Notas iniciais
oláaa, aproveitando para agradecer Dipsy que comentou no capítulo anterior! muito obrigada por dar uma chance para a história, espero que continue gostando! (ainda n sei se dá para responder comentários aqui no site novo rsrs)

PARTE UM

OS ESCOLHIDOS

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fortuna

O burburinho no horizonte começou antes do sol nascer em todos os dez vilarejos de Excelsior.

Morsin, Onirani, Amararten, Gaia, Feborsan, Ponto, Selene, Areaben, Nix e Fortuna.

Foi nesse último que Corinna nasceu, e nesse último que ela acordou a poucos dias do inverno e ouviu o barulho incomum enquanto começava suas tarefas.

Não era incomum o movimento dos comerciantes se preparando para mais um dia de trabalho, mas naquele dia havia algo diferente.

Os primeiros raios da manhã começavam a aparecer e a menina tirava com cuidado o leite da vaca, se certificando de deixar o suficiente para o bezerro recém-nascido.

Pela magreza da mãe, era um milagre que o filhote ainda estivesse vivo.

Não era muito diferente da própria Corinna — que tinha vindo ao mundo no meio da floresta que cercava o casebre onde morava.

Com a garrafa de vidro nem mesmo cheia até a metade, a menina acariciou a lateral do animal à sua frente e se levantou.

Sua casa ficava quase nos limites do vilarejo de Fortuna, a fronteira com Selene.

Na teoria, o vilarejo vizinho estaria a mais ou menos duas horas de caminhada de onde estava naquele momento. Na prática, ninguém — nem mesmo o pai da menina — tinha pensado em comprovar por conta própria.

Havia uma antiga lenda de que as fronteiras entre todos os vilarejos de Excelsior eram protegidas por encantamentos fortes que evitavam que qualquer humano ultrapassasse ou sequer chegasse perto sem a autorização de um deorum.

Havia histórias que diziam que os poucos que tentaram nunca mais voltaram para suas casas ou ficaram vagando por anos, sem lembrarem nem mesmo seus nomes.

Poderia muito bem ser apenas um jeito de manter as crianças humanas assustadas.

Ou poderia simplesmente ser a verdade.

Um encantamento para humanos afim de mantê-los confinados para sempre dentro de suas terras natais não era a coisa mais cruel que os deorum eram capazes de fazer.

Não quando deliberadamente escolhiam, ano após ano, cerca de vinte jovens como sacrifício de valor, obrigando-os a se virarem um contra o outro em troca de riquezas.

Em troca de sua própria sobrevivência.

Quando Corinna entrou pela porta dos fundos, seu pai já ajeitava o colete surrado sobre o corpo.

Era dia da Feira Geral, o que poderia explicar a comoção a mais que a despertou logo cedo. A feira sempre acontecia no primeiro dia de lua nova e possibilitava que mercadorias fossem passadas de um vilarejo para o outro sob intensa supervisão dos seres superiores que governavam Excelsior.

Era a melhor oportunidade de conseguir algo que não era produzido localmente, como alguns remédios, ervas e até temperos.

Se tivessem sorte, Evian conseguiria achar algo na quantia que pudesse pagar, embora ultimamente as esperanças eram poucas e os bolsos ficavam cada vez mais vazios.

Pelo menos, ainda tinha as peles das últimas caçadas para trocar se fosse necessário. O inverno estava prestes a chegar e poucas pessoas se arriscavam a ir mais adentro da floresta como Evian e a filha.

A cada caçada era meio quilômetro a mais, temendo o dia em que teriam que se aproximar da fronteira.

O homem deu um beijo na testa da filha e se direcionou para a porta.

— Não vai comer? — ela perguntou.

— Quero aproveitar que o sol ainda não saiu completamente e ainda sou capaz de andar entre as barracas sem ter que me espremer, assim consigo voltar antes do almoço.

Corinna assentiu com a cabeça embora soubesse o real motivo.

Desde que a comida havia ficado extremamente racionada dentro da casa deles, Evian fazia de tudo para diminuir a quantidade de suas próprias refeições, deixando mais para a filha.

Discutiram sobre isso algumas semanas antes, mas era impossível fazer com que o homem parasse de abrir mão de suas próprias necessidades pela menina.

Fazia isso desde o dia em que a resgatara na floresta horas depois de Corinna ter nascido.

— Volto logo. — prometeu.

Ela acenou com a mão e sentou na mesa, olhando de relance para o arco apoiado contra o armário decadente da cozinha.

Talvez fosse capaz de sair e voltar antes do pai. Talvez tivesse mais sorte do que eles tiveram da última vez. Talvez…

Barulhos de passos pesados soaram na porta da frente e todo o seu corpo ficou em alerta.

