a garota estava bastante cansada e mal conseguia se aguentar em pé, bastante fraca, ela acabou desmaiando no primeiro beco que encontrou. Quando acordou, estava de noite, pelas ruas vazias, provavelmente era madrugada, com medo, ela se escondeu entre as lixeiras e ficou por lá até ouvir um barulho de pessoas se aproximando. A garota continuou escondida e escutou uma conversa entre cinco homens que estavam discutindo sobre matarem um rapaz que estava caído e completamente machucado.
— Por favor, não me mate. — o rapaz implorava — Eu tenho uma família, uma filha recém nascida e até arrumei um emprego! Eu juro que pago vocês, eu juro!
— Juras não vão pagar as suas dívidas! Ou você paga o que deve agora, ou nós te matamos! — um dos homens ameaçou apontando uma arma para a cabeça do rapaz, eles não se importariam em tirar mais uma vida, afinal dinheiro era dinheiro.
— Mas eu não tenho o dinheiro agora — o rapaz tentou explicar desesperado — Eu juro que assim que eu receber o meu salário eu pago tudo!
— Nós queremos o dinheiro agora! — um dos homens gritou — Você pegou o empréstimo e você terá que paga-lo exatamente como combinamos.
— Mas eu não tenho o dinheiro agora! — o rapaz chorava, ele sabia que iria morrer. Enquanto isso, Anastasia continuava escondida e assustada, ela não queria deixar uma brecha para a acharem.
— Você ainda não entendeu? Ou você paga, ou morre! — um dos homens ameaçou, eles queriam o dinheiro e fariam de tudo para consegui-lo.
— Eu, não tenho o dinheiro — o rapaz chorava, aquele seria o seu fim. Anastasia sabia que deveria ficar quieta, mas ela também sabia que se não fizesse algo, uma pessoa inocente, talvez não tão inocente, morreria.
— Vejo que não terei outra escolha — o homem pegou a arma e se preparou para atirar no rapaz, Anastasia saiu de seu esconderijo e tomou a arma do homem e atirou em quatro deles, enquanto o quinto saiu correndo.
— Quem é você? — o rapaz perguntou assustado, aquela garota havia aparecido do nada e salvado a sua vida, como uma espécie de anjo da guarda sombrio.
— Fique aqui! — Anastasia mandou e começou a correr atrás do quinto rapaz que tinha fugido, ela o alcançou e acertou um tiro na cabeça dele, em seguida a garota voltou até o beco onde o rapaz ainda estava espantado com o ocorrido. Ela começou a esvaziar os bolsos dos homens mortos atrás de algum dinheiro e conseguiu quinhentos dólares ao todo.
— Quem é você? — o rapaz interrogou ainda assustado.
— Eu não tenho um nome. — Anastasia respondeu, ela não tinha nenhum nome antes dos PRODÍGIOS já que a garota nunca havia conhecido os pais e era uma criança de rua, e Anastasia não era bem o seu nome, era o nome que os PRODÍGIOS haviam dado para ela e a garota queria apagar tudo o que a ligasse a eles, incluindo o nome.
— Eu sou o Jake…
— Quanto menos eu souber de você, é melhor. E a mesma regra vale para mim. — Anastasia explicou.
— Mas você salvou a minha vida, eu tenho que recompensa-la de alguma maneira. — Jake tentou argumentar.
— Apenas não se meta mais em nenhuma encrenca. — Anastasia respondeu.
— Eu posso pelo menos chama-la de Angie? — Jake perguntou. — Afinal, você meio que foi o meu anjo da guarda agora pouco.
— Chame-me do que você quiser, nós não vamos nos ver de novo. — Anastasia respondeu indo embora, as coisas continuariam complicadas, mas pelo menos agora ela tinha algum dinheiro. Quando o dia amanheceu, a garota foi até uma loja de conveniência para ver se conseguia comprar algo para comer. Apesar de estar um tanto suja e suada, ela não parecia ter chamado a atenção das pessoas ali, para eles era só mais um, e era bom que continuassem pensando assim. Ela foi até o corredor de salgadinhos e pegou alguns, podia não ser a melhor coisa para acabar com a fome, mas era melhor que nada.
