Notas iniciais
Pessoal, os capítulos que posto não costumam seguir um padrão. Gostaria de saber se acham ruim, e se acham, qual seria o ideal. obrigado.

Raul se esconde atrás de uma pilha de caixas de aguardente e fica ouvindo a conversa.

−Você parece que esqueceu quem foi que livrou tua princesinha daqueles caras.

−São só negócios, cara.

−EXATAMENTE! Ou você acha que agente virou segurança da putinha por diversão? A única coisa que agente queria era um lugar pra ganhar dinheiro sem depender de merda de gravadora. E oque você faz? Na primeira oportunidade, bota um bando de criancinhas no nosso lugar.

−Cara, isso não estava bom pra ninguém? Os clientes não estavam se agradando com o som de vocês. Vocês não estavam atraindo mais clientes, e mal podia pagar as despesas do bar.

−Entendi. Esses moleques que você contratou trouxe clientes. Aí você decidiu substituir de vez agente. Você acha que eles tem futuro. Até apresentou a banda pro radialista. Pensa que eles vão lembrar de um velho como você se a banda der certo?

−Vamos. – Disse Raul, entrando na sala e surpreendendo os presentes.

−Com certeza! – Respondeu o thrasher olhando profundamente nos olhos do vocalista do Countess Widow. Em seguida se retirou, batendo a porta com força.

−Que história é essa, Luiz?

−Deixa isso quieto, rapaz.

−Fala. Você tem que me explicar, a gangue desse cara ta incomodando minha banda, e eu nem sei porque. Que história é essa com a tua filha? –Perguntou Raul de braços cruzados e o queixo levantado esperando uma explicação.

−É o seguinte rapaz. Minha filha teve uns problemas... tem uns problemas com drogas. Ela deve pra uns caras, e a gangue dele me ajudou. Eles tomam conta da minha filha. São seguranças, e em troca eu deixava eles tocarem aqui. Agente dividia os lucros. Aonde você vai? –Pergunta seu Luiz, ao ver o garoto dando as costas e se dirigindo para a saída.

−Vou resolver isso, já.

−Oquê? Não pode se meter com esses caras.

−Não vou. Vou findar sua dívida.

Sophia e Alexandre estavam sozinhos, na casa da garota. Eles estão vendo um filme, mas ele não faz a mínima ideia do que se trata, passou o tempo inteiro olhando disfarçadamente pro decote da namorada, e acariciando suas pernas alvas. Ela também não está mais prestando atenção na TV. Está levemente inclinada a aceitar a subentendida proposta do rapaz. Isso não a agrada. Ela se sente uma vadia. Tenta resistir, sente a pulsação do seu coração acelerar. Sua pele agora começa a suar. Por um momento pensa em se jogar nos braços de Alexandre, mas hesita. Mais uma vez se concentra no filme. Um caminhão explode no filme. Ela tenta convencer a si mesma de que está prestando atenção, e volta os olhos para a televisão.

André estava passando a manhã daquele sábado na praia junto à Laura e mais dois amigos da escola. Estavam debaixo de um guarda sol. As cadeiras de Laura e André estavam lado a lado, e a menina repousava a cabeça sobre os ombros do rapaz. Todos riam de alguma piada, menos o sempre contido, André Lambertini. Nenhum dos dois garotos eram realmente amigos de André, o garoto nem gostava deles pra ser exato, mas estavam lá porque estavam de olho em Laurinha, mas ela voltava sua atenção quase integralmente ao velho amigo, e ele fazia o mesmo.

O baixista pôde perceber com o rabo de olho a aproximação de duas figuras que não era estranha. Um rapaz moreno, alto, de ombros largos, com cabelo cor de mel e cacheado, um pouco abaixo da nuca, barba bem cheia e sem bigode, e ao seu lado um cão preto, esguio, com o focinho longo e orelhas pontudas. Era Jeronimo. Ao chegar perto da turma os dois garotos se afastam com medo de Astrid, e Laura se aproxima ainda mais de André. Ele aperta a mão amigo, que senta junto ao grupo, e em seguida fala:

−Boa tarde, galera. Tava sem nada pra fazer trouxe ela pra nadar um pouco. Eu iria na tua casa, mas você já facilitou pra min.

−Que bom que você apareceu. Precisava de mais um pra jogar com os caras. Topa? Eu e você contra eles.

−Só tem um problema, com quem vou deixar Astrid.

−Boa pergunta. –Diz André olhando pra Laura.

−Sério? –Pergunta a garota.

−Ela não ataca, contanto que você não represente uma ameaça a min. –Respondeu o viking estendendo a mão pra Laura. Eles apertam as mão. –Pronto! Agora ela sabe que você é do bem. – Falou Jeronimo franzindo a testa e mostrando confiança em sua cadela.

A casa de Urias estaria o mais profundo silêncio, não fosse o som do amplificador de sua guitarra. O guitarrista estava sozinho em seu apartamento tocando “The seven angels” da banda, Avantasia. Ele não ouviu as batidas em sua porta. Então viu Raul entrar em seu quarto e puxar o fio que ligava o amplificador.

−Porra! Você é muito folgado, velho. Que merda! Vai arrumar oque fazer, veado. Só faz merda. –Passa um segundo em silêncio, depois volta a resmungar. –Merda.

−Acabou?

−Fala logo.

−Oque eu vou falar tem que ficar só entre nós, entendeu?

−Por acaso eu já dei com a língua nos dentes?

−Não.

−Então. Continua. –Disse Urias, ainda de mal humor.

−Se André souber ele vai se opor.

−Tudo bem. Pode falar.

−Você vai passar um tempo de olho na Regina.

−A filha do Luiz?

−Isso.

−Mas é claro! Pode deixar que isso eu faço de graça. –Urias pensa um pouco, então torna a perguntar. –“Ficar de olho” em que sentido?

−Segurança. Você vai ser o segurança dela por um tempo. Seu Luiz tinha um acordo com aqueles caras que prenderam agente no hospital, com você tomando conta da filha dele, o acordo acaba.

−Deixa eu adivinhar. Os caras do thrash metal faziam esse papel?

−Isso mesmo.

Um andar acima dali estavam Alexandre e Sophia deitados na cama dos pais da garota, ainda despidos. Alexandre está dormindo, em seu rosto um sorriso, parece estar sonhando com coisas boas. Ao seu lado a ruiva está com os olhos abertos. Uma lágrima escorre de um olho para sua têmpora. Ela mais uma vez não está se sentindo bem, apesar de desejar o ato, ela se arrepende de ter deixado acontecer. A garota se levanta, caminha até seu quarto e pega uma toalha e vai até o banheiro.