Covenant of Risk
8 Rumos de Natal
Notas iniciais
Manhã do dia vinte e quatro de dezembro de dois mil e treze, assim que acordou, Kat arrumou algumas roupas e as colocou na mochila, em seguida ela desceu as escadas e quando ia sair de casa, ela foi abordada pelo pai.
— Aonde você está indo? — o Sr. Hargen interrogou.
— Eu vou passar o natal na casa de uma amiga e é bem provável que eu passe o ano novo lá também, então eu te vejo no dia dois de janeiro. — Kat respondeu se preparando para sair, mas ela foi impedida pelo pai.
— Mas é natal, você deveria passa-lo com a família. — o Sr. Hargen interviu.
— Família? Que família? — Kat ironizou e saiu logo em seguida, ela teve vontade de bater na cara do “pai” e dizer que sabia de tudo, mas ela não podia, não antes do momento certo, que nem ela sabia quando seria. Assim que chegou no apartamento de Ally, ela foi recebida pela amiga que assim que viu a mochila já havia percebido que Kat passaria alguns dias ali.
— Seus pais não se importam de você passar tanto tempo fora de casa? — Ally questionou.
— Acredite, eles devem estar até comemorando. — Kat respondeu e Ally sabia o porquê. Porém ela não tinha coragem de dizer a Kat que já sabia de tudo. Ela esperava que a amiga dissesse isso quando estivesse preparada o suficiente. — O que temos que fazer?
***
Enquanto isso, Amanda corria pelas ruas tentando fugir dos PRODÍGIOS. Ela havia conseguido se esconder por dias e estava planejando sair da cidade, mas antes que pudesse eles a encontraram. Tudo o que ela fazia era correr e torcer para conseguir escapar. Seria complicado, mas ela precisava tentar. Ela precisava descobrir quem realmente era. No meio da perseguição eles começaram a atirar contra Amanda que ao ser atingida por uma das balas de raspão na região da cintura, ela começou a ter dificuldades em correr. Quando ela achou que estava perdida, houve um princípio de tumulto em um ponto de ônibus e Amanda aproveitou para se esconder no ônibus que estava saindo enquanto que do lado de fora, os agentes a perderam de vista durante o tumulto e não conseguiam mais acha-la. No ônibus ela pegou o casaco e o enrolou em volta da cintura para esconder o ferimento e não chamar a atenção.
Quando os agentes voltaram para a base e contaram que não conseguiram pegar Amanda, Jason ficou completamente bravo, ele já havia passado por aquele tipo de situação com a Anastasia anos atrás e só a possibilidade de Amanda ser uma “nova Anastasia” o deixava a beira de um ataque de nervos.
— Você disse que conseguiu acertar um tiro nela? — Jason questionou.
— Sim, mas não foi letal — o agente respondeu.
— Mas ainda assim, pode ter deixado um ferimento feio — Jason deduziu — procurem-na, com um ferimento daqueles ela não pode ter ido muito longe.
De repente o celular de Jason tocou e ele atendeu, era a esposa dele ligando para perguntar se ele poderia passar o natal em casa, para não levantar maiores suspeitas, Jason disse para a mulher que já estava indo para casa, o que significava que ele não poderia acompanhar a perseguição de Amanda. A única coisa que lhe restava era torcer para que ela não fosse tão difícil de pegar quanto a Anastasia.
***
Kat e Ally estavam arrumando a cozinha para logo a noite, Ally tinha convidado Josh, Amy e Carrie para a ceia de natal e era a primeira vez em anos que Ally passaria o natal com alguém além da tia.
— Como anda a Carrie? — Kat perguntou.
— Bem, eu não tenho visto muito ela, mas sei que ela está bem deprimida — Ally respondeu.
— Não é para menos, a mãe dela morreu — Kat comentou e em seguida a campainha tocou e as duas foram até a porta para verem quem era.
— Ally, eles entregaram uma carta de vocês por engano no meu apartamento — Bell/Anastasia avisou entregando a carta para Ally. Ela notou que as duas pareciam estar arrumando alguma coisa.
— O que estão fazendo? — Bell perguntou curiosa.
— Estamos arrumando tudo para a ceia de natal — Ally respondeu.
