Countess Widow. Sex, drugs and Rock n' roll.
18 Mais uma dose de irresponsábilidade

A banda passa a manhã toda gravando e agora é quase meio dia. São gravadas 5 faixas originais, entre elas Countess Widow e Mensageiro de Titãs. Countess Widow é a mais diferente de todas, pôs foge do gênero power metal. Fala sobre o sentimento de soberba e posse do capitão da Countess Widow, que é um barco que vive de festas. As outras faixas se concentram em falar de Histórias extraordinárias de aventureiros que servem aos deuses. Ao finalizar a gravação Nicolau se responsabiliza de pagar o valor integral a gravadora. O homem careca aperta a mão de Nicolau e se dirige a saída com a banda logo atrás dele.
O humor de todos está ótimo e eles conversam uns com os outros no caminho da van. Ao saírem de baixo do teto da gravadora eles correm até o Nicolau móvel, já que neste momento a chuva não dava trégua. Nicolau coloca um Cd de música country no compartimento do veículo, acende um cigarro e em seguida da a partida. Alguns trechos do asfalto estão alagados e isso faz com que ele tenha que diminuir a velocidade. Urias é o primeiro a ficar entediado com a velocidade que se movem.
−Cara, vai demorar muito? –Pergunta.
−Espero que não, mas ta complicado, está desde de manhã chovendo. –Responde o motorista.
−Onde estamos indo agora?
−A ideia inicialmente era ir até um restaurante pra almoçar, mas é melhor eu deixa-los logo no bar, pra vocês voltarem logo pra casa.
−Pensei que ia comer de graça hoje, mas a vida não é justa. –Diz Urias com o costumeiro sorriso cínico.
São quase 2 horas da tarde. A van preta estaciona ao lado do conversível. Todos descem, agradecem e Nicolau recomenda que eles fiquem ouvindo a Air guitar. Mais André diz que voltará pra casa de onibus e Jeronimo se dispõe a ir junto com ele. Os dois garotos se afastam e dobram na primeira rua, e nem tem tempo de ver Seu Luiz chegando no bar acompanhado de uma garota baixinha, de pele alva e cabelos castanhos e lisos.
−Tranquilo jovens? Tudo certo pro show de amanhã? –Pergunta o velho.
−Tudo certo sim, deixa com agente. –Responde Raul.
−Com... certeza. –Diz Urias olhando fixamente para a bunda da garota.
−Urias, tira o olho da minha filha, seu tarado. –Advertiu Luiz.
−Urias? –Falou a garota baixinho enquanto sorria discretamente.
−Esse sorrisinho aí é por causa do meu nome? –Perguntou.
−Desculpa cara, não deu pra evitar.
−Sério? Não me diga. –Ironizou − E qual é o seu nome, menina?
−Sou Regina. –Falou ainda sorrindo. Ela mesmo tem a iniciativa de estender a mão, e os dois se cumprimentam. Depois Urias põe a mão no ombro de pai da garota e fala:
−Bom trabalho, Seu Luiz... Bom trabalho!
Pai e filha entram no bar, e a banda no conversível. Alê buzina sinalizando sua partida e depois acelera. Apesar da pista estar molhada eles não demoram muito para chegarem ao Brisa do Atlântico. Urias, Raul e Sophia vão para seus respectivos apartamento e Alexandre segue pra sua casa.
André e Jeronimo haviam parado pra comer num restaurante. Ele e André estavam conversando sobre vídeo game, algo que os dois tinham em comum era o gosto por jogos eletrônicos. Eles pagam a conta e saem do estabelecimento. Apesar de estar chovendo, eles caminham tranquilamente.
−Ei cara onde você mora? –Pergunta André.
−Cara. Onde eu moro é bem diferente do prédio de vocês. Lá é um amontoado de casas, não tem asfalto. É bem mais barato também. Não tenho muito dinheiro pra gastar. –Responde o viking.
−Cara, me desculpa me meter. Mas talvez sobrasse mais dinheiro se você não gastasse tanto com bebida.
−Eu sei que bebo muito, mas isso eu não abro mão. Álcool não é algo dispensável pra min. –Respondeu rindo.
−É, cada um com seus vícios.
−E qual é o seu?
−Boa pergunta. Eu não havia pensado a respeito. –Alguns segundos se passam em silencio, até que Jeronimo pergunta:
−Iaí? Vai querer conhecer minha casa ou não?
−Não tenho nada melhor pra fazer.
Depois de pegarem dois ônibus e caminharem alguns minutos por vários becos estreitos e ruas tranquilas eles se aproximam de uma casa pequena com a fachada branca e uma janela de madeira quebrada, suatentada por uma tábua e dois pregos. Jeronimo se aproxima e da grade, que um dia já foi branca, mas agora sucumbe à ferrugem. Assim que ele abre a grade um doberman late e rosna ameaçando André, este dá um pulo pra traz para se proteger. Jeronimo afaga o animal e o afasta da porta para o amigo entrar.
A visão de André ao entrar na casa pode ser resumida como bagunça. Haviam duas caixas de pizza ainda abertas espalhadas, potas de cigarro no sofá, o balcão da cozinha haviam latas de comida abertas, garrafas de bebidas estavam em todos os lugares, e o sofá estava bastante rasgado devido a mordidas de cão. O televisor era novo e ainda estava sobre a mesa da sala, a caixa estava rasgada e o isopor estava todo salpicado no chão. O anfitrião vai até a cozinha e pega dois refrigerantes na geladeira, volta até a sala e joga uma lata pra André, que estava imóvel temendo ser mordido pelo cão, que estava a lhe encarar. Jeronimo senta em uma poltrona desgastada e fala:
−Vem Astrid. –O animal vai até seu dono.
−Esse é o nome dele? –Pergunta André.
−É ela. Pode ficar tranquilo que ela não morde. Se não fizer nada comigo, claro.
−Percebi. De onde você tirou esse nome? Astrid.
−É um nome escandinavo. Quer dizer beleza divina, Como vai ser? Agente vai jogar ou não? –Perguntou Jeronimo se levantando pra pegar os joysticks. Os dois passam um tempo jogando calados até que Jeronimo volta a falar:
−Ei cara, você é doido pela ruivinha né?
−A Sophia? –Ele ri um pouco. Jeronimo continua olhando pra ele sério, como quem pede uma resposta. –Não cara. De onde você tirou essa?
−Fala sério cara. Pode falar, eu não vou contar pros outros.
−Por que você ta perguntando isso?
−Por que você não tira o olho dela. E teve aquela briga de você e o Alê em um ensaio.
−Ta bom, cara. É verdade, eu acho ela bonita e tal, mas deixa isso quieto.
−Tenho uma ideia. –Disse Jeronimo com um sorriso malicioso no rosto.
Meia hora depois uma festa acontecia na casa. 4 garotas semi-nuas dançavam e bebiam. Astrid já havia se acostumado com a presença de André e de outras pessoas na casa. Apesar da alta quantidade de álcool que Jeronimo havia ingerido, ele continuava sóbrio. André também estava sóbrio, mas não havia ingerido uma grande quantidade de aguardente. Duas morenas de medidas fartas cercavam a visão de André, as outras duas uma delas loira e outra negra, faziam um “sanduíche” de jeronimo.
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