Could be, Who Knows?
7 I Have No Idea Where I am.
Notas iniciais
Blaine chegou em casa radiante naquela tarde. Havia passado um bom tempo com Sebastian e depois de terem se beijado por diversas vezes, o castanho havia pedido Blaine em namoro! E obviamente, ele havia aceitado. Correndo pela sala, tocando levemente os lábios na tentativa de recriar a sensação que os beijos do agora, namorado, haviam lhe causado, o moreno nem notou Finn, Burt, Carole e Kurt, que agora lhe observava curioso, reunidos esperando-o chegar.
– Blaine? – Burt o chamou quando o moreno já estava começando a subir as escadas.
– Sim, pai? – Refazendo seu percurso, Blaine parou na sala com sua família enquanto o olhar de Kurt estava sobre ele, analisando-o silenciosamente.
Kurt constatou que a roupa do irmão adotivo estava um pouco amarrotada, suas bochechas estavam coradas, seus olhos brilhavam um pouco mais do que o normal, seu cabelo cheio de gel começava a deixar livres seus cachos demonstrando que alguém havia passado os dedos por ali e o sorriso, o sorriso que o moreno tinha no rosto quando saiu de casa não se comparava ao que ele tinha agora.
– O corpo de Elizabeth chegou essa madrugada e já foi cremado. Nós estamos indo até o crematório buscar as cinzas. – O Hummel mais velho coçou a cabeça. Como diria aquilo para o filho?
– Oh, okay. Eu apenas irei lá em cima buscar um casaco. Já volto. – Blaine ia começar a subir as escadas quando a voz acida de Kurt o fez recuar.
– Você não vai. Eu disse que queria apenas a minha família nesse momento. – O sorriso sarcástico no rosto do castanho era realmente enorme.
Blaine cerrou os punhos e ainda de costas, fechou os olhos e respirou fundo. Kurt realmente era um idiota.
– Tudo bem. – Limitando-se a responder isso, o moreno subiu as escadas calmamente trancando-se no seu quarto e esmurrando o primeiro travesseiro que encontrou enquanto no andar debaixo, Carole, Finn e Burt repreendiam o castanho que agora mal os ouvia devido à música que tocava em seus fones de ouvido.
CBWK
– E-eu preciso fazer isso sozinho. – Kurt pronunciou, depois de fazer toda a viagem em silêncio, observando tristemente a pequena caixa em suas mãos, assim que o carro estacionou em frente ao campo florido preferido de Elizabeth. – Por favor, fiquem todos aqui.
– Kiddo, eu... – Burt nem precisou terminar de falar. O castanho já havia saltado do carro e caminhava até a parte mais florida do local, com passos lentos e arrastados.
Desde que havia colocado as mãos naquela pequena caixa escura, seus pensamentos estavam longe. Como a sua mãe tinha se reduzido apenas aquele pó?
Conforme ia avançando, memórias felizes na companhia de sua mãe assombravam a mente de Kurt, que agora, cada vez mais perto da área mais bonita e florida do campo, chorava dolorosamente. Ele sabia que aquele seria o último adeus.
Lembrou-se quando era recebido com abraços e afagos de sua mãe depois de um dia cansativo na escola. Lembrou-se de como ela o abraçava enquanto ele tremia de medo por culpa das tempestades. Lembrou-se de ouvi-la cantarolando alegremente pela casa.
Um sorriso brotou em seu rosto e secando uma lágrima ele recordou-se também de todos os xingamentos que ela lhe dava cada vez que fazia algo errado. Ah como ele sentiria falta daquilo!
Então, como que o puxando para os dois anos mais difíceis da sua vida, ele se lembrou de quando Elizabeth tinha descoberto a doença e que tentou de todas as formas esconder aquilo do filho e da mãe. Lembrou-se também de vê-la passando mal por culpa da quimioterapia que nunca havia dado resultado algum.
Revivendo em sua mente o momento em que sua mãe começou a perder a memória e não o reconhecia mais, Kurt quase desistiu de continuar. Ajoelhando-se ali mesmo ele observou o pôr do sol. Era sempre lindo, ainda mais naquele momento, iluminando as flores coloridas na grama.
Ah como ele queria que sua mãe estivesse ali para ver apenas mais uma vez o seu lugar favorito no mundo inteiro.
