Notas iniciais
Muito barulho e confusão... Momentos desagradáveis de pessoa inconveniente... O mistério começa a ser solucionado... A saudade começa a mostrar-se...

Beatriz só deixou o hospital depois das 19:00 horas, quando prepararam Isadora para a noite. Ela parecia mais corada. Passou pelo supermercado e depois na mercearia. Ao chegar ao prédio não subiu direto. Passou pela portaria para pegar as suas correspondências, as do William e as de Isadora. Gilbert estava agitado.

— Dona Beatriz, que bom que passou por aqui. Precisava muito falar com a senhora.

— O que aconteceu?

— Mais cedo, uma mulher loira, alta, toda estilosa esteve aqui querendo que eu entregasse as correspondências do Senhor William e da Dona Isadora.

— E você entregou?

— Não! Imagina! Ainda mais que o Senhor William disse que era pra entregar tudo para a senhorita e pra mais ninguém.

— Fez bem Gilbert. Avise o Senhor Adamastor pra que faça o mesmo. Ela pode voltar.

— Fique tranquila, senhorita. Como está dona Isadora?

— Está bem. Cada dia melhor. Hoje, achei até que ela estivesse um pouquinho corada. Espero que em breve possamos tê-la conosco de novo.

— Deus lhe ouça.

— Vai ouvir sim. Boa noite Gilbert.

— Boa noite Dona Beatriz. Bom descanso.

— Obrigado, meu amigo.

Beatriz subiu pro seu apartamento cansada e intrigada. O que essa criatura, assistente do William desejava? Pelo jeito ainda haveria mais encontros desagradáveis como o da tarde no hospital.

Olhou pro relógio e imaginou onde William estaria naquele momento. Ainda faltavam muitas horas até ele chegar a Dubai. Olhou ao redor e sentiu sua falta. As coisas estavam como eles haviam deixado pela manhã. Uma manta no sofá, as xícaras que usaram de manhã, ainda precisavam ser lavadas. Resolveu fazer isso e já comer alguma coisa. Depois iria pro seu quarto de vez. Queria escrever mais um pouco e pesquisar algumas coisas para o que escreveria no dia seguinte. Olhou o noticiário enquanto comia e não havia nada diferente do habitual.

Após comer e ajeitar o que estava fora do lugar, tirou o lixo e resolveu passar no apartamento de Isadora e fazer o mesmo. Desceu com os dois sacos de lixo para por no lixeiro. Quando entrou no corredor que dava para a recepção ouviu vozes alteradas. Resolveu verificar do que se tratava. E não se surpreendeu com o motivo das vozes alteradas na recepção. Lá estava a loira novamente.

— Boa noite, Evelyn. Posso ajuda-la?

— Há é você! Por que não me surpreendo. Também está enfiada na casa do William?!! Você não tem vergonha?!!!

— Bom senhorita, eu estou no meu apartamento comprado com o meu dinheiro. Eu moro aqui. Mas isso não é da sua conta. Mais uma vez,... posso ajudá-la?

— Vim até aqui pegar as correspondências do William e esse mal criado não quer me entregar.

— Bom senhorita, nosso funcionário não é mal educado e está apenas obedecendo uma ordem dada pelo William antes de viajar. E como Gilbert é um funcionário exemplar não irá entregar nada a menos que receba ordens para isso.

— Não acredito que ele daria uma ordem impedindo que eu receba as correspondências dele. Sempre fui responsável por tudo.

— Parece que não é mais. Agora se nos dá licença já é tarde.

— Eu voltarei e vocês terão que me pedir desculpas. O William vai obrigar vocês a isso. Tenham certeza. Nunca fui tão humilhada.

Falou e saiu batendo a porta de entrada. Estava furiosa. Beatriz que já estava intrigada ficou mais ainda. O que essa mulher queria. Se realmente havia correspondência que ela precisava poderia entregar, mas se por outro lado ele foi taxativo de que não entregasse nada a ninguém, sabia porque. Pediria que lhe explicasse o que estava acontecendo.

