Correndo atrás do amor
1 Capítulo 01: À primeira vista
Capítulo 01: À primeira vista
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“Se nós não tivéssemos nos conhecido, acho que eu teria compreendido que minha vida não estava completa. E teria perambulado pelo mundo à sua procura, mesmo se não soubesse o que estava buscando”.
(Uma Longa Jornada – Nicholas Sparks)
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Meu coração batia forte dentro do peito, e eu me perguntava se aquilo tinha sido mesmo uma boa ideia. Para início de conversa, o tempo estava chuvoso, já era quase dez horas da noite de uma quinta-feira e eu teria aula bem cedo no dia seguinte. Além do mais, a minha mãe vivia me dizendo que não era adequado um garoto de dezessete anos andar sozinho por aí durante a noite, uma vez que Atenas era uma cidade que estava ficando cada vez mais violenta. Portanto, eu não deveria estar naquele lugar.
Mas, antes de dizer onde eu estava, acho que devo explicar o motivo de estar ali.
Já fazia algum tempo que eu percebera que não me sentia tão atraído pelas garotas, até mesmo as mais bonitas, e perdi as contas de quantas vezes precisei disfarçar que ficava excitado ao ver os meus colegas do time de futebol sem roupa no banheiro, depois dos treinos da aula de educação física. Sem contar as inúmeras ocasiões em que tive sonhos eróticos com o meu professor de Literatura e acordei com a minha cueca toda molhada. E, se querem saber, isso era bem constrangedor! Então, eu precisava resolver logo essa situação.
Eu precisava transar com um cara.
E não dava para fazer isso com os garotos do meu colégio, pois eles só sabiam falar do tamanho dos seios das meninas, do quanto elas eram gostosas e de quem era o maior pegador de lá. Eu estava cansado de ouvir essas conversas e ainda fingir que estava interessado só para eles não me olharem torto, afinal, eu era popular na escola por jogar futebol, e era meio que esperado que eu saísse pegando um monte de garotas.
Sendo assim, era difícil admitir para os meus amigos machistas e imaturos que, na verdade, eu ainda era virgem porque não achava certo ir além de alguns beijos com as garotas com as quais eu já tinha saído, uma vez que eu não sentia desejo por elas. Era uma questão de princípios. Além do mais, esse negócio de meio termo nunca deu muito certo para mim, ou eu ficaria com alguém que realmente me interessasse ou eu não ficaria com ninguém.
E foi por isso que, hoje mais cedo, acabei desabafando para os meus dois melhores amigos sobre o meu drama. Claro que, inicialmente, Aiolia ficou meio que em choque com a informação, mas depois ele me confessou que já havia pensado sobre isso. Sobre eu não gostar de garotas. Porque, veja bem, Aiolia era apenas três meses mais velho do que eu e já tinha transado com duas meninas, enquanto eu estava sempre me esquivando delas de alguma forma. E foi enquanto Aiolia descrevia as “vantagens” de ficar com mulheres que Mu, sem querer, me deu a ideia.
Ele interrompeu Aiolia para me contar sobre o seu tio que também era homossexual e que havia se casado recentemente com outro homem, ainda que eles já vivessem juntos há muitos anos na China. Mu contou que sempre quando os dois visitavam os parentes aqui na Grécia, ficavam repetindo a história de como se conheceram por acaso em uma boate gay e que, desde então, não conseguiam imaginar a vida um sem o outro, como se não existissem se não estivessem juntos.
Permaneci com aquela história do tio do Mu na minha cabeça e fiquei fantasiando com a ideia de que um dia eu iria conhecer alguém e ter um sentimento como esse, de não conseguir imaginar a minha vida sem essa pessoa. Também fiquei pensando que, talvez, eu devesse sair para outros lugares onde eu pudesse conhecer alguém.
E foi por isso que, mal cheguei em casa, peguei o meu notebook e procurei na Internet por boates gays em Atenas. Sempre fui assim, do tipo ansioso. Quando eu colocava algo na cabeça, não sossegava até fazer o que eu queria.
