Notas iniciais
Sonho e felicidade... Alegria e realização!

Beatriz mergulhou na banheira cheia de espuma. Nem acreditava que sua vida se transformaria em poucas horas como aconteceu. Havia chegado à sexta-feira arrasada por ter sido despedida. Não havia planos definidos. Pretendia procurar emprego na segunda-feira, mas nem tinha pensado que tipo de emprego iria procurar.

Naquele mesmo dia aconteceu a tragédia de Isadora ter sido atropelada. Ela ouvira a amiga falar inúmeras vezes no filho. Até brincara com ela que o universo iria juntar os dois. E que ela se tornaria sua filha do coração como já a sentia. Na ocasião Beatriz dissera para ela que estava ficando caduca. Onde já se viu o filho dela, um homem do mundo, que devia conhecer mulheres lindas, olhar e querer algo com ela?

Isadora rira e dissera que o tempo mostraria quem estava com a razão. Que seu filho nunca conseguira se acertar com ninguém. Nunca tinha levado seus relacionamentos a sério. Saía sem compromisso. Ela se sentia triste com o fato, pois queria vê-lo estabilizado.

Lembrou-se dos momentos vividos à tarde. Como tinha sido bom ter sua cabeça em seu colo. Fazer carinho em seu rosto. Afagar seus cabelos. Sentir o toque dele em seu rosto. Ter dividido lembranças, sonhos e projetos para o futuro. Ela sentia-se tão à vontade com ele. Era bom ouvi-lo e falar sobre qualquer coisa com ele.

Só percebeu que ficara muito tempo na banheira quando sentiu a água quase fria. Secou-se rápido. Será que estava atrasada? Olhou no relógio e viu que ainda tinha um tempinho. Vestiu com cuidado. Escovou os cabelos e foi para a sala da suíte. Estava tudo quieto. Ela abriu uma revista que estava em cima da mesa na frente do sofá e começou a folhear. Parava de vez em quando para ler alguma coisa. Na página seguinte seus olhos foram atraídos para a imagem a sua frente e sentiu um frio repentino. Como se alguém houvesse aberto uma janela e um vento gelado estivesse passando.

A imagem mostrava William de braço dado com uma loira estonteante. A matéria falava sobre o crescimento da empresa dele e de como seus negócios estavam se expandindo para atender clientes no Oriente. Falava da assessoria que ele estava prestando a um sheik em Dubai. Mas o que lhe incomodou foi a imagem daquela mulher ao lado dele. Na reportagem mencionava uma tal de Evelyn Pearson, assistente. De repente Beatriz sentiu-se desconfortável.

Ela nunca foi muito encanada com sua aparência. Tinha uma estatura mediana. Não servia para ser uma modelo. Seus cabelos castanhos eram levemente encaracolados. Seu rosto era oval e possuíam traços suaves. Não era feia e nem desajeitada, mas nesse momento sentia-se insegura.

Divagando assim em seus pensamentos não percebeu William entrar. Ele aproximou-se silencioso e ela acabou levando um susto. Ainda bem que tinha fechado a revista. Sorriu para ele, mas seu sorriso parecia vago. E ele estranhou. O que lhe levou a questionar após um beijo.

— Algo errado?

— Não. Tem notícias de sua mãe?

— Liguei para o hospital e parece que o inchaço está começando a melhorar. Mas é cedo para comemorarmos.

— Onde você estava?

— Preparando uma surpresa pra você.

— Mais uma?!!

— Quero mimá-la tanto que não pense em mais nada a não ser em mim.

— Nossa, isso é perigoso? Devo me preocupar? Você é dominador? Vai me enclausurar ou algo assim?

— Sim e não. Não sou perigoso. Tentarei ser dominador, pois quero estar em seus pensamentos sempre. Assim como você tem estado nos meus. E pretendo enclausurar você nos meus braços pra te encher de beijos até deixá-la sem fôlego. – E a abraçou forte e começou a beijá-la até ficarem sem ar. Para provar que estava falando sério. Acabaram caindo os dois na risada.

