Cosa Nostra
11 Capítulo 10: Castigo
Notas iniciais
Mas aquela troca de olhares foi o suficiente para nós dois nos entendermos. Tanto eu quanto ela sabíamos que jamais falaríamos sobre o que havia acabado de acontecer.
Jamais. Afinal, tem merda que deve ser esquecida. E às vezes, é para o seu próprio bem.
Como castigo por não termos defendido com sucesso as bandeiras, nós tivemos que fazer uma caminhada de quatro horas em um lamaçal. Na verdade, era uma espécie de lago raso, mas com lama... muita lama.
A Swan tinha colocado um relógio dependurado em uma árvore para sabermos quanto tempo faltava. O que era uma tortura, porque toda hora eu olhava para a droga do relógio e o tempo parecia não passar.
O cheiro do lamaçal era insuportável, tanto que chegava a embrulhar o estômago. A lama atrapalhava a nossa caminhada, praticamente prendendo nossos pés ao chão. Nós tínhamos que fazer o dobro de força para caminhar.
E para piorar a situação, no meio do lamaçal, tinham raízes de árvores que formavam obstáculos, o que apenas dificultavam ainda mais a caminhada.
Mas essa não era a pior parte. O pior era ter que cantar a maldita música durante todo o percurso:
“Eu sou incompetente.
Eu sou um idiota.
Perdi pr’um ‘boina verde’
E agora eu sou chacota”.
Enquanto caminhávamos no lamaçal, a General Swan ficava nos vigiando da margem. Ela estava parada, com a coluna reta. Os braços cruzados sobre o peito. Seu olhar era predatório e analisava tudo e a todos. Ela não permitia que ninguém parasse de cantar ou sequer diminuísse a velocidade da caminhada.
Enquanto caminhávamos, o sol se pôs e o campo todo escureceu. As luzes do campo acenderam e o Coronel Hale e a Major Brandon ligaram uma lanterna enorme para iluminar melhor o lamaçal.
Uma determinada hora, o Coronel Hale falou alguma coisa ao ouvido da General Swan e ela assentiu. Logo depois, a Swan saiu com ele e deixou a Major Brandon no comando.
A Major Brandon então ordenou que nós aumentássemos o ritmo da nossa caminhada, porque segundo ela estávamos “lentos igual a uma tartaruga”. Ela também decidiu mudar a merda da musiquinha que cantávamos. Agora, a música era assim:
“Eu sou um novato.
Um novato eu sou.
Se eu não desistir,
Pro inferno agora eu vou”.
Depois de passada as malditas quatro horas, saímos do lamaçal. Mas antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, a voz da Swan invadiu o campo, como um trovão:
- Em posição, novatos.
Nós entramos em posição devagar demais. Ela bufou, contrariada com nossa lentidão, mas qual é??? Estávamos todos cansados, com fome, com dor, suados e sujos de lama.
Ela se aproximou de nós. Então, eu percebi que a maldita estava de banho tomado. Do jeito que ela era, capaz de ter sido de propósito. O Coronel Hale também se aproximou e parecia que ele também havia tomado banho.
- Descansar. – ela ordenou e nós a obedecemos.
- A cada dia que passa, eu me pergunto o que os senhores acham que estão fazendo aqui? – ela perguntou – Por acaso, os senhores estão pensando que estão um acampamento de férias?
Ah! Fala sério! Nós não estávamos em um acampamento de férias. Claro que não, até porque eu podia garantir que estávamos era no inferno mesmo. E mais. Que o diabo era uma mulher baixinha de olhos e cabelos castanhos.
- Não senhora. – nós respondemos.
Eu também respondi “não senhora”, mas a minha vontade era mandá-la para a puta que lhe pariu. Isso sim.
- Pois cada dia que passa, eu tenho cada vez mais certeza que os senhores são uns incompetentes. – ela falou.
- Sim senhora. – nós respondemos.
- Eles concordam com você, General. – o Coronel Hale falou com desdém – Eles mesmos sabem que são incompetentes.
A Major Brandon e a Major Weber riram debochadas.
- Tomem um banho rápido e depois, os senhores estão liberados para jantar. – ela falou e se virou, indo embora junto com os outros ‘boinas verdes’.
