Countess Widow. Sex, drugs and Rock n' roll.
38 Bilhar com Canibais

Todos se apertam no interior da van. Nicolau pisa no acelerador e segue para o interior da mata. Durante o percurso Nicolau conversa com o motoqueiro, revelando para os outros a origem da mercadoria, mas ninguém se surpreende ao saberem que as caixas que estão transportando não foram adquiridas legalmente.
Todos já estavam entediados com a escuridão ao lado da estrada, quando se aproximam de uma grande casa que possuía dois andares. O motoqueiro é o único que sair do Nicolau móvel, ele trota até a porta da casa, e é atendido por outros dois membros do clube. Eles conversam por uns minutos, então saem outros cinco homens vestindo a mesma jaqueta e correm até a van. Em pouquíssimo tempo toda a mercadoria já havia sido levada até a casa. Os rapazes entram na casa e seguem Nicolau até a cozinha. Todos pegam bebidas e começam a conversar.
Após alguns minutos conversando, o transportador do clube se levanta e se dirige a sala. Urias simplesmente o segue. O motoqueiro vai até uma mesa de bilhar, e pega um taco. Olha em volta e aponta para o grandalhão. O músico se aproxima e pega um taco. Eles começam a jogar e a conversar.
Após alguns minutos jogando, Urias e o motoqueiro começam a se dar bem. Alguns outros membros do clube estão parados em volta da mesa, assistindo a partida, surpresos com a parcial vitória do guitarrista contra o melhor jogador de bilhar do clube. Começam a fazer apostas entre si. Alguns apostam dinheiro, outros fazem apostas inusitadas como bebidas, cigarros e até mulheres. A maioria aposta na virada do transportador. Ao longo da partida Urias vai perdendo a vantagem e o jogo vai se aproximando do fim e ficando acirrado proporcionalmente. A esta altura todos ali presente estão assistindo a partida e o barulho de várias vozes em volta da mesa se amplia.
A unica bola restante para Urias é a preta. Ele se debruça sobre a mesa ficha um dos olhos, aproxima o taco da bola branca e a golpeia. A bola branca empurra a preta para próximo de uma caçapa, mas ela bate num dos lados da mesa e acaba não entrando. Nesse momento os canibais que apostaram no transportador começam a vibrar já contando com a vitória. O transportador sorri confiante, em seguida encaçapa uma bola amarela, deixando a partida empatada. Agora ele só precisava encaçapar a bola 8. Sem dificuldade alguma e sem calcular muito a jogada ele derruba a ultima bola do jogo, fazendo com que todos que apostaram nele comemorem.
Vários membros do clube cumprimentam Urias, e a simpatia entre os Canibais e jovem músico é mútua. Os outros membros da banda se divertem vendo a maneira do guitarrista conduzir a situação. André observa o comportamento de Urias encostado na parede enquanto bebe uma garrafa de gim. Raul se aproxima do amigo e toca em seu ombro. O baixista olha para ele e o cumprimenta com a cabeça.
−Hoje nós dormimos aqui. –Sugere Raul.
−Não temos meio de voltar mesmo.
−Aproveita essa noite, cara. Se joga. Igual o Uriel Júnior.
−To tranquilo, Raul. Prefiro manter as coisas como estão. Preciso fazer um telefonema. –Diz o baixista enquanto tira o celular do bolso.
−Vai ligar pra família? –Indaga Raul, baixando uma sobrancelha em sinal de desconfiança, já que não era comum o amigo dar explicação a família.
−Sim... vou falar pro meu pai. –Informa André.
Sophia estava em casa, deitada na cama digitando algo para Alexandre num aplicativo de conversas online. A melodia no quarto da ruiva não era suave, estava ouvindo Gorgoroth, numa tentativa de se habituar a sons mais pesados, apesar de estar longe do power metal tocado por ela. Acontece algo inesperado, contudo muito aprazível para a menina. A tela do aplicativo no celular é substituída por uma tela de chamada.
−Oi. – Diz uma voz do outro lado misturado a vários outros ruídos.
−Oi... André. Oque aconteceu? Vocês me deixaram preocupada hoje. Por que saíram de repente?
−Fica tranquila. Ta tudo sob controle, já resolvemos.
−E por que você... –Alguns segundos de indefinição.
−Eu... só... senti sua falta.
−Sentiu?
−Sim. Se você quiser me ver. Eu...
−Hoje?
−Sim.
−Essa hora?
−O mais rápido possível. Só eu e você. Se você...
−Eu não sei... se é certo. Eu e você...
−Entendo... eu só... sei lá. Achei que pudesse ser...
−Aceito.
−Onde você está? –Pergunta André após alguns segundos.
−Em casa... sozinha.
Eram quase 3 horas da manhã no clube. Urias conversava com um membro do clube, o guitarrista estava sóbrio, como raramente acontecia. Raul e Jeronimo jogavam uma partida de poker, junto a outros membros dos Canibais. Um táxi para próximo a sede do clube, e uma silhueta se aproxima. A porta do carro se abre e o passageiro ordena para o motorista ir até o Brisa do Atlântico. Do lado de dentro da casa Raul observa através de uma janela próxima o carro dando partida.
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