Provavelmente era só o pai que havia esquecido alguma coisa.

Só que ele não bateria na porta como a pessoa do outro lado fazia naquele momento.

O dia continuava passando uma sensação estranha desde que ela se levantara da cama sentiu seus membros se arrepiarem ao se aproximar da madeira da entrada.

A jovem pôs a mão dentro de um dos bolsos da saia do seu vestido segurando a faca escondida ali.

— Cori? Sou eu!

Todo o ar dos seus pulmões saíram em um só fôlego ao reconhecer a voz de Kallien.

Ela abriu a porta e o amigo a encarava com um de seus sorrisos cativantes.

— Você parece que viu um fantasma. — ele a cumprimentou, deslizando a mão por uma das bochechas dela e beijando a outra.

Suavemente. Perto demais dos seus lábios.

Corinna deu um passo para trás liberando a passagem para que entrasse.

— Você de repente parece que começou a se mover como um.

O menino estendeu um pacote fumegante e ela não tentou parecer desesperada demais para pegá-lo das suas mãos. Abrindo-o, o aroma de pão fresco preencheu todo o ambiente fazendo seu estômago roncar suavemente.

— Uma hora dessas seu tio vai cobrar algo de você.

— Ele pode tentar, mas agora que estou me movendo “como um fantasma”, duvido que descubra que fui eu.

Corinna abraçou o pacote contra o peito como se quisesse absorver o calor.

— Sabe que não precisa fazer isso.

Desde que o estoque de cereais dos Letaha tinha sido destruído numa tempestade, Kallien havia assumido para si o papel de trazer, sempre que podia, um pacote de pães e outras massas.

— Sabe que precisa aprender a aceitar ajuda. — Ele tirou uma mecha do cabelo dela que lhe caía no rosto e a colocou atrás da orelha da menina. Então ela percebeu que no fundo do olhar afetuoso do amigo havia um toque de preocupação.

— Pelo horário, não acredito que atravessou o vilarejo para me entregar pães apenas. O que houve?

Kallien deixou sua mão cair ao lado do corpo e Corinna poderia jurar que a viu tremer um pouco. Ele sacudiu os dedos como se para espantar o frio.

— Sabe que ajudo meu pai nos dias de feira a montar a barraca. — Ela assentiu. — Sempre saímos quando ainda é noite para garantirmos os nossos lugares no centro do vilarejo. Só que hoje, quando chegamos lá, estava infestado de deorum. E, pelo número, eles não estavam fazendo apenas a segurança da feira, como de costume. Só que ninguém parecia achar estranho. Até eles começarem a trabalhar.

A garota estreitou os olhos.

— Trabalhar?

Kallien assentiu com a cabeça.

— Abriram as portas da Casa Central e começaram a limpar tudo, arrastar coisas velhas para fora, colocar coisas novas dentro, mas todo mundo parou mesmo quando eles se direcionaram para a Praça dos Anúncios.

As engrenagens começavam a mexer na cabeça de Corinna.

— Meu pai disse que deveria ser alguma campanha para fazer a contagem da população. Que eu não deveria me preocupar e voltar ao trabalho. Porém, enquanto ele conversava com outros comerciantes, eu aproveitei para ver sobre o que tudo aquilo se tratava.

— Você falou com um deorum? — Corinna perguntou atônita.

Os seres dominantes de Excelsior não viam os humanos como mais do que vermes e parasitas que se multiplicavam e usufruíam da terra. Poucos se direcionavam a eles, exceto em ocasiões excepcionais.

Como para punir e…

Corinna chacoalhou a cabeça tentando afastar o pensamento, embora no fundo sua mente já acusasse o caminho que toda aquela conversa do amigo estava levando.

O motivo de ele estar ali tão cedo.

O motivo de haver preocupação e medo em seus olhos, embora ele tentasse esconder.

Não podia ser.

Não estava certo.

— Não precisei falar com nenhum deles. Estava pregado para quem quisesse ver. Quando saí de lá, a multidão em volta do mural só aumentava.

— O que estava pregado, Kal?

O rapaz respirou fundo, como se de alguma forma pudesse não revelar aquilo e fazer com que tudo desaparecesse.

— A novas datas para o Sacrifício. As Audições começam em dois dias.

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Notas finais
Oi, oiii, preciosos!! o primeiro capítulo está entre nós apresentando uma dos nossos protagonistas. estou ansiosa para saber o que acharam do capítulo !! Se estiverem curtindo ou saiba de alguém que adora uma fantasia, não esqueçam de indicar para os amigos, deixar comentários, votos, favoritar, recomendar e etc... nós vemos em breve! Me sigam nas redes: @whodat_emmz ou @emmieedwards no twitter/x @emmiewrites no instagram Até mais, bjinhos xx