E ainda, para completar, lembrou-se do maldito dia em que recebeu aquela ligação no meio da noite dando-lhe a notícia, que, mesmo inconscientemente ele já esperava.
Com dor no coração, o castanho teve que admitir, pela primeira vez desde que tivera a notícia da morte de sua mãe, que, agora, ela não passava disso.
Não passava de uma lembrança.
– Ah mamãe... – Kurt fazia um esforço sobre-humano para não começar a chorar compulsivamente de novo. Ele tinha ensaiado um discurso na sua cabeça e o falaria sem chorar. Sua mãe merecia um adeus digno e o castanho daria isso a ela. – E-eu sei que você está em um lugar melhor agora. Todos me dizem isso. Você sabe que eu não acredito em Deus, mas espero que se ele existir, ele cuide de você. – Sua voz começava a falhar novamente.
Ele tinha que ser forte. Pelo menos, mais uma vez.
– Eu não consigo lidar com o fato de que agora, você só estará viva nas minhas memórias. Isso dói muito. – Lágrimas escorriam pelo seu rosto e sua voz estava irregular novamente. – Você sempre me disse para ser forte e ter coragem. Desde pequeno, sempre ouvi e acreditei nisso, mas agora... Droga, por que eu não consigo simplesmente me despedir? Por que eu tenho que ser um fraco? Eu tinha um motivo para ser forte todos os dias. Meu motivo era você, mamãe. E agora? O que eu vou fazer? – Kurt deitou-se sob as flores abraçando a pequena caixinha enquanto ainda chorava dolorosamente, mas em silêncio absoluto.
Decidido, o castanho levantou-se rápido depois de um tempo e abrindo a pequena caixa, falou olhando para o pó cinza como se realmente visse Elizabeth. – Farei isso rápido. Creio que se não fizer, eu nunca vou conseguir. – E ao terminar, ele espalhou o pó por todas as flores bonitas e coloridas que encontrou até não ter mais nada dentro da caixa.
Caminhando um pouco mais, ele encontrou um buraco e ali, enterrou a caixa que havia sobrado e virou de costas refazendo seu caminho até o carro enquanto lágrimas, que não tinham parado por um minuto sequer, escorriam pelo seu rosto.
Antes de sair completamente do campo, Kurt virou-se de costas e agora que já não havia mais sol, apenas a lua brilhando no céu, ele mandou um pequeno beijo com a ponta dos dedos.
– Adeus mamãe. Eu amo você. Para sempre.
E entrando no carro sem emitir nenhum som, o castanho era observado constantemente por Burt e Carole. Finn, que também estava na parte traseira do carro, aproximou-se mais e abraçando o irmão beijou-lhe o topo da cabeça em silêncio respeitando aquele momento.
CBWK
O jantar naquela noite decorreu da maneira mais silenciosa possível. Assim que terminou, Kurt subiu as escadas e entrando no seu quarto e de Blaine, deitou-se na cama e tentou não pensar em sua mãe. Ela estava bem e em paz agora e era aquilo que ele tinha que ter em mente.
O castanho nem notou quando o moreno entrou no quarto. Só percebeu que ele estava ali, quando ouviu a sua respiração, na cama improvisada no chão, ao lado da sua.
– Bastardo? – Kurt o chamou meio inseguro e sorriu ao ouvir Blaine bufando.
– Fale, Lady. – Blaine respondeu acidamente esperando a resposta mal criada que viria a seguir. Para o seu espanto, ela não veio.
– Eu... Bom, vou direto ao ponto. Eu não gosto de você e vou continuar não gostando, desculpe, mas isso é algo que não vai mudar entre nós. – O castanho tentava manter o tom pacifico, mas quando se tratava do moreno, era realmente muito difícil. – Mas eu estive pensando que, perto de papai e Carole, a gente poderia fingir se suportar, sabe como é, apenas para deixa-los contentes. Não sei quanto à você, mas as palavras do meu pai hoje, me fizeram pensar. – Kurt fez questão de dar ênfase ao “meu”, coisa que não passou despercebida ao moreno.
– Parece bom pra mim. – Blaine deu de ombros virando para o lado, encerrando o assunto na intenção de dormir.
Kurt permaneceu em silêncio. Então, supostamente, aquilo havia sido um sim por parte do adotado, certo?