Eu e os outros novatos fomos para as nossas cabanas. Eu fiquei um pouco para trás, porque não estava com saco para escutar a conversa deles. Ora, eu já tinha coisa demais na minha cabeça.
Eu estava andando distraído quando senti uma mão segurar o meu braço com força. Eu tomei um susto, porque realmente não esperava por isso. Eu parei de andar e olhei quem era.
- Algum problema, Coronel? – eu perguntei ao Coronel Hale, que me encarava.
- Não, novato. Nenhum problema. – ele me disse sério – Na verdade, só um aviso. Fique longe da General Swan. Para o seu próprio bem.
- Eu não sei do que o senhor está falando. – eu falei, me fazendo de desentendido.
O cara parecia ter alguma com a Swan... desde Fort Hamilton, eu desconfiava disso. Eles viviam juntos e com conversinhas ao pé do ouvido. Por certo eram íntimos. E cada vez, eu tinha mais certeza. Então, eu nunca ia admitir nada sobre o que aconteceu com a Swan, especialmente para ele.
Além do mais, o que eu podia falar? “Sabe Coronel... durante a briga, eu rocei na sua mulher e foi uma delícia?” Nunca! Eu era errado, não tinha moral ou caráter, mas não era idiota.
- Eu não te conheço, novato, mas eu a conheço muito bem. Como a palma da minha mão. – ele disse – Então, siga meu conselho e fique longe dela. Vai ser melhor para você.
Ele se virou e saiu. Eu fiquei olhando ele se afastar e passei a mão nervosamente pelo meu cabelo. Merda! Se não bastasse o idiota do Black, agora eu estava na lista negra do Coronel Hale. Era só o que me faltava.
...
Eu e os outros novatos já tínhamos tomado banho e jantado, ou melhor, engolido a comida. E agora, nós estávamos na porta da nossa cabana, que era iluminada pela luz de um poste improvisado.
Enquanto eles estavam de pé em frente à cabana, falando de mulher, eu estava sentado no chão, encostado em uma árvore do lado da cabana, apenas fumando meu cigarro, quieto no meu canto.
Os idiotas estavam praticamente disputando quem tinha comido mais mulher. Grande bosta! Como se todo homem ficasse contando quantas mulheres já passaram em sua cama... na boa, tem uma hora que você simplesmente perde a conta.
Eu revirei os olhos, entediado com a conversa alheia. Conversa não. Amontoado de mentiras. Porque se tudo que eles falassem fosse verdade, não haveria mais nenhuma mulher na face da Terra que eles não haviam comido.
- Edward? – Mike me chamou.
- Oi. – eu respondi sem vontade e sem olhar para ele, dando um trago no meu cigarro.
- O que aconteceu entre você e a General hoje no treinamento? – ele perguntou cauteloso – Parecia que vocês estavam se pegando.
Eu soltei a fumaça pela boca, sem querer falar qualquer coisa sobre esse assunto.
- Nós estávamos nos pegando, Mike. – eu respondi impaciente – Ou você não percebeu que estávamos em uma merda de uma briga?
- Não, Edward. Eu quis dizer se pegando mesmo... – ele falou – Não brigando ou lutando... mas se pegando mesmo.
Eu bufei. Esse era um assunto que eu realmente não queria sequer me lembrar. Ainda mais conversar sobre ele com esse bando de idiotas.
- Impressão sua, Mike. Nós estávamos brigando e nada mais. – eu respondi com muita má vontade.
Essa conversa tinha me feito perder até a minha vontade de fumar. Eu bufei e joguei meu cigarro fora, frustrado e com raiva de mim mesmo.
- Qual é Edward? Vai ficar amarrando informação? – Royce falou de uma forma irritante demais para o meu gosto – Conta para gente como é encaixar naquela vadia. Deve ter sido muito gostoso.
- Fica na sua, idiota. – eu respondi me levantando.
- Está se achando o melhor do grupo só porque tirou uma casquinha da gostosa da Swan? – Royce perguntou – Divide com a gente, cara.
Eu respirei fundo e fui entrar na cabana, antes que eu quebrasse aquele imbecil na porrada. Mas ele me impediu, me segurando pelo braço.
