Could be, Who Knows?

5 Feel The Pain Burn Your Heart.


Notas iniciais
Oier, leiam as notas finais. Enjoy.

– Eu apenas passei por você. – Kurt parecia irritado enquanto Blaine se pegava admirando o sotaque europeu e também a beleza do castanho. As roupas dele com certeza eram as peças mais fabulosas que o moreno já tinha visto em toda a sua vida! Mesmo que no momento ele estivesse com um belo pijama azul marinho composto por um calção um pouco curto que mostrava suas belas pernas e uma regata. Sem falar os olhos. Blaine nunca havia esquecido os olhos de Kurt, os olhos mais perfeitos e azuis que ele já havia visto na vida. Blaine não entendia como alguém podia ser tão bonito e ao mesmo tempo ser tão babaca.

– De qualquer maneira, eu só vim tomar agua. – O moreno deu de ombros, caminhando até o castanho e pegando a jarra de agua de sua mão, servindo-se. Kurt tentava a todo o custo não olhar para o peito nu do outro, mas não estava tendo muito sucesso. Ele sequer havia beijado alguém! Mas sabia que se atraia especial e unicamente por garotos, descartando as garotas completamente. Mas ele sabia que a verdade era que simplesmente não tivera nenhum tempo para si mesmo, para se autodescobrir como um adolescente de sua idade faria, já que ele passava 24h cuidando de sua mãe. Nos últimos dois anos, era apenas isso o que ele sabia fazer. Seu pai, ao contrário do que o castanho imaginava, sabia desde quando o garoto era apenas uma pequena criança que gostava de sapatos de salto alto, que seu filho era gay.

– Kurt? – Blaine chamou estalando os dedos na frente dos olhos do outro garoto que parecia congelado no mesmo lugar.

– Sim?

– No que você está pensando? – O moreno perguntou sentando-se na bancada que ficava de frente para o outro.

– Estava pensando na minha mãe. – Kurt murmurou bebendo um pouco de sua própria agua.

– E-eu realmente sinto muito por ela, Kurt. Quero dizer... P-por mais que não nos demos bem, e-eu nunca desejaria isso para você, não desejaria para qualquer pessoa. – Blaine agora encarava os olhos azuis que por algum momento ficaram marejados.

– Obrigado. Só... É difícil. – Kurt sorriu de lado tentando disfarçar as lágrimas se acumulando nos seus olhos. Sempre que pensava em sua mãe, isso acontecia. Blaine por um momento achou o sorriso dele perfeito.

Um silêncio constrangedor tomou o local. Os únicos sons ouvidos no lugar eram o barulho dos copos dos dois garotos servindo-se com agua.

– Bom... – O moreno tentou começar. – Londres... Londres é um lugar perfeito não é?

– Londres é fabulosa. Eu jamais trocaria aquela perfeição por esse buraco chamado Ohio. Não sei como esse povo se conforma com isso aqui. Como vocês conseguem? – Kurt nem percebeu que seu tom foi ficando cada vez mais ácido. Fora sem querer.

– Eu não vou ficar aqui para sempre, disso você pode ter certeza. Boa noite Kurt. – O moreno falou olhando dentro dos olhos dele e virando-lhe as costas, se dirigiu até a sala. Antes de deitar-se novamente o telefone tocou.

Depois de breves palavras, Blaine chamou Kurt.

– O telefone é para você. – Kurt ouviu Blaine e pegou o telefone. Conforme a pessoa do outro lado da linha falava, o castanho ia empalidecendo até desligar a ligação.

– Quem era Kurt? Você está bem? – O moreno estava na frente de Kurt que agora tinha um olhar perdido cheio de lágrimas, deixando algumas rolassem.

– M-minha mãe... E-ela morreu... E-ela... – Kurt balbuciava ainda em choque e dessa vez quem empalideceu fora Blaine.

O moreno não conseguiu fazer nada mais do que abraçar o castanho apertado sendo retribuído imediatamente.

