Coroas e destinos

14 Sombras no Corredor e o Fogo de La Push



​A noite caíra pesada sobre o Palácio do Sol Nascente. O som das ondas batendo contra as falésias ecoava como um trovão distante através das grossas paredes de pedra. No entanto, o verdadeiro temporal estava prestes a desabar dentro dos aposentos reais.

​Jacob caminhava a passos lentos pelo corredor mal iluminado da ala leste, vindo de uma longa reunião noturna com o Conselho dos Anciãos. Carregava uma jarra de vinho de amoras na mão e o gibão de couro entreaberto, cansado pelo dia exaustivo de deveres reais.

​Ao dobrar a esquina da galeria de tapeçarias, uma figura emergiu das sombras. Era Brenda, uma nobre da corte de La Push com quem Jacob mantivera um tórrido e inconsequente caso amoroso meses antes de o tratado de casamento ser assinado. Trajando um vestido de seda fina e decotado, ela deu dois passos à frente, cortando o caminho do rei.

​— Jacob... — murmurou Brenda, a voz manaiosa e carregada de segundas intenções. — Ou devo dizer, Vossa Majestade?

​— Brenda? — Jacob franziu o cenho, parando a uma distância prudente. — O que faz perambulando por esta ala a esta hora da noite? A corte já recolheu.

​— Estava à sua espera — disse ela, aproximando-se sem pedir licença e deslizando os dedos perfeitamente manicurados pelo peito descoberto dele. — Dizem pelo palácio que a sua nova rainha de Forks é fria e cheia de caprichos. Pensei que o meu rei pudesse estar a precisar do calor e da docilidade a que estava habituado antes dessa aliança.

​Jacob estancou por um segundo. A proximidade, o perfume forte de flor de laranjeira e a velhas memórias fizeram-no hesitar por uma fração de segundo. Ele não a afastou de imediato, e Brenda aproveitou a brecha: inclinou-se, ficando na ponta dos pés, e aproximou os lábios dos dele, quase roçando as suas bocas num beijo iminente.

​— Mas que cena patética e provincial.

​A voz de Renesmee cortou a penumbra do corredor como uma lâmina de aço afiada.

​Jacob deu um salto para trás no mesmo instante, desfazendo o contato como se tivesse sido queimado por ferro em brasa. Brenda virou-se bruscamente, sobressaltada.

​Parada sob a luz de uma tocha da parede, Renesmee parecia uma visão de pura imponência real. Trajava uma túnica de noite em seda preta, os cabelos acobreados caindo em ondas impecáveis e os olhos faiscando com um perigo mortal que faria qualquer guerreiro recuar. Ela não demonstrava choro ou fragilidade; ostentava a fúria fria e calculada de uma Cullen.

​— Princesa... digo, Rainha Renesmee — gaguejou Brenda, tentando recompor a postura com um sorriso fingido. — Eu apenas estava a dar as boas-vindas ao nosso rei...

​— Cale a boca antes que eu ordene aos guardas que a joguem do alto das falésias — cortou Renesmee, a voz baixa, aveludada e terrivelmente ameaçadora. Ela deu três passos lentos em direção à mulher, que recuou involuntariamente até encostar a espinha na parede.

​Renesmee olhou Brenda de cima a baixo com absoluto desprezo, ajustando o pulso da sua túnica.

​— Você acha mesmo que um pedaço de seda barata e um perfume enjoativo são suficientes para chamar a atenção do homem que governa este reino? — desdenhou Renesmee, o tom encharcado de uma elegância cruel. — Você é uma sobra do passado de Jacob. Uma distração de taverna da qual ele já se serviu e descartou. Mas agora ele pertence à Casa Cullen. Ele é meu marido e o Rei de La Push. Se eu a pegar a menos de dez metros dos aposentos reais novamente, garanto que o seu próximo destino não será uma cama macia, mas sim o degredo nas minas do norte. Fui clara?

​Brenda ficou pálida como gesso, a respiração presa na garganta. Sem emitir mais uma palavra, recolheu a cauda do vestido e saiu em disparada pelo corredor, o som dos seus saltos ecoando em fuga desesperada.

​Jacob olhou para Renesmee, um misto de surpresa, culpa e um perigoso fascínio a estampar-lhe o rosto.

​— Renesmee... — começou ele, dando um passo à frente —, não é o que você está a pensar. Eu não...

​— Para o quarto. Agora. — ordenou Renesmee, sem sequer olhar para ele, virando as costas e marchando com firmeza para os aposentos reais.

​A porta de carvalho do quarto fechou-se com um estrondo que fez as chamas das velas tremeluzirem.

​— Você quase a deixou beijar você! — esbravejou Renesmee, virando-se de golpe para ele assim que Jacob trancou a porta. As suas mãos tremiam, não de medo, mas de uma possessividade ardente que ela nem sabia que possuía. — Na minha frente! No corredor dos meus aposentos!

