Cosa Nostra

12 Capítulo 11: Bom para a alma. Péssimo para o corpo


Notas iniciais
No final, tem spoiler do proximo capitulo...

No outro dia, todos os novatos ficaram sem café da manhã, por causa da minha briga com Royce. Nos deixaram apenas tomarmos uma xícara de café. É como dizem: os justos pagam pelos pecadores... fazer o que?

Ninguém reclamou, até porque ninguém ousaria a contrariar a General, mas os outros novatos não ficaram satisfeitos em perder o café da manhã. De novo.

Já eu... bem, eu não estava nem fudendo para eles e muito menos estava me importando em não tomar café da manhã... até porque eu me lembrava das palavras de Royce e imediatamente perdia a fome.

Meus braços já não estavam doendo tanto... e com certeza era por causa dos remédios que eu havia tomado ontem à noite. Foi o que praticamente salvou minha vida. Eu não queria nem imaginar como eu estaria hoje se eu não tivesse os tomado.

Nenhum dos novatos falou comigo, a não ser um quase inaudível ‘bom dia’. Não sei se era pela surra que eu dei ontem em Royce ou pelo meu evidente mau humor.

Apenas Mike teve a coragem de me perguntar se eu estava bem. Eu rosnei um “tô ótimo” e foi isso.

Eu tinha tanta coisa na minha cabeça que parecia que ia explodir a qualquer momento. O idiota do Black esperando a hora de me fuder. O Coronel Hale com ciúmes da General e me dando “conselhos” para eu me afastar. E a General Swan. Humpft... dela eu não queria nem me lembrar.

No refeitório, eu evitei olhar para ela, mas sentia seu olhar em mim. Fiquei concentrado apenas no meu pseudo café da manhã, olhando para a minha xícara de café como se fossem a coisa mais importante da minha vida.

Depois que os ‘boinas verde’ tomaram o café da manhã, a General Swan mandou que nós fôssemos para o campo de treinamento.

Todos os novatos usavam uma camiseta branca e a calça preta do exército, típica das Forças Especiais e o coturno preto. Já os ‘boinas verdes’ usavam a mesma calça que nós, mas a camisa preta com o símbolo.

No campo de treinamento, a Major Weber nos informou que faríamos alguns exames para testar nossa capacidade física.

E assim foi. Durante toda a manhã fizemos vários testes físicos. Duzentas flexões. Uma hora de corrida. Trezentos polichinelos. Quarenta minutos pulando corda. Mil abdominais. Uma hora e meia nadando rápido.

Todos os nossos resultados eram anotados pela Major Brandon.

Eu concentrei toda a minha tensão, ou melhor, dizendo tesão nos exercícios. Não era a melhor forma de me liberar, mas pelo menos era uma maneira de fazê-lo.

Os testes acabaram no meio da tarde e só então fomos liberados para almoçar. Tivemos apenas cinco minutos para almoçar. E depois do rápido almoço, nós fomos novamente até o campo de treinamento.

- Em posição, novatos. – a Swan ordenou.

Nós entramos em posição e a Major Brandon entregou uma arma que parecia ser de plástico e uma sacola com roupas para cada novato enquanto a General Swan continuava a falar:

- As armas são de paintball. Nessa atividade, terão dois grupos: os novatos contra os ‘boinas verdes’. As regras são: dois tiros nas pernas ou braços ou um tiro no tronco e você está eliminado. A atividade será feita na floresta. Alguma dúvida? – ela perguntou.

- Não senhora. – nós respondemos.

- Então vão ao banheiro e coloquem as suas roupas. E voltem imediatamente. – ela comandou.

Nós fomos andando para o banheiro. No meio do caminho, eu vi Rose entre as árvores. Ela estava de longe, mas me chamou. Eu fui até ela.

- Oi Edward. – ela disse sorrindo – Eu fiquei sabendo do seu castigo ontem à noite.