De repente quatro homens estranhos entraram na loja e aquilo chamou a atenção de Anastasia que percebeu que eles estavam armados. Ela ficou escondida entre as prateleiras e ficou apenas os observando, a garota logo deduziu que eles não estavam atrás dela já que os PRODÍGIOS costumam ser bem discretos nesse tipo de abordagem. Dois deles se aproximaram do caixa enquanto outros dois ficaram espalhados pela loja. Os dois homens que se aproximaram do caixa pegaram suas armas e anunciaram o assalto enquanto os outros dois fizeram mais dois reféns no fundo da loja. O garoto que estava no caixa pegou todo o dinheiro que havia ali e entregou amedrontado para um dos bandidos.
Em um impulso que não conseguia explicar. Anastasia surpreendeu um deles por trás e tomou uma das armas, em seguida ela atirou em dois bandidos que caíram no chão. Os outros dois sobreviventes tentaram atirar nela pelas costas, mas ficaram assustados quando viram que os ferimentos das balas estavam melhorando rapidamente e que ela nem parecia estar sentindo dor.
— O que é você? — um deles perguntou horrorizado.
— Um monstro! — Anastasia atirou nos dois que restavam e quando eles caíram mortos, todos os clientes olharam espantados para Anastasia. O que ela havia feito era incomum e impressionante. Assustada, a garota pegou um salgadinho, deixou cinco dólares no balcão e saiu correndo da loja. Ela estava com medo. Havia chamado a atenção demais. Eles iriam descobrir onde ela estava e a pegariam de volta. Ela não queria voltar, ela não voltaria. Anastasia preferia morrer do que voltar para aquela cela.
***
Aquilo estava em todos os canais de notícia e espalhado por toda a internet. O ato de heroísmo de Anastasia na loja havia sido gravado por uma câmera de segurança e em seis horas, o vídeo já estava quase alcançando um milhão de acessos. E aquilo havia chamado a atenção de vários órgãos governamentais, incluindo a SHIELD. Por estar mais preocupada em fugir, a garota ainda não havia reparado no tamanho da repercussão daquilo, na verdade, ela nem sabia que havia sido filmada.
Mais tarde, a garota havia ido até uma loja para comprar algumas roupas, quando terminou de fazer as compras e trocou de roupa ela olhou para uma televisão que havia na loja e soube que ela estava na maioria dos canais.
Hoje de manhã, uma garota misteriosa salvou uma loja de conveniências que estava sendo assaltada. Mas o mais surpreendente foi o momento em que ela foi baleada, mas pareceu não sentir nada. Quem seria ela? Uma aspirante a heroína? Uma doida? — A repórter dizia na televisão.
— Oh não… — Anastasia percebeu o tamanho da encrenca em que tinha se metido. Aquele vídeo denunciava onde ela estava e não demoraria muito tempo para os PRODÍGIOS a acharem. Ela sabia que as coisas ficariam ainda mais complicadas daqui para frente. Ela saiu correndo da loja, mas percebeu que estava sendo seguida por alguém. A garota olhou para trás rapidamente e viu que estava sendo seguida por uma ruiva que estava tentando se disfarçar no meio da multidão enquanto falava com alguém pelo celular.
Anastasia começou a correr mais rápido assim como a mulher que estava a seguindo fez. A perseguição continuou até a garota entrar em um prédio, após isso ela foi a um apartamento abandonado no segundo andar e entrou em um quarto que estava com a janela quebrada e escancarada.
— Parada! — a ruiva apontou uma arma para Anastasia que levantou as mãos. — Quem é você?
— Você não sabe quem eu sou? — Anastasia estava em dúvida, se a ruiva não sabia quem era ela, significava que a ruiva não era uma prodígio.
