Could be, Who Knows?
3 Now You Also Have My Number.
Notas iniciais
O dia seguinte poderia ser intitulado como o pior dia da vida de Blaine. Ele havia percebido tarde demais que seu pote de gel havia terminado, o que resultaria em um Blaine cacheado na escola sendo que o moreno detestava seu cabelo natural. Depois, um acidente com a cafeteira que resultou em um dedo queimado e alguns xingamentos de sua mãe pelo fato do moreno ter gritado alguns palavrões. Logo uma briga entre Blaine e Burt teve inicio, horas antes do mais velho embarcar para Londres para buscar o motivo da briga: Kurt, claro.
Carole ficou do lado do marido e Finn ao lado do irmão na hora da discussão. Ah! E também não podemos esquecer o fato de que no caminho para a escola o carro de Finn enguiçou fazendo com que os dois — Blaine e Finn — empurrassem o carro até a escola. Os dois chegaram ao local, suados e bagunçados.
– O que mais pode acontecer, Deus? – O moreno dizia dramaticamente olhando para o céu depois de ter conseguido se ajeitar no estacionamento da escola enquanto ficava ali, “segurando vela” com cara de nojo para Finn e Rachel que estavam competindo para ver quem engolia o outro primeiro. Mas isso não durou muito tempo. O moreno apenas sentiu uma forte dor em sua cabeça que, primeiro o deixou zonzo e depois o fez desmaiar.
Blaine abriu seus olhos lentamente e demorou em reconhecer o local onde estava. Ele estava deitado em uma maca na enfermaria da escola por ter sido atingido em cheio na cabeça por uma bola de futebol americano.
– Você está bem? – Uma voz preocupada fez Blaine virar em direção a ela. Lá estava ele, com uma jaqueta do time de futebol, um topete perfeito de seus cabelos castanhos, seus olhos verdes expressivos e seu sorriso lindo. Era ele o jogador que havia piscado para o moreno.
– E-eu estou sim... Minha cabeça dói um pouco... – O moreno tentava a todo custo parecer casual, mas na verdade ele estava muito nervoso.
– Desculpa se te acertei, foi sem querer. Tanto que estou aqui há duas horas esperando você acordar. – A voz daquele garoto fez Blaine se arrepiar. Que Deus Grego era aquele?
– T-tudo bem... – Blaine respondeu fracamente dando o seu melhor sorriso.
– Nem me apresentei. Me chamo Sebastian. Sebastian Smythe. Prazer... Blaine não é? – O castanho estendeu a mão para o outro que a apertou timidamente.
– C-como você sabe meu nome? – O garoto estava confuso.
– Seu irmão. Finn, eu jogo com ele, lembra? Acho que a pancada na cabeça foi mais forte do que eu pensei. – Seb disse sorrindo e logo ele e Blaine caíram na gargalhada. Não demorou muito para um silêncio constrangedor preencher o local.
– Bom você já está se sentindo bem? Por que a enfermeira disse que assim que você acordasse, eu poderia te levar pra casa. – Sebastian realmente parecia preocupado.
– S-sim... Espera, você me levar? – Blaine não estava acreditando muito naquilo.
– Sim, nada mais justo depois de eu ter te feito desmaiar. – O garoto ria novamente.
Logo Blaine havia sido liberado pela enfermeira e estava a caminho de casa dentro do carro de Sebastian. Os dois trocavam algumas palavras, mas Blaine estava nervoso demais para se sentir à vontade. Quando Sebastian estacionou na frente da casa do moreno, ele começou a ficar nervoso.
– Bom então muito obrigado pela carona Sebastian. – Blaine ofereceu o seu melhor sorriso.
– Pode me chamar de Seb... Olha, eu estive pensando, nós poderíamos sair para tomar um café qualquer dia desses... Que tal? – O castanho tinha um sorriso brilhante no rosto. Blaine pensou que morreria ali mesmo. Então, o jogador de futebol que havia piscado para ele estava mesmo convidando-o para sair?
– E-eu adoraria. – O moreno disse corado. Sebastian pegou um pedaço de papel e anotou algo nele entregando ao outro garoto.
– Só ligar e marcar. – Blaine abriu o pequeno papel e viu o numero de Sebastian.
– Ok... Tchau então. – O garoto menor estendeu à mão para cumprimentar o outro, mas Blaine não esperava que ele fosse ignorar a sua mão estendida e que lhe daria um beijo rápido no rosto.
– Tchau Blaine. – Seb sorriu vendo o moreno sair do carro calado, totalmente corado, logo dando a partida e sumindo pela rua.
Blaine entrou em casa com um sorriso idiota no rosto e correu para o seu quarto. Ao olhar-se no espelho viu seu cabelo bagunçado ainda mais do que o normal e um pequeno roxo no meio de sua testa.
– Como ele pôde ter olhado pra mim, comigo nesse estado? – O garoto pensava alto. E, lembrando-se que tinha o numero de Sebastian, enviou-lhe uma mensagem e foi tomar um banho. Depois de vinte minutos, ao sair do banheiro, o moreno correu até o seu celular e viu que tinha recebido uma resposta.
“Agora você também tem o meu número ;)” ~ Blaine.
“Agora posso te cobrar o café, sabe... Caso você esqueça.” ~ Sebastian.
Depois de se vestir, Blaine resolveu responder a mensagem. Ele demorou um pouco para responder, afinal ele não poderia parecer tão desesperado certo?
“Não acho que eu esqueceria ;)” ~ Blaine.
“E isso é bom?” ~ Sebastian.
Talvez ;) ~ Blaine.