- Me diz, Edward. A Swan é tão gostosa quanto parece... ou é mais? – ele continuou falando – Sabe que toda noite eu sonho que eu estou fudendo bem gostoso aquela mulher. E sempre acordo de pau duro.
Eu não gostava da forma que ele falava da General. Todo homem falava essas coisas, mas a maneira que ele falava era... nojento. Sei lá. Só era estranho.
Minha paciência, que já era pouca, estava se esgotando. Mas o maldito continuou falando irritantemente:
- Sabe que eu tenho vontade de pegar aquela vadia à força e meter bem forte nela. Só para vê-la perder toda aquela pose de dona do mundo. Mas quem sabe... às vezes depois de hoje eu tenha uma chance com ela também?
Eu senti o meu sangue ferver e tentei me desvencilhar, mas ele segurou meu braço com mais força.
- É... com certeza, eu vou ter uma chance com ela. – ele falou sorrindo maliciosamente – E só para constar, eu vou dar uma surra de pau naquela vadia que ela não vai nem lembrar o próprio nome.
Sem pensar duas vezes, eu o soquei com toda a minha força. Ele se desequilibrou e caiu no chão. Eu não enxergava nada na minha frente, a não ser aquele maldito linguarudo.
- Agora, eu quero ver você engolir todas as palavras nojentas que você falou. – eu cuspi com fúria.
Com ele caído, eu comecei a chutá-lo. Com toda a minha força. Com toda a minha raiva. E com toda a minha frustração.
Mike, Ben e Eric tentaram me segurar, mas eu estava completamente descontrolado e eles não conseguiam me impedir. Eu sabia que eles estavam falando alguma coisa comigo, mas as vozes pareciam estar longe demais e eu não os ouvia direito.
Eu continuei chutando o desgraçado. Eu simplesmente não conseguia parar. Eu bem que tentava, mas as palavras daquele maldito vinham na minha mente e eu não conseguia me controlar.
Eu só sabia chutar, chutar e chutar aquele filho de uma puta.
Até que me carregaram. Eu senti meus pés saírem do chão. Só então, eu parei. Eu olhei para o lado e vi que eram o Coronel McCarty e o Coronel Hale. Eles me colocaram encostado contra a parede da cabana.
Os dois me seguravam com força. E eu respirei fundo algumas vezes, tentando me acalmar.
Eu olhei para frente e vi que Royce estava no chão, todo ensangüentado e se contorcendo de dor. A General Swan e a Major Brandon estavam em pé ao lado dele, o olhando.
- Podemos te soltar, Cullen? – o Coronel McCarty perguntou.
Eu apenas assenti, balançando a cabeça. Eles me soltaram e eu passei a mão pelos meus cabelos.
- General, ele precisa ir até a enfermaria! – o Coronel Hale falou tranquilamente enquanto olhava para Royce no chão.
- Não. – ela negou balançando a cabeça negativamente e continuou olhando para Royce no chão.
O Coronel Hale, então, foi na direção da Swan e parou ao seu lado.
- Swan, Royce precisa ir à enfermaria com urgência. – ele falou tranquilamente – Pelo menos para termos certeza que ele não quebrou alguma coisa.
- Não! Eu quero saber o que aconteceu! – ela falou friamente com o Coronel e olhou novamente para Royce – Se você não se levantar imediatamente novato, eu mesma te expulsarei desse treinamento a chutes!
Royce bem que tentou obedecer a General, mas não conseguiu se levantar. Ele realmente estava mal... todo arrebentado. Ele gemia de dor e tentava, mas não conseguia se levantar de jeito nenhum.
De repente, a General se aproximou de mim. Saiam faíscas de ódio dos seus olhos. Ela respirou fundo antes de falar, me encarando intensamente.
- Eu quero um motivo que justifique para você quase matar o seu colega a chutes, novato. – ela exigiu saber.
Eu fiquei calado e ela se aproximou mais de mim. O cheiro de morango me invadiu e eu balancei a cabeça, tentando não me afetar pelo seu cheiro.
- Isso é uma ordem Primeiro Tenente. – ela deu ênfase ao “primeiro tenente”.
