Corps Tokyo
3 ExSo, o lado ruim.
Notas iniciais
- IRMÃ?!?!?!?!?!
- Olha nee-chan eu posso explicar...
- Aqui você se dirige a mim como Diretora! – Konan estava bastante brava.
- Sim senhora. – Kaori abaixou a cabeça.
- Vocês sabem muito bem que não podem entrar naquela área, aliás nem chegar perto.
- Sim senhora. – Kaori respondia com a voz baixa e parecia triste.
- Terei que dar uma ocorrência para as duas. – Konan pegou uns papéis na gaveta de sua mesa e começou a preencher. Eu estava paralisada ainda, tão confusa que não saia uma palavra de minha boca.
- QUÊ?!?!?!?! Vocês são irmãs?? – e simplesmente do nada saiu essa merda da minha boca.
- Fica quieta. – Kaori cochichou e apertou minha mão fazendo sinal de negativo.
- Desculpa. – abaixei a cabeça sem jeito, a diretora parecia me olhar com raiva.
- Continuando, terão que limpar o salão do colégio durante uma semana, depois das aulas. – então abriu fazendo um sinal para sairmos.
- Sim senhora. – dissemos em uníssono e nos retiramos.
Andamos pelo corredor em direção aos nossos dormitórios em silêncio, mas a curiosidade estava me consumindo...
- Como assim irmãs?!?!?!?!?! – perguntei empolgada, Kaori estava de cabeça baixa e dava para sentir uma aura desanimadora em volta dela. – Me desculpa! É que eu fiquei muito surpresa e... me desculpe!
- Não, tudo bem, sem problemas. É normal. Eu já esperava uma reação assim quando alguém descobrisse. – levantou a cabeça com o sorriso de sempre.
- Mas por que você não contou nada para ninguém?
- Bom, para falar a verdade. Não tenho autorização para falar sobre isso com qualquer aluno. – disse séria – Mas como você não é qualquer aluno, eu acho que vou contar a você. Até porque já está na hora de você saber de toda a verdade mesmo. Então pode me perguntar o que você quiser. – agarrou meu braço e sorriu.
- Então... Vocês são realmente irmãs? – perguntei meio envergonhada pela “posição” que nos encontrava.
- Sim. Meu nome verdadeiro é Kaori Nakao Del Fiori.
- Se você é irmã da diretora Konan e a diretora Konan é irmã gêmea da professora Kanon. Você seria irmã da professora também correto?
- Isso mesmo. Somos em cinco na verdade. As duas são as mais velhas, depois vem meus irmãos que são gêmeos também, Ken e Katsu e por último eu, Kaori. – enquanto falava de seus irmãos ela mostrou uma foto dos dois que tinha na carteira, 3X4, um era loiro e tinha olhos castanhos claro, enquanto o outro era moreno com olhos azuis. Os dois muito bonitos, era com certeza uma família bonita.
- Puxa! Quatro irmãos? E ainda por cima gêmeos?
- É, pois é. Digamos que minha família é um pouco incomum. Quando eu era mais nova me sentia mal por ser a única a não ter um irmão gêmeo. Mas hoje vejo que isso foi como um privilégio para mim. – brincou, percebi nesse exato momento algo piscando dentro de sua camiseta branca do uniforme, algo parecido com um celular um pager sei lá.
- Nossa, deve ter sido difícil para você né?! – o celular/pager não parava de piscar – O Kaori, tem alguma coisa piscando aí na sua camiseta.
- Ah! Sim. – tirou algo parecido com um celular, mas bem menor que este. – Um, parece que precisamos dar uma corridinha. Vem! Vamos até o dormitório logo. – me puxou pelo braço e saímos correndo.
Chegando na porta do quarto, entrou imediatamente me puxou para dentro e logo em seguida fechou a porta. E para minha surpresa, ela estava lá dentro do quarto junto com a gente.
- Oi mais uma vez Hikari. – dessa vez era Kanon.
- Está atrasada Kaori. – de trás da porta saiu Konan, desde quando ela estava lá mesmo?