Nas minhas pesquisas, descobri que havia uma rua próxima ao metrô, onde existiam vários ambientes destinados apenas ao público gay. Fiquei empolgado com a possibilidade de encontrar uma pessoa interessante para paquerar sem correr o risco de mexer com o cara errado. Eu já havia conversado com alguns garotos nas salas de bate-papo da web, inclusive, cheguei até a falar algumas putarias com um deles, mas o garoto morava em outra cidade. Então, só de imaginar que eu conheceria, pessoalmente, um outro garoto gay, já me deixava cheio de expectativas.
Só que o que eu não imaginava era que fosse me sentir tão perdido quando chegasse lá. Fiquei perambulando pelo local e não tinha a menor ideia do que fazer ou para onde ir. Havia vários letreiros luminosos por toda a parte, e a rua era repleta de pequenos bares e danceterias lotados por caras de todos os tipos. Havia algumas dragqueens, homens abraçados, homem de maquiagem, alguns casais de lésbicas. Era uma visão bastante incomum para mim. Não que me desagradasse, nada disso, só era muito diferente do que eu estava acostumado a ver nas festas com a galera da escola. Quando dei por mim, estava encarando aquelas pessoas parecendo um bichinho assustado.
Um homem vestindo uma roupa feminina justíssima passou na minha frente e parou ao meu lado, me dando uma conferida sem o menor pudor, e isso me deixou um pouco constrangido.
Eu nunca fui tímido ou medroso, muito pelo contrário. Entretanto, aquela era uma situação completamente inusitada para mim, e acho que qualquer pessoa se sente um pouco deslocada quando está sozinha num ambiente estranho, onde não se conhece ninguém.
Deixei esses pensamentos de lado e saí em direção a um letreiro luminoso enorme onde estava escrito Bee Gay.
Havia uma fila na porta de aproximadamente cinquenta homens, e percebei que à medida que algumas pessoas estavam saindo, outras entravam. Fiquei ali por perto, observando aquela troca de pessoas, enquanto refletia se ter ido sozinho àquele lugar havia sido mesmo uma boa ideia.
E foi esse o momento em que o vi pela primeira vez.
Ele estava saindo da boate ao lado de outro cara, que falava alguma coisa e gesticulava, enquanto ele dava ares de estar entediado.
Tentei desviar o rosto no instante em que ele me olhou de volta, mas não consegui. Me pareceu um sacrifício grande demais, ainda que por apenas alguns minutos, e tive a certeza de que eu devia ser realmente muito esquisito por me sentir assim tão conectado a um estranho. Mas é que nesses meus dezessete anos de vida, nunca tinha me deparado com um homem tão lindo. Sem contar que foi uma sensação incrível quando percebi que ele também estava olhando para mim do mesmo modo hipnotizado...
Ele entregou alguma coisa para o outro cara, e senti meu coração doer no peito de tão rápido que batia, quando veio em minha direção. Será que ele vinha falar comigo?!
Involuntariamente, prendi o ar assim que ele parou bem na minha frente. O cara era um pouco mais alto do que os meus 1, 79 m e, de perto, era ainda mais bonito.
Sua pele extremamente branca e bem cuidada não aparentava a de alguém que vivia num lugar quente como a Grécia, e imaginei que ele fosse algum turista. Mas o que mais me chamava atenção nele era o seu cabelo ruivo, longo e esvoaçante, que parecia ter saído de uma propaganda de shampoo. Tenho certeza de que muitas garotas do meu colégio se matariam por um cabelo daquele. Só que ele não se assemelhava em nada com uma garota, nem fazia o tipo afeminado; ao contrário, a despeito dos contornos delicados do seu rosto, seus gestos não indicavam nenhum traço de feminilidade. Ele tinha um ar sério e usava uma camisa social branca, que trazia os primeiros botões abertos e as mangas dobradas até o cotovelo.
— Olá... — Ele me cumprimentou com um sorriso discreto, e percebi um leve sotaque francês. Turista, como eu tinha pensado.— Está acompanhado?
