Corações Represados
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Beatriz tinha a esperança de um dia calmo e sem tumultos como no dia anterior, mas não foi o que aconteceu. Chegando ao hospital já foi recebida com a informação de que a senhorita Pearson estivera novamente no hospital e criara uma caso tremendo chegando ao ponto de ser necessário chamar os seguranças. Diante de tais acontecimentos ela não sabia ao certo como agir, mas resolveu tomar algumas medidas. Pediu que houvesse sempre um segurança na porta do quarto de Dona Isadora e que não fosse autorizado a entrada de ninguém além das enfermeiras responsáveis e dela até William voltar.
Depois disso Beatriz entrou e ficou alguns minutos com sua amiga querida. Não tinha ideia do que aquela mulher aparentemente desequilibrada queria, mas não permitiria que incomodasse Isadora. Já era possível perceber que sua recuperação estava acelerando. Sua cor estava quase normal e ela respirava tranquila. Precisava tomar algumas providências mais.
Voltou até seu prédio e conversou com o porteiro que estava na recepção. E preveniu-o sobre Evelyn e o orientou a não passar qualquer informação sobre ela ou sobre o senhor e a senhora Stevens. Não devia entregar nenhuma correspondência deles a ninguém a não ser pra ela. Havia algumas pessoas querendo o mal e não podiam permitir que conseguissem.
Subiu para o seu apartamento e abriu a correspondência do William e a de sua mãe. Separou as contas para pagar e depois começou a ler duas correspondências que haviam chegado para ele. Eram dois relatórios confidenciais. Ela scaneou e enviou os arquivos para Dubai. William havia criado um novo e-mail para que a correspondência que Beatriz enviasse pudesse estar segura. Pelo relatório era possível perceber que Evelyn vinha fazendo muita coisa errada na empresa.
Enviado o e-mail, Beatriz saiu para almoçar. Foi até o restaurante próximo ao hospital, que lhe haviam recomendado, mas que não tinha tido oportunidade antes de conhecê-lo. Pediu uma sopa de entrada e um peixe grelhado com batatas como prato principal. Dispensou a sobremesa e rumou para o hospital. Tudo parecia tranquilo depois dos problemas da manhã. O segurança estava na porta e a cumprimentou quando ela entrou.
Leu poesias e falou sobre o William para Isadora. Teve um momento que acreditou que sua amiga lhe ouvia, porque podia jurar que ela havia sorrido. Um meio sorriso em seu sono profundo. Lá pelo meio da tarde procurou pelo médico que lhe informou, que a partir do dia seguinte, tirariam todos os remédios para dormir e deixariam que Isadora acordasse por conta.
Beatriz voltou felicíssima pro quarto. Enviou uma mensagem pra Dubai contado a novidade. Sentou-se depois e começou a escrever. Eram 16:00, quando uma enfermeira entrou avisando que havia um oficial de justiça esperando na recepção. Beatriz foi ver do que se tratava. Muitas foram as surpresas que a aguardavam lá.
Evelyn havia requerido uma ordem judicial para entrar no quarto de Isadora. Havia usado uma procuração antiga que William havia lhe dado para conseguir o documento. Mas o hospital, diante de todos os problemas que havia enfrentado, estava precavido e pedido também uma ordem de restrição para ela. Como a decisão do juiz que atendeu ao hospital saiu minutos depois da decisão que obrigava o hospital a liberar a entrada dela no quarto da paciente, foi criado um impasse. O que Beatriz faria diante de tudo?
Releu a procuração de William dando plenos poderes a ela para decidir sobre tudo o que se referia a mãe dele, as finanças dela e a qualquer questão legal que viesse a surgir. Ela ficou impressionada. O oficial de justiça lhe entregou outro documento que era uma segunda procuração lhe dando poderes de decisão sobre questões pessoais de William e sobre decisões a respeito da empresa, caso fosse necessário na sua ausência. Ele realmente estava esperando problemas e pensou em tudo. Assinou o recibo de que recebera os documentos e ficou olhando para eles em suas mãos. O que faria a seguir?
Olhou para a secretária do hospital que lhe explicara o que estava acontecendo e as providências tomadas por eles. Perguntou se ela precisava tomar alguma providência legal. A secretária lhe orientou a procurar recursos legais se desejava manter Evelyn afastada do hospital.
Beatriz resolveu ligar para um amigo seu que havia resolvido algumas situações na empresa em que ela trabalhara anteriormente. Explicou o que estava acontecendo e pediu ajuda. Combinaram que ela pegaria um laudo do hospital sobre o estado de saúde de Isadora e as procurações deixadas pelo William e iria até o seu escritório.
Ela levou as autorizações, as procurações e uma cópia do mandado que Evelyn conseguiu para entrar no quarto no hospital, mais uma cópia da ordem de restrição conseguida pelo hospital. Chegando no escritório de Richard aguardou poucos minutos até ser atendida. Ele a cumprimentou efusivo. Era evidente que apreciava muito Beatriz.
— Minha querida, no que você se meteu?
— Eu em nada. Entrei de paraquedas. Sempre se ouve falar de gente maluca e mal caráter, mas não imaginei que teria que lidar com uma. O mais difícil é o fato de que William está longe e não pode agir pessoalmente nessa situação. Mas deixou os meio legais para que eu faça o que for necessário.
— Posso ver os documentos? – Beatriz estendeu a pasta com tudo o que havia trazido. Ele examinou antes de falar novamente.
— Creio que temos tudo o que é necessário para providenciarmos uma restrição de proximidade. Pedirei uma restrição que a impeça de chegar próximo de Isadora, no hospital e do prédio de vocês. Esse é o meio legal mais rápido de mantermos ela longe. Se ela obedecer é claro. Não há garantia de que isso aconteça.
— E se ela desobedecer essa ordem?
— Primeiro passo é chamar a polícia. Depois o juiz decidirá o que fazer. Mas como não sabemos o nível de descontrole dessa pessoa, o melhor é se cuidar, também.
— Obrigado! Não sabia a quem procurar e então lembrei de você.
— Estou feliz que tenha me procurado. Assim nos reencontramos. Eu estava com saudade. — Richard a havia convidado para sair, mas depois do primeiro encontro ela desconversou e não aceitou os demais convites. Agora por força da necessidade ele estava de novo na vida dela.
— Agradeço mais uma vez. Quando terei solução sobre o assunto?
— Te informo assim que o juiz me der uma posição. – Beatriz levantou-se e se encaminhou para a porta.
— Preciso ir. Tenho que voltar ao hospital.
Despediram-se e ela rumou para o hospital pensando sobre o assunto. Esperava que tudo se resolvesse logo. Pensou em Richard e não encontrou resposta para o porquê não ficaram juntos. Eles se deram bem desde que se conheceram uns dois anos antes, mas ela sempre foi resistente as investidas dele. Era interessante como o mundo dá tantas voltas e reúne pessoas que achavam que nunca mais se relacionariam.
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