Eu fiz uma careta e ela sorriu. Depois, ela me deu uma cartela de remédio para dor.

- Aqui, para você. Tome de 06 em 06 horas e vai melhorar a sua dor. – ela me explicou.

Eu peguei a cartela e coloquei no bolso da minha calça.

- Valeu Rose. – eu a agradeci – E obrigado pelos remédios de ontem.

- Que remédios? – ela perguntou sem entender do que eu estava falando.

- Os que você deixou na minha cama. – eu falei, como se fosse óbvio.

- Eu não deixei remédio nenhum para você ontem. – ela negou – Deve ter sido outra pessoa.

Como assim não tinha sido ela? Só podia ter sido ela!

- Não foi você? Então quem foi? – eu perguntei.

- Acho que você sabe quem foi. – ela disse sorrindo.

Eu sabia quem foi? Não sabia não. Eu tinha tanta certeza que havia sido a Rosalie. Eu a olhei. Ela não estava mentindo. Não foi ela. Então... quem?

- Sabe... ontem, eu estava sem sono e decidi dar uma caminhada perto do lago. – ela falou.

Instantaneamente, eu engasguei com o ar. O barulho de galho quebrando! Tinha sido a Rose? Ela tinha o sorriso “eu sei o que você fez ontem à noite”.

Puta merda! Ela tinha visto! Ela tinha visto eu e a Swan...

- Bom para você. – eu falei ainda engasgado.

Ela riu.

- Eu escutei a mesma coisa da Isabella hoje, sabia? – ela falou maliciosa – Até parece que vocês combinaram.

- Não! Claro que não!. Eu não combinei. Quer dizer, nós não... ela não... ninguém.. na verdade... – eu estava me embolando com as palavras.

Que merda! Eu abaixei a cabeça querendo me enfiar em algum buraco.

- Edward, – ela falou séria dessa vez – Só tome cuidado com o Jas...

- Eu tenho que ir, Rose – eu a interrompi.

Não queria ouvir nada. Nenhum conselho. Nada. E muito menos queria ouvir alguma coisa relacionada com o Coronel Hale.

Ela suspirou derrotada.

- Bem, é melhor você ir mesmo, Edward. – ela disse ainda sem sorrir – Quando quiser conversar, me procure.

- Ok. Tchau e obrigado pelos remédios.

Ela apenas sorriu um pouco e saiu.

Eu fui para o banheiro ainda atordoado. Rose tinha visto eu e a General. Que droga! E se fosse o Coronel Hale? Aí sim eu estava fudido e mal pago.

Outra coisa também estava me incomodando: será que foi a Swan que deixou os remédios para mim? Não... impossível. Se ela que me deixou de castigo... Não fazia sentido. Simplesmente não fazia sentido.

Chegando ao banheiro, eu vi que todos estavam vestidos e já estavam indo para o campo. Droga! Eu estava atrasado. Rapidamente, comecei a colocar minha roupa.

Enquanto eu colocava minha roupa para a atividade, percebi que alguém se aproximava de mim. Eu olhei e vi que era a Swan, que já estava com a roupa para a atividade. Ela realmente estava no banheiro masculino? O que ela estava fazendo ali?

- O senhor foi o melhor de Fort Hamilton em tiro ao alvo. – ela afirmou.

Eu parei de vestir a roupa e a olhei. Ela se encostou na beira da pia e cruzou os braços.

- Sim senhora. – eu falei.

- Vamos ver então se o senhor é melhor que eu. – ela me desafiou.

Eu olhei nos olhos dela. E de repente, eu me esqueci de todos os problemas. Ela me fitava intensamente. Aqueles olhos castanhos pareciam desvendar todos os meus segredos. Cara, como eu queria saber o que ela estava pensando naquele exato momento.

- Sim senhora. – eu respondi meio desconcertado.

- Deixe essa encenação de lado, novato. – ela falou sem paciência – Esse tipinho de soldado obediente e humilde pode enganar os outros, mas não engana a mim.

