Coroa de Sangue
7 Capítulo 6
Julian andava pela cidade a procura de um rosto familiar, o rosto, aquele rosto que o fez despertar algo pela primeira vez, mas nada...
–Senhor...- aproximou-se um soldado dele. – as pessoas não param de fazer perguntas...- Julian bufou pesadamente.
–E o que você sugere que eu faça?- falou rispidamente.
–N- na verdade senhor, eu também não sei o que esta acontecendo aqui...- disse atropelando-se em suas próprias palavras.
–E você acha que eu sei ?- disse o encarando, na mesma hora passou uma mulher cabisbaixa em sua frente, imediatamente colocou os olhos nela, era ela, a tal de Helena.- fale qualquer cosa para eles, cuide disso o mais rápido possível. – disse sem tirar os olhos dela, ele se distanciou do guarda e começou a seguir.
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Helena estava inerte em pensamentos, não sabia o por que de ter contado aquilo para sua irmã, justo Danna que era a pessoa mais difícil de perdoar alguém, bufou pesadamente, as lágrimas já não existiam em seu rosto, mas o machucado estava lá dentro, a corroendo.
–O que uma mulher esta fazendo aqui sozinha? – Helena assustou-se com a voz e virou-se para ver quem era sua surpresa foi enorme quando viu o príncipe aproximar-se dela.
–Milorde... — disse em uma reverencia seca, Julian riu daquilo, estava claro que sentia desprezo por ele, mas por quê?
–Julian, me chamo Julian... – Julian pegou em sua mão depositando um beijo, ela tirou rapidamente sua mão de seu lábio.
– O que queres?- se afastou por precaução, seu lábios curvaram-se em um leve sorriso, Julian sabia exatamente o que queria.
–Apenas conversar... – ela riu em sarcasmo.
–Arcadia esta sob ataque e você tem tempo para suas ridículas flertadas?- disse com certo desespero na voz.
– Ah por favor, aquilo?- apontou para longe de onde podia-se enxergar o portão.- Aquilo não foi nada, alguém tentando ensinar uma lição para o rei...- disse debochando.
–Como podes ter tanta certeza? Aquilo foi real a meu ver, matou os soldados que estavam fora do portão e quase matou seu pai... E está prestes a matar arcadianos para conseguir o que querem... – Julian estreitou os olhos, como ela sabia daquilo? Helena dando –se conta do que tinha dito, recriminou-se mentalmente.
–Como sabes disso?- ele a avaliou por uns instantes.- Como pode ter tanta certeza assim?
–N- não sei...- Julian se aproximou dela sem acabar com o contato visual.
–Quem são eles?- sua voz saiu fria e apressada, teve o pressentimento de que ela sabia de algo.
De repente os gritos que se espalhavam pela cidade eram constantes, Helena e Julian seguiram os gritos e se direcionaram a um aglomerado de pessoas.
Helena desviava das pessoas se aproximando do meio, quando viu o que era, seu sangue gelou, seus pulmões não funcionavam mais...
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Danna preparava para voltar par casa, colocou suas coisas em cima de seu cavalo, não tinha encontrado Dannie em nenhum lugar e não queria olhar para Helena naquele momento.
Danna parou de arrumar suas coisas quando escutou os gritos vindo da praça principal, com o que tinha acontecido, as pessoas ficaram mais agitadas, a pesar de estar de noite a cidade inteira estava iluminada.
Danna pegou sua espada e seguiu os gritos horríveis, havia um glomerado de pessoas formando um círculo, pediu licença sem se importar com os comentários maldosos, quando chegou a uma posição que conseguiu olhar, ficou paralisada.
Seus olhos seguiram pelas pessoas ao seu redor e encontrou sua irmã, de joelhos no chão, perdida em pensamentos, olhou para Helena e para os restos mortais de um corpo desconhecido...Bem, diria isso, senão fosse pela capa verde e pelo arco que poderia jurar, que era de Dannie, seu coração começou a bater rapidamente, seus pulmões pediam por ar, mas não encontravam.