- Mas o que hein?! – sentei na cama meio confusa com a situação. – O que eu fiz dessa vez?
- Nada, só estamos aqui porque precisamos te mostrar uma coisa. – Kanon fechou a janela, apagou a luz e abriu seu note book. – Percebemos algo em você muito valioso. Depois do ocorrido mais cedo, Konan me procurou e me informou dos fatos. Mas vamos direto ao ponto. Quando nos encontramos pela primeira vez, você estava em no lago no meio da floresta certo? Como você chegou a esse lugar? – a professora de química parecia bem assustada.
- Bom, eu estava andando procurando um lugar para descansar e acabei indo parar naquele lugar. Agora que você tocou no assunto, não lembro exatamente o caminho que eu fiz , eu estava andando e de repente estava naquele lugar, não havia mais pátio central, nem dormitórios ou escola.
- E hoje? Como fez para chegar lá?
- Ah! Hoje fui eu quem a levei até lá. – Kaori levantou a mão.
- Você sabe que é um lugar proibido! Por que fez isso? – a diretora parecia estar brava com a pequena, mas não estava brava dando medo.
- Bom, para falar a verdade eu já sabia que ela era uma HP, quer dizer, tinha minhas dúvidas, mas eu precisava comprovar né! – deu aquele sorriso com lingüinha pra fora como se não tivesse feito nada. – E estava certa pelo visto. É uma! – olhou para mim entusiasmada.
- HP? O que é isso? – perguntei
- Tudo há seu tempo. – respondeu a professora. – Você tem certeza que ela é uma Kaori? Ela não apresenta a prova.
- Tem sim! Olha! – e então praticamente arrancou a minha blusa.
- Ei! – me cobri com os braços assustada. – Mas o que você ta arrumando? – disse brava.
Kaori me virou de costas para as duas mais velhas.
- Olha aí a prova. – apontou para minhas costas.
- Ela tem realmente a marca. – uma mão gelada apoiou minhas costas, nessa hora, senti uma ardência gigante onde ela estava com a mão, era como se tivesse queimando. – E reage! Não podemos perder tempo! Temos que leva-la agora! – a diretora virou-se para as outras duas surpresa e incrédula.
- Levar onde? – eu estava assustada, o tom da voz delas me assustavam, era como se tivesse algo de errado comigo. – O que vocês vão fazer comigo?
- Me desculpe Hika-chan... – lembro-me da última coisa que ouvi naquela hora, a voz de Kaori parecia pesada e arrependida. Senti uma dor imensa nas costas e desmaiei.
- Ei! Você! Acorda!
- Onde estou? – abri meus olhos e tudo estava branco, e não havia nada.
- O que faz aqui? – de repente apareceu um animal estranho na minha frente, parecia um cão, mas possuía mais de uma cauda, talvez quatro ou cinco, estava meio distorcido, ou melhor, era uma silhueta distorcida.
- Eu esperava que você me respondesse isso. – disse meio tonta me levantando do chão.
- Você não deveria estar aqui, quem é você? – aos poucos o animal parecia estar tomando forma, mas ainda sim não dava para ver exatamente o que era.
- Eu sou Hikari. Hikari MacFall Saito... o que estou fazendo aqui?
- Não é possível! Você não é Hikari! – o animal tomou forma de uma vez, um cão branco com tatuagens pretas, cinco rabos e um olhar demoníaco.
- É claro que sou! Por que mentiria para você? – afirmei com medo.
- Não é a MINHA Hikari! Não tem como! – dizendo isso um dos rabos se acendeu em fogo, logo em seguida o outro se transformou em uma onda, como se fosse de água, o outro começou a brilhar como se fosse um raio então os dois últimos se transformaram em vento e em terra, mas sem perder a forma original, só pareciam ser feitos desses materiais.
- Por quê? Eu SOU Hikari MacFall! – comecei a ficar com medo e dei um passo para trás.
- A minha Hikari é pequena, uma criança! – e então como se fosse um holograma eu vi a minha imagem de quando tinha 4 anos brincando em volta de mim mesma. – Essa é a minha Hikari! – o animal começou a se acalmar os olhos que estavam vermelhos começaram a ficar amarelo topázio e o cão começou a tomar uma forma humana, mas eu não conseguia reconhecer o seu rosto. Ele estava olhando carinhosamente para a imagem, como se estivesse com saudades.