— Não. Só estou dando uma olhada por aí — falei e, apesar dos meus joelhos estarem tremendo, tentei parecer o mais seguro possível; já que o cara, além de parecer mais velho, era sexy e charmoso, e eu não queria bancar o garoto idiota.
— E para onde você está indo? — perguntou, mordendo o lábio inferior de forma bem atraente, me causando aquelas fisgadas familiares na virilha.
Olhei novamente para placa na boate em minha frente.
— Eu costumo frequentar o Bee Gay — menti, querendo parecer familiarizado com o lugar, e cruzei os braços, tentando disfarçar o meu nervosismo.
— Estranho eu não ter reparado em você antes, estou sempre por aqui... Vai entrar?
— Ainda não me decidi — respondi, esboçando o meu sorriso mais charmoso. Bem, ao menos as garotas do meu colégio diziam que meu sorriso era charmoso. Mas confesso que eu estava inseguro, era a primeira vez que eu flertava tão perto com outro cara. — Qual é o seu nome? — eu quis saber. Era estranho conversar com alguém que eu nem sabia o nome.
— Camus — ele respondeu.
— Meu nome é Milo — informei, embora ele não tivesse perguntado.
Ele me fitou de cima a baixo, com um olhar malicioso e provocador que parecia dizer: eu sei transformar os seus sonhos em realidade.
— Não gostaria de tomar um drinque comigo, em outro lugar?
Bateu aquele misto de euforia e apreensão. Eu nem conhecia o cara... E se ele fosse um assassino, um maluco, ou um daqueles traficantes de pessoas que aparecia nos jornais?
Alguma preocupação deve ter mostrado em meu rosto, porque ele me olhou como se achasse que aquela condição básica para mim fosse algo totalmente irrelevante e desnecessária. Aquilo deveria ser algo comum naquele ambiente, pensei, e eu devia estar realmente bancando o garoto idiota.
Ele aproximou-se mais de mim, sem desviar os olhos dos meus, e sussurrou bem próximo ao meu ouvido:
— Eu não estou a fim de voltar para a boate, mas estou muito atraído por você. — Foi direto. — Acho que poderíamos conversar melhor num lugar mais... aconchegante. E então, o que você acha?
Eu sei que devia ter levado em consideração todas as coisas que já ouvi falar sobre sair com estranhos, mas aquele cara incrivelmente lindo e irresistível disse que me queria, e, depois disso, a única coisa que eu pensei foi: Foda-se. Eu o quero.
Além do mais, tenho que admitir que aquela adrenalina tornava tudo mais interessante, e eu tinha ido lá para isso, não era? Para transar. E eu não era uma garotinha medrosa. Então, ainda que eu não fizesse a menor ideia do que me esperava, senti que era chagada a minha hora, a minha virada, a minha vez de encarar o desconhecido.
Ele assentiu ao ouvir o meu sim, e eu podia jurar que vi um leve sorriso aparecendo em seus lábios.
Camus fez um sinal para que eu o seguisse até a Mercedes, onde o cara que saiu da boate ao lado dele estava escorado, mexendo no celular. Sentamos no banco de trás e o outro cara sentou-se no banco do motorista, depois de me olhar com aversão. Ficamos calados a maior parte do tempo, até que o outro cara nos deixou em frente ao prédio onde Camus morava, que ficava muito próximo à boate. Isso significava que ele não era um turista.
***
O apartamento era moderno, sofisticado e cheio de móveis caros. Os espaços eram definidos pela decoração e não por paredes, que eram poucas. Uma delas, a que ficava paralela à porta, era na verdade uma gigantesca janela de vidro.
— Não vai entrar? — ele questionou, e só então percebi que eu estava parado na entrada, deslumbrado com o loft dele. — Feche a porta.
— Seu apartamento é muito legal — comentei, tentando disfarçar o meu nervosismo, e puxei a porta para fechá-la. Depois, enfiei minhas mãos no bolso tentando secar um leve suor que começava a aparecer. Isso sempre acontecia quando eu ficava ansioso demais.
