Cosmic Love
8 What I'd do to have you here...
Notas iniciais
Regina anda até sua casa encarando o chão; alguns de seus conhecidos passam despercebidos, em quanto ela pensa na volta de Emma. Seus sonhos vinham avisando há algum tempo, e desde o primeiro momento ela sabia o que estava por vir; só não conseguia acreditar, não queria acreditar. Desde quando Mary Margaret ficou doente, foi avisá-la, foi o conhecido “eu te disse”; “eu te disse que toda magia vinha com um preço, e o seu foi bem... mais alto, porque você não é um ser mágico.”. Mas tentava se convencer que nada mais importava, Snow havia destruído tudo a anos. Ela entra em casa e desaba no sofá, com uma preocupação que seu rosto transparecia; tira seus sapatos com os pés e se aconchega. Adormece, pensando em quão tenso poderia ser, tendo Emma Swan de volta a Storybrooke.
A luz do sol invade o quarto, colorindo os móveis e paredes de laranja; ela sente o calor na sua coberta, e a joga no chão. Se remexe durante alguns minutos, levanta ao perceber que era não iria conseguir voltar ao sono. Para em frente ao espelho, escovando os dentes pensa no que poderia fazer. Não era ideal pra ela estar de férias em uma cidade onde não tinha nada para fazer, principalmente às oito e quinze da manhã. Botou uma calça, a jaqueta de couro e foi em direção ao Granny’s, tomar café.
No caminho, não passou por ninguém, apenas dois desconhecidos. Aparentemente, aquela cidade acordava tarde, e isso já era um ponto positivo; alguma hora do dia ela poderia ficar sozinha aos redores, sem pessoas se preocupando com ela e sua mãe, como fora no dia anterior. Tinha ido dar uma volta nas ruas, para se lembrar e, vários amigos de sua mãe, que lembrava vagamente, abordaram-na e ofereceram suas preces e preocupações; Emma quase tinha ficado sufocada com tantas perguntas, sorte que Hook estava ao seu lado, e sempre a livrava depois de dois minutos ou três. Os mais importantes, os amigos de infância, ainda não tinha encontrado, e pretendia fazer isso hoje. Eles eram alguns dos motivos pelo qual resolveu voltar pra uma visita; todos eram realmente unidos naquela época e ela sentia falta desse tipo de amizade.
Os barulhos das suas botas que ecoavam nas ruas vazias, acompanhavam a batida de seu coração; aquela fraqueza vinha à tona de novo e, aquilo já a estava deixando com raiva. Recapitulou todas as vezes que aquilo acontecia, e percebeu que todas as vezes que encontrara com Regina, aquilo tinha acontecido. Achou que fosse só uma coincidência, e continuou seu caminho à lanchonete respirando fundo. Depois de ter acontecido algumas vezes, Emma conseguia levemente controlar aquele distúrbio momentâneo. Entrou no Granny’s e foi direto ao balcão pedindo um chocolate quente com canela em cima; notou as poucas pessoas sentadas “Um Starbucks iria a falência aqui” pensou.
Regina notara a chegada da loira e como acontecia toda vez que a via, seus pulmões contraíram, sentia o sangue correr em suas veias. Não acreditava que já de manhã sentia aquilo; depois de tantas noites que conseguiu controlá-lo, depois de tantas noites que conseguiu, pode-se dizer, um sono quase tranquilo, isso bastava; depois de tantos dias que passou, sentindo o buraco em sua alma arder, conseguiu dar um rumo à sua vida; depois de tantos dias que passava torturando-se, pensando que ela iria voltar, e depois de um tempo “aceitou” que não iria acontecer. Depois de todos esses dias e noites, quando cogitou que estaria, de uma vez por todas, superando o passado sinuoso, que estaria finalmente fazer as coisas que fazia, geralmente em sua companhia, sem sentir o olho arder; ela volta.
Quando Mary Margaret adoecera, considerou que Swan voltaria, mas descartaria essa opção horas depois, quando lembrava, dolorosamente da briga que mãe e filha tiveram antes da mais nova ser praticamente exilada, para fora do país. A cada minuto que a doença se aprofundava em cada órgão do corpo da professora, a esperança e o medo de Regina cresciam simetricamente em seu psique. Sabia que ela voltaria de qualquer jeito, mesmo pela briga, Emma não deixaria a mãe quando a mesma se definhava fortemente a cada mês. Algum tempo depois dessas considerações, começaram a surgir sonhos que tinha certeza sobre o que era. E depois, mais ainda, quando ela reconheceu o rosto neles. O mesmo rosto em todos os sonhos. O mesmo rosto toda noite. Estava revivendo tudo que acontecera à dez anos atrás. Toda manhã, seus olhos ardiam e via a paisagem de seu quarto em prismas coloridos, devido às lagrimas que se formavam em seus olhos. Sua vida havia voltado à melancolia total. E estava disposta a aceitar que odiava Emma Swan por isso.
O chocolate quente foi posto na bancada; a loira bebericou, apoiou de volta no balcão, virou e se deparou com Regina, de jornal aberto na sua frente, olhando para o teto. Pegou a bebida e se moveu. –Então você tem um tipo de poder mágico que consegue ler o jornal sem olhar pra ele?- Emma se sentou e sua voz causou grande impacto na outra mulher a sua frente, quando a mesma, dobrou o jornal e sentiu sua face começando a esquentar.
– O que?- disse com uma irritação aparente na voz
– Quando eu morava aqui, você passava o dia inteiro na prefeitura, raramente a via, há quanto tempo frequenta a cidade? – Emma sorriu cinicamente e sentiu o líquido descer queimando a sua garganta, quando entornou um gole grande. Viu Regina fechar os olhos, apertar e esfregar as mãos, ficando uns segundos em silêncio. — Não é muito de falar de manhã, prefeita?- terminou de beber, se levantou, deixou uma nota de dez dólares no balcão, vestiu a jaqueta, que havia deixado na arara da lanchonete quando entrara. – Aliás, o jornal da cidade está uma merda. Passarei hoje à tarde, quando seu humor tiver melhor, para dar umas dicas à senhora.- pronunciou essa última palavra de forma cinicamente respeitosa, piscou e saiu. Regina continuou a olhar para a porta de onde Swan havia deixado o estabelecimento. “Senhora?!”
Enquanto ia em direção ao hospital, Emma sentiu a confiança crescer dentro de seu peito. Tinha conseguido lutar contra aquelas desordens caóticas dentro de seu corpo. E... ainda tinha conseguido uma desculpa esfarrapada para ver Regina mais tarde, levando em conta que ainda não tinha visto o jornal da cidade; tudo estava indo como previsto. Quando sorriu, sua intenção era de ser um sorriso confiante, irônico, mas ficou surpresa quando viu que não era superficial. Estava realmente feliz de saber que veria Regina novamente. “Que infantil” fez uma careta e parou no jornaleiro. Bem... o encontro não seria em vão, só pela rápida olhadela, viu que o jornal era mesmo ruim. O guardou na bolsa e seguiu durante um quarteirão para ver sua mãe.
A prefeita havia saído da lanchonete há uns dez minutos e já se sentava na cadeira de seu local de trabalho. Seu rosto pesava sobre suas mãos, sentiu uma lágrima quente por entre seus dedos e logo levantou a cabeça secando-a. “Ela não lembra de mim” seu rosto se contorceu, pronto para se desabar em uma inundação. “Claro que ela não lembra de mim. É claro que não.” Regina deposita um soco forte na mesa à sua frente, mas logo se recompõe, ajeitando o blazer cinza, secando seu rosto, mais uma vez, com as costas da mão.
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