E eu sabia o motivo. Eu tinha obrigação de explicar o que estava acontecendo, porque ela era um general e havia me dado uma ordem enquanto eu era apenas um merda de um primeiro tenente. Mas eu simplesmente não conseguia falar.
Por causa do meu silêncio, ela me deu um soco, exatamente como eu tinha feito com Royce. Eu nem me recuperei e ela me socou mais uma vez. E de novo. E de novo.
- Vai descumprir uma ordem minha, novato? – ela perguntou em tom de ameaça – Tem certeza disso?
Ficar alguns segundos calado foi o suficiente para ela me dar mais um soco e depois me jogar no chão. Eu sentia o gosto de sangue na minha boca. Quando eu estava no chão, ela me chutou na barriga. Cara, isso doía para caralho!
Mas ela não parou... continuou me chutando. Porra! A maldita tinha força. Então, de repente ela parou. Ainda caído, eu a olhei e seus olhos eram indecifráveis.
- Isso é para você aprender a me desobedecer, seu imbecil. – ela disse.
Eu vi que o Coronel Hale estava com a mão em seu ombro. Provavelmente ela só parou de me chutar por causa dele. Ela se virou e deu dois passos para longe de mim.
- Eu vou contar até três e quero os dois em pé, na minha frente. – ela falou com raiva – Um. Dois. Três.
Quando ela acabou de contar, eu e Royce estávamos em pé. O estado de Royce era bem pior que o meu. Apesar dos chutes e socos da General, eu estava bem. Quer dizer, pelo menos, eu conseguia ficar em pé sem ajuda de ninguém.
Já Royce, estava apoiado por Mike. Ele sangrava muito e eu acho que eu cheguei a chutar a cara dele, mas eu realmente não me lembrava.
- Eu quero saber que merda foi essa que aconteceu no meu treinamento. – a General Swan exigiu saber.
Eu não ia falar nada. Na verdade, eu não tinha o que falar. Pelo jeito, Royce também não, porque ele ficou calado, olhando para o chão.
- Nenhum dos senhores vai falar? – ela perguntou com raiva – Eu quero uma resposta agora! Eu sou a porra da General dessa merda toda! E eu exijo uma explicação dos senhores agora!
Caralho... a mulher realmente estava brava. Bem mais que o normal.
- Nós estávamos conversando tranquilamente depois do jantar e, de repente, ele me atacou. – Royce falou se fazendo de vitima.
Eu rosnei de raiva e antes que eu partisse para cima daquele idiota de novo, o Coronel McCarty, que ainda estava ao meu lado, me segurou.
- É melhor acalmar o ânimo, novato. – a General falou para mim – Antes que eu resolva acalmá-lo por você.
Eu apenas abaixei a minha cabeça. Merda de situação. O pior era saber que eu estava irritando mais a fera. Ainda mais nervosa, a General se virou para Royce.
- Ninguém bate em ninguém do nada, novato. E eu quero saber exatamente o que aconteceu. – ela falou para ele.
- Foi exatamente isso que aconteceu, General. – ele respondeu cinicamente – Eu juro.
Ela me olhou esperando que eu contradissesse Royce, mas eu não fiz. O que eu ia falar? “Ele falou que você era uma vadia e eu parti para cima dele?” Fala sério! Nem eu acreditava que eu tinha feito isso só por causa das palavras nojentas dele!
Ela olhou para nós dois por um longo tempo e depois ela pegou a sua pistola que estava em sua cintura e a destravou. Ela apontou para a testa Ben, que arregalou os olhos de surpresa e medo.
O que a maluca ia fazer agora? Cara, ele não tinha nada a ver com a história. Nesse hora, ele já estava branco de susto e parecia que ia desmaiar.
- Você viu o que aconteceu. – ela afirmou – Então, se você não me contar exatamente o que houve... – ela ameaçou e apontou a arma para o joelho dele – Ou nunca mais o senhor andará normalmente. E isso não é uma ameaça, novato. É uma promessa.
- Tu... tu... tudo bem..Eu... eu falo, General. – Ben disse gaguejando.
Apesar de ter mais gaguejado do que realmente falado, Ben contou por alto o que aconteceu. Claro que ele não entrou em detalhes sobre o que, nem sobre quem estávamos falando, mas ficou claro que o Royce estava me provocando.