— Ah sim, o natal — Bell/Anastasia tinha esquecido que era natal, afinal, ela nunca havia comemorado de fato o natal.
— Onde você vai passar o natal? — Kat interrogou curiosa, ela tinha um fascínio um tanto estranho pela vizinha de Ally.
— Eu vou passar ele sozinha no meu apartamento — Bell respondeu.
— E a sua família? — Ally questionou confusa.
— Acredite, a última coisa que eu iria querer era passar o natal com eles — Anastasia/Bell respondeu. Ela nunca tinha comemorado o natal e o mais perto que tinha tido de uma família até dois anos antes havia sido os PRODÍGIOS e o natal com eles passava bem longe de ser agradável.
— Te entendo — Kat respondeu ao se lembrar de sua “família”, o nojo que a garota sentia pelos pais adotivos e pelo o que eles fizeram era imenso — Você poderia passar o natal aqui.
— Até que é uma boa ideia! — Ally comentou.
— Eu não sei…
— Por que não? Você não vai a lugar nenhum e o natal não é a melhor data para se passar sozinha — Kat tentava convencer Bell/Anastasia que ficou pensativa. A ideia de poder comemorar o natal como as “pessoas normais” faz parecia ser legal, fora que seria uma oportunidade dela se aproximar de Kat e Ally, e talvez da Carrie e da Amy.
— É, por que não? — Anastasia estava convencida — Está bem, eu venho mais tarde para a ceia.
***
Quando conseguiu chegar a um lugar seguro, Amanda desamarrou o casaco da cintura e viu o tamanho do ferimento. Ela constatou que a bala não havia ficado alojada e apenas tinha passado de raspão. Aquilo doía muito e Amanda não sabia o que fazer. As únicas escolhas que ela tinha eram voltar ou ir a um hospital, de qualquer forma, acabaria com ela morta ou em uma cela. O que ela faria? Ela não tinha muitas escolhas, mas precisava criar mais escolhas, ela finalmente havia conseguido fugir e não pretendia voltar a ser uma marionete que pensa que é livre.
***
Carrie e Amy estavam no quarto, enquanto Carrie ouvia músicas no celular, Amy mexia no notebook. Desde o fim da equipe, Carrie não havia falado muito com Ally e Kat e estava sendo bem difícil para a menina superar a morte da mãe e tudo o que ela queria o tempo todo era ficar sozinha. Quando o pai de Amy a chamou na sala, a garota saiu do quarto e deixou o notebook aberto em cima da cama. Quando Carrie olhou aleatoriamente para os lados e viu a página aberta no notebook de Amy, a palavra “Maré Crescente” chamou bastante a sua atenção.
Enquanto isso, na sala, Amy foi até lá ver o que o pai queria e ele a avisou que teria que sair e que logo voltaria. Ele também pediu que a filha ficasse de olho em Carrie. Ao voltar para o quarto, Amy teve uma surpresa ao ver Carrie mexendo no notebook dela.
— O que você está fazendo? — Amy questionou ao tomar o notebook de Carrie.
— Você está metida com a Maré Crescente? — Carrie questionou.
— Isso não é da sua conta! — Amy respondeu.
— Eles são terroristas! — Carrie gritou.
— Hacktivistas! — Amy corrigiu.
— Hacktivistas que recebem a ajuda de Ian Quinn! Eles são terroristas e anarquistas! — Carrie rebateu.
— Nem todos eles, alguns são apenas boas pessoas tentando mudar o mundo! — Amy respondeu. — Nunca mais mexa no meu notebook de novo, ok?
***
Kat e Ally estavam ajudando a tia de Ally a temperar um peru, quando a tia de Ally foi ao banheiro, Kat tirou as mãos do peru com bastante nojo.
— Cara, depois dessa estou pensando seriamente em virar vegetariana — Kat comentou lavando as mãos ainda com muito nojo.
— Ora Kat, você sempre comemorou o natal e nunca pensou o quanto era necessário que algumas pessoas sujassem as mãos para torna-lo perfeito? — Ally questionou.
