Could be, Who Knows?
4 It's Too Hard.
Notas iniciais
– Bom, Blaine, por que você não mostra o seu quarto para Kurt? – Burt tentava desfazer aquele clima tenso que havia se instalado ali.
– Meu quarto?!?!? – Blaine exclamou indignado.
– O quarto dele?!? Por que não o de Finn?? – Kurt parecia igualmente irritado.
– Meu quarto é muito pequeno. Mal caibo eu lá. O de Blaine é mais espaçoso. – Finn se pronunciou pegando as malas de Kurt e subiu as escadas com o moreno e o castanho atrás de si. Kurt tentou, mas não conseguiu desviar o olhar da bunda de Blaine enquanto ele subia as escadas.
O maior entrou primeiro, e Kurt quando viu o quarto, apesar de amar todas as dividas que estavam nos pôsteres nas paredes não pode deixar de fazer um comentário carregado de implicância.
– Que mau gosto você tem.
– Se não gosta da decoração, pode dormir no sofá da sala. Eu realmente não me importo. – Blaine tinha um sorriso cínico no rosto enquanto Kurt o fuzilava com o olhar.
– Uau, é melhor eu sair daqui antes que vocês comecem com as bombas e todo o mais. Fui. – Finn deixou os dois sozinhos no quarto. Blaine saiu logo em seguida deixando Kurt sozinho. O castanho desabou pesadamente na cama deitando-se.
Olhe onde ele havia chegado. A dois anos atrás ele apenas estudava na melhor escola de Londres e sempre que chegava em casa sua mãe estava lhe esperando e lhe dava o melhor abraço de todos. E então, do nada aquela doença maldita e sanguessuga tirava-lhe toda a vida. Agora ela estava entre a vida e a morte e Kurt não podia salvá-la. Ele apenas podia ficar vendo sua mãe morrer aos poucos.
Kurt fez algo que já não fazia alguns dias. Ele permitiu-se chorar silenciosamente no quarto do adotado que ele nunca havia gostado. Blaine não era da família, nunca seria, fora um erro de Burt e Carole adotá-lo na opinião do castanho. Kurt foi interrompido de seus devaneios quando sentiu uma mão afagando seus cabelos. Ao abrir os olhos molhados pelas lágrimas viu seu pai ao seu lado.
– Não é fácil, não é Kiddo? – Burt falou e Kurt, instantaneamente jogou-se nos braços do pai que o abraçava fortemente.
– Ninguém nunca me disse que seria tão difícil assim... Eu não tenho mais forças papai... Não suportava mais ver a mamãe naquele estado. Ela tinha lapsos de memória e algumas vezes não se lembrava de mim... O senhor sabe o quanto isso me doía? As vezes penso que seria melhor a mamãe... Você sabe... Partir logo do que continuar aqui sofrendo... Mas eu vou sentir tanto a falta dela... Tanto... – Kurt dizia com sua voz abafada e quando percebeu, seu pai chorava silenciosamente.
– Agora você tem a nós querido... Estamos aqui por você... Nós vamos ajudar... Não se preocupe... Eu cuidarei de você... – O Hummel mais velho embalava Kurt em seus braços que chorava. Em pouco tempo o garoto adormeceu. Burt com muito jeito saiu dos braços do filho e o deixou dormindo na cama. Quando saiu pela porta encontrou Blaine sentado no chão, com as costas na porta e com o rosto banhado em lágrimas.
– Eu sei que não deveria ouvir atrás da porta... Mas eu sinto pena dele... Ninguém merece passar pelo o que ele esta passando nessa idade... É cruel pai... – Blaine disse levantando-se do chão. – E-eu me ponho no lugar dele às vezes, sabe? Fico pensando se fosse comigo e com a mamãe... Acho que eu não suportaria...
– Isso só mostra o grande coração que você tem filho. Mesmo tendo suas diferenças com Kurt, eu sei que se ele precisar e permitir, você o daria todo o seu apoio. Por que você é um garoto bom e eu soube disso no momento em que pus o olho em você. – Burt abraçou o filho que deixou algumas pequenas lágrimas escorrerem. – Agora vamos deixar Kurt descansar um pouco e jogar videogame. Que tal? – O mais velho se ofereceu vendo o sorriso no rosto do moreno se iluminar.
Os dois desceram as escadas correndo e nem de longe podiam imaginar que Kurt estivera atrás da porta todo aquele tempo ouvindo a conversa todo aquele tempo.
CBWK
Quando Kurt desceu, Carole serviu o jantar. Finn fazia perguntas sobre Londres para o irmão que respondia com gosto. Todos conversavam animadamente na tentativa de distrair um pouco Kurt, e estava realmente funcionando. O único que não falava ali era Blaine. Ele não queria estragar o momento “família biológica” que sua família estava tendo.
Kurt e Blaine ajudaram Carol com a louça ao final do jantar e depois, todos se sentaram na sala para assistir televisão. Carol e Burt sentaram no sofá maior, Finn e Kurt no menor e Blaine sozinho na poltrona. Depois de algum tempo, Carole e Burt foram os primeiros a subir. E um pouco mais tarde, sem dizer nada, Kurt subiu as escadas e tanto Finn quanto Blaine acharam que ele iria dormir. Mas o castanho voltou com cobertores, travesseiros e lençóis e jogando em cima de Blaine falou sorrindo cinicamente.
– Passe a noite bem, no sofá. – Kurt correu a escada à cima e se trancou no quarto.
– Qual o motivo mesmo para que eu não vá até lá, arrombe aquela porta e bata nele até ele ficar cheio de hematomas? – O moreno perguntou à Finn com os olhos cheios de ódio.
– Pense em Elizabeth, Blainey. Elizabeth. – Finn disse dando um tapinha no ombro do irmão e se retirando para o seu quarto.
Relutante, Blaine ajeitou-se no chão da sala mesmo e logo pegou no sono.
Depois de um pesadelo, Kurt resolveu descer para tomar um pouco de agua. O castanho passou sorrateiramente pela sala e acendeu a luz dando de cara com Blaine dormindo de bruços com as costas nuas. Kurt cuidou todo o contorno das costas do moreno, desde os cachos até perto da barra da bermuda e... O castanho desligou a luz. Ele havia descido para beber agua. Apenas.
Ele foi até a geladeira, pegou agua e foi se servir na pia. Ele quase quebrou o copo quando ouviu uma voz rouca pelo sono, atrás de si.
– Virou assaltante de geladeira? – Blaine perguntou sorrindo sarcasticamente. Tudo entre ele e Kurt parecia que seria assim.
– Nossa, seu idiota, que susto que você me deu. – Kurt exclamou com a mão espalmada na altura do seu coração e com a voz carregada com o seu sotaque, que mais uma vez Blaine tinha achado perfeito.
– Então... O que te leva a espiar as pessoas enquanto elas dormem? – O moreno perguntou se divertindo com a expressão de susto e surpresa do outro que havia se engasgado com a agua. Kurt não conseguia pensar em uma resposta decente. Ele apenas tinha passado pela sala e olhado o outro por alguns instantes. Nada de mais.
Droga.
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