Quando ele acabou, ela travou a arma e a guardou. Ben suspirou aliviado.
- Algum dos senhores nega a versão do colega de vocês? – ela perguntou para Royce e para mim.
- Não senhora. – eu e Royce respondemos.
Todos ficaram em silêncio por alguns segundos.
- Tudo bem, então. – ela falou por fim – Estão dispensados... exce.....
- Como assim, General? – Royce perguntou em um fio de voz, a interrompendo.
- O senhor está me interrompendo? – ela perguntou arqueando a sobrancelha.
- Não senhora. Eu só gostaria de saber se não vai haver nenhuma punição para o Edward? – Royce falou baixo.
Ela o olhou minuciosamente e depois deu um sorriso maldoso.
- Pelo que eu apurei dos fatos, o senhor o provocou e, portanto, mereceu apanhar. – ela respondeu e ele fez uma feição de quem não estava acreditando – Por que novato? Está questionando minha decisão?
Ele negou imediatamente. Por medo, logicamente.
- Eu já te falei que, no meu treinamento, o senhor não tem seu “papai” para ajudá-lo. – ela falou com menosprezo – Então, toda vez que o senhor provocar alguém, o senhor terá o que merece. É assim que a vida funciona.
Ele assentiu aborrecido.
- Vamos para enfermaria, novato. – o Coronel Hale disse e se aproximou de Royce para ajudá-lo.
- Nem o King nem o Cullen irão à enfermaria. – ela falou e o Coronel parou no lugar e a olhou assustado – Que os dois sintam muita dor durante toda a noite. Talvez assim pensem duas vezes antes de falaram ou fazerem alguma outra merda. Agora, estão todos dispensados, exceto você, Primeiro Tenente Cullen.
Todos saíram, exceto o Coronel Hale e eu, é claro. Ele olhava para a General como se esperasse alguma coisa dela.
- General, eu queria... – ele começou a falar.
- Agora não, Coronel. – ela disse decidida – Você também está dispensado.
Ele deu um riso sem graça de quem não estava acreditando.
Caramba! Ela estava literalmente mandando o cara ir embora. Ele me olhou e depois a olhou por alguns segundos.
- Sim, senhora, General. – ele falou.
E, então, saiu um pouco contrariado.
Agora éramos somente nós dois. Eu e ela. Eu fiquei frente a frente com a General Swan. O que será que aquela mulher queria comigo?
- Me siga, novato. – ela falou e se virou.
Ela saiu andando por entre as árvores. Eu a seguia sem ter noção para onde nós estávamos indo. Em poucos minutos, chegamos a uma trilha. Andamos por quase dez minutos nessa trilha. Estava escuro, mas a luz da lua iluminava o suficiente para continuarmos a nossa caminhada.
Então, ela parou em frente a uma cabana, que deveria estar a alguns metros de um lago.
- Espere aqui, novato. – ela falou e entrou na cabana.
Eu fiquei esperando por ela encostado em um poste improvisado feito de madeira. Menos de dois minutos, ela saiu, segurando um cabo de vassoura.
Mas que merda ela ia fazer com um cabo de vassoura? Sair voando?
- Vamos. – ela falou e foi em direção ao lago.
E novamente, eu a segui. Afinal, o que eu mais eu podia fazer a não ser segui-la?
Ela parou em frente ao lago. Apenas a luz um pouco distante da cabana e a da lua nos iluminava.
Ela fitou o lago por alguns segundos, depois se virou e ficou de frente para mim, olhando nos meus olhos. Não estávamos muito distante um do outro. Era perto bastante para sentir seu cheiro de morangos.
Seus olhos castanhos tinham novamente aquele brilho discreto e pareciam ansiar por alguma coisa.
Eu a olhei atentamente e as sensações que eu havia sentido mais cedo voltaram à minha mente, fazendo meu coração bater mais forte.
Involuntariamente, eu dei um passo largo para frente, em sua direção, sem deixar de olhar em seus olhos.
Agora, estávamos a menos de um passo um do outro. Eu podia sentir o calor que emanava do corpo dela. Meu coração acelerou mais ainda e eu respirei fundo. Eu senti seu cheiro, que tanto me enlouquecia. E o meu corpo todo se arrepiou.