Junto com a capa, havia braços e pernas e muito sangue, afastou as poucas pessoas que se encontravam a sua frente, sua visão estava turva, cheia de lágrimas, ficou de frente para Helena, que continha o mesmo olhar, o desespero.
Caiu no chão vendo aquela imagem, Helena chorava entre berros de raiva e angustia.
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Não, não poderia ser os restos de sua irmã...Não conseguia acreditar que aqueles braços e pernas eram de sua irmã, suas mãos tremulas pegaram o arco encharcado de sangue, ela os limpou em sua capa, sem se importando em se sujar, olhou para Helena que chorava compulsivamente, ódio a dominou por completo.
–Deixa-me adivinhar... Também teve essa visão?- disse entre as lágrimas, Helena olhou-a derrotada e negou com a cabeça.
Danna olhou em sua volta, as olhavam com pena, o sangue de Danna ferveu, juntou forças e caminhou até sua irmã a ajudando a se levantar, Danna tinha certeza de que não era sua irmã, algo estava errado.
–Saiam da frente!!- gritou para eles, que deram espaço para saírem, Danna praticamente carregava Helena no colo.
–Não vais levar o resto com vocês?- ouviu uma voz falar entre a multidão, Danna olhou com desprezo para o aglomerado de pessoas e sorriu em sarcasmo.
–Isso não nos pertence...- Danna levou sua irmã até uma parte afastada, mais pacata, mal percebeu quando estava sendo seguida por Julian.
Danna deixou de lado sua irmã e se apressou em terminar de arrumar seu cavalo.
–Arrume-se, sairemos de Arcadia o mais rápido possível...- Helena enxugou seus olhos e olhou pasma para a irmã.
–Como você pode falar assim tão naturalmente?!- gritou.- Dannie esta morta....- Danna parou de arrumar suas coisas e se aproximou com agressividade.
–Dannie não está morta! Ela saiu por aqueles portões...- as palavras de Danna não faziam sentido, Helena sabia que ela não queria acreditar no que estava acontecendo.
–Danna minha irmã...
–Escute Helena...Escute, você queria fazer justiça não? Você queria saber do por que esta acontecendo tudo a nossa volta não é? – Helena assentiu, ela pôde sentir a vingança e o ódio transbordar nos olhos de Danna. –Então... É a nossa chance...Dannie não esta morta, por que senão apareceria em suas visões não é?- Helena mordeu seu lábio inferior, estava começando a acreditar em Danna. – Ótimo, eles provavelmente abrirão os portões amanha, para estudar o local, dormiremos aqui e pela manhã...Partiremos...
–Mas como faremos isso ? A entrada esta em constante vigília...
–Daremos um jeito ...
Helena assentiu para Danna e a ajudou a arrumar o cavalo, olhou para a irmã, um pouco insegura do que falar.
–Sobre minhas visões..
–Eu não quero falar sobre isso..- Danna a olhou intensamente...- Não estou brava com você por você ter tido visões da morte de nossa mãe...Estou brava com você por não nos ter contado...
–Eu estava assustada.
–Eu sei...- Helena resolveu não falar mais nada, apenas arrumava seu cavalo para partirem.
Julian ao longe, ouvia tudo e com muita atenção o que elas diziam, elas planejavam sair de Arcadia, curvou seus lábios em um sorriso leve, então aquela tal de Helena era uma vidente, era por isso que ela falara com tanta certeza na voz...Arcadia estava em perigo e iria fazer de tudo para que seu reino saísse intacto, se direcionou até elas a tirando completamente de seus afazeres, se prostrou diante delas...
–Você disse que destruiriam Arcadia até eles conseguirem o que querem...O que eles querem? Quem são eles?- Julian falava cada palavra com precisão para Helena.
–Milorde não acha que estou por trás disso...- Julian andava em sua direção a fazendo recuar.
–Não...- soltou um sorriso diabólico.- Mas como sua irmã disse...Você é uma vidente...- disse olhando para Danna que o olhava surpresa.
