A cidade estava quente e muitas pessoas apressadas esbarravam umas nas outras a caminho de seus compromissos. A biblioteca de Clayton era um grande prédio amarelo, destacava-se em meio às outras construções por pertencer à arquitetura barroca. Dentro do saguão de entrada, um velhíssimo balcão envernizado servia como mesa para o recepcionista, um homem baixo e gordinho, com uma careca no alto da cabeça.

Atrás do saguão, a área dedicada aos livros estava iluminada e brilhante, com estantes para todos os lados. Mesas de madeira com seis cadeiras cada uma estavam alojadas em uma parte à esquerda do saguão. Por mais bonita e convidativa que fosse a biblioteca, ela estava quase vazia.

No instante seguinte à entrada de Laýla e Ryan na biblioteca, uma garota alta, de capuz, adentrou no saguão. Sua respiração estava pesada, como se ela tivesse corrido. Ela olhou em volta e andou em direção ao balcão. Apertando os olhos para ler o nome do recepcionista, anunciou:

– Bonjour, vous trabalha aqui? – Ela era, definitivamente, francesa. – posso ler les archives de la cidade, por favor, David?

– Os... Os arquivos, senhorita? – David, o recepcionista, esperou até ela concordar, e continuou levemente chateado por ter que levantar de sua poltrona. – siga-me, por favor.

– Merci.

Essa francesa tem algo de diferente, pensou Laýla, além disso, ela queria ler os arquivos da cidade. Estaria ela procurando alguém? Ou só esperando conhecer mais do local?

Ryan também ficou intrigado com a francesinha e seguiu-a a distancia. Laýla teve que ir atrás. A Francesa parecia flutuar em vez de andar, e seus movimentos eram graciosos. No fundo, Laýla achava isso irritante e estava odiando ter que investigar o que quer que fosse que uma garota de fora tivesse para pesquisar em uma cidadezinha como Clayton. Para ela, a Francesa estava agindo assim de propósito, pensamento que, depois, foi conduzido gentilmente para a lixeira.

A investigação não deu muito certo. Em parte por que a Francesa não falava nada, em parte por que ela lia jornais recentes com nenhum proposito real. Laýla ficou aliviada quando Ryan decidiu que era hora do almoço. Desviaram para a praia antes de voltar para a casa de Dora, para poderem aprecia-la. Laýla nunca tinha ido a nenhuma praia e ficou encantada com a de Clayton, aonde algumas jangadas coloridas deslizavam na água.

Quando chegaram à rua de Doralice, Laýla sentiu um leve incômodo. Olhando diretamente, ela não via nada, mas apertando os olhos e se concentrando bastante, ela viu alguns ligamentos novos pela frente. Os lutadores tinham linhas vibrantes e vermelhas, como as de Aaron, Lucille e Ryan; os mágicos possuíam cordas retas e paradas, como as dos seguranças da Corte; os que possuíam a visão tinham ligas tênues e claras, com curvas e ramos. Quando saiu da casa de Dora, Laýla só via os ligamentos de Ryan e o seu. Agora, uma fina linhazinha azul celeste, com desníveis e ramos estava saindo pela janela da sala. Algum visionário estava lá!

– Ryan?

– Sim?

– Talvez nós devêssemos entrar em silencio, sabe? – Hesitou – Um visionário veio visitar Doralice.