Cosmic Love
1 Prólogo - The Blond-O-Sonic Shimmer Trap
Notas iniciais
Holanda, Amsterdã, dias atuais.
No começo de novembro, o frio já começava a aparecer na Europa. As ruas já desapareciam embaio da longa camada de neve que as cobriam. Emma sempre achou que, apesar de não gostar muito, o frio dava uma elegância a mais, nos lugares e nas pessoas.
Swan andava apressada, tinha esquecido o sobretudo em casa, mas estava atrasada e não podia voltar. Ela sentia a neve queimar em seu rosto. Estava atravessando a rua Molukkenstraat quando sentiu seu estômago se contrair; lembrou que não comia desde a tarde do dia anterior. Olhou a hora, tinha uns dez minutos de vantagem e também precisava se esquentar, então continuou durante um quarteirão e entrou em um Starbucks. Esfregou as mãos em um ato reflexo, e fez seu pedido; um café, e um croissant para viagem.
Saiu de lá faltando cinco minutos para a reunião. Acelerou o passo e repassou todos os assuntos a serem discutidos, que foram combinados com a editora de moda, Florence um dia antes; a tendência de peças claras no inverno, sapatos de couro, o porque dela ter escolhido fotografar no Vondelpark, o cabelo avoaçado e a maquiagem mais escura das modelos.
De longe, avista o irrefutavelmente elegante prédio, com o símbolo "Vogue" em preto. Emma sorri ao avistá-lo; durante sua faculdade de direito em Oxford, nunca pensava que conseguiria seguir sua paixão pela fotografia profissionalmente. Apesar da adrenalina que tinha os tribunais, as defesas, as provas, as testemunhas, ela preferia a magia de tornar momentos passageiros em eternos. Gostava do jeito que uma simples mudança de ângulo alterava completamente a imagem. E quando fez a entrevista e conseguiu o emprego, justo na Vogue, foi uma das melhores experiências que ela já vivenciou.
Quando adentrou no décimo terceiro andar, Florence batia os pés inquieta na frente da sala fechada de reunião; quando viu Emma, soltou um suspiro aliviado.
–Graças a Deus! Só faltava você. Pega as fotos e entra.- Emma jogou as coisas na sua mesa, tirou o cachecol e o blazer. Vestia uma camisa social branca Calvin Klein, uma calça jeans preta skinny Diesel e uma bota de bico fino, de cano baixo preto verniz Chanel. Florence reflete antes de entrar na sala e se vira — Você não ta com frio?- olha para a apressada garota à sua frente.
–Esqueci o sobretudo em casa- Emma atravessa a sala e pega o braço da ruiva — Vamos. — Elas adentram a sala fechada.
Uma hora depois, Emma desaba na cadeira e fecha os olhos. Florence se apoia na mesa e a olha, os cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo, sua expressão estava atormentada, a respiração ofegante e agora o primeiro botão de sua camisa, desabotoado.
–Você tá bem? — a editora fala timidamente cutucando Swan com o pé.
–Não sei, eu acordei sobressaltada depois de um pesadelo, minha cabeça ainda tá um pouco fora do eixo. — Emma não lembra do pesadelo, só flashes de uma fumaça roxa indo bruta e rapidamente em sua direção. Ela tinha cordado suando e estava sentindo sua garganta arranhada, então provavelmente havia gritado.
Seu estômago se contrai novamente e a lembra que ainda não tinha comido. Ela pega o pacote da lanchonete da bolsa, e tira o copo de café do suporte. Florence apoia a mão no café.
– Vai para casa... Não tem mais nada para fazer hoje mesmo... só pesquisa, que você pode fazer em casa. Descanse, e volte ótima amanhã, para discutirmos como vai ser a sessão de fotos da Kate Moss. — diz sorrindo. Emma meneia a cabeça. Ela não estava em condição de protestar; tomou um gole de café, botou o blazer, o cachecol e pegou sua bolsa.
–Obrigada — ela sorri pra ruiva à sua frente; então sai do prédio em direção a sua casa.
No caminho pensa, pensa que é realmente sortuda, por morar numa cidade como aquela, ter um trabalho como aquele, o dinheiro que tem, que não é pouco, uma parte e seus pais; Mary Margaret e David, que viviam em uma cidade interiorana, no Maine; os amantes que tinha, homens e mulheres. Mas sentia alguma coisa errada, em relação a Storybrooke; resolveu fazer uma ligação de noite para saber se estava tudo bem.
Mas antes de ter esse trabalho, quando chegou no seu prédio, o porteiro a chama.
– Tem um senhor que gostaria de vê-la. Disse ser seu amigo.- o rapaz apontou em direção ao sofá perto da porta. Emma foi em direção à ele e parou em sua frente.
– Pois não?- viu o homem levantar a cabeça e em seguida se erguer, abrindo um enorme sorriso.
–Emma?- ele a puxa para um abraço. Ela fica atordoada.
–Sim, m-mas, quem é você?- Emma o afasta, tão delicadamente quanto possível, e o olha nos olhos.
– Sou eu, Hook!-
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