Ele perguntou se eu queria beber alguma coisa, enquanto pegava uma garrafa no bar. Sinalizei que não com a cabeça, ainda assim, ele abriu a garrafa e despejou um pouco da bebida numa taça, tomando um gole generoso em seguida.
— Este vinho é muito bom, é o meu preferido — ele disse, colocando a taça de volta em cima da bancada. — Deveria experimentar.
— Eu... eu não bebo vinho. — Quase gaguejei, apatetado e vidrado, ao vê-lo desabotoando e abrindo a camisa quase que em câmera lenta. Era a visão do paraíso... Ele tinha um abdômen bem definido e supôs que ele, com certeza, devia frequentar religiosamente a academia. — Uma vez, numa festa que fui com meu primo, eu bebi vinho mais do que deveria e vomitei tudo em cima de uma garota. Foi horrível!
Merda! Por que eu tinha que falar essas coisas?!Meu cérebro parecia meio lento e desorganizado; eu não conseguia falar nada além de bobagens.
— Bem... então acho melhor deixarmos o vinho longe do alcance.
Ele não conteve uma leve risadinha, como se estivesse se divertindo às minhas custas. Isso me deixou um pouco sem-graça, e eu caminhei até a parede de vidro.
— Uau! Que vista incrível! — exclamei depois de alguns minutos observando a paisagem. Apesar da noite chuvosa, as ruas estavam bem iluminadas e dava para ver o mar.
— Você gostou?
Um arrepio correu pela minha espinha ao ouvir o som de sua voz rouca tão perto do meu ouvido, muito perto mesmo.
Eu me virei e engoli em seco quando o vi. Um calor imediatamente se espalhou pelo meu corpo, eu parecia uma usina de energia elétrica.
— Uh... Uhum... — respondi, mas não era do mar que eu estava falando.
Camus estava completamente despido em minha frente — completamente—, sem demonstrar nenhuma inibição em exibir seu pênis ereto e rígido. Ele parecia a estátua de um deus com aquela pele branca totalmente exposta, os ombros levemente mais largos que a cintura, que ia se alargando ligeiramente no quadril. Seus músculos eram definidos, mas delgados e suas coxas eram grossas. Eu nem preciso comentar o quanto fiquei duro com aquela visão e tenho para mim que eu estava de boca aberta.
— Você está muito longe... — Ele me analisava com uma expressão séria, mas o olhar malicioso e provocador, e se aproximou ainda mais, colando nossos corpos. O meu corpo inteiro vibrou de excitação. Sua mão foi parar na minha nuca, enroscando os dedos pelos meus longos cachos loiros enquanto o seu rosto se enterrava em meu pescoço. Começou a mordicar e a beijar a minha orelha, antes de sussurrar no meu ouvido: — Como é mesmo o seu nome?
— Milo — respondi quase em um sussurro também. Minha mão estava sobre o seu abdômen, sentindo os músculos rígidos contraírem-se, ao mesmo tempo em que eu me arrepiava com seus beijos em meu pescoço. Fechei os meus olhos para aproveitar aquelas sensações.
— Eu vou te foder a noite toda, Milo.
E foi então que ele me beijou.
Seus lábios eram mais macios do que eu esperava e, pela primeira vez, achei que o gosto de vinho era a melhor coisa que eu já tinha provado na minha vida. E por Deus! Eu já imaginava que seria diferente do beijo das garotas que eu beijara, mas não fazia ideia de que seria tão melhor! Apertei os olhos e arquejei, gemendo em sua boca, enquanto sua língua explorava cada canto da minha. Meus braços foram parar no seu pescoço, segurando em seus cabelos e sentindo a textura macia dos fios, enquanto ele abraçava-me pela minha cintura e apertava-me ainda mais de encontro ao seu corpo.
Camus desceu os lábios para o meu pescoço novamente, me chupando e me mordendo de tal maneira que eu me contorci. Ele desabotoou o meu cinto e abriu minha braguilha, antes de colocar a mão dentro da minha cueca e massagear o meu pênis. Eu gemi longamente com isso e tomei coragem para também tocar no pênis dele. Percebi que minhas mãos estavam tremendo, na verdade, o meu corpo inteiro estava tremendo.
