Could be, Who Knows?
8 I'm Not a Child.
Depois de exaustivas aulas de álgebra – coisa que Kurt realmente odiava – e ter de passar por todas elas assistindo Quinn dormir – pois foi aquilo o que a loira fez a manhã inteira – ainda tinha as pessoas dentro e fora de sala de aula que o paravam para perguntar se ele era irmão de Finn e Blaine.
O castanho dava a mesma resposta que havia dado para Quinn, algo como “Eu sou irmão do Finn e não do anão adotado”. Kurt ainda queria entender o porquê de todas aquelas pessoas conhecerem Finn e espantosamente conhecerem Blaine. Qual é, o garoto era um completo idiota, não deveria ser tão conhecido.
– Então senhorita Fabray, você poderia me informar como funciona essa escola? – Sentado nas arquibancadas, em uma parte isolada, mas que dava para ter uma grande visão do pátio da escola que estava lotado de alunos naquele momento por ser o intervalo, Kurt perguntou para a garota de cabelos rosa, que agora fumava um cigarro com cheiro ruim.
– Depende Kurtie. O que você quer saber? – Dando de ombros, Quinn jogou o seu cigarro fora e sentou-se de frente para o castanho que já tinha a pergunta na ponta da língua.
– Essa fama de Finn e do adotado. – A resposta veio rápida e a garota sorriu com aquilo. Gostava de pessoas assim. Gostava de pessoas como Kurt.
Depois de rir brevemente dos apelidos que o garoto colocava no irmão adotado, a garota explicou: – Bom, Finn é o quarterback do time de futebol então você pode ter uma noção do que ele representa para a escola. O time fica naquela mesa. – Quinn apontou para uma mesa grande, mais afastada com várias lideres de torcida e jogadores de futebol. Kurt rapidamente avistou Finn com uma garota baixinha, com franja e roupas de uma idosa no colo que ele deduziu ser a tal namorada que Quinn havia citado mais cedo. Havia também naquela mesa uma Cherrio latina sentada e ainda por cima com uma Cherrio loira em seu colo beijando-lhe o pescoço. Ok, aquele tipo de relacionamento parecia muito normal naquela escola.
– Se você for da turma dos populares, não faz diferença você ser gay ou hétero. Mas, se você for apenas um cara normal e porpurinado, aí as coisas ficam meio complicadas. – Quinn esclareceu ao perceber o olhar demasiadamente longo do castanho sobre as duas garotas.
Ignorando a amiga, Kurt voltou a analisar a mesa. Por que todos os jogadores de futebol eram parecidos? Talvez a violência que eles sofriam durante os jogos, deixava seus rostos deformados ao ponto de todos ficarem parecidos. Grandes e deformados trogloditas jogadores de futebol.
Mas então seus olhos pararam em um rapaz de cabelos castanhos, muito bonito por sinal – se não tivesse aquele ar de superioridade encarando a todos da sua mesa como se fossem inferiores a ele – com grandes dentes brancos, fazendo com que, quando ele sorrisse todo seu rosto se iluminasse e com a jaqueta do time de futebol. O que mais intrigou o castanho foi ver aquele garoto com um braço por cima do ombro de Blaine que o encarava com os olhos brilhantes enquanto o ouvia falar sobre algum assunto.
– Espera, Blaine faz parte do time de futebol? – O castanho realmente não podia crer naquilo.
– Não, mas ele namora Sebastian, um dos jogadores mais populares do time, então ele pode ficar naquela mesa. – Acendendo mais um cigarro, depois de dar uma tragada e receber um olhar feio do novo amigo, ela continuou. – Ele e Rachel, a namorada metida de Finn, fazem parte de apenas um clube da escola. O clube do Coral. Mais conhecido como o grupo dos perdedores. Eles ficam naquela mesa. – Seguindo o dedo da mais nova amiga, Kurt deixou seus olhos caírem sobre uma mesa um pouco mais afastada, nem tão cheia quanto dos jogadores.