Eu percebi que a respiração dela estava descompassada, assim como a minha. Então, ela passou a língua nos seus lábios. Imediatamente, meu pau deu sinal de vida.
Deus! Essa mulher ainda me mataria. Eu só tinha um pensamento: eu a queria. Naquele momento, era simples assim.
Aí, eu dei mais um passo e acabei com a distância entre nós dois. Eu me inclinei em direção a ela e a segurei firmemente pela cintura. Fechei meus olhos e passei o nariz pelo seu pescoço, sentindo aquele cheiro delicioso me invadir por completo.
Eu a senti estremecer em minhas mãos, o que me fez segurá-la mais firmemente. Ela suspirou e jogou a cabeça para trás, me dando maior acesso ao seu pescoço.
Sem pensar, passei minha língua da base de seu ombro até seu ouvido. Ela se arrepiou e passou os braços em volta do meu pescoço. Os dedos dela começaram a passear lentamente pela minha nuca, me deixando ainda mais arrepiado.
Eu apertei sua cintura, a trazendo para mais perto do meu corpo. Minha ereção foi pressionada contra o baixo ventre dela. Ela gemeu baixinho e me puxou para ela, apertando meu corpo contra o dela mais forte.
Nós parecíamos brigar para juntar ainda mais nossos corpos. Aquele roçar era delicioso. Ainda com as roupas, sentir meu pau contra seu corpo era delirante. Eu me afastei minimamente. Abri os meus olhos e a vi abrindo os seus.
Eu levei uma mão até sua nuca e puxei o seu cabelo, que estava preso em um rabo de cavalo, para trás, fazendo com que ela levantasse a cabeça na minha direção. Seus olhos brilharam mais intensamente e ela entreabriu os lábios. Seu peito batia descompassadamente contra o meu.
Então, eu avancei em seus lábios com os meus, a invadindo com a minha língua. A minha boca explorava a dela. Nós nos beijávamos com paixão. Com violência. Com intensidade. Com fúria.
Ela segurava com força meu cabelo, como se quisesse me impedir de me afastar. O que não era uma possibilidade nesse momento.
Minha ereção latejava contra o seu corpo quente. A minha mão que estava em sua cintura, foi para a sua bunda. E caralho... que bunda. Durinha. Empinada. Perfeita. Eu apertei com força sua bunda e a senti ofegar.
Um barulho de galho se quebrando ecoou. Ela se afastou abruptamente, me empurrando. Ela ficou olhando para a floresta por alguns rápidos segundos e depois limpou a garganta.
- Entre na água, novato. – ela ordenou sem me olhar e ainda com a respiração irregular.
- O que? – eu perguntei atordoado também com a respiração descompassada.
Eu não conseguia entender o que ela estava dizendo. Digamos que eu ainda estava pensando com a cabeça de baixo.
- Entre. Na. Água. Agora! – ela repetiu silabando a frase.
Eu demorei alguns segundos, mas a obedeci, sem pensar no que estava fazendo. Entrei no lago de roupa e tudo, inclusive com o meu coturno.
Caralho! A água estava gelada. Com certeza, eu ia morrer congelado ali, mas pelo menos eu ia me acalmar. Eu respirei fundo.
O lago não era muito fundo onde eu estava. A água batia na minha cintura. Eu já não estava tão excitado e já conseguia raciocinar com a cabeça certa.
Vi que a Swan estava com as mãos na cintura. Ela respirou profundamente algumas vezes. Então, ela se virou para mim, já com a postura de general, a qual eu já estava acostumado.
Ela jogou o cabo de vassoura para mim e eu o peguei no ar.
- O senhor vai segurar esse cabo de vassoura com as duas mãos de maneira com que ele não encoste na água. E eu quero os dois braços esticados para frente o tempo todo. O senhor ficará assim até uma segunda ordem. Entendeu novato? – ela falou sem nenhuma emoção.
- Sim General. – eu respondi e fiz o que ela falou: fiquei com os braços esticados, segurando a porra do cabo de vassoura.
- Isso é para o senhor aprender a não obedecer a uma ordem direta minha. – ela falou – E sinta-se lisonjeado, pois eu não costumo a ser tão benevolente com as minhas punições.