- Quem é você? – o animal se transformou em um humano que deveria ter entre 15 e 20 anos, mas seu rosto ainda estava indefinido.
- Não se esqueça de mim Hika! – então ele se desfez no ar como poeira.
Acordei logo em seguida em uma sala, deitada em uma cama, apenas com as minhas roupas íntimas. Havia um monte de fios em mim, e eu parecia estar dentro de uma incubadora.
- Ondas cerebrais se estagnando. Batimento cardíaco normal. Ela está acordando. – era uma voz conhecida, mas não sabia de quem.
- E aí Hika-chan?! – Kaori apareceu por trás do vidro que me separava do resto do mundo. – Está tudo bem com você? – apertou um botão e abriu a incubadora.
- Já estive melhor. O que aconteceu? – levantei-me devagar, olhei para os lados. As gêmeas estavam observando algo na tela ao meu lado. Eu estava em uma sala que parecia uma sala de cirurgia. – Onde estou Kaori? – minha cabeça doía, mas minhas costas estavam ardendo mais.
- Você está na sala de análise da ExSo.
- Mas que diabos?
- Calma você vai entender. – então Kaori se virou de costas e foi conversar com sua irmã calma.
- Calma nada! Já chega de fazer esse suspense! Quero saber o que está acontecendo aqui! Ou melhor, o que está acontecendo comigo! Vocês me analisaram, tiraram conclusões sobre eu ser algo ou não, me desmaiaram, estão observado cada movimento do meu corpo agora e ainda escondem sei lá o que de mim! NÃO! Eu quero saber agora o que está acontecendo! – eu estava cansada disso, quero saber o que há de errado comigo e porque tanto suspense, é um direito meu saber.
- Explicaremos tudo para você, juro! Mas antes precisamos acertar mais uma coisa. – Kanon estava séria e parecia um pouco surpresa, mas não parecia ser por causa da minha reação.
- Ta certo. O que foi? – acho que até eu teria me sentido mal com o meu tom de voz ao dizer essas palavras.
- Você tem duas opções. – começou Kanon. – mas uma coisa eu vou te garantir, independente da opção que você escolher, você passará por dificuldades gigantescas, tanto uma quanto outra.
- E por que eu teria que escolher uma das duas?
- Porque você precisa escolher uma das duas. Não tem outra escolha. – a professora estava tensa, dava para perceber na sua voz. Balancei a cabeça com um sim e ela continuou. – Primeira opção, para você saber o que está acontecendo com você é preciso que você assine um contrato conosco.
- E por que isso seria ruim?
- Porque não é um contrato comum. É um contrato com a morte praticamente. Você trabalhará para nós até o seu último dia de vida. – parecia brincadeira, mas pela cara de séria que minha colega de quarto e minha professora fizeram, era realmente verdade.
- Isso não seria escravidão? Hahahahaha.
- Não! Bom, voltando, você terá um contrato conosco, será um membro da ExSo durante sua vida. Ou você pode escolher não se tornar membro, mas assim sua memória seria apagada, todas as informações sobre qualquer um aqui ou sobre qualquer coisa ligada a ExSo será apagada de sua memória. – se eu tivesse que descrever o meu estado nessa hora em uma palavra, essa palavra seria medo. Medo como nunca senti antes. – Mas eu devo te avisar, uma vez escolhido seu caminho você não vai poder voltar mais.
- Bom, sendo assim eu prefiro...
- Né Hika-chan, você não vai gostar de nenhum dos caminhos que escolher, em um você encontrará respostas para todas as suas dúvidas e ainda poderá ajudar o mundo inteiro, mas vai ser um caminho cheio de dificuldades. E no outro você viverá uma vida tranqüila e comum no início, mas suas memórias começarão a voltar aos poucos e você vai se atormentar tentando encontrar respostas, sem falar que o seu eu interior poderá despertar e você não terá conhecimento o suficiente para controlá-lo, então sua vida se tornará um caos ao longo do tempo. Você escolhe o caminho. – pela primeira vez Kaori parecia estar séria de verdade e suas palavras tinham um peso enorme na minha cabeça.
