Countess Widow. Sex, drugs and Rock n' roll.
37 Tentando manter a ordem

Um motoqueiro se aproxima de Urias que estava deitado num sofá, com o soco-inglês equipado sem motivo algum. O motoqueiro é careca e moreno, chama-se Paulo, o transportador que venceu Urias mais cedo num duelo de bilhar. Ele faz sinal para o garoto levantar as pernas do sofá para que ele possa sentar. Urias se senta e Paulo senta ao seu lado, e oferece-lhe um copinho com uma dose de pinga. Eles tocam os copos e o motoqueiro inicia uma conversa.
−Então você é bom de briga? –Sugere Paulo apontando para o soco-inglês na mão de Urias.
−Eu me viro. –Fala Urias sorrindo. Depois corrige oque ele mesmo falou. –Na verdade eu sou bom sim.
−Você hoje me deu um grande trabalho jogando sinuca. Se for bom de briga também, devia tentar competir em nossas festas aqui.
−Competir?
−Sim.
−Em brigas?
−Sim.
−Aqui?
−Não aqui. Mas o clube organiza festas e... eu acho que você poderia tentar. Se você se interessar, claro. O tamanho você já tem.
−É... –Conclui, o musico, deixando em aberto e olhando pro chão, pensativo.
André cavalga sobre um Frísio. O alazão negro e robusto com volumosos pelos nas patas dispara em direção a uma casinha afastada no horizonte. Um local paradisíaco, com uma relva média e com um verde bem vivo. O cavalo atravessa uma ponte de madeira que cortava um riacho com água cristalina e rasa a ponto de ser possível ver o chão. Ao se aproximar da casa, André pula com o animal ainda em movimento e caminha até a porta. Antes que pusesse a mão na fechadura a porta se abre. Sophia mostra sua satisfação com o regresso do rapaz com um sorriso no rosto. Mas uma voz interrompe o momento.
−André... André... –Era a voz da própria Sophia quem o chamava, enquanto balançava de leve seu ombro para acorda-lo.
−Oi...
−Acorda! Já são 10:30, daqui a pouco meus pais chegam de viagem. Você tem que ir. Se veste.
−Me deixa só mais um pouco.
−Não cara. Você tem que ir. Agora.
André se senta na cama, ao lado da garota e a beija no rosto. Após se levanta. Sophia pega o celular e observa que haviam mais de 10 chamadas perdidas no mesmo. Eram todas de Alexandre. A menina vira os olhos com pouca paciência para responder, joga o celular de lado e volta a dormir. André aparece no quarto alguns minutos depois para se despedir da garota, mas decide não acordá-la e vai embora assim mesmo.
Na tarde deste mesmo dia a banda decide se reunir na casa de Raul, para ensaiar. Urias é o primeiro a chegar, poucos minutos depois quem chega é Alexandre acompanhado por Sophia. Eles já chegam discutindo algo entre si, mas Raul decide não opinar da conversa do casal. A briga acaba rápido, mas os dois param de se falar. Alexandre se senta numa cadeira e cruza os braços. Sophia põe o fone ouvido, e fica emburrada sentada na cama de Raul. Os últimos a chegar são André e Jeronimo. Eles pelo menos, mostravam bom humor, conversando e rindo.
Eles ensaiam e as músicas dessa vez foram executadas com uma boa precisão por parte de André, Raul e Jeronimo. Urias se mostra mais preocupado com as “firulas”, mas ninguém fala nada a respeito. Alexandre toca regularmente, nada que comprometa as músicas. Quem realmente destoou do grupo foi a garota, que tocou semelhante as primeiras vezes em que ensaiaram. No fim do ensaio Raul decide comentar.
−Acho válido ouvirmos a opinião do Jeronimo, que é o mais instruído aqui, a respeito da mocinha hoje. –Dispara o vocalista, apontando o microfone para a única menina da turma.
−É... já tocou melhor. –Opina Jeronimo.
−É? Pois eu acho que você está sendo gentil meu amigo. –Retruca Raul.
−Bem... Não foi minha intenção... – Se desculpa Sophia.
−Você ta estranha desde cedo. –Pontua Alexandre.
−Não quero falar com você! –Respondeu a ruiva.
−Isso eu percebi. Te liguei várias vezes, mandei mensagens e você nem se deu o trabalho de responder. –Dispara mais uma vez o baterista.
−Isso mesmo! Conta nossa vida pra todo mundo. –Fala Sophia aumentando o tom da voz.
−Que merda vocês dois. –Diz Urias rindo.
Todos ficam em silencio por um tempo evitando contato visual uns com os outros. Raul diz que vai preparar um lanche pra os amigos e pede a ajuda de André. Eles saem do quarto e Raul fecha a porta. Ao entrarem na cozinha André o encara já esperando que o amigo fale algo. Raul se aproxima dele põe a mão em seu ombro e aperta com um sorriso irônico no rosto. O baixista fecha os olhos e respira fundo buscando paciência para lidar com a situação. Quando os abre o líder da banda inicia o dialogo.
−Gostaria de saber o quanto você tem haver com isso, brother.
−Não sei do que você ta falando irmão. –Diz André com um sorriso no rosto.
−Ah! Sabe sim. –Raul espera por um momento por uma resposta, mas ela não vem, então ele continua. –Você tem haver com essa parada da Sophia e do Alexandre que eu sei.
−Eu não sei do que você ta falando, cara.
−Me fala, por que foi embora do clube ontem, irmão?
−Meu pai pediu pra que eu voltasse pra casa, só isso.
−Teu pai? Jura? Até onde eu sei seu Lambertini não liga pra onde você vai.
−Mas ontem ele ligou. –Respondeu André em tom de fim de conversa, deu dois tapinhas no ombro de Raul, com uma certa força, suficiente pra deixar marcado, e saiu de perto dele. Mas quando se afastou ouviu um assovio de amigo. Ele se virou e ouviu a conclusão da parte de Raul.
−To de olho, fica esperto!
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