Coroa de Sangue
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Marcel andou pelos corredores do castelo a procura de uma especifica porta, não bateu entrando grosseiramente.
–Estais satisfeita?!- vociferou para a mulher a sua frente, já a mesma não teve o luxo de olha-lo pelo menos uma vez.
–Com o que milorde?- disse serena penteando seus cabelos castanhos.
–Não se faça de besta Morgana! Como assim pretende jogar os restos de Anya em um buraco?- Morgana o olhou com desprezo, cerrou os olhos para o homem a sua frente.
–Abaixe a voz para falar comigo, você pensa que eu sou o que para me tratar assim?- as lágrimas eram visíveis em seus olhos, mas deteve-as.
–Ela não era uma simples serva para você... Era sua amiga!- Marcel estava inconformado com a crueldade de Morgana, a mesma riu com desprezo.
–Esta certa, ela era mais do que uma serva para mim, era uma traidora que se deitava com meu noivo! – Marcel arregalou os olhos ao ouvir suas palavras, seu ódio para com Morgana era enorme.
–Eu a amava, e você sempre soube disso...
–Você também sempre soube que meu coração pertenceu a você...- seus dedos passeavam vagarosamente pelo rosto de Marcel, o mesmo pegou seus pulsos a fazendo parar.
–Anya terá um enterro digno e você não irá impedir isso...- disse se afastando.
–Ela era minha serva! Eu faço o que eu quiser com seu corpo!- gritou para que ele ouvisse, ele a repugnava por tratar Anya daquela forma.
–Ela não era seu brinquedinho! – disse fechando a porta atrás de si.
Morgana caiu em sua cama derrotada pela raiva que a consumia a cada minuto, gritou tentando amenizar aquela dor que se alastrava em seu coração, como Marcel poderia ser tão frio com ela? Como Marcel poderia pensar o pior dela?
Morgana também tinha um coração, e amava Anya como se fosse uma irmã, também sofrera com sua morte, mas o que poderia fazer? Amava Marcel mais do que tudo, e era obrigada a espalhar falsos boatos sobre o enterro de Anya para chamar sua atenção.
Colocou a mão em sua boca, tentando abafar seu choro...
Ela e Marcel eram amigos de infância, era a única época de sua vida que se negava a esquecer, eram inseparáveis, infelizmente, quando descobriu que ele amava sua dama de companhia, as coisas começaram a esfriar entre os dois.
Com dificuldade, levantou-se para se trocar, faria um funeral digno para sua amiga, mas sem o conhecimento de Marcel, não queria dar esse gosto para ele...
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Marcel estava montado em seu cavalo, pronto para partir juntamente com seus cavaleiros, estava perdido em pensamentos, em lembranças que jurou nunca esquecer-se.
–Marcel? – disse Renan, seu melhor amigo e filho de seu tio.
–Sim?
–Estais inerte em pensamentos, posso saber quem é a garota?- disse entre risos. – Espero que essa garota seja minha irmã...- disse brincando, Marcel curvou os lábio em um sorriso frio, Renan sempre tinha aquele extinto de proteção quando o assunto era Morgana. – A propósito, você ouviu o que aconteceu com a serva? – Marcel segurou fortemente as rédeas, para se controlar...
–Você e sua irmã são exatamente iguais, chega até ser assustador... — disse com certo desprezo.
–Por que diz isso meu primo?- Marcel revirou os olhos, agora prestando atenção em seu pequeno grupo, se distanciou de Renan para prestar atenção nos outros.
–Atenção homens! Atenção, hoje nossas vidas podem nunca mais ser as mesmas, buscaremos soluções para a ameaça que esta começando em Atlanta, sei que estamos em menor número, mas acreditem...É melhor assim...- Marcel passava seus olhos em cada um de seus homens, e via o medo neles, o medo de não voltarem para suas famílias, eles sim, eram homens nobres...- Pode ser que alguns não voltem, ou nenhum...Mas escutem esse futuro rei quem vos fala...Vocês são homens de grande bravura, homens que lutam por essa nação, homens que com certeza...O povo lembrará !!-cuspiu as palavras com determinação. –Então homens, o que me dizem?
–Por Atlanta!- Renan levantou sua espada totalmente devoto a seu país.
–Por Atlanta!- outro disse, repetido por outro até gritarem em unissono.
–Por Atlanta...- disse Marcel para si, virou-se para frente determinado.- Abrem os portões!!!- gritou e logo o obedeceram, Marcel com seu cavalo cavalgou além das muralhas, logo fora seguido pelos cavaleiros.
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Holga de longe observava seu filho, apertou as mãos em seu vestido, não queria vê-lo enfrenta-lo tal perigo, mas era preciso, ele seria o rei de Atlanta e como futuro rei, deveria ter coragem e bravura, deveria passar por aquilo.
Gracie não iria parar de atacar e se não estivesse errada, Arcadia também estava sob ameaça, a grande guerra estava por vir...
Holga estava com vestes simples, e uma capa, protegida da neve que caia, aquele inverno chegara mais cedo em Atlanta e só ia piorar conforme o tempo passava.
Ao longe viu Herick se aproximando do portão que ainda estava aberto, mas ele, ao contrário de Marcel, estava com mais guardas, estreitou os olhos, sentiu algo estranho, mas ignorou, poderia ser apenas imaginação de sua cabeça, mas jurava que havia mandado Marcel com o menor número de homens, propositalmente.
Correu até Herick antes que ele também partisse Herick ao olhar Holga correndo em sua direção, parou seu cavalo dando o máximo de atenção para ela, desceu do cavalo e olhou aqueles olhos verdes escuros a fitando com certo medo.
–Herick...!- seus olhos eram suplicantes, ele passou as mãos por aqueles cabelos âmbar, naquele momento, teve uma súbita vontade de beijá-la, fazia tempo em que aquela chama ascendera em seu coração, mas não podia confessar facilmente, tinha obrigações e deveria cumpri-las antes de tudo.
–O que aconteceu minha querida?- Holga o olhava com intensidade, havia algo em seus olhos, mas não soube identificar o que era.
–Antes de você partir por aquele portão... Me diga, como você e Morgareth...
–Chega Holga...- a interrompeu, sabia exatamente o que ela ia perguntar, não queria tocar naquele assunto.- Enquanto eu estiver fora, quero que fique em meu lugar...
–Herick...- disse chamando sua atenção, ele se afastou dela montando em sue cavalo novamente...-Você sabe que Marcel não irá parar não é? Capaz de ele entrar na fronteira para encontrar respostas!- gritou para que Herick ouvisse.
–Eu sei...- disse dando de ombros.
–Você esta o levando para morte certa!- a voz de Holga saiu exacerbada, não suportaria perder mais um filho, aquele sentimento de perda começou a preencher. –E eu não o perderei!
Herick fitou aqueles olhos temerosos pela última vez, suspirou pesadamente, sentindo o ar frio adentrar em seus pulmões.
–Eu sei...- disse antes de virar as costas e seguir as cavalgadas do filho...
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