–Por favor, milorde...- Danna se jogou aos seus pés.- poupe-nos da forca, nossa irmã acabou de ser assassinada...-Helena a levantou.
–Não precisamos de misericórdia Danna... Muito menos dele...
–Você ao menos sabe com quem esta falando?- disse alterando sua voz.
Helena ficou calada, estava com medo do que poderia acontecer com ela, Julian ao perceber, sorriu.
–Não se preocupe, não irei mata-las, não agora...Vocês disse que vão sair de Arcadia, eu apenas quero ajudar...- as duas o olharam surpresas com aquilo.
–Posso saber o porquê milorde?- Danna olhou para Helena e depois para ele.
– O que aconteceu hoje, não irá parar não é?- as irmãs se entreolharam. – precisamos ataca-los antes que nos ataquem novamente...
–Somos fracos para eles...- Danna disse . – Nunca conseguiríamos...
–Se aquilo conseguiu chegar até Arcadia, quer dizer que atravessou a fronteira ou...
–Saiu dela...- completou Julian, Helena assentiu. – Irei ajuda-las a saírem, mas irei com vocês...E precisamos sair agora nesse exato momento.
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Ao longe Lonios observava atentamente o que se passava pela cidade, estreitou seus olhos ao ver o fogo azul, não sabia o que era.
–O que é aquilo?- disse Nissa se aproximando.
–Algum tipo de magia ...Homens, vamos nos espalhar, acho que não somos os únicos a procurar as irmãs de Zohan, precisamos nos apressar...
–E eu? O que eu faço?- Lonios olhou irritado para sua prima.
–Vá até o castelo, encontre Crystinne , fale que seu tempo acabou.- Nissa assentiu se direcionando ao castelo.
Lonios cavalgou até a cidade com certa rapidez, algo estava errado e pressentia isso, tinha há que encontra-las o mais rápido possível.
Ao chegar em uma distancia considerável da cidade saiu de seu cavalo e seu homens fizeram o mesmo.
–Se dividem e lembrem-se, ajam normalmente...- Lonios jogou um feitiço neles os tornando simples camponeses e fez a mesma coisa consigo.
Começou a andar pelas ruas que ainda estavam movimentadas , estava infestada de guardas, ao longe percebeu um alvoroço, os guardas tentavam afastar as pessoas mas era impossível, com cautela se aproximou mas foi barrado por um soldado.
–Não pode ficar aqui!- disse autoritário para ele, Lonios pegou o braço em que o tocava e fitou em seus olhos o hipnotizando, o soldado logo se afastou, dando passagem para ele se aproximar, estreitou os olhos ao ver os restos mortais de alguém espalhados pelo chão.
–Saiam daqui! O rei se aproxima!- gritou os soldados, Lonios afastou-se ficando entre o pessoal, observou cada movimento do rei, curvou seus lábio em um sorriso ao ver sua expressão assustada.
Olhou em sua volta, não conseguiria nada ficando ali, então se afastou da multidão, andava em uma das ruas de Arcadia, diferente das outras aquela era mais calma, havia algumas pessoas andando por ela.
–Papai!- seu coração acelerou-se quando viu a pequena Maya a sua frente.
–Impossível...-disse para si, ela estava igualzinha da última vez em que a viu, seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo frouxo, seus olhinhos pediam por um abraço, eram azuis que nem os dele.
–Papai!- disse a menina novamente.
–Você não é real...- fechou os punhos em volta da espada, alguém estava brincando com ele, e esse alguém sabia de seu passado, o ódio começou a domina-lo por completo, tirou sua espada e correu até aquela garotinha, agora seu coração pulsava por justiça, pulsava por vingança.
Em um rápido movimento enfiou a espada na pequena e doce menina que naquele momento, se transformara em fumaça.
Olhou ao seu redor, e percebeu que aquele fogo em que presenciara, não queria atacar a cidade, queria enfeitiça-la, queria deixa-la imune para o real perigo.
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