— Eu sempre soube disso Ally, é que eu tive a sensação de estar temperando um cadáver, é muito nojento — Kat comentou e a tia de Ally voltou e colocou o peru em uma fôrma.
— Agora é só colocá-lo no forno — a tia de Ally avisou.
— Quer dizer que eu não vou ter que temperar mais nada? — Kat perguntou.
— Sim — Ally respondeu.
— Dankoni Dion! — Kat agradeceu deixando Ally e a tia dela completamente confusas. — É esperanto.
Mais tarde, Kat e Ally se arrumaram para receber os convidados que eram o Josh, a Carrie, a Amy e a Bell. Ally teve que descer até a portaria para pegar uma carta que no final, ela descobriu que era para Kat. Quando estava voltando para o apartamento, Ally encontrou Roger, os dois não se viam já havia algum tempo.
— Oi Roger, quanto tempo — Ally notou.
— Pois é — Roger respondeu. — Como vai você e aquela sua amiga?
— Eu estou bem e a Kat está melhor do que nunca — Ally respondeu.
— Ah sim, eu soube da lista de avaliação — Roger respondeu. — Eu vou cobrir o evento para o Liberdade sem Fronteiras.
— Isso não parece ter muito a ver com o foco de vocês — Ally comentou.
— Realmente, mas as grandes mentes da nova geração estarão lá e provavelmente, pelo menos um deles mudará algo importante no mundo, então é sempre bom acompanha-los desde já — Roger observou.
— Esse é um bom ponto —Ally comentou. — Você ainda está trabalhando naquela matéria sigilosa?
— Não, aquilo não dava em nada, e eu quase perdi a minha cabeça, literalmente — Roger mentiu, ele não contou que ainda estava trabalhando naquilo e que a Anastasia havia lhe dado um pen-drive com todos os arquivos perdidos. Ele ainda estava tentando descobrir quem era a pessoa por trás do capuz e porque ela havia o ajudado.
— Que pena, acho que eu nunca saberei no que você estava trabalhando — Ally respondeu. — Enfim, onde você vai passar o natal?
— Eu estou meio longe da minha família e o Ethan me convenceu a passar o natal com a família dele — Roger respondeu. — Você que provavelmente os conhece melhor do que eu, eles são legais?
— Bem, eu nunca passei o natal com eles, mas já os conheci e até eles são legais então você não está embarcando em uma furada — Ally respondeu.
— É bom saber… — Roger comentou aliviado. Ally voltou para o apartamento e entregou a carta para Kat, era uma carta da FGI informando o dia e a hora do anúncio oficial.
— Kat, porque a carta do FGI chegou aqui? —Ally questionou.
— Bem, eu usei o seu endereço na minha inscrição — Kat respondeu sem jeito.
— Por quê? — Ally questionou sem entender o sentido daquilo.
— É que eu não quero que os meus “pais” achem que estou virando uma boa garotinha de novo — Kat explicou apontando aspas com os dedos no momento em que falou “pais”.
— E qual é o ponto disso? — Ally questionou.
— É que eu quero que eles tenham raiva de mim, para que eu tenha bons momentos até o dia em que… Você sabe, eu ir para a faculdade e nunca mais olhar na cara deles — Kat explicou.
— Eu sei que eu não deveria me meter nisso, mas não seria mais fácil denuncia-los? — Ally questionou e percebeu que havia falado demais já que a Kat não se lembrava que havia contado para a amiga sobre o que os pais adotivos haviam feito.
— Denuncia-los? — Kat perguntou confusa. — Como você sabe?
— Lembra que você ficou bêbada no Halloween e eu te trouxe para cá? Então, você me contou tudo sobre os seus pais naquela noite — Ally confessou.
— E o que você acha disso? — Kat perguntou.
— Sobre o que os seus pais adotivos fizeram com os seus pais adotivos? — Ally perguntou.
— Sim — Kat respondeu.
— Bem, eu acho desprezível, e apesar de achar sua vingança meio infantil, penso que você tem todo o direito de sentir raiva deles — Ally respondeu.
— Você acha que eu estou me vingando deles? — Kat questionou.
— E não está? — Ally perguntou confusa.
