Correndo contra o destino
3 Capítulo 03 - Contando a verdade!
─ Aaah! Quem?! Onde?! O que?!
Posso estar exagerando, mas o susto foi tão grande que ao virar-me para trás e tentar me levantar acabei me desequilibrando e caindo. Eu pensei estar sozinha ali, não imaginei que havia outra pessoa presente.
─ Desculpe te assustar, você está bem? ─ Disse enquanto estendia sua mão para me ajudar a levantar.
“Ué, déjà−vu?”.
─ Sim estou, obriga−. ─ Olho em seu rosto, um garoto, percebo sua pele amorenada, seus olhos castanhos avermelhados, seus cabelos negros levados pelo vento, impossível não se apaixonar. Não que eu tenha de fato me apaixonado, digamos que foi só um sentimento passageiro, até por que eu não estou em posição de me apegar a ninguém, caso o contrário isto seria como um romance em que a personagem prestes a morrer faz amigos e se apaixona, e quando menos espera a morte chega para busca-la.
─ Ei, você está bem mesmo? ─ Ele perguntou enquanto me encarava intensamente, olho no olho, ato que me fez ficar bastante envergonhada.
─ S-sim, eu estou bem, obrigada...
─ Erik, este é meu nome. ─ Ele me disse antes mesmo que eu tivesse pensado em perguntar.
─ Ah sim, obrigada Erik. ─ Respondi meio tímida, nunca tinha visto um garoto tão bonito assim.
Ficamos nos encarando por alguns segundos, foi uma situação bastante chata e constrangedora no meu ponto de vista, meu único desejo naquele momento era sair rapidamente dali, então quando abri minha boca para me despedir dele, o mesmo me interrompeu dizendo algo bem inesperado...
─ Esta manhã está maravilhosa não é?
“O que esse cara ta falando?!”
─ Pois é, mas sabe, eu tenho que ir pra sala agora. ─ Eu disse esperando que eu pudesse sair dali.
─ Ah, entendo. Mas o sinal ainda não tocou, por que não ficamos aqui conversando? ─ Ele sugeriu.
“O que está acontecendo? Isso aqui está parecendo um anime de romance.”
─ Ok então.
Nos sentamos e conversamos bastante, na maior parte do assunto falamos sobre o livro que eu estava lendo. Nós acabamos perdendo a noção do tempo e mais uma vez me atrasei para chegar à sala de aula.
Quebra de tempo.
Ao acabar a aula saio de minha sala e dou de cara Arthur, ele parecia estar bastante preocupado, como se estivesse procurando alguém.
─ Ah, oi Arthur, aconteceu alguma coisa? ─Perguntei curiosa.
─ Ah não, ─ ele disse com um tom de ironia. ─ eu só fiquei te procurando o intervalo inteiro. Onde você estava afinal? ─ Perguntou.
─ Eu estava no terraço conversando com um garoto.
─ Garoto? Quem? ─ Ele perguntou curioso.
─ Um garoto ai, não sei quem ele é, se não me engano seu nome era Erik.
─ Erik? Eu o conheço, ele está na minha sala. De fato o vi subindo para o terraço hoje, mas não imaginei que você estava lá.
─ Vocês são amigos? ─ Perguntei.
─ Não, não, só conversamos de vez em quando, em momentos muito raros. ─ Ele responde. ─ Certo agora vamos embora.
Quebra de tempo.
─ Tchau Alice, nos vemos amanhã. ─ Arthur diz enquanto estende sua mão para se despedir.
─ Tchau... ─ Respondo meio intrigada.
O vejo indo embora a minha frente, mal sabia ele que hoje seria o ultimo dia que nos veríamos. A notícia poderia choca-lo então resolvi contar para ele, achei que fosse melhor assim, mesmo que nós não fossemos tão próximos.
─ Arthur, espera. ─ Disse enquanto corria em sua direção.
─ Hm? O que foi? ─ Ele perguntou.
─ Eu tenho algo pra te contar. ─ Eu disse nervosa.
─ O que é?
─ Por que não entramos primeiro? Vai ser melhor de conversar. ─ Sugeri.
─ Ok.
Nós entramos em minha casa, minha mãe ainda não havia chegado, sentamos no sofá da sala, e eu expliquei tudo a ele sobre minha doença e minhas condições de vida, ele ficou bastante surpreso e ao que aparenta um pouco triste também.
─ Então você tem câncer de pulmão? ─ Ele perguntou ainda com dúvidas.
─ Sim! ─ Afirmei.
─ Você deve estar tirando uma com a minha cara!
─ Não, por que eu brincaria com algo tão sério?
─ É verdade, você não brincaria com algo assim... ─ Ele diz. ─ Eu estou realmente chocado... Eu não sei o que te dizer.
─ Não tem nada pra dizer!
Ficamos em silêncio por um bom tempo, ele parecia bem triste pra alguém que conheci há apenas dois dias. Enquanto estávamos em silêncio eu pensava em algo que pudesse desfazer aquele clima estranho, até que ouço barulhos de chaves e a porta se abrindo, era minha mãe, tinha acabado de chegar.
─ Oi filha.
─ Oi mãe.
Ela olha para o outro sofá e percebe a presença de Arthur, que estava meio cabisbaixo.
─ Quem é esse? Seu namorado? ─ Ela perguntou. Com certeza estava tirando uma com a minha cara.
─ N-não! Mãe! Ele é só meu amigo. ─ Eu digo envergonhada, mas que situação constrangedora.
─ Entendi. Nossa Alice Kelly, eu esperava mais de você. ─ Ela disse enquanto escondia seu rosto para eu não ver que a mesma estava rindo.
─ Ah me deixa! ─ Eu disse irritada.
Momentos depois ainda ficamos conversando um pouco eu e o Arthur, ele foi pra casa bem tarde, por volta das 12:30AM ele estava bem preocupado e disse que iria faltar a aula para ficar comigo, fiquei surpresa, mas de nada isso vai adiantar.
Logo após me despedir dele fui ao meu quarto dormir, porém não consegui, estava muito pensativa e assustada, de repente toda aquela segurança se foi e do nada, a voz veio em minha cabeça, dizendo...
“Eu quero viver!”.
Não dá pra segurar mais, as lágrimas tomam conta de mim, nunca pensei que eu fosse tão mole, talvez isso fosse realmente o fim.
“Eu não quero morrer!”
Eu sabia que implorar pra viver não ia adiantar de nada então parei, enrolo-me em minhas cobertas, dos pés a cabeça e choro em silêncio, depois de tanto chorar caio num sono profundo. São 8:30AM, me acordo com a campainha tocando, deve ser o Arthur, ele disse que viria me ver, escuto minha mãe indo atende-lo, não quero sair do quarto, mas também não quero parecer mal educada. Crio forças para me levantar da cama e vou ao banheiro, olho-me no espelho, estou péssima, pareço um zumbi, meus olhos estão vermelhos e inchados de tanto chorar, lavo meu rosto e desço as escadas para me encontrar com Arthur, ele está sentando no sofá me esperando.
─ Oi Arthur...
─ Oi Alice, bom dia! ─ Ele sorri. Parece meio forçado, como se estivesse querendo me fazer sentir melhor. ─ Eu e sua mãe estávamos conversando.
─ Hm... Sobre o que? ─ Perguntei não tão curiosa.
─ Sobre o passeio para qual eu vou levar você hoje!
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