Todos os presentes pareceram petrificados. Dentro da sala, Aaron e Lucille estavam sentados no sofá, de frente para a Francesa. Eles pareciam ter discutido e só parara quando ouviram alguém à porta. Ryan quebrou o silencio. Ele foi até a cozinha, pegou um pacote de biscoitos, uma jarra de suco e cinco copos, nos quais ele dividiu o suco. Depois sentou no braço do sofá, ao lado de Aaron e fez um sinal com a mão, chamando Laýla para o outro braço do móvel.

Agora que estava sem o capuz, todos podiam examinar o rosto da Francesa. Ela tinha cabelos loiros, curtos e muito enrolados. Os olhos eram grandes e azuis escuro e a pele era claríssima. Ela tinha um ar superior, como se todos os outros fossem seres imbecis. Devia ser um efeito colateral de ser quase a ultima de sua ‘espécie’- os visionários foram muito usados nas guerras e agora não passam de quatro pelo mundo.

Aaron olhava para Lucy, como que perguntando o que iam fazer e Lucy olhava para a Francesa, pedindo que ela falasse alguma coisa. A Francesa virou-se para Ryan, estudando-o.

– Vous tem algum don? – A voz dela cominava com sua aparência muito bem. Tinha um quê de desprezo.

– Sim, é claro! Sou um lutador. – Ryan respondeu, tentando parecer indiferente.

– E tem formation?

– Sei lutar muito bem, obrigado.

A Francesa encarou Ryan por um momento e depois se virou para Laýla.

– Vous certainement non tem don. Non iria servir à nada. Aaron, que faz elle aqui?

Laýla sentiu sua face ruborizar de raiva. Que garota metida! Como ela ousa falar assim? Essa arrogância, como se Laýla fosse um nada, não poderia perdurar!

– Espere, Laýla! Acalme-se, OK? – Alguém tinha agarrado seu braço. Um grito como efeito sonoro podia ser ouvido. A visão de Laýla estava embaçada. Aspirando, Laýla piscou até focalizar a visão.

No meio da sala, a Francesa estava ajoelhada, chorando em francês. Aaron estava do lado dela, em pé. Lucy estava no sofá, toda encolhida. Ryan estava do lado de Laýla, segurando-a pelos braços. Ela estava em pé também. Tudo que aconteceu voltou para a sua mente e ela precisou sentar para pensar. Como podia ter feito isso?

Francesa levantou e evitou olhar para Laýla. Ainda tremendo, perguntou, meio para si mesma:

– Quel é o don? Magie?

– Não acho. – Laýla achou que devia ao menos responder com clareza depois do que fez, então continuou. – Nunca fiz magia. Quero dizer, levitar, atear fogo, derreter com o olhar, esse tipo de coisa. Eu sou... Mestra mental, eu acho. Eu posso obrigar você a pensar, deduzir, falar ou fazer o que eu quiser, se eu tiver vontade mesmo. E contato visual, é claro. Eu... quando fico com muita raiva... você viu o que acontece! Perco um pouco do controle.

– Sem magie?

– Magia nenhuma.

– Intéressant.

A Francesa pensou um pouco, calada. Depois de um tempo, ela anunciou:

– Esruel foi capturé, junto com os Lobinhos. Todos eles serão morts en trois dias. Esruel era nosso principal protecteur, por ser filho da Dama, mas ela não foi maternaliste e o entregou a PSM- prison à sécurité maximale. Vous serez rastreados depois, é claro, já que o objetivo é acabar com a pouca population dotada. Poderíamos resgata-los? Pelo menos os mais fort? Preciso de vocês! Se il vous plaît!

– Eu vou, pode deixar. – Ryan respondeu prontamente. Ele não viu o olhar de descrença que Laýla lhe lançou, pois pegou um biscoito para exame.

– Vamos também – Ron e Lucy falaram juntos.

– Vous também, femme? – Francesa perguntou para Laýla.

– Claro. – Laýla respondeu. Teria que ir, afinal.

– Grand.

– Ei, como é mesmo seu nome? – Laýla perguntou, enfim. Chamar alguém de Francesa o tempo todo não é muito legal.

– Je me appelle Esther.

– Muito prazer. Eu souLaýla.

– Grand.

“Esruel devia ser um garoto terrível para que sua mãe se livrasse dele assim. Ou, ele não tinha magia suficiente, ou uma doença, ou...” Laýla esboçou um sorriso. Se dirigindo a Esther, perguntou:

– Esther, Esruel é o único filho da Dama, não?

– Oui.

– E ela se casou com um mago poderoso, não é?

– Oui.

– E ela é poderosa também, em termos de magia, né?

– Certainement.

– O casal não é nada flexivel, é?

– Naturellement non.

Ryan ficou impaciente com as perguntas e exigiu uma explicação pro falatório. Decidindo quando iria treinar com Aaron, ele estava se distraindo com a conversa das meninas. Laýla tratou logo de responder, como se Esther quem tivesse perguntado.

– O garoto não é mágico. Ele deve ter uma anomalia mágica, como eu. Estou certa?

– Non... oui! Mas je non dirai qual.

– Esther !

– Si vous quer saber, demander para ele.

Esther se dirigiu para a porta e a abriu.

– Onde você vai?

– Je ne vais dormir aqui. Até jeudi.

– O que é ‘jeudi’?

– Quinta-feira.