Eu ri.

- Sim senhora. – eu respondi com um sorriso irônico.

- Quer fazer uma aposta comigo, novato? – ela perguntou.

Ela deu um passo e se aproximou de mim. Perto demais. Seu cheiro me invadiu ferozmente.

- Uma aposta? – eu repeti sem entender onde ela queria chegar.

Ela bufou irritada.

- O senhor, além de arrogante e incompetente, também é surdo?

- Não, senhora. – eu respondi querendo na verdade mandá-la para a merda. Como ela era irritante! – Tudo bem. Uma aposta. O que vamos apostar?

- O que você quiser, novato. – ela falou despreocupadamente dando os ombros.

- Uma cama mais confortável e um edredom. – eu falei sem pensar.

Ela arqueou as sobrancelhas. Ela devia estar tão surpresa quanto eu. Eu podia escolher qualquer coisa e eu pedi uma cama??? Jura... uma cama??? Realmente toda essa proximidade com ela não estava me fazendo bem. Onde eu estava com minha cabeça?

Ela deu um passo para trás, se afastando de mim.

- Só isso? – ela perguntou se afastando.

Eu assenti. Já tinha feito a merda mesmo, não adiantava voltar atrás.

- Feito. Mas e seu eu ganhar, novato? – ela me perguntou – Minha cama já é confortável o bastante.

Eu dei os ombros.

- O que você quiser. – eu falei.

- Combinado então. – ela falou e estendeu a mão, para selarmos a aposta.

Eu peguei em sua mão e a corrente elétrica mais uma vez passou pelo meu corpo. O pior de tudo era que eu já estava me acostumando com aquilo.

- Você ainda não falou o que quer, se você ganhar. – eu falei para ela.

Ela deu um daqueles sorrisos fabricados e indecifráveis.

- Você vai saber na hora certa. – ela disse.

A General se virou, e saiu do banheiro me deixando sozinho novamente.

Eu acabei de vestir a roupa e me juntei aos novatos e ‘boinas verdes’ que estavam no campo de treinamento. Todos já usavam a roupa para a atividade, exceto a Major Weber.

- Os grupos terão dois minutos para se esconderem e decidirem a sua estratégia. — a Major Weber falou – Eu serei a juíza. O jogo começará quando escutarem um tiro. Podem ir.

Eu e os novatos fomos para norte enquanto os ‘boinas verdes’ foram para o sul. Nós nos escondemos entre as árvores. Royce nos explicou a estratégia do nosso grupo, que era péssimo, devo acrescentar.

Escutamos o tiro. O jogo tinha começado. Fomos andando cautelosamente entre as árvores.

Eu percebi uma movimentação ao leste.

- Psiu. – chamei Mike o mais baixo possível.

Ele me olhou e eu apontei com a cabeça em direção ao barulho. Ele assentiu e passou o “recado” silencioso para os demais.

Eu vi alguém correndo, mas foi rápido demais para eu atirar. Mas o imbecil do Royce se antecipou e saiu correndo atrás do vulto... e levou um tiro de tinta verde no peito. Idiota!

- Royce está morto. – a voz da Major Weber invadiu a floresta em um alto falante – Novato, pode se dirigir ao campo de treinamento.

Ele chutou a árvore puto e saiu em direção à floresta.

Eu continuei parado no meu lugar. Percorri os olhos pela floresta. Eu vi alguém se escondendo atrás de uma árvore a uns cinco metros de mim. Devagar, eu dei a volta pelas árvores e encontrei o idiota do Black. Ele não havia me visto, porque estava de costas para mim.

Eu sorri, mirei no meio das costas dele e atirei. Ele sentiu o tiro e se virou.

- Seu maldito... – ele falou e foi em minha direção.

Antes que ele me encostasse, eu escutei a voz da Major Weber:

- Tenente Black, o senhor está morto. Se dirija ao campo de treinamento.