— Tem muita roupa aqui — ele disse, puxando minha calça jeans para fora do meu corpo. Eu, rapidamente, arranquei a minha camiseta branca, jogando de qualquer jeito no chão, ao mesmo tempo em que me livrava do tênis usando apenas os meus pés.
— O seu corpo é lindo! Você todo é lindo! — Ele me elogiou, arranhando o meu tórax, me deixando encabulado.
— Você também é lindo! — murmurei, antes de ele me beijar outra vez.
Depois, Camus foi praticamente me arrastando — já que as minhas pernas não estavam mais me obedecendo direito — pelo piso que conectava o quarto, o qual era alocado em uma espécie de mezanino à fachada da sala.
Ele me empurrou em cima da cama, fazendo-me cair de costas no colchão, sentou-se no meu colo, com a perna de cada lado do meu quadril, e começou a ondular o corpo lentamente, de forma bem sensual.
— Então, o que você gosta de fazer? — perguntou.
— O que eu gosto de fazer? — Achei curioso alguém que mal perguntou meu nome ficar interessado em conhecer os meus gostos, justo naquele momento. Era estranho! — Eu gosto de ler, de ver filmes e de jogar futebol e videogame...
Os lábios dele se contorceram em um fantasma de sorriso.
— Eu quis dizer na cama.
— Oh... — exclamei, me dando conta de que eu é que era estranho ali. Um garoto idiota e estranho. Ele devia estar me achando um imbecil. Com certeza já tinha se arrependido de ter me convidado para ir para o apartamento dele.
— Você gosta de ser ativo ou passivo?
Caramba! Eu preferia que ele tivesse conduzido a coisa toda, ao invés de me perguntar, porque eu fiquei com medo de responder uma coisa e ele gostar de outra. Quer dizer, ele poderia desistir por causa disso, não é? E eu o queria. Meu corpo inteiro parecia clamar por ele.
Pensei alguns segundos sobre a assunto. Eu já tinha lido em algum site na Internet algo sobre posições na cama, e nos meus sonhos sempre me imaginei como ativo. Por outro lado, eu nunca havia experimentado na prática para saber do que eu realmente gostava, de fato, e a ideia de ser o passivo para ele não me desagradava totalmente. Então, com medo de ele desistir, respondi, meio incerto:
— Eu sou ativo ... e passivo.
— Você é bem versátil então. Eu gosto disso...— ele falou, com um olhar malicioso, recomeçando a mover o quadril sobre o meu.
Eu fiquei tão empolgado com isso que resolvi tomar alguma iniciativa. Ergui um pouco o corpo, apoiando meus cotovelos no colchão, e afundei meus lábios nos dele. A língua de Camus entrou na minha boca de maneira atrevida e provocante. Todo ele parecia ser provocante. Tentei aprofundar mais o beijo, mas ele recuou um pouco, mordendo o meu lábio inferior.
Em seguida, começou a beijar o meu peito e chupar meus mamilos, um de cada vez, com calma e empurrando-me lentamente contra o colchão. Acabei deitado com ele por cima, passeando a língua por meu tórax e abdômen até alcançar a minha virilha.
Ele foi tirando minha cueca vagarosamente, enquanto sua língua percorria toda a minha região púbica pelos dois lados, descendo pelos testículos e sugando-os levemente, depois lambendo. Senti meus batimentos cardíacos dispararem cada vez mais, como se eu estivesse numa partida de futebol, quando ele me olhou daquele jeito, parecendo faminto diante de um prato de comida.
— A natureza foi generosa com você — comentou, sem desgrudar os olhos dos meus, antes de segurar meu pênis pela base e tocá-lo também com a língua, em movimentos circulares.
Eu gemi com isso. Gemi ainda mais quando ele começou a mover a mão e a me chupar até que eu estivesse no fundo da garganta dele — isso porque ele tinha acabado de elogiar o tamanho do meu pênis. Eu já começava a ver estrelas e era quase agonizante a maneira com que Camus movia a língua em minha glande. Eu me agarrei aos lenções com força, impressionado com meus gemidos.