— Não —Kat respondeu. —Eu não quero me vingar, eu quero ficar longe deles, mas eu não posso porque legalmente eles são os meus pais e eu não tenho nenhuma prova contra eles, então a minha única escolha é terminar o colégio, ir para a faculdade e nunca mais olhar na cara deles.
— Por isso você quis participar da FGI? — Ally questionou.
— Também, já que quem participa ganha uma bolsa de estudos em uma das grandes universidades, mas eu quis também porque eu realmente gosto de ciências — Kat explicou. — E eu também me inscrevi naquela prova em que se eu passar serei adiantada em um ano.
— Você não tinha me contado isso —Ally percebeu.
— Eu queria fazer uma surpresa — Kat explicou. — Mas eu a farei poucos dias antes da volta as aulas, se eu passar, irei para o último ano, provavelmente serei da sua turma e no final do semestre já irei para a faculdade. Quem sabe não vamos para a mesma?
— Isso é bem improvável já que eu não tenho um QI tão grande quanto o seu a ponto de ir para uma das grandes, mas quem sabe.
— Na verdade, eu já li alguns de seus textos, você escreve muito bem, teria muitas chances em Havard e provavelmente seria uma boa jornalista ou uma boa escritora — Kat comentou.
— Você não está dizendo isso só para me agradar, né? — Ally questionou.
— Ally, se tem em que eu sou péssima é puxar saco — Kat respondeu. — Se eu digo que acho algo de uma pessoa, eu estou sendo honesta.
***
Amy aproveitou que o pai saiu novamente e foi até Carrie que passava os canais aleatoriamente na televisão.
— Carrie precisamos conversar — Amy abordou a menina.
— Sim, eu vi o que estava escrito — Carrie adiantou sem muita paciência para rodeios.
— Então, você sabe…
— Que você é adotada — Carrie completou. — Olha, eu não quero me meter, mas por que você não simplesmente pediu para o Josh te contar quem ele era, isso facilitaria muito as coisas e ele provavelmente diria sim.
— Eu sei, ele jamais me negaria isso, mas eu também sei que ele provavelmente ficaria um tanto magoado por dentro ou talvez até apreensivo e depois que eu descobri que a minha mãe adotiva era agente da S.H.I.E.L.D e que isso era um segredo trancado a sete chaves e que ele provavelmente mentiria e daria nomes falsos. E eu quero a verdade, eu tenho esse direito.
— Olha, se isso é um segredo muito bem escondido, talvez os seus pais biológicos sejam péssimas pessoas — Carrie sugeriu.
— Eu sei, eu já pensei nisso e não quero conhece-los, eu não quero ter nenhum tipo de relação com os meus pais biológicos, eu apenas quero saber quem eles são, eu tenho esse direito — Amy explicou.
— Bem, já que é assim, talvez eu possa te ajudar — Carrie disse.
— Você sabe hackear ou conhece alguém da S.H.I.E.L.D.? — Amy questionou ironicamente.
— Conhecer, até conheço, mas ele não seria muito útil — Carrie respondeu. — Eu tive uma ideia de como você pode acha-los.
— Como? — Amy indagou curiosa.
— Os sistemas da S.H.I.E.L.D. são muito bem protegidos, não são a prova de invasões, mas uma hacker no seu nível jamais conseguiria invadi-lo — Carrie deduziu. — No entanto, alguém com o conhecimento e tecnologia que Tony Stark tem poderia facilmente invadi-lo.
— Mas a única pessoa que eu conheço nesse nível é a Dama Vermelha, e eu nem sei o nome verdadeiro dela, onde ela vive ou se é mesmo uma garota, fora que é praticamente impossível entrar em contato com ela, é sempre ela que entra em contato com alguém — Amy respondeu.
— Mas ainda temos o Stark — Carrie disse.
— Que é ainda mais inacessível que a Dama Vermelha — Amy respondeu.
— Nem tão inacessível assim — Carrie respondeu. — Você sabe a FGI que acontecerá em Seattle?
— A Kat não para de falar nisso — Amy respondeu.
— O Tony Stark já foi confirmado no evento, é claro, ele não falará muito com o público, só fará uma palestra e olhará os estandes que ele achar mais interessante — Carrie disse. — Mas ficará tempo o suficiente para pegarmos o celular ou algum notebook dele e olharmos os sistemas da S.H.I.E.L.D.
