Coroas e destinos

12 Os Portões de Forks e o Caminho do Litoral



​A névoa matinal que cobria as florestas de Forks parecia mais densa e silenciosa naquela manhã. No grande pátio de paralelepípedos do palácio, duas imponentes carruagens reais, ostentando o brasão do lobo fundido sobre a madeira escura de La Push, aguardavam com as parelhas de cavalos inquietos. Era o momento da partida. As princesas da Casa Cullen deixavam para trás o lar de toda a sua infância para assumir seus papéis como rainha e princesa do litoral.

​Toda a nobreza de Forks estava reunida para o adeus. Os guardas reais mantinham-se em perfil de honra, enquanto as matronas tentavam segurar a emoção que pairava no ar.

​Sir Charlie aproximou-se primeiro, com a farda impecável e a expressão dura de um velho soldado que lutava bravamente contra o nó na garganta. Ele abraçou Carlie com ternura e depois segurou os ombros de Renesmee.

​— Mantenham a cabeça erguida em terras estranhas, minhas meninas — disse Charlie, a voz falhando ligeiramente. — E lembrem-se: se qualquer um daqueles rapazes esquecer como tratar uma senhora, o avô de vocês ainda sabe como marchar com a guarda real até o litoral.

​— Sentiremos sua falta, vovô — murmurou Carlie, dando-lhe um beijo afetuoso na bochecha.

​— E pode deixar, vovô Charlie — piscou Renesmee, tentando disfarçar a emoção com seu brilho habitual —, se alguém precisar de disciplina em La Push, eu mesma me encarrego do serviço.

​Lady Renée cobria o rosto com um lenço de renda, abraçando as netas uma de cada vez.

​— Ah, minhas crianças adoradas... O castelo vai ficar tão silencioso sem o riso de vocês dois — soluçou Renée. — Prometam que nos mandarão cartas todas as semanas!

​— Todas as semanas, vovó — prometeu Carlie, segurando as mãos da avó.

​Esme e Carlisle deram um passo à frente. O Duque Carlisle abençoou as jovens com a serenidade que lhe era própria, enquanto Esme ajustava com amor os mantos de viagem de ambas.

​— La Push ganha duas mulheres extraordinárias hoje — declarou Carlisle. — Que a sabedoria e a compaixão acompanhem cada passo de vocês.

​— Lembrem-se de quem vocês são e de onde vieram — acrescentou Esme, enxugando uma lágrima discreta. — O nosso amor irá com vocês em cada légua de estrada.

​Rosalie e Alice aproximaram-se logo em seguida. Alice, com os olhos brilhantes de emoção, abraçou as duas de uma só vez.

​— Já preparei os croquis dos vestidos de primavera de vocês! — disse Alice, tentando sorrir em meio às lágrimas. — Enviarei as mercadorias por mensageiro no próximo mês. Não se atrevam a usar modas inferiores no litoral!

​Rosalie, que mantinha os braços cruzados para preservar a postura de duquesa imponente, finalmente cedeu e envolveu a afilhada Renesmee e a sobrinha Carlie em um abraço apertado.

​— Mostrem àquele reino como se governa com força e beleza — disse Rosalie, a voz suave. — E Renesmee... continue infernizando o Jacob. É o dever da nossa linhagem.

​— Pode deixar, tia Rose — riu Renesmee, embora seus olhos estivessem marejados.

​Emmett deu uma gargalhada ruidosa para espantar a tristeza do ambiente, abraçando os noivos Taylor e Jacob com força suficiente para estalar as costas dos dois.

​— Cuidem bem das nossas meninas! — advertiu Emmett, dando um tapinha no ombro de Jacob. — Se eu ouvir qualquer reclamação, a minha próxima visita a La Push não será para banquetes!

​— Elas serão tratadas como as rainhas que são, Duque Emmett — respondeu Taylor com imenso respeito, enquanto Jacob assentia com um olhar sério e firme.

​Por fim, o silêncio instalou-se no pátio quando o Rei Edward e a Rainha Isabella se aproximaram das filhas. Isabella não tentou conter as lágrimas; abraçou Carlie e Renesmee ao mesmo tempo, apertando-as contra o peito como se quisesse guardá-las para sempre na segurança de seus braços.

​— Minhas preciosas filhas... — sussurrou Isabella, beijando o rosto de cada uma. — O meu coração vai com vocês. Sejam fortes, amem sem reservas e nunca se esqueçam de que Forks sempre será o lar de vocês.

​Edward deu um passo à frente. O monarca inabalável de Forks parecia mais vulnerável do que nunca. Ele pegou as mãos de Carlie, beijando-as com uma devoção paterna.

​— Carlie, minha doce menina — disse Edward, a voz aveludada embargada pela emoção. — Sua doçura e sua luz sempre foram o orgulho deste palácio. Seja feliz ao lado de Taylor.

​— Obrigado, meu pai — respondeu Carlie, chorando baixinho enquanto o abraçava.

​Edward virou-se para Renesmee. Ele olhou para a filha mais nova, vendo nela a mesma garra, o mesmo olhar destemido e a mesma paixão que sempre o deixavam orgulhoso.

​— E você, minha tempestade... — murmurou Edward, sorrindo com ternura e envolvendo-a em um abraço apertado. — Leve a sua força para La Push. Governe com justiça e com a coragem que você sempre teve. Seus passos agora são de uma rainha.

​— Sentirei sua falta, pai — confessou Renesmee baixinho, encostando a cabeça no peito dele por um instante, deixando a armadura de rebeldia cair completamente perante o amor de seu pai.

​— As carruagens estão prontas, Vossa Majestade — anunciou o batedor da guarda real.

​Billy Black e Sarah já estavam posicionados na comitiva. Taylor estendeu a mão para Carlie, ajudando-a a subir na primeira carruagem de veludo e madeira nobre. Carlie sentou-se ao lado da janela, acenando com um sorriso emocionado enquanto o marido se acomodava ao seu lado, segurando sua mão com carinho.

​Jacob aproximou-se de Renesmee, oferecendo o braço com uma postura impecável e respeitosa.

​— Pronta para o próximo capítulo, minha rainha? — perguntou ele suavemente.

​Renesmee olhou para o castelo de Forks uma última vez, enxugou uma lágrima teimosa com a luva de cetim e olhou para Jacob, encontrando em seus olhos castanhos a promessa de um futuro vibrante.

​— Estou pronta, Jacob — respondeu ela, aceitando o braço dele.

​Jacob ajudou-a a subir e acomodou-se ao seu lado no interior da segunda carruagem. O estalar do chicote do cocheiro ecoou pelo pátio, e as pesadas rodas de madeira e ferro começaram a girar sobre os paralelepípedos.

​Pelas janelas abertas, Carlie e Renesmee acenavam sem parar enquanto a comitiva cruzava os portões do castelo. Edward e Isabella permaneciam de mãos dadas no topo da escadaria, vendo a carruagem das filhas afastar-se pela estrada ladeada por pinheiros seculares.

​Dentro da carruagem, enquanto o som dos cascos dos cavalos marcava o ritmo da viagem rumo às falésias e ao oceano de La Push, Jacob pegou na mão de Renesmee. Ela não a puxou. Olhou para o marido e deu um sorriso brando, sabendo que, embora deixasse para trás as paredes de Forks, a verdadeira aventura de sua vida estava apenas começando.