​— Eu não a beijei, Renesmee! — rebateu Jacob, jogando a jarra de vinho sobre a mesa de madeira com força. ele caminhou na direção dela, os olhos castanhos queimando. — Eu fui apanhado de surpresa! E você sabe perfeitamente que eu a afastei!

​— Você hesitou, Jacob Black! — gritou ela, batendo no peito dele com a palma da mão. — Você olhou para aquela cortesã e hesitou! Acha que eu sou o quê?! Uma esposa de fachada que vai aceitar ser humilhada no seu próprio castelo?!

​— Você não é uma esposa de fachada! — rugiu Jacob, agarrando os pulsos de Renesmee com firmeza, mas sem a magoar, puxando-a para junto de si. O calor do corpo dele era avassalador. — Você é a minha esposa! A única mulher que manda neste castelo e na minha vida!

​— Então aja como tal! — desafiou ela, arfando contra o rosto dele, os olhos cravados nos dele com uma intensidade quase selvagem. — Porque se voltar a olhar para outra mulher daquela maneira, eu juro pelas coroas de Forks que destruo este palácio pedra por pedra!

​— É mesmo? — provocou Jacob, a voz caindo para um tom rouco e profundo, os lábios a milímetros dos dela. — E por que essa fúria toda, Renesmee? É orgulho real... ou é ciúmes do seu selvagem de La Push?

​— Eu não tenho ciúmes de você! — mentiu ela, a respiração entrecortada pelo contato físico.

​— Mentirosa — sussurrou Jacob.

​Ele não esperou por mais farpas. Jacob cruzou a distância e selou a boca dela num beijo faminto, bruto e avassalador. Não havia a doçura da cerimónia nem a hesitação da primeira noite; era a explosão de duas vontades dominantes a colidirem.

​Renesmee soltou um gemido abafado contra os lábios dele, mas em vez de o afastar, a fúria transformou-se em puro desejo. Ela libertou as mãos do aperto dele e enredou os dedos nos cabelos negros de Jacob, puxando-o com violência para si, retribuindo o beijo com uma ferocidade igual.

​Jacob soltou os pulsos dela e envolveu a cintura da esposa, erguendo-a do chão num só movimento. Renesmee enrolou as pernas ao redor da cintura dele enquanto Jacob a prensava contra a madeira escura da porta trancada, arrancando o roupão de seda preta dos ombros dela com impaciência.

​— Você é minha, Renesmee — rosnou Jacob contra o pescoço dela, mordevelando a pele macia da garganta da rainha e fazendo-a arquear as costas num arrepio violento. — Só minha.

​— Demonstre... — arfou Renesmee, cravando as unhas nos ombros largos e nus de Jacob enquanto ele a levava em direção à grande cama de casal, sem nunca desfazer a união dos seus corpos. — Demonstre que é meu rei...

​A cama de dossel ruiu sob o peso do casal. Jacob desfez-se do resto das suas roupas num gesto rápido e desesperado. O ar do quarto ficou denso, impregnado de maresia, suor e o cheiro a pele quente.

​Ele cobriu o corpo dela com o seu, unindo os seus lábios novamente enquanto as suas mãos grandes e quentes percorriam cada curva do corpo de Renesmee, moldando-a, provocando-a e fazendo-a gemer o seu nome sem qualquer filtro ou vergonha. Quando Jacob a tomou por completo, o impulso foi fundo, firme e ritmado, fazendo Renesmee enterrar o rosto no peito dele, arranhando-lhe as costas enquanto o movimento se tornava cada vez mais intenso e frenético.

​O conflito, as farpas e o ciúme converteram-se numa dança de pura paixão física. Cada investida de Jacob era respondida pelo arfar apaixonado de Renesmee, que se entregava sem reservas ao domínio dele, ao mesmo tempo que o dominava de volta. O ritmo acelerou, o calor tornou-se insustentável, até que ambos atingiram o ápice num gemido em conjunto que ecoou pelo quarto silencioso.

​Minutos depois, a respiração de ambos começou a desacelerar.

​Jacob estava deitado de costas, o peito largo a subir e a descer devagar. Renesmee estava deitada sobre o peito dele, com a cabeça apoiada no seu ombro, os cabelos acobreados espalhados sobre a pele bronzeada do rei. O braço forte de Jacob rodeava a cintura dela, mantendo-a colada a si.

​O silêncio do quarto era quebrado apenas pelo mar lá fora.

​Renesmee levantou ligeiramente o queixo, olhando para o perfil de Jacob na penumbra.

​— Se aquilo voltar a acontecer no corredor... — murmurou ela, a voz rouca pelo cansaço, embora ainda mantendo a ponta de orgulho —, eu mato os dois.

​Jacob soltou uma gargalhada baixa, que fez o peito dele vibrar sob a cabeça de Renesmee. Ele inclinou-se e beijou-lhe o topo da cabeça com um carinho imenso.

​— Não vai voltar a acontecer, minha rainha — prometeu Jacob, apertando-a mais contra si. — Nenhuma mulher neste mundo tem a menor hipótese contra você.