CBWK
– Kiddo, vamos. Finn e Blaine estão esperando por você dentro do carro. Você não vai querer se atrasar para o seu primeiro dia na escola nova, certo? – Burt entrou no quarto falando animadamente e sorrindo, mas ao olhar para o filho o seu sorriso mudou. – Até quando você vai se vestir desse jeito? – O homem perguntou vendo Kurt vestido todo de preto. Elegante porém deprimente.
– Lutos não passam rápido. O senhor tem certeza de que eu preciso mesmo estudar? – A todo custo o castanho tentava dissuadir seu pai daquela ideia. Ele já havia ficado dois anos sem estudar, um ano a mais não faria diferença.
– Você vai, filho. Você precisa se distrair e conhecer gente nova, fazer amizades e não ficar só dentro desse quarto. Agora desça. – Aproximando-se do filho, Burt beijou sua testa o abraçando logo em seguida. – Boa sorte no seu primeiro dia. Qualquer coisa, chame Finn ou Blaine.
– Sim, qualquer coisa eu chamo um dos dois. Sem problemas. – Kurt forçou um sorriso saindo do quarto deixando um Burt surpreso para trás.
Claro que ele não chamaria ninguém, afinal, ele já era bem grandinho e sabia se virar. Colocando seus fones de ouvido, na tentativa de evitar algum tipo de conversa com os irmãos, o castanho entrou no carro em silêncio e logo Finn acelerou.
Quando viu o carro estacionar, antes que Finn ou Blaine falassem qualquer coisa ou explicassem algo ao irmão, Kurt saltou do carro praticamente correndo para aquilo que ele deduziu ser a porta de entrada.
Fazia muito tempo que ele não estava em uma escola e sentir-se só no meio daquelas pessoas aglomeradas o fizeram suar frio. Decidido a ignorar essa sensação, ele pegou o papel amassado de sua mochila onde tinha seus horários e o número do seu armário e seguiu pelo corredor até encontrar o que estava procurando.
Depois de abri-lo e colocar um novo segredo no cadeado, Kurt colocou todos os seus livros que não precisaria naquele momento e o seu casaco dentro do armário.
Quando fechou a porta, uma garota escorada no armário ao lado chamou-lhe a atenção. Ela vestia-se com uma camiseta preta um pouco gasta e rasgada com um grande “Fuck You” escrito na frente em cor branca, um short escuro com uma camisa xadrez vermelho e preto, amarrado na cintura e um coturno um pouco alto compondo o look.
Mas o que mais chamou a atenção do Hummel havia sido o cabelo cor-de-rosa da garota, assim como o piercing em formato de argola, preto, no seu nariz. Seus olhos eu aparentavam ser verdes, com uma camada excessiva de lápis de olho e rímel e por fim um pequeno sorriso nos lábios.
– Você deve ser Kurt Hummel, não? Irmão de Finn e Blaine. – Ela perguntou e por segundos, o castanho sentiu seu hálito com cheiro de cigarro barato.
– Sim, sou Kurt Hummel. E não, eu não sou irmão de Blaine. Ele é só um bastardo tirado de um orfanato, pela minha família. – Kurt rosnou quase sem perceber.
– Ei cara, relaxe. Eu também não gosto dele. Não gosto do jeito metido e muito menos daquelas gravatas borboletas ridículas e fora de moda. Sem contar que um dia eu pedi um tipo de ajuda pra ele, para, você sabe, dar uns amassos em Finn, mas ele se recusou a me ajudar e ainda foi contar para a namorada baixinha do irmão. – A garota agora gargalhava e Kurt começava a simpatizar com ela.
– Vejo que temos algo em comum então. – O castanho devolveu o sorriso.
– Eu me chamo Quinn. Quinn Fabray. – E estendendo a mão delicada com as unhas pintadas de preto, Kurt notou que ela tinha uma tatuagem pequena no pulso escrito Beth. – Você precisa de ajuda para encontrar a sua sala? – Quinn perguntou enquanto arrastava o garoto pelo corredor entrelaçando o seu braço com o dele.
– Sim. Toda ajuda é bem vinda. Eu não tenho ideia de onde estou. – Kurt confessou fazendo a garota ter outra crise de risos, que o levou a rir também.
E realmente, fazia muito tempo que ele não ria daquela maneira.
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