Ele me olhava com ódio.

- Isso vai ter volta novato. – ele me ameaçou.

Eu dei os ombros e ele saiu da minha frente. Eu sorri. Babaca! Se fudeu mais uma vez...

Eu continuei andando pela floresta, sempre prestando atenção ao meu redor. Era um jogo de estratégia e não de rapidez, então, eu não tinha pressa nenhuma.

Depois de um tempo, a Major Weber anunciou que Eric, Ben e a Major Brandon estavam fora do jogo.

Eu saí de trás de uma árvore e dei de cara com o McCarty. Instintivamente dei um tiro. Ele também. Olhei para ele e vi que o tiro que dei havia o acertado na barriga.

Então, olhe para mim tentando ver onde o tiro dele tinha acertado... e sorri. Apenas no braço.

— Boa Cullen. – ele falou e saiu antes mesmo que a Major falasse que ele estava fora da atividade.

Éramos apenas eu e Mike contra a Swan e o Hale. Eu vi Mike e me aproximei dele.

- Vamos aos poucos. – ele falou baixo – Eles estão ao leste.

Eu assenti. Nós dois nos aproximamos de onde Mike falou que eles estariam. Eu fui na frente segurando a arma em posição de ataque. Mike estava atrás de mim, me dando cobertura.

Andamos alguns passos até a próxima árvore. Eu espiei e vi de relance a General e o Coronel. Eu olhei para Mike e ele assentiu.

Mais uma vez eu fui na frente, com Mike me dando cobertura. Então fiquei frente a frente com o Coronel Hale. Antes que ele atirasse, Mike o acertou. Mas a Swan atirou no Mike, o acertando duas vezes no peito.

Eu me escondi rapidamente e a Swan também. O Coronel Hale e Mike saíram da floresta.

Agora era somente eu e a Swan. Eu olhei para os lados e fui para a árvore na minha frente. Eu tinha visto a Swan se esconder atrás da árvore que estava na minha frente. Eu respirei fundo e fui para a árvore onde ela estava. Cheguei e atirei.

Droga! Eu tinha atirado na árvore. Onde aquela maldita estava? Olhei para os lados e não a vi.

Com um chute forte nas minhas costas, eu caí, fazendo minha arma cair. Ela chutou a arma para longe. Eu me virei de barriga para cima e vi a Swan mirando em mim.

- Se levante novato. – ela falou – Eu não gosto de atirar em ninguém no chão, a não ser que eu precise.

Eu comecei a me levantar.

- Com as mãos para cima, novato. – ela me advertiu.

Eu levantei as mãos e me levantei.

- Parece que eu ganhei novato. – ela disse ainda sem atirar.

Ela só estava mirando em mim.

- Ainda não. – eu a respondi.

Ela arqueou a sobrancelha e atirou. Eu senti o tiro atingir meu peito.

- Agora eu ganhei. – ela disse.

- Tudo bem. O que você quer? – eu perguntei abaixando as minhas mãos.

- Agora não. Mais tarde eu te falo o que eu ganhei. – ela disse.

- Vamos, General? – o Coronel Hale se aproximou e falou para ela.

- Vamos sim Coronel. – ela assentiu.

Os dois se viraram e saíram de perto de mim. Eu estava começando a me arrepender de ter apostado não sei o quê com a Swan. O que será que ela queria de mim?

Eu baçancei a cabeça, tentando não pensar mais no assunto e fui para o campo de treinamento me juntar aos outros novatos.

- Tomem banho e depois se dirijam ao refeitório. – a Major Weber falou nos dispensando.

Eu fui para o banheiro tomar banho. Como um banho quentinho era relaxante. Era exatamente o que eu estava precisando naquele momento. Eu não queria sair debaixo do chuveiro.

Depois de um tempo, o banheiro ficou silencioso. Com certeza, os demais novatos já tinham acabado seus respectivos banhos. Eu deixava a água quente cair pelo meu corpo. E os meus pensamentos começaram a voar.... e voaram para a Swan.