— Eu pareço ser alguém que sabe quem você é? — a ruiva foi sarcástica.
— Então você não é uma prodígio? — Anastasia questionou deixando a ruiva confusa.
— Prodígio? — Aquele nome parecia ser familiar a ruiva.
— Você sabe o que eles são? — Anastasia questionou.
— Apenas rumores — a ruiva respondeu — crianças treinadas de maneira militar para efetuar missões de alto risco ou para matar. Lendas da Guerra Fria.
— Não é uma lenda, e nem todas são crianças. — Anastasia corrigiu.
— Você é uma deles? — a ruiva questionou.
— Não exatamente — Anastasia respondeu — Se você não é um prodígio, o que você é?
— Eu sou a agente Romanoff, da SHIELD.
— SHIELD? — Aquele nome era familiar a Anastasia. Anos antes no treinamento, os PRODÍGIOS haviam mencionado sobre a SHIELD, ela não aprendeu muita coisa sobre eles por ter ficado anos trancada em uma cela após o incidente no treinamento, mas ela havia aprendido o suficiente para saber que nem mesmo a SHIELD poderia ajuda-la.
— Você nos conhece? — Romanoff perguntou.
— Superintendência Humana de Intervenção Espionagem e Logística. Já ouvi falar de vocês. — Anastasia respondeu.
— Então sabe que podemos te ajudar — Romanoff começou a negociar.
— Na verdade não — Anastasia corrigiu — Ninguém pode me ajudar!
— Por que acha isso? — Natasha questionou.
— Porque se tentarem me ajudar, eles vão me achar, e eu não vou voltar para aquele inferno! — Anastasia se aproximou levemente da janela escancarada.
— Talvez possamos arrumar um jeito. — Romanoff interviu.
— Não, vocês não podem — Anastasia respondeu — Me desculpe… — Anastasia pulou a janela do segundo andar e caiu na calçada do lado de fora. Ao atingir o chão, ela sentiu boa parte dos ossos se quebrando, mesmo eles tendo voltado ao lugar em poucos segundos e ela não tendo sentido dor, aquilo com certeza era bastante desconfortável. Assim que teve os ossos recuperados, a garota se levantou e saiu correndo. Romanoff, que ainda estava no segundo andar sem acreditar no que a garota havia feito, correu pelas escadas até chegar na rua, mas quando chegou Anastasia havia sumido sem deixar qualquer rastro. Apenas um pouco de sangue no chão.
***
Enquanto isso em uma base secreta dos PRODÍGIOS, boa parte doa agentes estavam preparando uma transferência para outra cidade já que com a fuga da Anastasia tudo havia sido comprometido. O resto procurava por pistas de onde ela poderia estar. Jason olhava as imagens divulgadas pelos meios de noticia aflito, Anastasia estava chamando muita atenção e com certeza os seus superiores não gostariam.
— Alguma ideia de onde ela possa estar agora? — Jason perguntou a um dos agentes.
— Não, ela aparece e some com muita facilidade. — o agente respondeu. — Mas soubemos que ela teve um confronto com uma agente da SHIELD, Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra.
— Isso não é bom… — Jason comentou.
— Mas senhor, os nossos superiores também mandam na SHIELD, talvez não seja algo tão ruim. — o agente disse.
— Não quando é uma agente tão próxima ao Fury, você sabe que se ele descobrir vai tudo por água abaixo. — Jason respondeu.
— Se me permite intervir senhor, talvez devêssemos mandar os franceses atrás dela. — o agente sugeriu.
— Os franceses? Fossoyeur e o irmãozinho dela? — Jason achou aquela ideia estapafúrdia — Fossoyeur é tão desequilibrada quanto a Anastasia, e o irmãozinho não consegue fazer nada sem ter a irmã por perto. Eles ainda não estão prontos.