O castanho avistou uma garota negra rindo com um garoto que estava em uma cadeira de rodas, um asiático dançando aparentemente sem música alguma, um garoto com um moicano, com uma expressão de tédio, mas que não desviava os olhos de Quinn. Tudo bem, Kurt perguntaria à ela sobre aquilo depois. Afinal, eles se conheciam há apenas algumas horas.
Havia também uma asiática cantando junto com um garoto que Kurt não conseguia ver o rosto. Ele esperou pacientemente o garoto se virar e então seu olhar se fixou nele. Ele era realmente bonito. Talvez até mais que Sebastian. O garoto era louro, com um cabelo liso e brilhoso, olhos claros, lábios carnudos e uma boca realmente enorme. O engraçado era que ele também possuía uma jaqueta do time de futebol, porém não estava na mesa vip da escola. Ele sorria enquanto continuava tocando violão olhando para a asiática que lhe sorria de volta.
– Oh, nem perca seu tempo. Sam é hétero. Mas existem outros lindos rapazes gays pela escola com quem você possa flertar descaradamente. – Quinn riu assim que percebeu o olhar demorado do castanho sobre o loiro.
– Ele é realmente lindo. – Kurt suspirou. – Mas como você disse, ele é hétero. Suponho que a asiática seja a sua namorada. – Depois de alguns segundos em silêncio, Kurt tornou a falar, olhando diretamente nos olhos de Quinn. – Espera. Como você... Como você sabe que eu sou gay? Quero dizer, eu não tenho certeza absoluta ainda, mas ao que tudo indica eu sou e bem... É confuso. – Com medo que alguém ouvisse, o castanho sussurrou a última parte da frase, fazendo a amiga rir.
– Está estampado na sua cara que você é gay, Kurtie. Mas, essa suas olhadas para o Seb e depois para o melhor amigo do seu irmão adotado, só confirmaram para mim, o que eu já tinha reparado, na primeira vez em que te vi.
– Melhor amigo do Hobbit? Ele é cercado por jogadores de futebol então? Mas me diga, por que ele não está com Finn e os demais?
– Bom, ele é aparentemente “humilde”. Quero dizer, Finn faz parte do clube do Coral, mas nunca senta com os perdedores e Blaine... Bom, ele sempre se sentava com Sam e a asiática chamada Tina, que são seus melhores amigos, mas assim que começou a namorar Sebastian, o que não faz muito tempo, ele raramente vai para aquela mesa. – Jogando longe o que restou de seu cigarro, Quinn deitou a cabeça nas pernas de Kurt que lhe encarava com um olhar interrogativo. – Ok, eu realmente fui com a sua cara e espero que possamos ser amigos Kurtie. Você é bem legal quando não está reclamando do mundo ou falando mal de Blaine. Não que não seja engraçado zoar o Hobbit número 2, mas toda hora enjoa. Enfim, vamos nos conhecer melhor. Pergunte algo enquanto eu vou pensando no que perguntar para você.
– Eu também fui com a sua cara Quinn, apensar de não usar esse tipo de palavreado. – A gargalhada da garota poderia ter sido ouvida à distância. – Mas ok, vamos nos conhecer. Por que aquele garoto mal encarado que se senta na mesa dos perdedores, não para de olhar para você? – Kurt sentiu Quinn ficar tensa por um momento, até que ela respondeu dando de ombros.
– Ele gosta de mim. Nada mais do que isso. – Vendo o olhar desconfiado do castanho sobre si, a garota suspirou. – Oh foda-se, já que vamos ser amigos é melhor você ficar sabendo por mim mesmo. – Estendendo o pulso na direção de Kurt, Quinn apontou com um outro dedo para o nome que estava escrito ali. – Eu nem acredito que vou te contar isso. Enfim, Beth é minha filha. Puck é o pai.
Kurt precisou de alguns minutos para digerir aquilo, em genuína surpresa: – Ok, você tem uma filha com ele? E você moram juntos ou algo do tipo? Ou se separaram?