— Essa é uma péssima ideia já que o celular ou o notebook dele provavelmente estarão escondidos a sete chaves — Amy discutiu. — E mesmo se conseguíssemos pega-lo, todos sabem que um sistema como o J.A.R.V.I.S. jamais nos deixaria fuçar no celular do Stark.
— Sobre a primeira parte é só você usar o traje invisível da Kat e sobre a segunda parte, lembra do programa que você e a Kat meio que desenvolveram para invadir o sistema da policia quando estávamos procurando uma pista sobre a Anika? — Carrie perguntou. — Podemos melhora-lo a ponto de deixa-lo a um nível em que poderá invadir até mesmo os sistemas do Stark.
— Isso seria praticamente impossível porque o traje invisível estragou e mesmo que estivesse funcionando, seria questão de cinco minutos para eu ser pega. — Amy contestou.
— Na verdade, alguns dias atrás eu fui no apartamento da Ally para pegar um caderno e uma blusa que eu havia esquecido lá alguns meses atrás, e quando a Ally estava procurando eu notei que a Kat estava concertando o traje invisível — Carrie contou.
— Isso não faz sentido, a gente não vai voltar com a equipe — Amy notou.
— Sim, mas a Kat é em essência, uma cientista, ela provavelmente não resistiu a ideia de concertar o traje invisível e de torna-lo melhor — Carrie deduziu.
— Mas ainda tem a parte que eu seria pega — Amy observou.
— Sim, mas você teria um traje invisível, não importaria em quanto tempo eles descobrissem, você conseguiria fugir — Carrie explicou.
— Faz sentido — Amy observou. — Mas precisamos planejar isso melhor, um furo e seremos confundidas com terroristas. Por que você quer me ajudar?
— Bem, eu preciso de um objetivo para me focar e isso parece ser perfeito por enquanto — Carrie respondeu.
Mais tarde, Carrie, Amy e Josh se arrumaram e foram até o apartamento de Ally para a ceia de natal.
— Vestido legal, Carrie — Kat elogiou ao ver Carrie com um vestido rosa com pequenos detalhes de flor.
— Obrigada — Carrie respondeu deixando Kat surpresa. Ela esperava que a Carrie pelo menos lançasse um olhar furioso.
— Vai vir mais alguém? — Amy perguntou.
— Sim, a Kat convidou a Bell — Ally respondeu.
— Que surpresa — Amy ironizou, ela sabia muito bem da fixação que Kat tinha pelo cabelo da vizinha de Ally.
— Você acha que o cabelo dela é natural? — Kat perguntou.
— Provavelmente não — Carrie respondeu e alguém tocou a campainha. Provavelmente era Bell. Ally abriu a porta e deixou a vizinha entrar. Bell tentava conter o brilho nos olhos da pequena Anastasia dentro dela. Aquilo parecia tão legal.
— Seja bem-vinda, Bell — a tia de Ally a cumprimentou.
— Obrigada — Bell respondeu.
— Posso te fazer uma pergunta? — Carrie pediu.
— Vá em frente — Bell a deixou fazer uma pergunta.
— Por que não passa o natal com a sua família? — Carrie questionou.
— Porque eu prefiro pular de um penhasco do que passar o natal com eles — Bell respondeu sabendo que ela havia sido a única que havia entendido a ironia.
***
Enquanto isso, naquela noite do outro lado da cidade, Amanda ainda estava bastante ferida e a dor só piorava. Ela não tinha para onde ir e o único lugar que achou para se esconder foi em um prédio abandonado. Mas ela mal teve sossego e percebeu que vários PRODÍGIOS estavam invadindo o local, rápida, ela conseguiu se esconder, mas com aquele ferimento e com a intensidade daquela dor, ela não sabia quanto tempo ia durar.
Quando Amanda achou que seria descoberta, para a surpresa da garota, alguém apareceu tão rápido quanto uma sombra e atirou em alguns dos agentes que estavam prestes a achar Amanda. Em seguida o indivíduo tirou um capuz e se mostrou na verdade uma garota. Ela não deveria ter mais que 1, 58 de altura e provavelmente tinha uns quinze anos. Amanda cogitou que ela fosse uma PRODÍGIO, mas nem de longe aquela garota se parecia com uma. Essa garota é a mesma que apareceu no funeral de Emily e se apresentou como Chloe para Kat.