***
Anastasia pegou o resto do dinheiro que ainda tinha e comprou uma passagem de ônibus para fora da cidade, não era mais seguro continuar ali, não depois de ter sido exposta. Ela sabia que os PRODÍGIOS não seriam os únicos a caçarem ela, ela não conseguiria se livrar deles permanentemente, mas ganharia tempo, o que naquele momento, era crucial. Quando estava na rodoviária na qual pegaria um ônibus para fora da cidade, Anastasia viu o homem que havia salvo há alguns dias de longe. Ele estava com algumas malas e junto com a esposa que segurava uma bebê recém-nascida. Ocorreu para Anastasia, que os PRODIGIOS poderiam descobrir o que ela fez e ir atrás do homem. Ela aproveitou quando a esposa dele foi até o banheiro para trocar a fralda da bebê para se sentar atrás do homem.
— Oi Jake. — Anastasia chamou a atenção dele, que ia se virar, mas foi impedido pela garota. — Não olhe para mim e disfarce para que não percebam que você está falando comigo.
— Entendi. — Jake respondeu obedecendo Anastasia. — É bom vê-la novamente Angie, quer dizer, ter contato com você novamente.
— Você vai viajar? — Anastasia perguntou.
— Na verdade, estou saindo da cidade. Os caras que você matou tem amigos, e estes amigos podem ficar bem bravos quando descobrirem que estou ligado com a morte deles. Eu tenho uma filha para proteger e uma vida nova para começar.
— Para quem contou sobre o que aconteceu? — Anastasia questionou.
— Apenas para a minha esposa. — Jake respondeu.
— Preciso que me faça um favor, para que consiga realmente proteger a sua filha. Eu preciso que não conte a mais ninguém sobre o que aconteceu. — Anastasia pediu.
— O quão encrencada você está? — Jake perguntou ao perceber que Anastasia estava fugindo de algo.
— É complicado. — Anastasia respondeu. — Mas basicamente, eu não tenho para onde ir e não posso confiar em ninguém.
— Nem na sua família? — Jake questionou.
— Eu nem sei se tenho uma. — Anastasia respondeu.
— Eu sinto muito. — Jake disse.
— Tudo bem, esse é o menos dos meus problemas agora. — Anastasia respondeu e viu que estava quase na hora dela embarcar. — Eu tenho que ir.
— Eu te verei de novo? — Jake perguntou.
— Eu não faço ideia. — Anastasia respondeu — Então, vê se não e mete mais em confusão, ok?
— Pode deixar! — Jake respondeu e então Anastasia saiu logo em seguida. Ela embarcou no ônibus com a mochila onde estavam as poucas coisas que realmente lhe pertenciam, mesmo com tudo o que estava acontecendo, Anastasia tinha esperanças de conseguir começar uma vida nova, seria complicado, mas valeria a pena apenas por ter tido a oportunidade de estar perto de algo como a liberdade.
Por não conseguir dormir, Anastasia passou a viagem inteira observando o caminho feito pelo ônibus e pensando como seria a vida dela se tudo tivesse sido diferente. Se os pais dela não a tivessem abandonado. Se ela não tivesse virado uma criança de rua. Se ela tivesse tido mais sorte no dia que os PRODÍGIOS a capturaram e conseguido se esconder. Como seria a vida de Anastasia se ela fosse realmente livre? Sem se preocupar em ser capturada novamente. Qual seria o nome dela se os PRODÍGIOS nunca a tivessem achado e a dado um? Será que ela já teria morrido? Ela pensou em como seria se ela conseguisse ter mais esperança quanto ao futuro, se ela conseguisse confiar em alguém, se ela tivesse uma família.
Durante toda a vida, o mais perto que ela teve de uma família, além dos PRODÍGIOS, foram as crianças que conviviam com ela nas ruas. Por ter sido a mais nova do grupo ela era meio que uma protegida das crianças mais velhas. Elas eram crianças sem pais e sem expectativas de sobrevivência no futuro, então era necessário que ficassem unidas para sobreviverem. Não era o melhor estilo de vida para uma criança, mas com certeza era melhor que os PRODÍGIOS, porque eles eram mesmo uma família e não uma mentira criada para controla-la.