– Eu dei minha filha para adoção. – Os olhos claros da garota se anuviaram, mas ela logo disfarçou. Kurt decidiu guardar suas perguntas para depois.
– Resumindo, eu participava do Glee Club e sim você ouviu bem, eu e Finn levamos um pouco de popularidade para aquele lugar. Ah eu também frequentava o clube do celibato, era a líder das Cherrios, namorava o quarterback do time de futebol. Estávamos no topo. Eu era a garota mais popular e exemplar dessa escola e todos me invejavam. Mas então eu dormi com Puck por algum motivo idiota e quando eu vi já estava grávida, você pode imaginar o choque que eu tomei. – Suspirando pesadamente, Quinn viu que tinha toda a atenção de Kurt para si. – Eu menti por um tempo que o filho era de Finn, mesmo que nós nunca tenhamos feito sexo.
– E ele acreditou? – Kurt poderia facilmente congelar seu rosto naquela expressão de surpresa.
– Seu irmão é mais idiota do que você pode imaginar. – Depois de rir um pouco, a garota remexeu sua cabeça inquieta e logo sentiu dedos delicados e finos massageando seus cabelos. – Depois eu contei a verdade e enquanto Puck tentava me convencer a ficar com o bebê eu dizia que não queria. Eu fui expulsa de casa e passei um tempo na casa de Mercedes, a garota negra sentada na mesa do clube Glee. Sabe, às vezes eu sinto falta deles.
Quinn olhou amargamente para seus antigos amigos. – Eles realmente me ajudaram nesse momento delicado e complicado da minha vida. Mas quando eu sinto falta deles eu digo, foda-se e continuo tocando minha vida. – Ela riu nervosamente enquanto Kurt observava suas reações. – Então quando Beth nasceu eu quase me arrependi da decisão de não ficar com ela. Mas eu fiz. Sabia que Shelby seria uma mãe muito melhor do que eu. Obviamente eu continuo amando minha filha incondicionalmente e mesmo que Shelby tenha dito para eu visita-la, eu não acho que essa aproximação seja boa. Puck a visita com frequência e sempre me diz o quão ela se parece comigo. Isso realmente me faz sofrer. Eu não quero correr o risco de fugir com Beth para tê-la de volta caso eu me aproxime. Ela está bem sem mim.
Kurt viu a mais nova amiga acariciar a pequena tatuagem em seu pulso. – Então eu perdi os amigos, a popularidade, o namorado, o cetro de rainha da escola... Sai das Cherrios e do Glee Club, arrumei alguns maços de cigarro, fiz algumas tatuagens, coloquei alguns piercings e tingi o cabelo de rosa. Agora estou aqui feliz e animada, contando a minha vida para o desconhecido mais porpurinado que eu já conheci, mas que mesmo eu tendo conhecido há pouco tempo, mais precisamente, algumas horas, me passou tanta confiança que me fez contar coisas que eu não diria para qualquer outra pessoa. Enfim, essa é a minha história.
– E-eu realmente sinto muito Quinn. Por tudo o que você passou. E-eu não podia imaginar... – O castanho murmurou fazendo a garota levantar-se e a abraçou instintivamente.
– Ah, qual é, ninguém pode ver a gente se abraçando, vai manchar a minha reputação. E você, Sr. Resmungão, parece todo durão, mas é na verdade uma manteiga derretida que se deixa comover com qualquer história triste. Me poupe Kurtie. – Quinn riu vendo a expressão de tédio na cara do amigo.
– Vá se ferrar Fabray.
– Ok, se você não escutou esse é sinal avisando que temos que voltar para a aula. Então levante já essa sua bunda porpurinada do chão e me acompanhe.
Revirando os olhos, o castanho obedeceu a amiga e quando já estavam na metade do caminho caminhando lado a lado, Kurt tornou a falar: – Por que para você tudo em mim se resume à algo porpurinado? Ser porpurinado, bunda porpurinada...
