Corações Represados
9 Capítulo 9
Notas iniciais
William moveu-se com cuidado. Ainda era muito cedo. Levantou foi até o quarto dela. Afastou as cobertas da cama e deixou o ar um pouco mais quente. Voltou à sala e com muito cuidado pegou-a no colo e levou para o quarto. Depois de deitá-la na cama, ficou um tempo observando-a sentado no chão ao lado da cama. Fez um carinho no seu cabelo. Admirou seu rosto. Como gostaria de dar-lhe um beijo, mas iria acordá-la. Foi para seu quarto e deitou para descansar mais um pouco. Eles tinha conversado até quase de manhã. Não pensava em dormir, mas o sono chegou e o carregou em seus braços para sonhos com Beatriz.
Os dois acordaram quase ao meio-dia. Resolveram apenas almoçar antes de retornar para a cidade e a realidade. Essas horas foram de puro êxtase para os dois. Estavam encantados um com o outro e desfrutando de um sentimento tão profundo que não haviam sentido antes em tal intensidade. Abriam-se sem reservas e se entregaram ao novo sentimento que receberam de presente da vida.
Nos dias que se seguiram estabeleceram uma rotina. Tomavam desjejum juntos no apartamento dela. Depois Beatriz ia para o hospital e ele para o apartamento da Isadora. Lá pelas 13:00 horas se encontravam para almoçar e voltavam para suas atividades. E se reencontravam à noite. Ás vezes saiam para jantar e dançar, às vezes um cozinhava para o outro.
Mais para o fim da semana a assistente Evelyn chegou e começou a avançar com a mudança da empresa para o país. Resolveu parte das questões legais e passou a procurar por fornecedores para os móveis do escritório. Colocou anúncio para contratar alguns funcionários que seriam necessários.
William quase terminara o novo programa do cliente de Dubai. E Beatriz começara a escreve um conto novo. Seu trabalho rendia bastante, pois Isadora ainda estava sob coma induzido. Ela lia pra ela durante um período de manhã e a tarde, mas sobrava bastante tempo para trabalhar em seu conto.
No fim de semana as notícias da saúde de Isadora já era mais animadoras. O inchaço no cérebro diminuíra bastante e começariam a retirar as medicações. Em breve seria possível saber a extensão de sequelas que por ventura tenham ficado.
Como as notícias eram boas William quis comemorar. Soubera de um resort que ficava na cidade vizinha. Fez reservas e raptou Beatriz no hospital indo direto para a viagem. Sob protestos de Beatriz que queria passar em casa e pegar suas coisas.
— Não é necessário. Tudo o que você for precisar compraremos lá.
— É um absurdo. Quanto vou gastar nessa brincadeira?
— Nem um centavo. Quero continuar mimando você. E como poderia se não roubasse você num fim de tarde de sexta-feira?
— William, você é doido. Mas me encanta mesmo assim. – Suas mãos se encontraram e seus dedos se entrelaçaram. Ela encostou o rosto no ombro dele. Ele só soltava a mão dela para trocar a marcha e voltava a segurá-la.
Chegaram na cidadezinha a beira do mar no final da tarde. Havia senhores sentados nas calçadas na frente de mercearias, cafés e bares. Algumas lojas ainda estavam abertas. Ele parou o carro na frente de uma com vitrine vistosa e pelas roupas expostas devia ser cara.
Abriu a porta para Beatriz descer e entraram. Ele pediu a vendedora que precisava de roupas para um fim de semana. Explicou que ele havia raptado a namorada e ela estava somente com a roupa do corpo. E que não se preocupasse com os gastos. A vendedora sorriu deliciada pelas duas informações. E tratou de mostrar vários artigos. Ele deu opiniões em várias das peças de roupa que ela escolheu e nos calçados. Saíram cheios de sacolas.
Depois de guardar tudo no porta-malas do carro. Atravessaram a rua para tomar um chocolate quente num café que ficava na esquina. Pediram duas tortas de morangos e dois cappuccinos. Ele ficou implicando com ela e suas compras e ela reclamando que ele tinha gastado muito.
Depois do lanche caminharam até a beira da praia. Beatriz fechou melhor sua jaqueta de couro com pele por dentro. Andaram de mãos dadas. Abraçaram-se e beijaram vez ou outra, conforme andavam. Quando o sol deixou seus últimos raios no horizonte, William tomou-a nos braços e rodopiou com ela. Quando a depositou no chão novamente olhou em seus olhos...
— Não estou apenas apaixonado por você, minha doce e bela Beatriz. Creio que a amo. De uma forma intensa como achei que não era possível sentir. Se estes dias parecem sonho pra você, pra mim mais ainda. Nunca levei a sério nenhum relacionamento. Não acreditava em amor. Passei a sonhar em seus braços. Aprendi a desejar de uma forma diferente. Eu não queria um depois, um amanhã. Hoje eu quero fazer planos, se possível, pro resto da minha vida. – Os olhos de Beatriz brilhavam de felicidade e de lágrimas ao mesmo tempo.
— Só há uma resposta pra força daquilo que sinto. Amor. Também amo você. E tenho medo de tanta felicidade.
— Não tenha medo, sinta. Te amo! Te amo! – William volta a rodopiar enquanto ela ri, gargalha de pura alegria.
O sol já tinha se escondido por completo, quando chegaram ao resort. Foram acomodados na suíte, como no fim de semana anterior. Havia um frisson no ar. Havia arranjos de rosas em toda a suíte. O ambiente era decorado de forma que lembrava uma cabana rústica, mas com muito conforto. Uma lareira com um tapete enorme e de tão fofo os pés afundavam nele. O ambiente era agradável e deliciosamente aconchegante.
Beatriz tomou um banho demorado e escolheu uma das muitas roupas que comprara horas antes. Escolheu uma calça clara de lã e uma blusa azul com gola alta. Vestiu por cima um casaquinho claro pra combinar com a calça. Calçou uma botinha curta, no mesmo tom de azul da blusa. Secou e escovou os cabelos. Fez a maquiagem com capricho, mas de forma simples apenas realçar os seus traços.
Em seu quarto, William estava ansioso. Pedira um jantar leve no quarto. Estava nervoso. Aquela noite precisava ser perfeita. E que essa fosse a primeira de muitas noites desfrutando a companhia dela. Queria construir uma vida ao lado dessa mulher incrível. Planejara durante a semana. Fizera planos precisos e entrara em contato com o resort com antecedência, pedindo detalhadamente o que desejava. Mesmo assim não conseguia evitar a ansiedade.
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