O clima era alegre e descontraído e Beatriz esqueceu por completo da loira. Lá pelas oito da noite desceram para uma sala que não era o restaurante. Havia uma mesa na frente de uma lareira acesa. Com lampiões formando um caminho até ela. Sobre a mesa havia um arranjo de rosas com velas no meio num lado da mesa. Era uma sala privativa. Uma música suave e gostosa estava tocando ao fundo. William puxou a cadeira para ela sentar. E abriu uma garrafa que ela achou que era vinho. Quando ela ia se manifestar sobre o assunto, pois não bebia nada com teor alcoólico, ele disse para ela ficar tranquila que era suco de uva puro.

O garçom trouxe uma salada de entrada que estava maravilhosa. Depois foi servido um peixe grelhado com batatas e um creme. E por fim uma torta de maçã. William convidou-a para dançar. Dançaram por um bom tempo. Hora conversando e rindo, hora sussurrando. Os dois rodopiaram durante um bom tempo. Por fim um garçom veio avisar de que o que ele pedira estava pronto. Ele pegou-a pela mão conduziu-a até a mesa e ajudou-a a vestir o casaco. E voltaram para o quarto.

Lá também tinha todo um clima preparado. Velas estavam acesas, assim como a lareira. A cortina que dava para o vale estava aberta e era possível contemplar a lua cheia em todo o seu esplendor. Sobre a mesa de centro que havia sido aproximada da lareira tinha dois aparatos de foudue. Um com chocolate e outro com queijo e mais duas bandejas com pedaços de pães e frutas.

— Minha querida, espero que goste de foudue. Esse friozinho é especial para nos deliciarmos com essa guloseima.

— Amei cada uma das surpresas que você me fez hoje. Estou encantada.

— Espero não estar te sufocando. Mas estou tão feliz! Apesar de toda a preocupação com a minha mãe, sinto-me leve e até eufórico. Tenho vontade de mimar você ao máximo. Nos próximos dias talvez não consiga dar a você tanta atenção quanto gostaria. Terei que resolver muitas coisas. Talvez até viajar por conta de um dos meus trabalhos. Porém quero que tenha a certeza do quanto estou gostando de você e do quanto é especial pra mim.

— Eu me sinto da mesma forma. Até parece um sonho, que em pouco tempo, horas esse sentimento tenha me invadido de tal forma que não está sobrando espaço. Sinto-me preenchida e feliz. Muito feliz!

William a beijou e tomou a iniciativa de molhar o primeiro pedaço de pão no queijo e colocar na boca dela. Seguido é claro de um beijo. E assim seguiu-se muitos beijos intercalados de morangos com chocolates ou pães com queijo.

Quando se saciaram recostaram-se no sofá abraçados. Conversaram longamente sobre suas infâncias. Os sonhos que tinham. Agora foi a vez de Beatriz deitar no colo dele. A intimidade e o carinho era crescente. William contornou os lábios dela com a ponta dos dedos. Acariciou seu rosto e a beijou.

Beatriz suspirou. Era bom demais. A noite não precisava acabar. Aos poucos os beijos ficaram mais e mais intensos, muitas carícias e a respiração dos dois já estava bem ofegante. Olharam-se profundamente.

— Beatriz, se eu dissesse que não quero fazer amor contigo estaria mentindo, mas gostaria de esperar. Prolongar essa magia e a descoberta um do outro por mais tempo. Você se importa? – Os olhos dela brilhavam.

— Não. Compartilho dos seus sentimentos. E posso, quero esperar.

A noite foi passando e nenhum dos dois tomava a iniciativa de levantar e ir pro seu quarto. Dormiram abraçados ali mesmo. Na frente da lareira sob a manta que estava no sofá. Deitados no tapete felpudo. A madrugada foi passando e os primeiros raios de sol começaram a entrar pela janela. William acordou primeiro, mas ficou sentindo o calor, o cheiro dela. Que magia era essa. Que mulher era essa! A felicidade existia e estava ali. Sua busca por algo que o completasse acabara.

Notas finais
E aí ? O que acharam? Próximo capítulo no domingo. Intrigas e dúvidas a vista.