Notas iniciais
Um susto e muita emoção recheiam esse capítulo. Boa leitura.

O Mercedes adentrara na alameda que levava até a parte detrás do salão, mas antes que chegasse ao ponto onde pararia para Beatriz descer, o carro foi abordado por três homens encapuzados e armados. Eles apontaram as armas e pediram para o motorista sair de dentro com os braços para cima.

No mesmo instante saindo de todos os lados policiais e seguranças armados saíram e rodearam o carro e os homens armados dando voz de prisão. Eles não se moveram. Olhavam para o sujeito mais baixo como em busca de auxílio ou um comando. Os policiais repetiram a ordem para que baixassem as armas. Os dois homens mais altos fizeram menção de fazê-lo, mas o menor com voz esganiçada os impediu. Os policiais avançaram mais uns metros fechando o cerco para impedir qualquer tentativa de fuga. Os dois bandidos que obedeciam resolveram não arriscar e largaram as armas. Colocaram as mãos atrás da cabeça como fora solicitado. O bandido menor xingava baixinho. Arma em punho apontava para a janela detrás do carro onde estava Beatriz.

Esta estava trêmula. Sabia que seus tremores não eram pelo vento gelado que atravessou a janela nesse instante, mas por conta de quem ela imaginava ser o bandido menor, Evelyn. O que aconteceria nesse momento? Pelo lado do prédio viu William chegar correndo e parar no canto se segurando na parede. Ele ofegava. Beatriz temeu por ele. Onde ele estava, um tiro podia acertar ele ou ela. Bastava que Evelyn tivesse uma boa pontaria e Beatriz acreditava que ela tinha.

Ela precisava fazer alguma coisa. Ela se casaria e nenhum acontecimento trágico a impediria. Passou a observar cada movimento daquela figura a sua frente do lado de fora do carro. Algo lhe passou pela cabeça, mas precisava que ela se aproximasse mais um pouquinho. Só mais um pouquinho. E como se Evelyn obedecesse um comando silencioso deu mais dois passos em direção da porta do carro. Era tudo o que Beatriz precisava.

A porta do carro se abriu num supetão atingindo em cheio o terceiro bandido. Os policiais avançaram sobre ele prendendo-o. E não foi surpresa ao tirarem o capuz e confirmarem que o terceiro bandido era mesmo Evelyn. Os três malfeitores foram detidos e nesse instante William já estava ao lado de sua amada tentando ver se tudo estava certo. Ela lutava com a saia do vestido longo para conseguir sair do carro. Quando finalmente conseguiu se jogou nos braços de seu amado. Abraços e beijos foram trocados. E por fim ela se afastou olhando bem séria para ele.

— Temos um casamento para ser realizado e convidados nos esperando? William meio confuso abanou a cabeça antes de responder.

— Estão todos em pânico, mas creio que ainda desejam nos ver casados.

— Então não vamos deixa-los esperando mais. Preciso de uns dez minutos para retocar o batom e respirar e estarei pronta para prosseguir. – Ele a abraçou. Essa mulher era incrível. Depois de tudo o que havia passado estava firme e forte para seguir em frente. Outra teria cancelado tudo e deixado para outro dia. Ela não.

— Nossa maior vitória sobre essa psicopata é seguirmos nossas vidas como havíamos planejado. – William a beijou mais uma vez.

— Amo você, moça corajosa. Te espero no altar.

— Você também não está nada mal.

— Te amo!

Saiu a passos largos voltando pelo caminho que tinha vindo e sumiu no canto do prédio por onde havia aparecido antes. Beatriz respirou fundo e por mágica suas amigas surgiram ao seu lado junto com o maquiador do Spa. Em cinco minutos estava pronta. Dirigiu-se para a entrada da alameda que a levaria até o altar que haviam preparado.

Mesmo tendo visto William antes, não conseguiu evitar um suspiro. Ele estava lindo! Usava um fraque preto com colete cinza e gravata listrada miudinho. Seus olhos brilhavam e o sorriso era imenso. Parecia que o sol em seus últimos raios ajudava irradiando sobre ele. Tudo parecia perfeito. Sua garganta se apertou, mas não choraria. Nem de alegria. Estava muito feliz.

Beatriz entrou radiante e só sorriso pelo tapete que a conduzia até o altar. Parecia deslizar em meio a uma nuvem. Seu vestido era com um degote canoa que deixava o colo e os ombros a mostra. Na beirada havia uma pele dando um toque delicado. Um bordado descendo pelas mangas e pelo corpo de vestido de tal forma que parecia que na renda havia pequenos cristais esparsos e que aumentavam de quantidade conforme chegavam próximo da beirada da barra da manga na mão e da barra do vestido. Parecia uma princesa de contos de fada. O seu cabelo havia sido arrumado num coque despretensioso e cercando esse havia um arranjo de um círculo de cristais que dava o toque final e do qual saia na parte detrás da cabeça o véu.

A cerimônia foi linda e curta. Tanto a juíza como o pastor exaltaram o amor e tudo o que haviam passado e os desafios vencidos até aquele momento. Depois uma chuva de pétalas de rosas que caiu sobre eles enquanto saiam em direção ao salão.

Quem estava quase tão radiante como os noivos era Isadora. Ela ainda arrastava um pouco a perna que havia machucado no acidente e usava uma bengala para se afirmar. Mas sua felicidade era tal que parecia flutuar. Os noivos foram atenciosos com todos os convidados, mas o que mais desejavam era fugir dali. Depois do que pareceu uma eternidade Beatriz foi convidada a cortar o bolo e depois jogar seu buquê. E estavam livres para fugir.

A Mercedes que havia trazido Beatriz se encontrava na entrada e os noivos se despediram sob uma chuva de arroz e mais pétalas de rosas. Com certeza era coisa de William. Pensando bem as duas chuvas de pétalas de rosas deviam ser coisa dele. Não estavam no cerimonial visto e aprovado por Beatriz. Parecia exagero, mas ela adorara cada pétala. Sentia-se flutuando.

Uma curiosidade a estava deixando inquieta. William havia pedido seus documentos incluindo seu passaporte em branco. O havia feito, mas nunca usara. Sabia que ele desejava fazer-lhe uma surpresa com a lua-de-mel. Tinha tentado descobrir pelo menos uma pista sobre o lugar pra onde iriam, mas não conseguira.

Seguiram até o apartamento que era dela e de agora em diante seria oficialmente deles. Foram recebidos por um Gilbert muito sorridente lhes felicitando e lhes entregando um singelo presente de boa sorte. No apartamento trocaram de roupa e pegaram as malas que já estavam prontas. Beatriz apenas sabia que iriam pra um lugar quente e de praia.

Chegando no aeroporto seguiram para um determinado portão e por mais que parecesse impossível, Beatriz não conseguia adivinhar para onde estavam indo. Estava cansada. O dia havia sido cheio de emoções demais e não demorou para que ela adormecesse. Teve muitos sonhos. Alguns sobressaltados a princípio, mas depois passaram a ser sonhos suaves. Ouvia a voz de William e tudo parecia perfeito em seus sonhos.

Notas finais
Nossa história está chegando ao fim. Mais um capítulo para se encerrar. Espero que aqueles que acompanharam tenham gostado. Deixem seus comentários. Gostaria muito de saber o que acharam.