Droga! Eu sabia que seria punido por não ter a obedecido. Apesar de que eu não estava nem um pouco arrependido. Eu deixei Royce falar o que ele quisesse, porque eu jamais admitiria o motivo da minha explosão.
Claro que ela não me traria aqui para continuarmos o que havíamos começado mais cedo. Mas parece que nossa atração era alheia a nossa vontade. Quando eu dava por mim, eu já estava excitado e querendo mais.
Ela se sentou na beira do lago, com as pernas cruzadas igual a um índio. Ela olhava para o lago, mas não diretamente para mim. Mas eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser nela. No meu inferno pessoal. Por que ela mexia tanto comigo? Será que era falta de sexo? É... com certeza era isso.
O silêncio era total. Eu escutava apenas o chirriar dos grilos.
Eu fechei os olhos para me concentrar no castigo que estava recebendo. Eu já estava começando a sentir meus braços doerem e não havia nem quinze minutos que o castigo tinha começado.
- Você é burro ou o que, novato? – a General me perguntou de repente.
- Como assim? – eu perguntei abrindo os olhos.
Ela estava mesmo me chamando de burro? Já não bastava ter me deixado de pau duro e depois me mandado entrar em um lago gelado com os braços esticados, segurando a merda de um cabo de vassoura, não? Tinha que me ofender também?
- Ora, como assim??? – ela perguntou sem paciência – Por que você não se defendeu mais cedo? Você ficou simplesmente calado, feito um idiota.
Eu dei os ombros sem saber se ela me via ou não.
- Não tinha o que me defender. – eu menti – Eu simplesmente perdi a paciência com ele e parti para a agressão.
- Idiota. – ela resmungou.
E mais uma vez ficamos em silêncio. Depois de um tempo, a Swan se deitou no chão, colocou os braços atrás da cabeça e cruzou as pernas. Agora, ela olhava diretamente para mim.
- Seu braço está doendo, novato? – ela me perguntou.
- Um pouco. – eu falei fazendo careta.
Na verdade, ficar parado com o braço esticado para cima doía para caralho, mas eu não ia admitir isso. Especialmente para ela.
- Bem feito. – ela respondeu seca – Toda vez que a porra do seu braço doer, você vai se lembrar de não me desobedecer mais.
Eu revirei os olhos. Eu não falei que a mulher era o cão?
- Você não pode se deixar levar por provocações, Cullen. – ela comentou – É seu ponto fraco.
- Eu sei. – eu confessei – Mas eu não consegui me controlar quando ele falou que queria te... – eu deixei a frase morrer, me chutando por ter falado demais.
- Eu imagino o que Royce tenha falado. Mas são apenas palavras. – ela disse despreocupada – E palavras nunca podem nos atingir. Essa era a regra número um do General Charlie Swan.
É... ela tinha razão. Eram apenas palavras. Palavras que eu queria fazer com que ele engolisse. Argh... falar era mil vezes mais fácil que fazer... ou no meu caso, não fazer.
Um celular começou a tocar, quebrando o silêncio do lugar. O toque era a marcha fúnebre. Então, a General tirou um celular do bolso de sua calça.
Cara, o toque dela era marcha fúnebre. Com certeza, tinha algo de muito errado com essa mulher.
- Swan. – ela atendeu de má vontade.
Depois de alguns segundos, ela falou ao celular:
- Brandon, cala a boca! – ela esperou alguns segundos – Agora sim, Major. Eu estou no lago com um novato.
Um rápido silêncio e ela falou:
- Cullen. Pode dormir, que quando que acabar eu vou para a minha cabana.
Provavelmente a Major Brandon falou alguma coisa e a Swan respondeu:
- Castigo. Tchau.
Ela desligou o celular e o guardou na calça. Ela voltou a colocar o braço para cima e ficou olhando para o céu.
- Estão te esperando para dormir? – eu perguntei já esperando ela falar que não era da minha conta.
O que não era mesmo, mas eu estava curioso.
- Não. – ela respondeu, me surpreendendo – Na verdade, eu nem durmo muito mesmo. Eles já estão acostumados com a minha falta de sono. Mas eu nunca saio sem avisar para onde estou indo, porque se tiver algum problema, eles sabem onde me localizar.