Usei o apoio dos pés para impulsionar meu quadril contra a boca e língua dele, e ele começou a aumentar a velocidade. Cheguei a erguer-me um pouco para ver, com meu tórax subindo e descendo descompassadamente.
Não demorei muito para gozar. Meu corpo caiu para trás quando o orgasmo chegou, e, apesar de estar meio entorpecido, não deixei de sentir seus lábios voltando a subir pelo mesmo caminho pelo qual haviam descido até alcançarem novamente a minha boca.
Prendi a respiração e me afastei, assustado, quando senti seu dedo pronunciar-se entre minhas nádegas.
— Está nervoso? — perguntou, acariciando minhas pernas. Se eu estava nervoso?! Eu estava apavorado! — Já esteve com alguém antes?
— Sim ... Quero dizer, não. Essa é a minha primeira vez — confessei, trêmulo.
— Eu percebi — ele disse. Algum constrangimento deve ter mostrado em meu rosto porque ele me olhou, como se dissesse que estava tudo bem. — É assim mesmo, só relaxe um pouco.
Eu pensei que ele fosse tentar colocar o dedo novamente, mas ele pediu para que eu me virasse na cama. Eu fiz o que ele pediu e fiquei de quatro, sentindo umas fisgadas no estômago e todo o meu corpo pinicar por ficar naquela posição.
Camus inclinou sobre mim e beijou minha nuca, chupando e mordendo, depois passou a beijar a minha orelha, colocando a língua nela para em seguida morder o lóbulo. Eu já tinha voltado a ficar duro só com aquela carícia.
— Você é muito gostoso, sabia disso? — ele sussurrou, deixando-me arrepiado. — Quero que você se lembre dessa noite para sempre...
Eu tinha certeza de que jamais esqueceria essa noite, jamais o esqueceria...
Ele foi descendo os lábios, sua língua percorrendo lentamente toda a extensão das minhas costas, cintura, até chegar às minhas nádegas. Dei quase um grito, arqueando o meu pescoço para trás, quando ele beijou bem entre elas, pressionando sua língua naquela região tão íntima. Senti as minhas bochechas arderem e, num gesto instintivo, fechei as pernas.
— Você vai gostar... — ele disse e, gentilmente, afastou minhas coxas e aprofundou mais a língua, deslizando-a para cima e para baixo e alternando com movimentos circulares. Era tão prazeroso que deixei que ele continuasse, mesmo me sentindo envergonhado. Eu nunca imaginei que alguém pudesse ter coragem de beijar ali. Na verdade, eu não fazia ideia de que poderia sentir tanto prazer naquela região.
Espasmos começaram a tomar conta do meu corpo e ofeguei trêmulo. Meus braços mal me sustentavam e eu já apertava os olhos, sentindo meu pênis vazando e molhando o lençol.
Camus acariciou minha coxa, antes de agarrar o meu membro para me masturbar, ao mesmo tempo em que continuava a me beijar e me lamber naquele local, descendo a língua algumas vezes entre os testículos e o ânus. E tudo que eu conseguia fazer era me arquear e gemer cada vez mais.
— Ah... Eu ... Ah... — Eu precisava gozar, era o que queria dizer, mas acho que ele percebeu, e eu quase tive um colapso quando ele parou de me acariciar e se afastou.
— Não goze agora.
Como ele podia pedir isso para mim?! Eu estava a ponto de enlouquecer! Eu sentia todo o meu sangue bombear na minha região púbica.
Concentrei-me para não gozar como ele pediu, mudei a posição deitando-me na cama e o vi pegando uma camisinha e um tubo de lubrificante na gaveta do criado mudo.
Camus deitou sobre mim e me abraçou, enquanto seus lábios caíram sobre o meu pescoço, meu tórax e meus mamilos. Minhas mãos deslizaram por seus cabelos, depois por suas costas, sua bunda, apertando toda a carne que eu alcançava.