Eu comecei a me lembrar do nosso beijo na margem do lago.

Só de lembrar daquela maldita, eu já ficava de pau duro. Então, eu fiz uma coisa que há muito tempo eu não fazia.

Levei minha mão até meu pau e comecei a me masturbar. Eu me lembrei do calor seu corpo. Me lembrei do seu corpo pressionado contra o meu. O roçar do meu pau em seu ventre. Seu gemido. Sua língua. Seu cheiro. Sua bunda.

Fui aumentando a velocidade até gozar. Minha respiração estava irregular, em virtude do recente orgasmo.

A cena seria hilária se não fosse tão patética. Um homem feito se masturbando igual a um adolescente, se lembrando do pega que deu na garota gostosa do colégio.

Por causa da minha "diversão" particular, eu demorei mais que o restante. Droga! Eu ia chegar atrasado... pela segunda vez hoje. Troquei de roupa e depois fui para o refeitório.

Quando eu cheguei, vi o Tenente Black dando um sermão nos novatos. Ele estava falando qualquer merda sobre eles serem incompetentes e tals. Ele me viu chegar e ele me olhou com raiva.

- Atrasado, novato? – ele perguntou – Posso saber o motivo do seu atraso?

Nesse momento, a General chegou ao refeitório junto com o Coronel Hale. Ela estava não parecia nada feliz... como sempre. Mas dessa vez, ela parecia ainda mais puta com o mundo.

O Coronel Hale também estava com uma expressão nada contente.

- O que os senhores estavam fazendo que ainda não começaram a jantar? – ela perguntou visivelmente contrariada – Comam agora, seus incompetentes ou ficaram sem jantar. E mais. Eu não quero escutar nem o pio dos senhores. Comam em silêncio e me deixem livre das suas vozes irritantes pelo menos uma noite.

Ela estava tão puta que ninguém ousou falar mais nada, nem mesmo o imbecil do Black.

Cada um pegou sem prato e se sentou à mesa. Tudo silenciosamente. Um silêncio desconfortável e mortal.

Eu comia quieto, olhando apenas para o meu prato. Uma hora, eu levantei os olhos e olhei para a Swan. Nossos olhares se encontraram por alguns segundos. Logo, ela desviou o olhar e olhou para Jasper.

Ele sorriu, como se pedisse desculpas a ela, e a ofereceu uma barra de chocolate. Ela olhou para ele e depois para a barra de chocolate sem demonstrar qualquer emoção. Ela hesitou por alguns segundos, mas, no final, pegou a barra de chocolate.

Ele sorriu e passo o braço pelos ombros dela e falou algo em seu ouvido. Ela assentiu e guardou o chocolate no bolso.

Eu bufei e voltei a me concentrar na minha comida, que já nem tinha mais gosto. Minha dor de cabeça piorou exponencialmente, assim como o meu mau humor. Eu precisava de uma folga dessa merda de treinamento. Ou eu ia enlouquecer.

Depois do jantar, fomos encaminhados para uma espécie de auditório, o que era estranho, porque sempre éramos liberados para descansar depois do jantar.

O auditório tinha quatro fileiras de cadeiras. E na frente, uma mesa e uma cadeira, onde a General Swan estava sentada, com os pés cruzados em cima da mesa e as mãos em cima da cabeça. A verdade era que até sentada a maldita botava moral.

Ao lado dela, em pé, estava a Major Brandon.

- Sentem-se novatos. – ela ordenou.

Nós nos sentamos e ela se endireitou na cadeira. Ela deu um sinal para a Brandon, que diminuiu a intensidade da luz, ficando uma espécie de penumbra.

- O corpo de vocês, novatos de merda, já não tem salvação. Agora, vamos tentar salvar as almas os senhores. – ela falou e pegou uma bíblia grossa e antiga – Vamos estudar o livro das Gênesis. E eu não quero escutar nem um pio.