— Olá! — a garota acenou para Amanda que estava escondida. Ela percebeu que haviam mais agentes indo para lá e deu um sinal para que Amanda continuasse escondida. Os agentes vieram e partiram para cima da garota que pegou duas armas, balançou a cabeça, deu uma piscadinha acompanhada com um sorrisinho para Amanda.
— Você não parece ser uma das nossas — um agente comentou.
— É porque eu não sou — a garota respondeu e todos os agentes no local apontaram as armas para ela. — Que falta de educação!
— Quem é você? — um dos agentes interrogou.
— Arya Stark — a garota ironizou e começou a atirar em todos a sua volta, eles tentavam atirar de volta, mas a garota era muito rápida e se desviava dos tiros com muita facilidade. Quando ficou sem balas, a menina largou as armas e enquanto se desviava das balas, ela partia para o combate corpo a corpo, onde ela quebrava o pescoço deles de diferentes maneiras apenas usando o braço e a agilidade. Em alguns minutos, ela conseguiu derrubar todos os agentes no recinto, mas ela sabia que haviam mais no prédio e que eles estavam indo de encontro a ela.
— Como fez isso? — Amanda perguntou espantada, nenhum prodígio conseguia ser tão ágil, inteligente e debochado quanto aquela garota.
— Sabe, eu poderia voltar e passar tudo aquilo em câmera lenta, mas é que eu estou com muita pressa — a garota respondeu pegando duas espadas que levava consigo. Amanda notou que aquelas espadas haviam inscrições em alguma língua antiga ou desconhecida e as inscrições das duas espadas se completavam. A garota fez o sinal para que Amanda se escondesse novamente e em seguida vários agentes invadiram o local e tentaram disparar contra a garota, mas ela girou as espadas em um movimento tão rápido, que as balas ricocheteavam e voltavam.
Amanda notou o quanto aquilo era impossível. Nenhuma espada feita com algum metal conhecido conseguiria algo naquele nível, talvez Vibraniun, mas o metal naquela espada não parecia Vibraniun. Algumas das balas que ricocheteavam nas espadas, voltavam e acertavam os seus respectivos atiradores.
Após ricochetear as balas, a garota começou a acertar todos ali com as espadas. Amanda achou inacreditável a facilidade com que aquela espada partia uma pessoa no meio em apenas um golpe. E de fato isso aconteceu. A garota literalmente cortou vários agentes ao meio e ainda cortou a cabeça de vários de apenas uma só vez. Aquilo era impossível, nenhuma espada, nem mesmo a mais forte conseguia cortar uma pessoa ao meio tão bem quanto aquela. Aquele com certeza havia sido o momento mais impressionante, assustador e nojento da vida de Amanda. Afinal estamos falando de pessoas sendo cortadas ao meio.
Em menos de dez minutos, aquela garota que se movia tão rápido quanto uma sombra havia derrubado todos os agentes do prédio usando apenas duas espadas e duas armas. Amanda estava impressionada e assustada. Quem era aquela garota? O que ela queria? A garota foi em direção a Amanda que estava em choque.
— Quem é você? — Amanda perguntou em choque.
— Eu sou como uma sombra, posso ser todo mundo ou posso não ser ninguém — a garota respondeu e resolveu resumir ao ver a cara confusa de Amanda. — Mas você pode me chamar de Shadow.
— O que você quer? — Amanda perguntou assustada.
— Te ajudar — a garota respondeu. — Esse ferimento parece estar infeccionando.
— Por quê? — Amanda perguntou desconfiada.
— Acredite, se eu quisesse te matar ou te levar de volta, eu não teria me dado ao trabalho de acabar com esses babacas — a garota respondeu.
— Ainda assim, não sei se posso acreditar em você — Amanda explicou.
— Você não precisa — a garota respondeu. — Mas você precisa tratar essa ferida, então venha comigo e trate isso ou fique aqui e morra.
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