– E-eu sinto m-muito... V-vai ficar tudo bem. – Blaine sussurrava com a cabeça de Kurt no seu peito.

Quando a ficha do castanho realmente caiu, ele começou a se desesperar. Seus gemidos e o choro em si eram agoniados e sofridos, suspiros dolorosos como se uma parte dele houvesse sido arrancada, um choro alto e agudo carregado de uma dor imensa, algo que ele não sabia que era possível sentir. Apenas desejava arrancar aquilo de dentro do seu coração, mas a dor parecia ser mais forte do que qualquer esforço. Ele havia perdido a sua mãe. Sim, ele sabia que ela não conseguiria mais se salvar, mas a esperança continuava viva no coração de Kurt, como a chama de uma vela acesa perto de uma janela aberta.

Então o vento frio da madrugada a apagou.

Kurt sentia que poderia morrer sufocado a qualquer momento, tamanha era a força com que os soluços saiam do fundo de sua alma até a garganta. E ele realmente queria ter morrido junto com sua mãe. Ele pensava que quando sua mãe morresse, ele estaria pronto para isso, mas a verdade é que ele não estava pronto. Ele nunca estaria pronto para perder a pessoa mais importante da sua vida. Tudo bem que ele tinha o seu pai, mas agora Burt tinha uma família enquanto Kurt perdera sua mãe, sua protetora de sempre.

Blaine que nem percebera estar chorando junto com o irmão adotivo enquanto, como se ainda fosse possível, o apertava ainda mais em seus braços.

– V-vai ficar tudo bem Kurt... Ela parou de sofrer, agora ela está num lugar muito melhor do que aqui. Fique calmo, estaremos aqui com você. – O moreno já não sabia mais o que dizer, ele apenas abraçava o castanho que o correspondia com a mesma força, intensidade e desespero.

– O que aconteceu? – Burt, Carole e Finn apareceram no topo da escada, provavelmente acordados pelo choro agudo do castanho. Blaine levantou os olhos lavados pelas lágrimas na direção do pai enquanto seu rosto se contraiu mais uma vez, então o mais velho entendeu tudo.

Elizabeth se fora.

Burt desceu as escadas correndo, tirando Kurt dos braços de Blaine que agora enxugava as próprias lágrimas. Carole aproximou-se do mais velho e do castanho que estavam abraçados e assim como Finn, ela abraçou-se a eles.

Depois de alguns minutos, todos estavam sentados na sala. Kurt tinha o seu olhar perdido na tela de seu celular, que era uma foto sua com sua mãe nos seus tempos de saúde.

Ela... Ela era boa demais para acabar desse jeito... Não posso deixar que ela apodreça embaixo da terra como apenas mais um pedaço de carne em decomposição... – O castanho sussurrava repetidamente para si mesmo enquanto novas lagrimas escorriam.

– O que você disse? – Blaine perguntou baixinho ao lado do castanho.

– Pai. – Kurt ignorou o moreno e chamou Burt que apareceu na sua frente rapidamente. – Traga o corpo de mamãe para cá.

– O que? Kurt, não é fácil fazer isso. Eu acho que é melhor enterrarmos ela lá. – O mais velho entendia o pedido do filho, mas aquilo era deveras complicado.

– Escute. – Kurt havia dado um pulo do sofá e tinha o dedo no peito de seu pai. – Eu sei que ela te traiu ok? Mas você não pode deixa-la lá. Ela não pode apodrecer embaixo da terra! Ela era melhor do que isso! Vamos cremá-la e jogar suas cinzas naquele campo florido que ela tanto amava aqui em Ohio. Você não entende? Ela precisa voltar para casa. Você sabe que ela só se mudou para Londres por causa do novo marido que logo a abandonou. Ela sempre amou Ohio. Aqui é o lar dela. Papai... Por favor. – O castanho agora chorava. – Pelo amor que você sentiu por ela. Pelo amor pelo qual eu fui concebido. Pelo amor que você sente por mim. Traga a mamãe para casa... – Kurt desabou pesadamente no sofá, recomeçando o seu sofrimento enquanto soluços e suspiros dolorosos escapavam de sua garganta novamente. Blaine sentou-se ao seu lado como um fiel escudeiro e o abraçou deixando todos, mesmo que estivessem abalados por causa da notícia, surpresos por Kurt não estar repelindo o “bastardo”.