– Por que eu nunca tive um amigo gay e eu estou entusiasmada com isso. Agora vamos querido, você não quer se atrasar para a aula de espanhol, quer? Mr. Schue é um gato. – A garota piscou entrelaçando seu braço com o do amigo que lhe olhou de maneira triste.
– Espanhol. Aprenda algo sobre mim: Eu odeio essa língua e nem se fosse o Rick Martin como professor, eu iria gostar.
E apertando mais o braço da outra, os dois seguiram pelo corredor conversando animadamente pelo corredor. Mesmo sorrindo, Quinn lançava olhares feios para as pessoas que lhe encaravam demais e mal percebeu sob si, os olhares admirados de Puck – que nunca mais tinha visto a amada sorrir tão docemente daquela maneira, já que ela preferia se isolar da escola sentada embaixo das escadas – alguns integrantes do Glee Club que estavam tão admirados com a cena como o resto da escola, Sebastian que não tirava os olhos do castanho de olhos azuis e Blaine que tentava entender como Quinn havia se aproximado do seu irmão adotivo.
Mesmo não entendendo, ele estava feliz pelo outro, já que seu primeiro dia numa escola nova não tinha sido tão horrível assim.
CBWK
– Crianças! Vocês já chegaram! Kurt me conte, como foi o seu primeiro dia? – Burt perguntou empolgado assim que viu os três filhos atravessarem a porta.
Passando reto pelo pai, Kurt jogou-se no sofá completamente exausto. Como previu, seu pai lhe seguiu e sentou-se ao seu lado enquanto Finn e Blaine imitavam Kurt.
– Foi muito ruim? – O mais velho dos Hummel, realmente tinha medo da resposta. Ele queria que seu filho se sentisse em casa e ser rejeitado na escola no primeiro dia de aula não era um bom começo.
– Tirando as aulas chatas... Foi normal. Eu até fiz uma amiga. Seu nome é Quinn. – Kurt sorriu ao lembrar-se da garota e Blaine pensou que ele poderia ter se interessado pela estranha Quinn Fabray.
– Mas isso é ótimo meu filho! – Burt sorriu abraçando o castanho que sorriu
– A garota mais estranha da escola. – Blaine completou, recebendo um olhar mortal do irmão adotivo.
– Você não a conhece, então não fale dela seu bastardo. Sem contar que esse assunto não lhe interessa. – Kurt rosnou com os olhos faiscando de raiva.
– Ok, pai vou subir e me preparar para a festa de hoje. Aliás, Kurt, Finn te convidou? – O olhar de Blaine fez Kurt quer pular no pescoço dele e esganá-lo.
– Não. E mesmo que ele me convidasse eu não iria. Ainda mais com você. – Olhando de soslaio para o mais alto que se encolhia no sofá, o castanho revirou os olhos. Mesmo não querendo, ele se sentiu excluído.
– Eu acho que você deveria ir. Vai ser bom para você. – Burt aproveitou para se intrometer antes que seus filhos começassem a se engalfinhar no meio da sala de estar. Ele estava realmente farto daquilo.
– Deixe pai. Crianças não devem sair à noite. – Blaine cruzou os braços na frente do corpo olhando com superioridade para o castanho que imediatamente ficou em pé, com um dedo apontado na altura dos olhos do moreno.
– Quem você chamou de criança Hobbit adotado?! – Kurt exclamou olhando dentro dos olhos coloridos e bonitos de Blaine.
– Você. Que não pode sair à noite por ser uma criança com medo do escuro. – E virando as costas, o moreno subiu as escadas deixando o castanho indignado falando sozinho.
– Finn. – O castanho virou-se bruscamente para o outro que lhe olhava desconfiado. – Me dê o endereço e a hora que começa essa festa.
– Por que? – A pergunta havia saído toda enrolada dos lábios de Finn. Ele estava confuso, tentando entender.
– Eu vou mostrar para esse bastardo quem é criança aqui. – Kurt falou mais para si mesmo do que para seu irmão e seu pai que o olhava preocupado.
Burt previa confusão.
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