Cores
2 Sem cor
Notas iniciais
Desde que ela partira nada mais parecia ter a cor original, o vermelho passou a ser rosa clarinho, o azul, qualquer coisa entre o cinzento e aquela cor estranha que estava no céu quando não chovia ou quando não era de noite. O verde estava amarelado…
- A rosa é de que cor? – Perguntara uma vez concentrado numa rosa específica que limava os seus picos com ar orgulhoso.
- Vermelha? – Tentou a Lebre de Março com ar de dúvida.
- Não pode ser… — murmurou confuso. Aquilo não podia ser vermelho de maneira nenhuma!
Passou as mãos pelo casaco, os tecidos das suas roupas deixaram de ser macios, eram
ásperos, grossos e picavam…
Os cheiros estavam perdidos, confusos, nada em concerto era notado.
Os sabores estavam esborratados.
O chá já não sabia como antes já não tinha o sabor divinal e florado… os scones já não eram estaladiços, o doce tornara-se amargo… suspirou deixando deslizar uma chávena de
chá cheia para o chão, onde se partiu com um som irritante, até isso tinha
mudado…
- Tas bem? –
A voz do gato perguntou melancólica.
Não lhe respondeu.
Não sabia a resposta.
Não sabia o que se passava.
Não sabia se estava bem.
Olhou em volta, tudo mudara.
A maneira de ver o mundo em redor estava tão diferente.
Porque é que ela tinha ido?
Porque é que no momento em que ela se definiu Alice, ela decidiu que ir embora era o melhor?
Só melhor para si própria…
Suspirou de novo. Enquanto ela se decidisse, tinha de conviver com o mundo como ele estava agora, sem cor, sem sabor e sem vida.
Mas que lhe fazia confusão era a perda de beleza, tudo ao seu redor ia-se perdendo.
Devagar.
Bem devagar…
- Ah Alice…tu vais esquecer-me…
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