Ela abriu a bíblia e começou a ler... em latim.

1. In principio creavit Deus caelum et terram;

2. terra autem erat inanis et vacua et tenebrae super faciem abyssi et spiritus Dei ferebatur super aquas;

Seu tom de voz era diferente daquele frio que estávamos acostumados. Ela praticamente sussurrava as palavras, como se fosse uma canção de ninar.

3. dixitque Deus fiat lux et facta est lux

4. et vidit Deus lucem quod esset bona et divisit lucem ac tenebras

5. appellavitque lucem diem et tenebras noctem factumque est vespere et mane dies unus

6. dixit quoque Deus fiat firmamentum in medio aquarum et dividat aquas ab aquis

7. et fecit Deus firmamentum divisitque aquas quae erant sub firmamento ab his quae erant super firmamentum et factum est ita

8. vocavitque Deus firmamentum caelum et factum est vespere et mane dies secundus

Porra! A forma que ela falava e o fato de não entender merda nenhuma do que ela estava falando estava me dando sono. Muito sono. Acho que também não ter dormido muito as noites passadas e já ser de noite também não me ajudava a ficar acordado.

9. dixit vero Deus congregentur aquae quae sub caelo sunt in locum unum et appareat arida factumque est ita

10. et vocavit Deus aridam terram congregationesque aquarum appellavit maria et vidit Deus quod esset bonum

11. et ait germinet terra herbam virentem et facientem semen et lignum pomiferum faciens fructum iuxta genus suum cuius semen in semet ipso sit super terram et factum est ita

12. et protulit terra herbam virentem et adferentem semen iuxta genus suum lignumque faciens fructum et habens unumquodque sementem secundum speciem suam et vidit Deus quod esset bonum

13. factumque est vespere et mane dies tertius

- General, tem novato dormindo. – a Brandon falou.

A Swan parou de ler, olhou para nós e deu um sorriso. Como sempre, um sorriso frio, que não chegava até os olhos. E puta que pariu! Eu já conhecia esse sorriso. Com certeza lá vinha merda!

Eu corri os olhos pelo auditório e vi que Eric havia dormido. Ele estava jogado na cadeira com a cabeça para trás e a boca aberta. O coitado estava quase babando.

A Swan deixou a bíblia na mesa com cuidado e silenciosamente foi para o lado de Eric, que continuava dormindo tranquilamente.

- Senhores, se levantem e fiquem ao lado da Major Brandon. – ela falou baixo – E sem barulho ou eu capo os senhores com um facão enferrujado.

Nós a obedecemos prontamente. Ninguém era louco de fazer qualquer barulho sequer simplesmente porque ela realmente era louca a ponto de nos capar.

Então, a encarnação do demônio pegou seu revolver e mirou no chão, mas bem ao lado de Eric. Caralho! Não dava para acreditar! Não era possível que ela faria isso.

Eu mal acabei de pensar e o barulho do tiro invadiu toda a sala. General tinha atirado no chão. O problema era que tiro foi perto do ouvido de Eric.

Ele tomou um susto, deu um grito e caiu no chão com cadeira e tudo. Ele levou as mãos ao ouvido. Eu sabia que ele ficaria surdo por algumas horas.

Ela deu as costas para ele e se sentou no lugar que estava.

- Voltem aos seus lugares, novatos. – ela ordenou e olhou para Eric no chão – E o senhor, é bom aprender a não dormir quando não é hora. Aqui não é uma merda de berçário.

Nós nos sentamos novamente em nossos lugares, exceto Eric, que ainda estava no chão.

A Swan se sentou na cadeira, como se nada tivesse acontecido, pegou a bíblia e começou de onde tinha parado, eu acho, porque eu não estava entendendo merda nenhuma mesmo.