Após horas de viagem, finalmente a garota chegou a cidade que seria o seu destino final. Era uma cidade pequena, não muito pequena, mas o suficiente para não chamar a atenção. Assim que chegou na cidade, Anastasia ficou em um pequeno quartinho de hotel. Ele era bem simples, mas era provavelmente o lugar mais confortável onde ela já havia ficado, claro que não haviam muitos lugares para ela comparar já que além das instalações dos PRODÍGIOS ela também havia passado muito tempo dormindo na rua, então conforto era uma coisa um tanto nova para a garota.
Ela já havia traçado todo um plano para se estabelecer ali, ela arranjaria um nome falso, um passado falso, faria amigos e arranjaria um emprego. Ela viraria uma pessoa acima de qualquer suspeita. Ironicamente, os PRODÍGIOS haviam a treinado para aquilo. Talvez ela finalmente fosse conseguir a tão sonhada liberdade, talvez eles nunca mais a achariam, talvez ela pudesse deixar o passado, mas logo Anastasia descobriria que estava errada.
Após terminar de arrumar todas as suas coisas, Anastasia saiu do quarto e começou a andar pela cidade para conhece-la melhor e para guardar possíveis rotas de fuga caso fosse necessário. Havia uma previsão de tempestade de neve e aquela poderia ser a primeira vez em anos que ela via a neve.
Enquanto andava pela cidade, ela se deparou com uma livraria e ficou bastante curiosa. Como seria ler livros nos quais ela não lia por obrigação, mas simplesmente por querer ler. Pelo menos para essa pergunta a resposta seria fácil de achar, com o pouco de dinheiro que ainda tinha ela conseguiu comprar dois livros: “As Melhores Histórias da Mitologia Nórdica” e “Pirâmide Vermelha”. Ela não via a hora de começar a lê-los.
***
Jason se reuniu novamente com o representante de um dos seus superiores, quanto mais o tempo passava, mais ele era pressionado. E não era para menos, a Anastasia era uma ameaça solta pelo simples fato de que não podia ser simplesmente morta com um tiro ou em um suposto acidente como de costume, ela sobreviveria a qualquer um desses momentos.
— Nós estamos fazendo todo o possível…
— Não será mais necessário Jason. — o homem interferiu.
— Como é? — Jason perguntou confuso.
— Nós descobrimos onde ela está e já mandamos alguém atrás dela — o homem respondeu.
— Alguém? No singular? — Jason questionou — Eu não sei se foi uma boa ideia mandar alguém sozinho contra ela.
— Não se preocupe, não mandamos qualquer um — o homem respondeu deixando Jason espantado quando percebeu de quem estavam falando.
— Você quer dizer “Ele”? — Jason perguntou perplexo.
— Um inimigo a altura daquela que não pode ser morta.
***
Após uma semana, as coisas pareciam estar dando certo e há pouco dias antes do natal havia começado a nevar. Fazia dezoito anos que Anastasia não via a neve então aquilo foi um tanto emocionante. Fazia parecer que todo o pesadelo havia acabado. Haviam algumas crianças brincando na neve enquanto Anastasia as observava. “Como era ser uma delas? ” “Parecia interessante” ela pensava. Quando estava anoitecendo ela percebeu uma movimentação estranha, típica de quem está tentando ser discreto para atacar o seu “alvo”, nesse caso, Anastasia. Ela sabia o que significava, eles haviam a achado e não pegariam leve. Era hora de fugir novamente.
