Notas iniciais
Um sonho que se transforma na promessa de realidade. Preparativos de um momento único e maravilhoso. Ansiedade que antecede o resto de duas vidas.

Evelyn tinha sido indiciada por sequestro e por desvios que realizara na empresa durantes os últimos dois anos. Ficara presa provisoriamente na delegacia nas três primeiras semanas. Depois transferida para um presídio feminino para esperar o julgamento. Como tinha família numa cidade distante uns duzentos e cinquenta quilômetros dali pediu transferência. O pedido recebeu parecer favorável e foi aceito pelo juiz, tendo em vista que ela pediu para ser incluída no programa de reabilitação com serviços na oficina de trabalhos manuais que funcionava na prisão. Na transferência para esse novo presídio foi como ocorreu a fuga.

O ônibus da polícia foi bloqueado na estrada e homens armados tiraram ela e a colocaram num carro preto que não foi mais visto. Com certeza já havia trocado de carro novamente. Ela podia estar longe, mas louca como era e completamente transtornada como estava, todos criam que ela voltaria para fazer alguma coisa contra William ou Beatriz. Talvez até contra Isadora.

Diante da ameaça e o perigo que rondav,a a dúvida era se continuavam com os preparativos do casamento ou paravam com tudo e esperavam ela ser presa. Nos dois dias que se seguiram Beatriz evitou sair de casa e procurou resolver tudo pelo telefone e pela internet, mas havia muitas coisas nos últimos preparativos que precisavam do seu olhar e decisão. Não podia continuar se escondendo daquela maluca e nem parar de viver por causa dela.

William havia contratado dois seguranças um para andar com ele e outro com Beatriz. Havia policiais na entrada do prédio disfarçados trabalhando na recepção. Os dois depois de conversarem com o delegado resolveram continuar com os preparativos do casamento.

O frio rigoroso do inverno estava desaparecendo com a chegada da primavera. O sol durava mais tempo e a neve tinha ido embora. Já podia-se ver folhagens novas nas árvores e flores crescendo nos jardins. Tudo estava mais verde e mais lindo. Parecia que o mundo resolvera se enfeitar para comemorar a felicidade de Beatriz e William junto com eles.

Haviam escolhido um local para o casamento onde poderiam fazer a cerimônia ao ar livre se estivesse bom o tempo ou se ventasse muito ou chovesse podiam usar um salão que tinha três lado em vidro. A luz podia entrar e veriam o pôr-do-sol e a lua.

O domingo amanheceu frio, mas o sol despontou logo cedo e embora o vento fosse gelado ainda, tudo estava lindo. Beatriz tinha marcado seu dia de noiva num Spa que não ficava muito distante do local onde seria o casamento. Passaria o dia se preparando. Tudo tinha sido feito com muita discrição para que essa informação não chegasse aos ouvidos errados.

O vestido, os sapatos e tudo o que ela usaria já havia sido entregado no Spa na sexta-feira. Agora era só aproveitar o dia. Beatriz tinha convidado duas amigas da faculdade e outras duas do escritório onde trabalhara para serem suas damas de companhia e madrinhas. Elas passariam o dia lá com ela.

O casamento estava marcado para às dezessete horas. A ideia era pegar a luz do fim do dia e o pôr-do-sol durante a cerimônia. Um carro antigo tinha sido escolhido para levá-la até o clube onde seria o casamento. Era um Mercedes-Benz, modelo 1969. Era preta com capota branca. Se ventasse muito ou chovesse usaria com a capota fechada, mas se houvesse sol e o tempo lindo como parecia que seria, usaria a capota aberta. O Carro devia chegar às dezesseis e quinze. O trajeto era de vinte minutos. Queria chegar adiantada e não pretendia se atrasar. Achava que os atrasos eram um desrespeito com os convidados.

A entrada do clube tinha um caminho que serpenteava até o local onde a cerimônia seria realizada. Esse caminho era todo ladeado por uma cerca-viva onde haviam rosas trepadeiras. E elas estavam floridas. Beatriz não podia ter pedido algo melhor. Rosas brancas e cor-de-rosa se misturavam nesse caminho mágico. No local que escolheram para a cerimônia havia um caramanchão de Tumbérgias azuis-claras misturadas com madressilvas brancas. E estavam floridas. Pequenos arranjos de rosas vermelhas e brancas ladeavam o tapete que levava até o altar que foi preparado no caramanchão.

Como as noites ainda eram frias, as mesas para o jantar foram preparadas dentro do salão. Todas receberam arranjos altos com uma vela e ao redor mais baixo um arranjo de rosas vermelhas com mini rosas brancas. Estavam dispostos sobre mesas redondas para seis pessoas cobertas com toalhas de renda branca sobre um fundo dourado. Haviam arranjos de diferentes tamanhos em vermelho e branco espalhados pelo salão. Tudo de muito bom gosto.

Beatriz passou o dia entre massagens, banho de ofurô, manicure, cabelereiros e maquiadores. Próximo das dezesseis estava pronta faltando apenas os sapatos e o arranjo da cabeça onde o véu seria preso. Quando o carro encostou na frente da porta do Spa uma Beatriz sorridente e radiante já se postava na porta. Agradeceu a todos pelo carinho e a atenção com que lhe haviam cuidado. Tirara muitas fotos durante o dia. E agora mais algumas fora do carro com suas damas, entrando no carro e dentro dele. Um segundo carro aguardava as suas amigas para levá-las ao clube.

Por telefone foram avisadas de que o noivo já estava no local do casamento e podia seguir para o clube. Até aquele momento Beatriz só havia sentido alegria e fizera festa com as amigas o tempo todo. Mas agora um friozinho na boca do estômago, um aperto no peito que subia pela garganta começou tomar conta dela. Estava nervosa. Tudo parecia um sonho. E como era bom viver esse sonho acordada.

William fizera questão de que tudo ficasse lindo e incrível. Não poupou gastos. Não haviam muitos convidados, mas para os que estariam presentes tudo tinha sido feito para encantar. A cerimônia seria simples feita pela juíza de paz e um pastor faria uma breve meditação e uma benção.

Junto com Beatriz, no carro estava o segurança contratado por William. Era a lembrança de que ainda havia o risco de nem tudo ser perfeito como sonhara. Mas tinha uma fé imensa de que tudo daria certo. E que seria um dia só de alegria.

Estava mergulhada em seus pensamentos quando entraram na alameda do clube que levava até o local da cerimônia. No portão de entrada pararam para a identificação de praxe. Aí recebeu um envelope com uma caixinha. Era de William. Dentro da caixinha havia um cordão com um pingente em forma de coração com a foto dos dois. No bilhete ele pedia para ela usar. Seria o símbolo de que o coração dele pertenceria a ela pra sempre. Assim como ela já morava no dele. Esse gesto emocionou Beatriz. Como o amava. Absorta por aquele amor não percebeu um carro que se aproximava. Apenas se preocupou em colocar o cordão no pescoço como ele pedira. Beijou o envelope que tinha aquela declaração de amor que confirmava que estava fazendo a coisa certa.

Notas finais
Será que Beatriz e William conseguirão concretizar seu casamentos sem sustos? Evelyn terá sumido pra sempre ou os atormentará novamente?