Notas iniciais
Ansiedade e preparativos. Pesadelos e esperanças de êxito. Tudo está sendo preparado para libertar Beatriz. Conseguirão?

No apartamento de Beatriz, todos se reuniram em torno da caixa que chegara. Os peritos procuraram por impressões digitais e outros vestígios que pudessem estar na caixa e pudessem fornecer pistas sobre o paradeiro dela. Depois abriram seu lacre com um estilete. Dentro estava o cachecol de Beatriz e uma foto dela no início da manhã saindo de casa e outra foto dela no cativeiro com o mesmo cachecol. Esta foto do cativeiro mostrava ela no chão desacordada. Também havia um bilhete impresso e pelo teor indicava ser de Evelyn exigindo recontratação imediata. Além disso, exigia um compromisso formal com William com a data do casamento marcada. E os documentos para o casamento encaminhados no cartório. Quando tudo estivesse pronto e o casamento tivesse acontecido ela se comprometia a soltar Beatriz. No fundo da caixa havia um envelope com os documentos de Evelyn.

William balançava a cabeça sem acreditar no que via na sua frente. Parecia um pesadelo. Beatriz, porque ela aparecia desacordada na foto. Teria sofrido violência? Ou será que apenas sedaram ela? Sua vontade era de sufocar aquela doida.

— Como vamos resolver isso? Agora temos certeza de que foi a desvairada da Evelyn que sequestrou Beatriz. Alguém tem alguma ideia?! – William se jogou no sofá exausto.

— Temos que fazê-la acreditar que você vai entrar no jogo e fazer o que ela está exigindo.

— E como fazemos isso?

— Você tem o número do celular dela, com certeza. Ligue para ela e diga que você vai providenciar a recontratação dela. Que rasgará os documentos da rescisão. E que amanhã de manhã vai dar entrada nos papeis para o casamento. Mas diga que precisa da presença dela para poder encaminhar os documentos. Que você se informou com o advogado. Como você tem bens é necessário algumas providências legais referentes a esses bens antes de casar. E para isso precisa da presença dela. Charles, veja o nome e o endereço de um cartório civil onde possamos ficar de tocaia e depois segui-la até o cativeiro.

— E se ela não cair nessa armadilha? Ela deve estar esperando algo assim.

— Foi tudo muito rápido. Se ela se organizou para esse sequestro não deve ter conseguido pensar em tudo. O tempo foi muito pequeno desde a saída dela da empresa e o sequestro. Deve ter sobrado uma brecha, um descuido. E temos que tentar tudo o que for possível para descobrir o cativeiro. Quando Beatriz estiver segura e descuidada prendemos ela. E falaremos com o cartório. Não será um casamento real se tivermos que chegar até lá.

— Graças a Deus – William soltou o ar dos seus pulmões com força – já imaginou ter que casar de verdade com essa monstra. Minha maior preocupação é como a Beatriz está. Creio que ela tenha sido sedada. É o que dá para perceber pela foto.

— Também creio assim. Mas por enquanto ela não corre risco de vida.

— E maus tratos?! Aquela mulher é capaz de coisas terríveis. Pelo relatório que recebi do investigador ela é suspeita em crimes graves, que incluíram tortura das vítimas.

— Vamos pensar positivo.

— Sargento, vou levar todo esse material para o laboratório. Vamos ver o que achamos. Quem sabe conseguimos uma pista do cativeiro.

— Faça isso. Gomes, conseguiu o endereço do cartório que te pedi?

— Sim, sargento. Também já conversei com o oficial responsável. Ele me orientou no que devemos dizer e fazer. Ele pessoalmente irá atender o senhor William, amanhã. Toda a documentação será encaminhada como verdadeira, mas não terá valor legal, porque ele não colocará no sistema de registros dos documentos legais. Será inexistente.

— Obrigado! Oriente o senhor William e depois fique a disposição se precisarmos para alguma busca.

Wiliam ligou para Evelyn e acertaram o horário para eles irem até o cartório no dia seguinte. William queria desesperadamente falar com Beatriz, mas achou melhor não mencionar o fato com medo de que ela pudesse ser prejudicada. Afinal não era uma situação comum.

A noite foi longa. Tentou descansar, mas não conseguiu. Cochilou alguns períodos, mas teve pesadelos. Pela manhã levantou cedo antes do sol nascer e procurou comer e organizar as ideias. Precisava policiar-se durante o encontro com Evelyn para evitar uma reação indesejada. Era necessário assegurar o bem estar e a segurança de Beatriz.

Às sete e trinta ouviu uma batida na porta. Era o sargento. Queria conversar sobre as estratégias a serem seguidas logo mais no encontro com Evelyn. Queriam que ele convidasse ela pra um café ou pro almoço. Eles iriam implantar um rastreador no carro dela enquanto ela estivesse ocupada. Procurariam segui-la através do celular e do chip implantado no carro. Esperavam ter resultado com um deles.

Mais uma batida na porta. Era um dos investigadores da noite anterior. Ele trazia uma maleta cheia de apetrechos. Ele trouxe um sistema de escutas para William usar. E um comunicador para colocar no ouvido. Como o cabelo dele estava um pouco comprido esconderia com sucesso um ponto no ouvido. Assim passariam instruções se houvesse necessidade. E ouviriam tudo o que conversassem podendo cruzar informações para encontrar o cativeiro.

Também trouxeram uma caneta que deram para William tentar colocar na bolsa dela. Era uma caneta promocional de uma loja onde sabiam que Evelyn fazia compras, porque acharam embalagens no lixo dela, portanto não levantaria suspeitas caso ela a visse na bolsa.

Era quase nove horas da manhã. William resolveu passar no hospital, pois a mãe ficaria preocupada. E estranharia a ausência dele e de Beatriz. Resolveu mentir mais uma vez para a mãe dizendo que Sua amada estava com uma gripe muito forte. Encontrava-se de cama com febre. Isso ajudaria a explicar a ausência de Beatriz por alguns dias se fosse necessário. E foi o que fez.

Tudo foi acertado com os policiais. Próximo das onze horas, horário combinado para o encontro no cartório, os policias avisaram pelo ponto no ouvido de William que estava tudo pronto e aguardavam para agir. Já foi uma forma de verificar se tudo estava funcionando como deveria. Ele se despediu da mãe tendo certeza de que a enfermeira ficaria com ela o tempo todo e que os policiais estariam do lado de fora da porta do quarto dela.

Dirigiu-se para o cartório com tempo suficiente para chegar antes de Evelyn. Conversou com o oficial do cartório e dois policiais estava no ambiente como se fossem funcionários que estivessem trabalhando.

Ela chegou pontualmente às onze horas. Estava muito bem vestida com um terninho azul-marinho e um casaco gelo por cima. Calçava botas de cano curto pretas combinando com a bolsa. Olhando ninguém diria que se tratava de uma pessoa desequilibrada e desorientada capaz de fazer mal a outro ser.

A sorte estava lançada. Como o dia terminaria, ninguém sabia, mas William esperava que fosse com Beatriz em seus braços. Olhou para a mulher a sua frente e pensou em como é impossível conhecer realmente a alguém. Convivera com ela por três anos e meio e não a conhecera. Nem percebera que era perigosa. A encenação do teatro do seu casamento com ela começava naquele momento.

Notas finais
Os planos e estratégias montados pela polícia darão certo. Beatriz será encontrada e salva?