Só então eu percebi a dimensão das responsabilidades de ser um general do exército. Ser responsável por tudo e por todos. Não devia ser fácil, mas ela parecia ser bem competente.
- Eu também não durmo muito. – eu falei me lembrando dos meus pesadelos com Harry e Sue – E há quanto tempo você é do exercito? – eu perguntei mudando de assunto.
- Há nove anos. – ela respondeu olhando sempre para o céu e não para mim.
- E já é General. – eu afirmei.
- Isso mesmo. General. Meu pai sempre dizia que quando eu colocava alguma coisa na minha cabeça, nada nem ninguém me impedia. – ela falou distraída – E aqui estou eu.
- E você queria ser general do exército? – eu perguntei.
Era estranho uma mulher ter ambições como essa: ser general do exército. Mas eu era um assassino da máfia, então, quem era eu para falar de ambição de alguém?
- Queria. – ela respondeu simplesmente.
- Por quê? – eu perguntei curioso.
- Não é da sua conta. – ela disse rudemente.
Bem... até que demorou para ela me cortar desse jeito.
- Com certeza não é da minha conta. – eu resmunguei.
- E você, novato? – ela me perguntou voltando seu olhar para mim.
- Eu o que? — eu perguntei confuso.
- Até onde você quer chegar no exército? – ela perguntou.
Eu não sabia respondê-la... porque eu não queria chegar em lugar nenhum na merda do exército. Eu só queria concluir a minha missão.
- Eu... não sei.... – eu respondi incerto.
- Por que você está no exército? E não me diga que é um sonho. – ela afirmou com muita convicção.
- Não. – eu concordei com ela – Nunca foi meu sonho.
- Então por quê? – ela me questionou.
- Por que não? – eu respondi e mudei de assunto – Seu pai morreu há muito tempo?
- Há quatro anos. – ela me contou – Morreu no campo, do jeito que ele queria. Com todas as glórias de um herói de guerra. – ela falou debochada.
Nós dois ficamos em silêncio. Meu braço tremia e doía muito. Eu olhei atentamente para a General deitada na margem do lago.
Às vezes parecia que ela estava dormindo, por causa da respiração tranqüila, mas ela estava de olhos abertos e olhavam fixamente para o céu. Parecia que sua mente estava a quilômetros de distância.
Eu fiquei a olhando detalhadamente. Ela era uma mulher linda. Seus traços eram suaves. Mas suas atitudes cruéis e frias sobrepunham sua beleza. Louco, né? Mas com o tempo, dava para perceber suas curvas. Uma coisa era certa: o que ela tinha de terrível, também tinha de gostosa.
As sensações que ela tinha despertado em mim ainda estavam vivas na minha memória. Nunca tive tanto tesão com uma mulher. E olha que ela nem fez nada demais. Imagina se fizesse... eu balancei minha cabeça. Eu nem queria pensar no que poderia ter sido...
- Pronto, novato. Pode sair abaixar o braço e sair do lago. – ela falou se levantando – Acabou o castigo. Está dispensado.
- Sim senhora. – eu falei abaixando meus braços.
Ai que droga! Eu não sentia mais meus braços. Se estava doendo hoje, imaginei no dia seguinte. Eu estava fudido mesmo. Eu saí do lago rapidamente, tremendo de frio.
- É só seguir essa trilha que você vai chegar até a sua cabana. – ela falou indicando para onde eu deveria ir.
- Tudo bem. – eu falei.
Ela se virou e foi em direção à cabana perto do lago. Eu a olhei ir embora.
Andei pela trilha até ela acabar. Eu já conseguia enxergar a luz da minha cabana. Eu segui em direção à luz e cheguei à cabana. Eu peguei minhas coisas de higiene pessoal e fui tomar um banho.
Depois de um banho quente, eu fui para minha cabana. Quando cheguei, Mike já estava dormindo e vi que em cima da minha cama, tinha uma cartela com dois remédios para dor.
Eu sorri. Com certeza, Rose deve ter descoberto o que aconteceu. Eu tomei o remédio e me deitei na cama. Foi difícil achar uma posição que não doía, mas depois de alguns minutos rolando da cama e pensando na Swan, eu finalmente consegui dormir.
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