─ VOCÊ?!

Era ele, o tão esperado e um tanto atrasado, o entregador de minha comida chinesa, cara eu já não aguentava mais esperar.

─ Finalmente em!

─ Desculpe a demora senhora, é que tivemos um pequeno imprevisto. ─ Se justificou enquanto me entregava a caixa com meu pedido.

─ S-senhora?! Bom tudo bem, se houve um imprevisto não a por que reclamar eu acho. ─ Eu disse, enquanto passava a mão em minha cabeça para aliviar a coceira com que estava. ─ Bom obrigado, e aqui está o dinheiro. ─ Fechei a porta e ele se foi.

Subi para o meu quarto e voltei a escutar minha música preferida enquanto comia minha tão adorada comida chinesa, ao terminar de comer escutei o barulho da porta se abrindo, provavelmente minha mãe havia acabado de chegar, desci para ter certeza, vai que era um invasor, hoje em dia pode se esperar de tudo.

─ Mãe é você? ─ Perguntei enquanto descia as escadas.

─ Sim filha sou eu. ─ Ela respondeu.

─ Ah que bom, mas que demora em, onde estava? ─ Perguntei de braços cruzados, estava inconformada, como uma mãe deixa sua pobre filha de 17 anos com fome sozinha em casa? Não que eu seja uma inútil, mas às vezes a preguiça bate, fala sério!

─ Desculpe a demora, eu estava no mercado, fui fazer compras. ─ Ela disse enquanto colava as sacolas sobre a mesa.

─ Bem como imaginei. ─ Sorri e disse. ─ Trouxe algo pra mim?

─ Sim trouxe, assim que vi me lembrei de você. ─ Respondeu-me enquanto puxava algo de dentro da sacola.

─ O que é deixe-me ver! ─ Eu disse animada e curiosa.

─ É aquele livro que você estava de olho, mas nós não pudemos comprar no dia. Mas, bom aqui está ele agora. ─ Ela disse enquanto me entregava a livro.

─ Ah mãe obrigada, vou ler agora mesmo. ─ Pode parecer besteira, mas eu estava realmente feliz com o presente, ler é muito bom sabia?

Ela estava com o sorriso de satisfação em seu rosto, o clima estava ótimo até...

─ Alice você está bem mesmo? ─ Perguntou preocupada. ─ Não quero que você se force muito só por que está na minha frente, se quiser chorar ou me dizer alguma coisa é só falar. ─ Ela disse enquanto estendia sua mão para fazer carinho em minha cabeça.

─ Bom... A senhora sabe que eu não ligo muito pra esse tipo de coisa, então basicamente, eu estou bem. Ah, e eu estou tentando esquecer esse assunto, então a senhora poderia não tocar muito nele? Por favor... ─ Eu disse com um sorriso em meu rosto.

Seus olhos enchem de lágrimas, ela me abraça forte e logo começa a chorar.

─ Eu não quero perder você! ─ Ela diz.

─ Eu sei, você não vai me perder mãe, calma... ─ Eu digo para consola-la.

─ O que? Como assim? ─ Ela me pergunta.

Eu sorrio, ponho a mão em meu peito e respondo. ─ Eu estarei para sempre em suas memórias e também em seu coração.

Ela me abraça mais forte e chora mais ainda.

─ Certo, certo.

Olho a sacola de compras por cima de seu ombro, noto algo estranho, parecia uma carteira de cigarros.

─ Mãe o que é aquilo? ─ Perguntei, mas ela não me respondeu.

─ Eu já disse pra você parar com esse vicio! ─ Eu disse.

─ Eu sei, você está sempre me dizendo isso. Mas eu juro que essa é a última, eu estou um pouco estressada, então, por favor.

─ Promete?

─ Sim filha, não se preocupe comigo.

─ Ok!

Logo após todo esse drama volto ao meu quarto, fecho a porta, estou pensativa, ver minha mãe chorar daquele jeito deve ter mexido comigo, mais uma vez estou triste, justo quando eu pensava que esse sentimento tinha ido embora. Sento-me em minha cama e começo a chorar, não sei por que estou chorando, talvez seja por que é difícil ver minha mãe desse jeito e isso me deixa mais pensativa sobre o que eu realmente estou sentindo, se estou bem ou não com isso, mas acho que por enquanto devo simplesmente ignorar. Deito-me e logo adormeço. Me acordo com o barulho do despertador, já são 6:00 horas, me levanto e vou me arrumar para a escola, tomo meu café da manhã e saio de casa.

─ Estou indo! ─ Me despedi.

Enquanto caminho uma coisa inesperada acontece, me deparo com Arthur o garoto que conheci ontem. Ele estava andando em minha frente, provavelmente não havia percebido minha presença ainda, ele parecia disperso em seus pensamentos. Aproximo-me dele e tento assusta-lo.

─ BOOO!

Ele parou, não parecia ter se assustado, então se virou e olhou para mim...

─ Ah, é você, bem que escutei passos atrás de mim. ─ Ele disse.

─ Ué, mas você não se assustou? ─ Perguntei surpresa.

─ Claro que não, se quiser me assustar vai precisar de mais que isso. Enfim, vamos! ─ Ele disse convencido.

Enquanto andávamos conversamos sobre muitas coisas, como sua família e a vida que ele leva, descobri mais sobre ele também, ao que aparenta ele vive sozinho e seus pais morreram em um acidente de carro há pouco tempo, acho que ele disse seis semanas atrás, mais ou menos. Acho estranho ele ter contado esse tipo de coisa pra mim assim tão facilmente, não esperava isso e fiquei um pouco surpresa. Logo chegamos à escola, nos separamos e cada um foi pra sua sala, ao entrar em minha sala vi que Vanessa parecia não ter chegado ainda, provavelmente estava matando aula.

─ “Fala sério, ela me diz pra vir, mas ela mesma não vem!”.

Fiquei sozinha no canto a aula inteira, “sozinha” pra falar a verdade, o professor me deu bastante atenção hoje, me fez milhões de perguntas, o dia não estava sendo muito legal.

O sinal toca e eu ainda estou na sala, tranquila ponho meus fones de ouvido e concentro-me em minha música enquanto leio o livro que minha mãe havia comprado ontem, mas o pessoal da sala fazia bastante barulho então resolvi subir para o terraço, lá eu estaria sozinha e em paz. Subo e abro a porta, ao chegar sinto novamente aquela sensação ótima de novo.

─ “Acho que não tem mais ninguém aqui além de mim...”.

Procuro um bom lugar e me acomodo. Leio o livro atentamente quando de repente...

─ Ah! Eu já li esse livro!

Virei-me para trás assustada.

─ Aaah! Quem?! Onde?! O que?!