Depois de um longo banho. Sentou-se na cama com a televisão ligada e com o computador no colo para trabalhar. Fez algumas pesquisas que precisava e depois de ouvir mais algumas notícias e um documentário escreveu mais um trecho do seu livro. Estava gostando do rumo da sua vida. Algo totalmente novo e inesperado. Olhou para a aliança de compromisso dada por William e sorriu. Um mês atrás falara com uma de suas colegas de trabalho que namoro e casamento não estavam nos seus planos. E agora era uma feliz namorada ansiosa por notícias de seu amado que estava distante.

Parou de trabalhar lá pela meia-noite. Estava cansada do seu dia cheio de emoções. Fez uma lista mental do que queria fazer no dia seguinte e adormeceu.

Foi acordada lá pelas oito com o celular tocando. Era William.

— Oi, querido, já chegou? Achei que iria demorar mais. Fez boa viagem?

— Meu amor... que saudade! Essas horas longe de você estão sendo uma tortura. Estou bem, mas cansado. A viagem foi boa, na medida do possível para uma distância tão grande. Como você está querida?

— Sentindo sua falta também. Estou até meio perdida. Sentindo falta dos seus beijos, seu abraço. De tudo.

— Que bom! Só assim tenho certeza de que não serei esquecido. Como está minha mãe?

— Está melhorando. Ontem fiquei com ela até umas sete da noite. Ela até parecia mais corada.

— Que bom ouvir isso. Quem sabe ela acorde até eu voltar e poderemos comemorar juntos.

— Meu querido, preciso te contar uma coisa esquisita que aconteceu.

— O que houve?

— Sua assistente esteve no hospital criando caso porque queria entrar no quarto da sua mãe e as enfermeiras não permitiram. Chegou ao ponto de ter que ser mostrado o documento que você fez. Depois ela esteve duas vezes aqui no prédio querendo pegar as correspondências suas e da sua mãe. Chegou a ser indelicada com o Gilbert.

— Eu já esperava por isso. Mas cheguei a duvidar que ela ousaria tanto. Meu amor, essa viagem que estou fazendo só foi necessária por conta de estragos que essa mulher fez na empresa. Não posso mandá-la embora agora, porque tenho algumas contas importantes que ela poderia estragar. Mas tentei limitar as ações dela ao máximo. Errei em dar um poder quase sem limites antes pra ela. Agora estou pagando o preço. Por favor não entreguem nada pra ela e nem deixem que ela chegue perto da minha mãe. Ela poderia causar muitos danos. Tudo que é importante direcionei para que chegue aí no apartamento. E tenho que te pedir um favor. Abra minhas correspondências e veja o que é urgente. Se possível escanceie e me envie por e-mail. O que não for e precisar ser resolvido, você me informa e eu te oriento quanto ao que fazer. Caso você não tenha uma copiadora com scanner, há uma no apartamento da minha mãe. Pode ser minha secretária nessa emergência, querida?

— Posso amor! É muito séria a situação?

— É um pouco séria, sim. Mas creio que limitando ela, poderei dar conta do recado. Desculpa te envolver nisso.

— Ela age como se fosse sua dona. Chegou a ser cômico se não fosse preocupante.

— Querida, em caso de necessidade me ligue, mande um e-mail, uma mensagem. Às vezes vou estar em reunião e não poderei atender ao telefone, mas vejo a mensagem e dou retorno assim que for possível.

— Farei isso.

— Ligo de novo mais tarde. Vou descansar um pouco.

— Pena não estar aí com você. Te amo!

— Te amo muito, muito, muito!

— Beijo!

— Pretendo cobrar todos com juros.

— Pode cobrar. Descansa.

William foi deitar e descansar. Sonhar com ela. E ela seguiu para o hospital. Queria ver como Isadora passara a noite. Depois almoçaria na cantina do hospital ou em algum lugar próximo. Esperava que o dia fosse calmo e sem ocorrências como no dia anterior.

Notas finais
Estão gostando ou odiando? O que acharam até aqui? Muita confusão à vista... Situações difíceis e adversas...