Anastasia começou a se movimentar pela cidade para que pudesse estudar o modo de agir de seus perseguidores. Aparentemente, eles estavam apenas esperando o momento em que ela saísse de um lugar público e ficasse sozinha, o que significava que estavam tentando serem discretos, Anastasia sabia que teria que usar aquilo como vantagem. Ela começou a andar normalmente fingindo que ainda não tinha notado a presença deles para poder ganhar tempo. Assim que conseguiu, ela voltou ao quarto de hotel onde estava hospedada e começou a arrumar rapidamente tudo o que conseguia, ela sabia que com muita sorte ela teria no máximo dois minutos.
Quando os agentes dos PRODÍGIOS invadiram o quarto eles não encontraram Anastasia lá, ela havia saído pela janela e se equilibrado com muito custo até conseguir entrar na janela do quarto ao lado que por sorte, estava vazio. Ao entrar no quarto vizinho ela pegou algumas roupas masculinas e vestiu elas para se disfarçar e conseguir sair do prédio. Quando saiu do prédio, Anastasia verificou para ver se estava sendo seguida e após fazer isso ela saiu da cidade e caminhou sozinha por uma estrada deserta cheia de neve, aquilo não era muito seguro, mas com certeza era mais seguro que continuar na cidade. Depois de andar por meia hora ela viu alguns carros se aproximando ao horizonte. Aquilo tudo havia sido uma armadilha para atrai-la para fora da cidade. Eles não poderiam ataca-la com sucesso em uma cidade tão pequena de forma discreta e letal e aquele plano todo havia sido para leva-la a um lugar onde ela virasse um alvo mais fácil.
Anastasia ficou desesperada, ela não queria voltar, ela não voltaria! No impulso ela correu para dentro da floresta que estava praticamente congelada por causa da neve. Enquanto isso os carros pararam e deles desceram vários agentes incluindo um homem no qual não dava para ver o rosto e que tinha um braço de metal. Anastasia sabia que estava completamente encrencada. Eles começaram a atirar e apesar de alguns tiros a terem acertado pelas costas, ela conseguiu se esconder na floresta. Ela precisava fazer algo antes que a achassem. Ela não queria voltar aquilo, ao inferno. Ela morreria, mas não voltaria para aquela cela. Mas como matar alguém que não pode morrer? Ela percebeu que os ferimentos demoravam mais para cicatrizarem naquele frio e havia um penhasco ali perto que dava acesso a um rio que não havia congelado, mas que deveria estar bastante gelado por causa daquele frio. Se ela se matasse e se jogasse naquele rio antes que os ferimentos pudessem cicatrizar, eles não a encontrariam por causa da correnteza e seria bem provável que ela nunca mais acordasse. Seria a morte definitiva.
A garota abriu a mochila que levava consigo e pegou uma arma que havia conseguido há alguns dias e escondido em caso de emergência. Após isso, ela se levantou e começou a correr em direção ao penhasco enquanto era perseguida pelo homem com um braço de metal e os outros agentes. Eles atiravam contra ela e como o previsto, os ferimentos estavam demorando mais do que o normal para cicatrizarem. Aquilo não era mais uma questão de sobrevivência, agora era uma questão de ser livre, nem que para isso, ela tivesse que morrer. Anastasia correu o quanto pôde até chegar ao tal penhasco onde ela foi cercada pelos agentes e pelo homem com o braço de metal que também era conhecido como ‘Soldado Invernal’.
— Renda-se e largue a arma! — Um dos agentes gritou.
— Vão… Para o inferno! — A garota gritou e em seguida ela atirou na própria cabeça e se jogou do penhasco. Em seguida tudo o que ela sentiu foi a queda e o corpo batendo na água. Após isso tudo ficou escuro. Pela primeira vez em anos ela estava realmente livre, não haviam mais preocupações, eles não podiam mais pega-la. Quando tudo se apagou para ela havia sido o fim. O fim de um passado doloroso, de um futuro incerto e das esperanças que tinha de uma nova vida. Aquele era o fim, ou pelo menos era o que ela pensava.
Pelas vidas que fingi, estou indo para o inferno
Pelos votos que quebrei, estou indo para o inferno
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