Ele se afastou um pouco, entregando-me a camisinha para que eu colocasse nele. Ao menos isso eu sabia como fazer, porque a professora de Biologia tinha dado mais aulas sobre sexo seguro do que qualquer outro assunto.
Ele encheu a mão com o lubrificante e passou em mim. O gel era gelado, mas ele avisou que iria esquentar. Retraí um pouco quando ele me invadiu com um dedo e massageou lenta e calmamente, depois colocou um segundo dedo.
Camus pediu para que eu colocasse as minhas pernas sobre os seus ombros e assim o fiz. Acho que ele percebeu que eu estava tremendo outra vez, porque pediu para que eu relaxasse e avisou que iria doer um pouco.
Então, seus lábios caíram sobre os meus novamente, e ele começou a me penetrar bem devagar.
A minha primeira reação foi soltar um grito realmente alto e me retesar para afastá-lo. Doer um pouco?! Tive a sensação de estar sendo partido ao meio por um cabo de vassoura.
— Dói muito... dói sempre assim? — Minha voz era quase um lamento e tenho certeza de que meu rosto estava transfigurado em uma careta.
— Só no começo — ele garantiu, mordendo o lábio, e acariciando o meu pênis. — Logo você verá como vai ficar bom...
Eu suavizei minha expressão com medo de parecer uma garota frágil, e ele começou a se movimentar lentamente, depois de avisar que faria isso. Só que aquela maldita dor não passava, eu duvidei de que em algum momento ela fosse passar.
Então eu parei de me concentrar na dor quando vi as expressões no rosto dele... Os olhos semicerrados, os lábios entreabertos, a respiração ofegante, os gemidos roucos... Aquela era a visão mais avassaladora da minha vida. As pontadas de prazer aos poucos foram surgindo, e a dor se tornando cada vez mais leve, até que meus olhos perderam o foco e eu estava gemendo também, compartilhando de suas mesmas expressões.
Agarrei as costas de Camus, abraçando-o e tentando mover o quadril com mais velocidade, querendo sentir mais daquilo que experimentava pela primeira vez. Acho que ele percebeu a diferença, pois agarrou minha cintura, firme, ansioso, e ajudou-me a intensificar o ritmo com que me penetrava. Começou a erguer minha pelve e a puxá-la com força, chocando nossos corpos e grunhindo. Eu me perdia naquela movimentação e tentava acompanhá-lo, movendo também os quadris, me empurrando em aflição contra ele. Suas madeixas vermelhas caíam pela face corada e eu as toquei, tirando-as de seu rosto.
Segurei a sua nuca e o beijei na garganta, passando a língua por seu pomo de adão e descendo para o seu peito liso. Acho que gritei o nome dele ao gozar, antes de procurar sua boca para beijá-lo, sugando desesperadamente seus lábios, sua língua. Praticamente perdi todas as forças após sujar lhe o abdômen com meu sêmen, sentindo meus músculos contraídos e meus dedos do pé ficaram um pouco dormentes.
Ele deu mais duas ou três estocadas, antes de gemer rouco contra minha boca e chegar ao orgasmo também.
Continuamos nos beijamos por algum tempo, lentamente diminuindo a intensidade, os espasmos ainda me atingindo até, pouco a pouco, pararem.
Ele permaneceu por mais alguns minutos deitado sobre mim, e eu aproveitei para fazer-lhe um carinho nas costas. Pouco depois, ele se levantou de supetão, tirando a camisinha, enquanto eu continuava largado sobre a cama, respirando ofegante pela boca, de olhos fechados, sentindo o estupor tomar conta de minha mente.
Permaneci com olhos fechados por um tempo, quase dormindo, com um largo sorriso estampado no rosto. Sem dúvida, aquela tinha sido a sensação mais incrível que eu já tive em toda a minha vida.
Quando abri os olhos, o vi caminhando em direção ao banheiro. Tão lindo, tão sensual, tão altivo... E eu percebi que ainda o queria. Queria muito mais...
Então eu me levantei e fui atrás dele.
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