– Filho. – Burt, depois de um tempo, ajoelhou-se ao lado do castanho que tinha a sua cabeça no ombro do moreno. – Eu juro, eu farei o possível e o impossível para trazer Elizabeth para casa. – O mais velho conseguiu ver o filho falar, sem som, um obrigado enquanto aceitava a xícara de chá que Carole o oferecia. Em poucos minutos, Kurt dormia no chão, onde era a cama improvisada de Blaine, enquanto Finn, Carole e Burt conversavam na cozinha, o moreno estava sentado ao lado de Kurt apenas o olhando dormir.

Blaine viu Kurt se movimentar e logo estavam se olhando.

– Mamãe era uma ótima cozinheira... – Kurt disse depois de um tempo, sorrindo fracamente. – Eu amava os cupcakes que ela fazia... Eram deliciosos... Ou as macarronadas... Ela era uma cozinheira de mão cheia.

– Eu não duvido disso Kurt... – O moreno pegou a mão do outro a apertando de leve.

– E-eu consigo ouvir a voz e a risada dela tão claramente nas minhas memórias... – O castanho já tinha a voz embargada. – Eu não tenho vídeos caseiros que me façam lembrar a voz dela como as outras pessoas sempre tem de seus familiares... E se eu esquecer? Você acha que um dia eu irei esquecer como era a sua doce, acolhedora e alegre voz? Ou o seu rosto? Acha que eu precisarei de uma simples foto para conseguir recordar como eram os traços delicados do seu rosto? – Kurt estava sentado de frente para Blaine chorando igualmente ao moreno. – Por que... E-eu tenho medo de que um dia eu irei esquecê-la... Acho que eu não conseguiria conviver com isso... – E lá estava o castanho mais uma vez nos braços de Blaine.

Ele não queria pensar naquilo agora. Ele só queria a pessoa mais próxima de si o confortando e lhe dizendo, mesmo que o castanho soubesse que era mentira, que tudo iria ficar bem. Ele apenas queria dar-se o direito de se render, por alguns momentos àquela dor que o esmagava sem dó nem piedade como se ele fosse um inseto. Ele queria gritar o mais alto possível, para conseguir expulsar aquela dor que queimava toda a sua alma. Ele queria acreditar que sua mãe nunca estivera doente e que aquela maldita ligação tivesse sido uma brincadeira de alguém.

Ele queria recordar todos os bons momentos que tivera com a sua mãe.

Ele apenas queria a sua mãe ali, segurando sua mão, como na musica que ela costumava cantar para ele antes daquela doença, quase todas as noites antes de dormir.

Deitado novamente, Kurt fechou seus olhos. E ali, nas suas lembranças ele tinha a ilusão de que sua mãe cantava para ele novamente.

“... Oh, yeah, I’ll tell you something

I think you’ll understand

When I say that something

I wanna hold your hand...”

Notas finais
Olá, como vocês estão? Tudo bem? Então, primeiro, eu sei que eu deveria ter postado ontem, mas não deu então desculpem-me por isso. Segundo: Eu deveria ter postado EHAR, mas eu não consegui escrever todo o capítulo por causa de um fucking bloqueio, então se eu conseguir posto amanhã. Terceiro: Sim, pra quem lê, amanhã sai LMTY e OM Quarto: Deixem reviews para eu saber o que vocês estão achando. Críticas e sugestões serão muito bem vindas :3 Beijos e até semana que vem s2