−Garotada, hoje é seu dia de sorte! Eu sou radialista e quero dar uma chance pra vocês. Amanhã vou levar todos vocês pra gravar num estúdio. E a música de vocês vai ser transmitida na minha estação de rádio. O que acham? –Propôs Nicolau.

− Pode contar conosco, meu amigo. –Falou André em nome da turma.

−Ei! Fale por você, amanhã eu tenho que ir pra escola. –Protestou Sophia. Alexandre arregala os olhos, surpreso com a discordância.

−Agente pode faltar um dia de aula. Gente, é por um bem maior. –Argumentou ele.

−Meus pais não estão muito satisfeitos com minhas notas. –Replica a ruiva.

−Eu posso falar com eles, se você...

−Pode deixar que eu mesmo falo com os pais dela. –Alexandre interrompe André.

−Pessoal. Eu concordo com André, agente tem que ir de qualquer jeito. –Diz Jeronimo. – Eu estou no meio musical há um tempo já. Pode ser nossa única chance, e nós nem tivemos que nos esforçar. –Continuou.

−Nós vamos. Sophia, dá teu jeito. – Afirma Raul. A garota sinaliza positivamente com a cabeça.

Os raios de sol tardaram a aparecer no dia seguinte, devido a nuvens carregadas. O céu estava cinza e naquele momento o relógio indicava 6:30. Alexandre se comprometeu a levar os garotos até o Wisky por favor, onde encontrariam Nicolau. O casal da banda desceu até o térreo do Brisa do Atlântico de mãos dadas para encontrar o resto do grupo. Alexandre acena com a cabeça para Urias, Raul e André que estavam encostados em seu conversível azul. Ao se aproximarem ele pergunta onde está Jeronimo, mas ele já estava no local, pôs morava longe dali. Ao entrarem no carro, o teto os cobre automaticamente.

Depois de 15 minutos de carro eles chegam ao local marcado. Jeronimo estava com uma garrafa de cerveja na mão, conversando com Nicolau, que vestia a camisa do “Fear of the dark”, do Iron Maiden. Urias é o primeiro a descer do carro com a empolgação de sempre. Ele fumava um cigarro, e já havia outro “engatilhado” em sua orelha. Jeronimo estende a mão e os dois de cumprimentam.

−Esse é dos meus. Cerveja como café da manha. –Os dois riem um pouco e Raul se intromete.

−Muito legal isso tudo mas tem que moderar. Seus pulmões e seus fígado não são de ferro meus amigos. –Os dois param de rir.

Todos sem cumprimentam e Nicolau os convida para entrar em seu “Nicolau móvel”, uma van preta, bem conservada e com uma logo marca escrita Air Guitar, sua rádio. Mais alguns minutos no veículo do radialista e eles estacionaram em frente a uma fachada de uma gravadora que se destacava em comparação a outros comércios do local. Crazzy Records era o nome da gravadora, que apesar de atender a todos os estilos musicais era especializada, em metal. Eles entram no recinto e Nicolau os manda esperar sentados na sala de recepção.

No local haviam vinis pregados nas paredes, e pôsteres de vários estilos. Fotos de musicos como Dave Mustaine, Kurt Cobain, Bruce Dickinson, Eddie Vedder, André Matos e de bandas completas como Europe, Hallowen, Metallica, Foo Figthers, Pantera, Slayer e também representantes nacionais como Angra, Almah e Sepultura. Mas o item que mais chamava a atenção era uma moto Harley Davison no meio da recepção, servindo como ornamentação. Pendurado na moto haviam um colete de moto-clube escrito Canibais.

Todos estavam conversando sobre oque estava diante de seus olhos, mas Alexandre nunca se apegou muito a um só estilo de música então ele comete uma gafe. Enquanto olhava pra uma foto em que o príncipe das trevas usava um óculos redondo roxo. Então ele pergunta quem é.

−O burro não sabe quem é Ozzy. –Diz André enquanto sorri.

−Burro é teu pai. – Retribui Alê enquanto exalta seu dedo do meio.

−Garotas, não é hora de brigar. –Fala Raul deitado num sofá, com as pernas pra cima, enquanto fuma um cigarro.

−Briguem depois, é hora de gravar o som de vocês. –Diz um homem alto, branco e careca, que apareceu junto a Nicolau.

−Deixa agente pegar os instrumentos. –Diz Raul.

−Não se preocupem, isso é trabalho da nossa equipe. –Fala o homem careca.