Quando ouviu sua mãe lhe chamando, Blaine desceu as escadas correndo para tomar um lanche e explicar o porquê de estar tão cedo em casa. O resto do dia passou calmamente, e como combinado no dia anterior, ao anoitecer o moreno iria para a casa de Sam passar a noite lá.
CBWK
Blaine tocou a campainha da casa de Sam por diversas vezes seguidas. Quando já estava se convencendo que não tinha ninguém em casa e que seu amigo havia esquecido que ele iria pra ali, a fechadura da porta começou a movimentar-se pelo lado de dentro.
– Nossa cara, pensei que não viria mais. – Sam apareceu na porta de sua casa fazendo o amigo entrar.
– Quase não vim mesmo. Mamãe não queria me deixar sair, por causa do desmaio e desse roxo enorme na minha testa. – Blaine revirou os olhos. Ele já havia contado tudo à Sam pelo telefone algumas horas mais cedo. O loiro havia ficado feliz que enfim Blaine tinha um encontro com outro gay. Mas o moreno só conseguia pensar na mancha roxa no meio da sua testa. Aquilo com certeza demoraria a sumir do seu rosto, e enquanto não sumisse, ele não sairia com Sebastian.
– Esse roxo é minúsculo B e até onde eu sei dá pra disfarçar isso com maquiagem então nem esquenta. Mas então, pronto para virar a noite jogando vídeo-game? – O loiro parecia extremamente animado segurando embaixo de um braço vários pacotes de biscoitos e salgadinhos e na outro braço dois litros de algum tipo de refrigerante. – Vamos começar?
Sam correu até o seu quarto e Blaine o acompanhou. Jogando suas coisas por um canto qualquer do quarto, o moreno sentou-se ao lado do amigo e pegou o controle do vídeo-game.
– Pronto para perder? – Blaine provocou.
– Você que vai perder garotinho. – Sam respondeu com alguma tentativa falha de imitação barata.
CBWK
Blaine chegou em casa quando já estava anoitecendo. Assim que ele entrou em casa, Carole apareceu.
– Você iria passar a noite lá Blaine Anderson Hummel. Não vinte e quatro horas. – A mãe do garoto tinha uma carranca no lugar do rosto.
– Mãe, hoje é sábado ok? E eu fiquei esse tempo todo com Sam, jogando vídeo-game na casa dele. – O moreno revirou os olhos.
– Suba e tome um banho. Seu pai e Kurt chegam em algumas horas. Ele me ligou a pouco tempo.
– Quer dizer que Elizabeth já...? – Blaine não precisou terminar a frase.
– Não. Seu pai achou melhor deixa-la aos cuidados do melhor hospital de Londres e trazer Kurt para cá devido ao seu estado.
– E que estado seria esse? – O moreno até que sentia pena de Kurt.
– Ele cuidou da mãe dele sozinho por dois anos seguidos Blaine e ele só tem 17 anos. Ele parou de estudar apenas para cuidá-la. Isso não é fácil para ninguém. Já tentou se colocar no lugar dele? – Carole viu os olhos do filho marejarem.
– Sim. Mesmo que eu não suporte essa ideia. – Blaine jogou-se nos braços da mãe que lhe beijou o topo da cabeça.
– Tente compreende-lo ok? Precisaremos de paciência com ele querido.
– Eu vou tentar mãe. – O menor beijou a bochecha de sua mãe e correu para o seu quarto para tomar um banho. Quando estava pronto, ele vestiu apenas uma calça de moletom cinza e ficou sem camisa devido ao calor. Como estava cansado, pois mal havia dormido na casa de Sam, Blaine resolveu ligar o radio com uma musica calma num volume baixo e se deitou. Não demorou muito para o moreno cair num sono pesado.
Blaine tomou um susto ouvindo Finn o chamando na porta;
– Blainey, papai e Kurt chegaram!!
O moreno começou a suar frio, ele passou as mãos nos seus cabelos na tentativa de abaixar os cachos e saiu do seu quarto, descendo as escadas lentamente.
– Querido, que saudades!! Como você cresceu!! – Carole abraçou Kurt demoradamente. Kurt não conseguiu conter a emoção. Fazia tanto tempo que Elizabeth estava doente e fraca em uma cama, sem conseguir levantar-se para nada, que o castanho nem lembrava a sensação de um abraço materno.
– Também senti saudades Carol. Mas quem realmente cresceu foi Finn. Uau você parece mesmo uma girafa. – Kurt se pronunciou com a voz carregada pelo sotaque europeu enquanto abraçava Finn. Blaine, no topo da escada, havia se arrepiado ao ouvir Kurt falando ao vivo e a cores. Ele realmente tinha se tornado um menino muito bonito, pálido, alto, elegante, com aquele cabelo fabuloso e o sotaque charmoso.
– Blaine, querido, desça. – Carole o chamava gesticulando.
Blaine desceu as escadas e os olhos de Kurt se fixaram nele. Mais precisamente no seu abdome definido. Ele havia se tornado um rapaz lindo, com a pele um pouco bronzeada e aqueles cachos negros que caiam pela testa dele. Kurt e Blaine ficaram se encarando por um tempo, cada qual com seus pensamentos, até o moreno estender a mão para o outro.
– O-oi Kurt... – Blaine disse timidamente. Kurt pegou a mão dele e a apertou com pequena força.
– Oi Hobbit Adotado. – Kurt tinha no rosto o mesmo sorriso sínico e sarcástico de anos atrás, quando havia torturado Blaine mentalmente. Logo o sorriso receptivo que o moreno tinha no rosto havia sumido.
Carole, Finn e Burt que estavam pensando a mesma coisa enquanto observavam a cena. Definitivamente, aquilo não seria fácil.
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