Parei por um tempo para pensar, tudo ficou em silêncio e dava para ouvir as batidas fortes do meu coração. O que fazer? Qual caminho escolher?
- Se você quiser, não precisa dar sua resposta agora. Pode nos responder depois, mas terá que ficar aqui até se decidir.
- Não diretora. Eu já me decidi. Eu quero saber o que está acontecendo comigo. Não importa o que aconteça, se for algo grave eu quero saber do que se trata. – para falar a verdade, eu estava morrendo de medo, contrato com a morte? Isso me parecia um pouco pesado, mas com certeza verdade. Mas por algum motivo, eu sentia que poderia contar com essas três pelo menos e que de alguma forma elas me apoiariam. No fundo eu já sabia que meu destino seria esse.
- Bom, com isso seja bem-vinda a Extermination Society. Seu codinome dentro da ExSo será Goryuu. – a professora de química sorriu.
- Como assim vocês já escolheram meu codinome? – eu estava com aquela cara tipo “¬¬”.
- Hehe, podemos dizer que seu cadastro já estava feito. Nós já sabíamos que você entraria para a ExSo.
- Mas então tudo o que falaram agora era só para me assustar?
- Não. É tudo verdade. Mas em todo caso já tínhamos seu cadastro. Está valendo tudo. Inclusive já vou te informar da 1ª Lei de conduta dos membros da ExSo. – a diretora, pela primeira vez, parecia se preocupar comigo, sentou ao meu lado e continuou. – “Uma vez membro da Extermination Society, sempre membro. Não importa o que aconteça você não pode falar nem comentar em hipótese alguma sobre essa sociedade. Caso contrário a punição para isso é a morte. As atividades realizadas dentro de um objetivo da ExSo deverão ser extremamente guardadas de qualquer pessoa fora da sociedade.” Essa é a 1ª Lei. Você tomará conhecimento das outras, mas por hora essa será absoluta. – Konan se levantou e se posicionou ao lado de sua irmã gêmea.
Vendo as duas lado a lado, elas realmente são idênticas, ainda mais porque estavam usando as mesmas roupas. Não seria possível saber quem é quem. Pareciam até clones.
- Del Fiori-sama! Estamos prontos – uma mulher toda de branco entrou pela porta e parecia se reportar à professora.
- Liliel! Estou aqui. – mas pelo visto era para se reportar à irmã desta. Foi uma situação engraçada até deu vontade de rir como Kaori fez, mas parece que a diretora não gosta de ser confundida com sua irmã.
- Mil desculpas Del Fiori-sama! Mil desculpas! – a mulher, Liliel, abaixou a cabeça e se mostrou muito arrependida.
- Tudo bem Liliel. Todo mundo comete esse erro. – Konan deu tapinhas na cabeça da mulher e completou. – Kanon, Kaori, Hikari, vamos! Explicaremos tudo a partir de agora Hikari-chan. – pela primeira vez a diretora sorriu e nos retiramos da sala.
O sorriso de Konan, era lindo. Eu julgava impossível alguém ter um sorriso mais bonito que a professora, mas me enganei. Apesar do sorriso de Kanon ser bonito, era apenas um sorriso, mas o de Konan parecia ser absoluto, algo próximo do divino. Eu senti uma paz enorme, um conforto, algo maravilhoso ao vê-lo. A partir desse dia, minha visão sobre a fria diretora começou a mudar.
Notas finais
Sobre a personalidade da Hikari, a princípio pensei em fazer uma pessoa indiferente e dedicada, mas mudei de idéia, se fosse para descrever a personalidade dela em uma palavra eu diria "Indefinida", ela vai se desenvolvendo com o decorrer dos acontecimentos. É uma pessoa que com certeza irá nos surpreender muito.
Próximo capítulo ExSo, o pior lado. (se pá nesse cap surge um novo romance... ou não. =])
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