14. dixit autem Deus fiant luminaria in firmamento caeli ut dividant diem ac noctem et sint in signa et tempora et dies et annos

15. ut luceant in firmamento caeli et inluminent terram et factum est ita

16. fecitque Deus duo magna luminaria luminare maius ut praeesset diei et luminare minus ut praeesset nocti et stellas

17. et posuit eas in firmamento caeli ut lucerent super terram

18. et praeessent diei ac nocti et dividerent lucem ac tenebras et vidit Deus quod esset bonum

19. et factum est vespere et mane dies quartus

20. dixit etiam Deus producant aquae reptile animae viventis et volatile super terram sub firmamento caeli

21. creavitque Deus cete grandia et omnem animam viventem atque motabilem quam produxerant aquae in species suas et omne volatile secundum genus suum et vidit Deus quod esset bonum

22. benedixitque eis dicens crescite et multiplicamini et replete aquas maris avesque multiplicentur super terram

23. et factum est vespere et mane dies quintus

- General, o novato continua caído. – Brandon a avisou.

Ela só lançou um olhar para Eric no chão e bufou.

- Cullen, o leve para a enfermaria. – a Swan ordenou e voltou a olhar para a bíblia.

- Sim senhora. – eu assenti e me levantei.

Eu ajudei Eric a se levantar. Ele estava sem rumo e sem equilíbrio, então, eu coloquei o braço dele no meu ombro e o segurei pela cintura, sustendo o peso dele.

Nós fomos andando devagar até a enfermaria. Lá, Rosalie estava sentada lendo um livro tranquilamente.

- O que aconteceu? – Rosalie perguntou ao ver Eric totalmente desorientado.

Ela se levantou e foi ao nosso encontro.

- A General atirou perto demais de Eric. – eu contei o ocorrido.

- Oh. Tudo bem. – Rosalie disse mais calma – O coloque deitado em uma maca, por favor.

Pelo visto, ela já estava habituada em ver os novatos machucados dessa forma. Eu coloquei Eric com cuidado na maca mais próxima.

Rosalie se aproximou dele e examinou cuidadosamente seu ouvido. Depois, ela fez alguns exames. Ela colocou um remédio em uma seringa e em seguida, a aplicou no braço de Eric.

- Provavelmente daqui a umas três ou quatro horas, ele voltará a escutar. – ela me explicou – Nesses casos, a surdez é só temporária.

- Você está acostumada com isso tudo, não é mesmo? – eu perguntei.

Ela me olhou e então sorriu. Rose era uma mulher linda... totalmente diferente da General. Não só fisicamente, pois a Swan era morena dos olhos castanhos e a Rose era loira dos olhos azuis...

Mas Rose também era delicada... frágil... enquanto a Swan era forte... intensa...

- Sim. No início eu fiquei assustada, mas já me acostumei com o treinamento. – ela respondeu – Eles geralmente exageram um pouco durante o treinamento.

- Eles ou a General Swan? – eu perguntei.

- Todos. – ela falou sem hesitar – Isabella é a líder do grupo. A função dela é a mais importante e também a de maior responsabilidade. Por isso ela parece ser a pior de todos, mas não é.

- Se você diz, eu não vou questionar. – eu falei dando os ombros.

Mas eu não engolia esse papo de “grande responsabilidade” não. Depois da nossa pseudo conversa ontem à noite, eu sabia que ela tinha muitas responsabilidades, mas isso não justificava as atitudes dela.

O fato era que a mulher era o capeta em pessoa. E ponto final.

- Sabe que esse ano eles receberam ordens expressas de não agredir fisicamente os novatos. Os responsáveis pelas Forças Especiais em Washington estão cansados de processos por agressão física. – Rose me contou rindo.

Eu ri. Processos por agressão física: era a cara desse treinamento.

- Pelo visto, eles não vão obedecer a essa ordem. – eu falei descontraído olhando para Eric, que estava dormindo.

- Essa fase é uma das partes mais importantes do treinamento, Edward. É nele que se distinguem os que são capazes de ser um ‘boina verde’. – ela me explicou.

- Pode ser. – eu falei ainda sem acreditar muito – Enfim... acho que você entende melhor desse assunto que eu.

- Com certeza, novato. – ela respondeu sorrindo – Agora, é melhor você voltar ao auditório antes que Isabella venha te buscar, Edward.

- Tarde demais, Tenente. – a voz da Swan invadiu a enfermaria.

Puta que pariu! Essa mulher tinha que estar em todos os lugares? Agora eu estava realmente fudido.

Eu olhei e ela estava encostada na porta, com os braços cruzados e o olhar frio de sempre.

- General, eu pedi para que ele ficasse para me ajudar com o novato machucado. – Rosalie intercedeu por mim – O novato estava muito desorientado e eu não tinha força o suficiente para cuidar dele sozinha.

A General Swan bufou irritada. Claro que ela não acreditou em Rosalie.

- E agora, Tenente? O Cullen já está liberado? – ela perguntou ironicamente – Ou ele vai continuar brincando de enfermeiro?

- Ele já está liberado, sim senhora. – Rosalie respondeu calmamente.

Pelo visto, Rosalie não tinha medo da General, mesmo quando a expressão dela era de quem ia matar alguém a qualquer minuto, como agora.

A General se virou para mim e disse:

- A Major Brandon ainda está no auditório. Agora estamos na parte mais divertida da bíblia: o apocalipse. Vá logo novato.

- Sim senhora. – eu falei.

Eu me virei e saí o mais rápido possível da enfermaria, mas escutei Swan falar:

- Rose, não dá mais! Eu tenho que contar para ele!

Eu parei no corredor e fiquei escutando a conversa das duas.

- Não! Você não pode fazer isso! – Rose respondeu – Ele não vai aceitar e vocês vão acabar brigando.

- Ele está desconfiado. – a Swan comentou – Não dá mais para esconder.

- Só por mais alguns dias. Pelo menos até o treinamento terminar. – Rose sugeriu.

- Não dá. Não dá mais. – a Swan falou – Rose, eu realmente preciso contar para ele!

As duas ficaram em silêncio e antes que me descobrissem ali, eu saí da enfermaria. Andei apressadamente pelo corredor até chegar ao auditório.

Eu entrei no auditório e pedi permissão para me sentar. A Major Brandon consentiu e eu me sentei.

A Major lia a bíblia lentamente, como a General Swan estava fazendo anteriormente, mas eu não estava prestando atenção no que a Major dizia. Minha mente estava em outro lugar.

Rose, não dá mais! Eu tenho que contar para ele!”. Aquela mulher era muito estranha. O que será que ela sabia? Para quem ela precisava contar?

Então, um pensamento me paralisou por completo. Será que ela precisava contar para Jasper o que tinha acontecido entre nós dois? Eu estava muito fudido.

Notas finais
Ei pessoas!!!!

Muitoooooooo obrigada pelas recomendações à:

- kinhaa

- BVanessa_cullen

Meninas, eu adorei!!!! =)

Só para deixar com um gostinho de quero mais... aí vai um spoiler do proximo capitulo...

Ela levantou a cabeça para me olhar. Ela estava com os olhos vermelhos e inchados provavelmente de tanto chorar.
- Você está bem? Está machucada? – eu perguntei.
- É tudo culpa minha! Eu falei para ela não contar! Eu quis manter em segredo! – ela disse chorando – Eu sou a culpada de tudo! É culpa minha! Minha!

...

A feição do Coronel era de ódio.
- Me acalmar? Como você quer que eu me acalme? – ele gritava – Você me traiu! Eu confiei em você e você me traiu!

...

O Coronel Hale olhou para a General Swan. Ela assentiu à pergunta silenciosa que ele havia feito e depois saiu da sala.
- Bisbilhotando a vida alheia, novato? – ela me perguntou com a mesma frieza de sempre.

...

Espero que tenham gostado!!!

Bjos...